Artigo: Ciência no canteiro de obras – II

Diário de São Paulo, 25/05/2015

Ao lado do Projeto Sirius, visto na coluna anterior (da edição do dia 16 de maio), o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) vai encampar outra iniciativa de grande porte e férteis perspectivas na Ciência do Brasil. O Reator Multipropósito Brasileiro (RMB) está sendo montado pela Comissão Nacional de Energia Nuclear, do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, com vistas à produção de radioisótopos, que são a base dos radiofármacos utilizados em Medicina Nuclear. E ainda vai gerar fontes radioativas para aplicações na agricultura, indústria e meio ambiente.

Uma das joias da coroa do Reator será a produção do molibdênio-99, radioisótopo de onde se fazem radiofármacos como os de tecnécio-99m, presentes em 80% dos procedimentos de Medicina Nuclear realizados por ano no País para diagnóstico e tratamento de doenças. É produto importado a peso de ouro, pois é raro no mercado internacional. A partir de 2018, quando o programa estiver concluído, o Brasil será autossuficiente em radiofármacos e até poderá ingressar no seleto grupo de países exportadores desses compostos que salvam vidas.

O novo Reator de grande porte também propiciará testes de irradiação de combustíveis nucleares – daí ser integrado ao complexo de pesquisa nuclear que o Centro Tecnológico da Marinha desenvolve em Iperó (SP). Ali já está em construção o submarino atômico que na semana passada teve seu primeiro e bem-sucedido teste com a turbina de propulsão. Associam-se dessa forma iniciativas nos setores da indústria avançada, saúde e defesa nacional.

O Projeto Sirius e o Reator Multipropósito Brasileiro podem parecer distantes do cotidiano, mas são projetos fecundos, de efeitos capilarizados na sociedade, planejados e financiados pelo governo brasileiro para gerar soluções de antigos problemas nacionais. É auspicioso verificar que, ao lado de viadutos, usinas e fibras ópticas, agora incluem-se no PAC empreendimentos científicos que também vão impulsionar o  desenvolvimento do Brasil.

 

Repercussão: Portal do MCTI; NIT Mantiqueira

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