Um apelo global por novas energias

Publicado em 18/09/2014
Folha da Região, em 17/09/2014

 

Ao optar por uma economia de baixo carbono, o mundo pode evitar custos financeiros e ambientais nos próximos 15 anos, segundo afirmação feita nesta terça-feira (16) por um grupo de especialistas antes da cúpula das Nações Unidas sobre o clima. Eles pediram maior ação global para a adoção de energias renováveis, o fim do desmatamento e a integração da investigação sobre as tecnologias adequadas como parte do combate às alterações climáticas. Segundo o relatório, os próximos 15 anos serão decisivos diante de uma economia mundial em plena reestruturação e face à dificuldade de respeitar o objetivo de limitar o aquecimento global a 2 graus Celsius. O estudo cita um investimento mundial de US$ 90 bilhões em infraestrutura nesse período, em que é esperado rápido aumento da urbanização.

O secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, convocou uma reunião de cúpula sobre o clima para o dia 23 de setembro, nas Nações Unidas, na esperança de preparar a próxima grande conferência mundial de Paris em 2015. O relatório apela igualmente à supressão progressiva das energias fósseis, assim como ao reflorestamento de 500 milhões de hectares de florestas e de terras cultiváveis até 2030.

Em São Paulo
Na matriz energética do Estado de São Paulo, a cana-de-açúcar responde por 29% da oferta total de energia produzida no Estado e a hidráulica por 8%. Petróleo e derivados, gás natural, carvão, lenha e outras fontes participam, respectivamente, com 60%, 6%, 2,6%, 1% e 2%, conforme dados mais recentes disponibilizados pela Secretaria Estadual de Energia e que se referem a 2011. O Estado é responsável por 18% da capacidade instalada de geração de energia hidráulica e por 52% da produção de álcool nacional. Isso faz de São Paulo uma “reconhecida liderança em geração de energia limpa”, propaga para investidores internacionais a agência oficial Investe SP.

Bacia de Santos
Além de um conjunto de usinas hidrelétricas, da capacidade de produção de etanol de cana-de-açúcar e da rede de distribuição de gás canalizado trazido pelo gasoduto Brasil-Bolívia, o Estado conta ainda com a reserva de hidrocarbonetos da Bacia de Santos, que engloba todo o litoral paulista, constituindo a região exploratória mais promissora atualmente na costa brasileira. Em 2012, 14 novos poços foram perfurados na Bacia de Santos, totalizando 51 (37 exploratórios) segundo a Petrobras.

Gás natural
Embora ainda restrito, o uso do gás natural vem crescendo no Estado. Em um período de 15 anos, a participação desta fonte no consumo energético final passou de 2% para 6%. Com o início das operações, em 2011, do primeiro trecho do gasoduto Caraguatatuba/Taubaté (Gastau), essa participação deve aumentar.

Biocombustíveis
Com o objetivo de apoiar a pesquisa na área de biocombustíveis, criando conhecimento para a produção sustentável e aplicações baseadas principalmente em etanol de cana-de-açúcar, a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) dispõe do Programa de Pesquisa em Bioenergia (Bioen), que articula a pesquisa acadêmica e aplicada sobre bioenergia com empresas do setor. O Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) é uma instituição de pesquisa, desenvolvimento e inovação voltada à obtenção de etanol de cana-de-açúcar com alta produtividade, mediante o aproveitamento máximo de matéria-prima e a observância de práticas sustentáveis pelo setor produtor. A fim de fomentar a pesquisa científica e o desenvolvimento tecnológico aplicados à indústria do petróleo, do gás natural e dos biocombustíveis, a Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) administra o CT Petro, fundo setorial de ciência e tecnologia voltado ao aumento da produtividade, à redução dos custos e à melhoria da qualidade dos produtos do setor.

Pré-sal
As recentes descobertas de reservas de petróleo na camada de pré-sal na costa brasileira podem ter reflexos não só na economia, mas também no desenvolvimento de tecnologias nacionais que simulem e aprimorem métodos de escoamento de óleo, dióxido de carbono e gás, sem a habitual dependência internacional, segundo divulgou o Correio Braziliense. Novo passo nesse sentido foi dado com a inauguração do Laboratório de Escoamentos Multifásicos Industriais (Lemi) da Escola de Engenharia de São Carlos (EESC), entidade com mais de 20 anos de experiência acadêmica em escoamento multifásico.

Petroleiras
O Valor Econômico divulgou que cresce o número de petroleiras estreantes no país. Ao menos dezoito empresas entraram no Brasil desde o ano passado. O destaque ficou com as gigantes chinesas CNOOC e CNPC, que integram, com 10% cada uma, o consórcio que arrematou o campo de Libra, no 1º leilão do pré-sal. Em geral a lista das estreantes é dominada por pequenas e novas petroleiras ou grandes companhias com expertise em outros setores.

 

Repercussão: Diário do Grande ABC, GCN

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