{"id":9191,"date":"2014-11-13T10:22:04","date_gmt":"2014-11-13T10:22:04","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/?p=9191"},"modified":"2026-03-02T16:07:40","modified_gmt":"2026-03-02T19:07:40","slug":"a-ciencia-de-interestelar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/a-ciencia-de-interestelar\/","title":{"rendered":"A ci\u00eancia de &#8220;Interestelar&#8217;"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Veja em 09\/11\/2014<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><strong>Para criar uma viagem pela gal\u00e1xia em busca de novos mundos para habitarmos, o diretor Christopher Nolan buscou na ci\u00eancia os recursos para torn\u00e1-la veross\u00edmil. Ao site de VEJA especialistas explicam os conceitos f\u00edsicos e astron\u00f4micos por tr\u00e1s do filme e contam se, um dia, teremos habilidades para fazer uma viagem assim<\/strong><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em um futuro n\u00e3o muito distante, a Terra deixa de ser uma fonte de vida e se torna uma amea\u00e7a \u00e0 esp\u00e9cie humana. Tempestades de areia cobrem o mundo de p\u00f3, dizimando as planta\u00e7\u00f5es e os homens. A principal preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 com o fornecimento de alimentos: a \u00faltima cultura que resta \u00e9 o milho que, em pouco tempo, tamb\u00e9m ser\u00e1 arrasada.\u00a0A \u00fanica solu\u00e7\u00e3o \u00e9 deixar o planeta que se tornou in\u00f3spito e\u00a0buscar, em algum lugar do universo, outro\u00a0lugar para habitar. \u00c9 apocal\u00edptico o futuro de\u00a0<em>Interestelar<\/em>, filme que estreou no Brasil nesta quinta-feira. Para construir essa viagem pela gal\u00e1xia, o diretor Christopher Nolan buscou na f\u00edsica, na astronomia e na mec\u00e2nica qu\u00e2ntica, recursos que tornem veross\u00edmeis essa jornada hoje\u00a0imposs\u00edvel\u00a0para a humanidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cNo filme, h\u00e1 v\u00e1rias teorias e hip\u00f3teses astron\u00f4micas que realmente existem e foram extrapoladas. A boa fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica faz isso: chega ao limite do que conhecemos para criar mundos alternativos\u201d, diz Douglas Galante, pesquisador do Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), em Campinas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Buraco-minhoca \u2014<\/strong>\u00a0Grande parte da base cient\u00edfica do longa vem do f\u00edsico te\u00f3rico americano Kip Thorne, um de seus produtores executivos. Thorne \u00e9 conhecido n\u00e3o s\u00f3 por colaborar em longas que levam a ci\u00eancia para as telas, como <em>Contato<\/em>, de 1997, mas tamb\u00e9m por ser um cientista de ponta, que avan\u00e7ou nas teorias de Albert Einstein sobre relatividade e gravidade. At\u00e9 2009, trabalhou no Instituto de Tecnologia da Calif\u00f3rnia (Calthech, na sigla em ingl\u00eas), uma das mais importantes universidades de ci\u00eancia e engenharia do mundo,\u00a0e\u00a0atualmente \u00e9 consultor da Nasa e integrante da Academia Nacional de Ci\u00eancias americana. O centro do novo filme traz uma das ideias mais fant\u00e1sticas do cientista: o buraco-minhoca atravess\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Previsto teoricamente mas nunca observado na pr\u00e1tica pela\u00a0ci\u00eancia, o\u00a0fen\u00f4meno \u00e9\u00a0um desdobramento da teoria da relatividade<strong>\u00a0<\/strong>especial\u00a0de Albert Einstein (1879-1955). O buraco-minhoca\u00a0\u00e9 uma ruptura no espa\u00e7o-tempo \u2014 \u00a0aquilo que os f\u00edsicos descrevem metaforicamente como\u00a0o tecido do universo, o ambiente din\u00e2mico onde todos os acontecimentos transcorrem. Essa ruptura\u00a0criaria um t\u00fanel ligando\u00a0dois pontos\u00a0afastados do universo.\u00a0Na gal\u00e1xia, qualquer pequena\u00a0dist\u00e2ncia \u00e9\u00a0medida em anos-luz \u2014 um ano-luz equivale a 9,46 trilh\u00f5es de quil\u00f4metros. Dos planetas\u00a0encontrados pelos cientistas\u00a0capazes de suportar vida multicelular, o mais parecido com o nosso \u00e9\u00a0Kepler 186f,\u00a0a\u00a0500 anos-luz de n\u00f3s. Para chegar at\u00e9 l\u00e1, viajando com a tecnologia atual, que usa 1% da velocidade da luz, levar\u00edamos\u00a050.000\u00a0anos \u2014 25 vezes toda a Era Crist\u00e3. Por isso, o buraco-minhoca seria\u00a0a solu\u00e7\u00e3o para viajar a planetas semelhantes ao nosso. Sem esse rasgo no tecido do universo,\u00a0que aproxima\u00a0dois pontos long\u00ednquos, \u00e9 impens\u00e1vel a chegada\u00a0em algum planeta potencialmente habit\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alguns te\u00f3ricos postulam que um buraco-minhoca s\u00f3 poderia existir se for microsc\u00f3pico. Segundo\u00a0os c\u00e1lculos de Thorne, contudo, grandes corpos \u2014 como uma nave espacial \u2014 poderiam\u00a0passar por esse buraco. Ainda assim, n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel\u00a0prever se chegar\u00edamos vivos do outro lado: a cria\u00e7\u00e3o desse fen\u00f4meno mobilizaria energias t\u00e3o fortes quando as que existem em um buraco-negro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHoje n\u00e3o existe tecnologia para chegar at\u00e9 um dos candidatos a nova Terra j\u00e1 descobertos. Mas isso n\u00e3o ser\u00e1 imposs\u00edvel para as pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es\u201d, diz o astr\u00f4nomo Am\u00e2ncio Fria\u00e7a, professor do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). \u201cA f\u00edsica muda muito e rapidamente. Basta lembrar que a teoria da relatividade tem apenas cem anos. Daqui a alguns s\u00e9culos, certamente, vamos encontrar um meio de fazer viagens interestelares: mas faremos isso por meio de uma ci\u00eancia que ainda est\u00e1 por ser descoberta.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Confira algumas propostas para essa ci\u00eancia do futuro trazidas por\u00a0<em>Interestelar<\/em>\u00a0traz\u00a0e veja qual a possibilidade de um dia se tornarem realidade,\u00a0de acordo com f\u00edsicos e astr\u00f4nomos:<\/p>\n<h3 style=\"text-align: justify;\">Improv\u00e1vel: fim dos recursos naturais<\/h3>\n<div style=\"text-align: justify;\">A tempestade de areia que assombra os moradores da Terra de &#8216;Interestelar&#8217; n\u00e3o \u00e9 fantasia: ela realmente aconteceu nos anos 1930, no interior dos Estados Unidos. Ap\u00f3s d\u00e9cadas do cultivo intensivo de gr\u00e3os que eliminou a vegeta\u00e7\u00e3o original da regi\u00e3o, a camada superior do solo se precipitou sobre as cidades em nuvens de p\u00f3. A hist\u00f3ria, contada no document\u00e1rio &#8216;The Dust Bowl&#8217;, feito pelo americano Ken Burns para a rede PBS, foi uma das inspira\u00e7\u00f5es para o roteiro.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Na vida real, entretanto, a possibilidade que essas tempestades arrasem o planeta e que os homens consigam esgotar a natureza \u00e9 bastante discut\u00edvel. \u201cAtualmente, a ocupa\u00e7\u00e3o irracional do solo e a explora\u00e7\u00e3o desenfreada dos oceanos est\u00e1 extinguindo muitas esp\u00e9cies. Os mais fr\u00e1geis s\u00e3o os mam\u00edferos e plantas de grande porte e os mais resistentes s\u00e3o os insetos, que se tornam agentes de pragas e propagadores de doen\u00e7as\u201d, explica o astr\u00f4nomo Am\u00e2ncio Fria\u00e7a, professor do Instituto de Astronomia, Geof\u00edsica e Ci\u00eancias Atmosf\u00e9ricas da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP). \u201cNo entanto, aprendemos a enfrentar as epidemias animais e as pestes vegetais com a tecnologia e \u00e9 preciso trag\u00e9dias em s\u00e9rie para que acabem todas as possibilidades.\u201d<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">Os cientistas acreditam que, antes de buscar outros planetas para viver, ser\u00e1 mais prov\u00e1vel que os homens aprendam a reciclar os recursos naturais. \u201cVamos aproveitar dejetos e outros materiais para criar um mundo de lixo praticamente zero, com tecnologias autossustent\u00e1veis. Nesse panorama, a agricultura ser\u00e1 cada vez mais tecnol\u00f3gica e intensiva. Regredir a um mundo agr\u00e1rio, portanto, parece muito improv\u00e1vel\u201d, diz Douglas Galante, pesquisador do Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), em Campinas.<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\">\n<h3>Prov\u00e1vel: nave girat\u00f3ria<\/h3>\n<p>A nave criada para o filme, chamada Endurance, \u00e9 um sistema circular que gira em torno de um eixo. A proposta, concebida na vida real pelo escritor de fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica brit\u00e2nico Arthur C. Clarke (1917-2008), \u00e9 um meio para criar gravidade artificial. Atualmente, um dos grandes desafios para longas viagens pelo universo \u00e9 a aus\u00eancia da gravidade: sem ela, os astronautas perdem massa muscular rapidamente, os ossos se descalcificam e o cora\u00e7\u00e3o fica fraco. O programa espacial russo \u00e9 o mais avan\u00e7ado nos <a href=\"https:\/\/veja.abril.com.br\/noticia\/ciencia\/lagartixas-enviadas-ao-espaco-em-satelite-russo-nao-sobrevivem\">estudos para driblar essas condi\u00e7\u00f5es<\/a>, no entanto, o ideal seria haver alguma gravidade dentro do m\u00f3dulo espacial. Uma boa maneira de criar essa condi\u00e7\u00e3o seria fazer a nave girar, criando uma for\u00e7a centr\u00edfuga. \u201cCom a velocidade de rota\u00e7\u00e3o controlada, o movimento \u00e9 capaz de criar a gravidade artificial em suas beiradas. \u00c9 o mesmo que acontece com uma m\u00e1quina de lavar: as roupas se colam \u00e0s bordas \u2014 os astronautas tamb\u00e9m ficariam \u2018grudados\u2019 no ch\u00e3o, com um efeito parecido ao da gravidade\u201d, explica Douglas Galante, do LNLS. Existem algumas propostas de naves para miss\u00f5es em Marte e projetos de esta\u00e7\u00f5es espaciais que funcionam dessa forma, mas nunca foram colocados em pr\u00e1tica.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Veja em 09\/11\/2014 Para criar uma viagem pela gal\u00e1xia em busca de novos mundos para habitarmos, o diretor Christopher Nolan buscou na ci\u00eancia os recursos para torn\u00e1-la veross\u00edmil. 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