{"id":7831,"date":"2014-04-30T11:38:56","date_gmt":"2014-04-30T14:38:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/?p=7831"},"modified":"2026-03-02T16:31:16","modified_gmt":"2026-03-02T19:31:16","slug":"uma-galaxia-com-40-bilhoes-de-terras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/uma-galaxia-com-40-bilhoes-de-terras\/","title":{"rendered":"Uma gal\u00e1xia com 40 bilh\u00f5es de Terras"},"content":{"rendered":"<p>Veja, em 27\/04\/2014<\/p>\n<p><em>Para cientistas, o Kepler-186f foi apenas o primeiro planeta parecido com a Terra a ser descoberto na Via L\u00e1ctea. O avan\u00e7o da ci\u00eancia espacial sugere que a pergunta que h\u00e1 mil\u00eanios nos intriga \u2014 estamos sozinhos no universo? \u2014 tem resposta: N\u00e3o<\/em><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/via-lactea.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft size-full wp-image-7832\" title=\"via-lactea\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/wp-content\/uploads\/2014\/04\/via-lactea.jpg?resize=448%2C336&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"448\" height=\"336\" \/><\/a>Na Via L\u00e1ctea n\u00e3o h\u00e1 apenas uma Terra. H\u00e1 40 bilh\u00f5es delas. O Kepler-186f, planeta fora do Sistema Solar muito semelhante ao nosso, descoberto no \u00faltimo dia 17, provavelmente ser\u00e1 conhecido como o primeiro dessa esp\u00e9cie. Em um futuro pr\u00f3ximo, contudo, muitos planetas assim, parecidos com a Terra, ser\u00e3o revelados pelos astr\u00f4nomos.<\/p>\n<p>Com dimens\u00f5es muito pr\u00f3ximas \u00e0s do mundo onde vivemos, o Kepler-186f deve ser rochoso e composto tamb\u00e9m de ferro, \u00e1gua e gelo, segundo cientistas. Isso significa que sua atmosfera tamb\u00e9m deve ser parecida com a nossa. Ele orbita a zona habit\u00e1vel de uma estrela an\u00e3 \u2014 ou seja, uma faixa nem muito pr\u00f3xima e nem muito distante de sua fonte de calor e luminosidade, o que faz com que suas temperaturas n\u00e3o sejam extremas. Essa \u00e9 uma das caracter\u00edsticas que mais empolgou a comunidade cient\u00edfica: o planeta tem grandes chances de ter \u00e1gua na forma l\u00edquida, uma das condi\u00e7\u00f5es fundamentais para a exist\u00eancia de vida sobre sua crosta.<\/p>\n<p>&#8220;Essa descoberta mostra que realmente existem planetas do tamanho do nosso em zonas habit\u00e1veis&#8221;, afirma a astrof\u00edsica Elisa Quintana, principal pesquisadora da Nasa respons\u00e1vel pela revela\u00e7\u00e3o do Kepler-186f. &#8220;Estamos percebendo que h\u00e1 muitos como ele e, por isso, as chances de existir vida em outros planetas \u00e9 muito alta.&#8221;<\/p>\n<p>At\u00e9 2010 ainda n\u00e3o havia confirma\u00e7\u00f5es de que outros lugares no espa\u00e7o poderiam reunir as m\u00ednimas condi\u00e7\u00f5es prop\u00edcias \u00e0 vida \u2013 \u00e1gua na forma l\u00edquida, energia e algum dos seis elementos fundamentais para a exist\u00eancia (carbono, hidrog\u00eanio, oxig\u00eanio, nitrog\u00eanio, f\u00f3sforo e enxofre). No entanto, com o lan\u00e7amento de miss\u00f5es como a Kepler, h\u00e1 cinco anos, e o avan\u00e7o de telesc\u00f3pios capazes de visualizar e enxergar n\u00e3o s\u00f3 partes long\u00ednquas do cosmo, mas tamb\u00e9m pequenos planetas (do tamanho da Terra ou menores que ela), os cientistas est\u00e3o percebendo que, sim, h\u00e1 bilh\u00f5es de planetas que exibem as mesmas caracter\u00edsticas do nosso. E deles, o Kepler-186f \u00e9 o mais semelhante \u00e0 Terra at\u00e9 agora. Ent\u00e3o por que, entre in\u00fameras possibilidades, ser\u00edamos os \u00fanicos privilegiados com a vida?<\/p>\n<p>Para a Nasa, vida \u00e9 oficialmente definida como &#8220;um sistema qu\u00edmico auto-sustentado, capaz de sofrer evolu\u00e7\u00e3o Darwiniana&#8221;. N\u00e3o significa dizer que h\u00e1 animais ou civiliza\u00e7\u00f5es como as criadas pelo homem em planetas afastados. Mesmo organismos muito simples, como v\u00edrus ou col\u00f4nias de bact\u00e9rias, significam vida para a Nasa e para as quase 150 miss\u00f5es em todo o mundo que buscam planetas fora do Sistema Solar. Em conjunto, eles tentam responder \u00e0 quest\u00e3o que inquieta astr\u00f4nomos desde a Antiguidade: estamos sozinhos no universo? Ainda n\u00e3o chegou a confirma\u00e7\u00e3o categ\u00f3rica de que existe vida fora da Terra. Mas o conjunto de evid\u00eancias, que agora ganhou refor\u00e7o com a exist\u00eancia do Kepler-186f, indica que a resposta est\u00e1 cada vez mais pr\u00f3xima. E talvez a pergunta a ser respondida nos pr\u00f3ximos anos seja outra: que tipo de vida nos cerca?<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A descoberta de mundos \u2014<\/strong> A divulga\u00e7\u00e3o do novo planeta mereceu a aten\u00e7\u00e3o de todo o mundo porque era aguardada desde a metade do s\u00e9culo XX pelos cientistas. Foi nessa \u00e9poca, com o lan\u00e7amento de telesc\u00f3pios como o Hubble, que os cientistas puderam, finalmente, ter imagens n\u00edtidas do cosmo. Com elas, perceberam que vivemos em um universo muito mais rico e cheio de planetas do que antes se imaginava. As novas informa\u00e7\u00f5es indicaram a possibilidade da exist\u00eancia de diversos sistemas estelares, ou seja, que outras estrelas, al\u00e9m do Sol, t\u00eam planetas orbitando ao seu redor. A confirma\u00e7\u00e3o dessa hip\u00f3tese, entretanto, s\u00f3 veio em 1995, quando astr\u00f4nomos da Universidade de Genebra, na Su\u00ed\u00e7a, identificaram um planeta feito de g\u00e1s, como J\u00fapiter, em volta de uma estrela, a 51 Pegasi. Assim, faz menos de 20 anos que sabemos que outros sistemas solares, como o nosso, podem povoar o universo.<\/p>\n<p>&#8220;Nossa gal\u00e1xia tem cerca de 300 bilh\u00f5es de estrelas e estamos rapidamente confirmando a no\u00e7\u00e3o de que todas t\u00eam planetas rochosos ao seu redor&#8221;, afirma o astrof\u00edsico Stephen Kane, da Universidade Estadual de S\u00e3o Francisco, nos Estados Unidos, coautor da pesquisa que descreveu o Kepler-186f. &#8220;Resultados da miss\u00e3o Kepler t\u00eam nos mostrado que, quanto menor o planeta, mais comum \u00e9 sua exist\u00eancia. Assim, parece-nos que planetas rochosos s\u00e3o muito frequentes. Ainda precisamos saber quantos deles est\u00e3o em zonas habit\u00e1veis, mas as primeiras estimativas j\u00e1 mostram que o n\u00famero tamb\u00e9m deve ser incrivelmente alto.&#8221;<\/p>\n<p>A \u00faltima conta feita pelos cientistas, publicada em novembro de 2013 na revista Pnas, mostra que uma em cada cinco estrelas como o Sol tem pelo menos um planeta do tamanho da Terra em sua zona habit\u00e1vel. Isso significa que s\u00f3 na Via L\u00e1ctea podem existir 11 bilh\u00f5es de planetas como o nosso. Se na conta entrarem os planetas ao redor de estrelas an\u00e3s, o n\u00famero sobre para 40 bilh\u00f5es. De acordo com os autores do estudo \u2013 entre eles Geoffrey Marcy, da Universidade da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos, um dos \u201cca\u00e7adores de planetas\u201d mais bem-sucedidos da astronomia moderna \u2013 o mais pr\u00f3ximo pode estar a 12 anos-luz de dist\u00e2ncia (cada ano-luz equivale a 9,46 trilh\u00f5es de quil\u00f4metros).<\/p>\n<p>Ou seja, os astr\u00f4nomos imaginavam que planetas como o Kepler-186f existiam aos bilh\u00f5es, mas ainda n\u00e3o tinham visto nenhum. A cerca de 500 anos-luz do Sol, o novo planeta orbita uma estrela an\u00e3, o tipo mais comum em nossa gal\u00e1xia \u2014 elas s\u00e3o mais de 70% das centenas de bilh\u00f5es de estrelas.<\/p>\n<p>&#8220;H\u00e1 pelo menos um s\u00e9culo t\u00ednhamos ideias sobre os planetas fora do sistema solar e h\u00e1 mais de cinquenta anos desenvolvemos o conceito de zona habit\u00e1vel. Ainda n\u00e3o cont\u00e1vamos, no entanto, com telesc\u00f3pios potentes para fazer os experimentos e ter as confirma\u00e7\u00f5es que precis\u00e1vamos sobre eles. Agora finalmente possu\u00edmos essa tecnologia&#8221;, afirma Kane. &#8220;Nos pr\u00f3ximos anos, muitas descobertas devem ser feitas. S\u00f3 nos dados da miss\u00e3o Kepler h\u00e1 v\u00e1rias, aguardando para serem reveladas.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Miss\u00f5es do futuro<\/strong> \u2014 A sonda Kepler, que forneceu os dados para a revela\u00e7\u00e3o do novo planeta, foi a grande alavanca para a explos\u00e3o de novos planetas encontrados pelos cientistas nos \u00faltimos anos. Lan\u00e7ada em mar\u00e7o 2009 pela ag\u00eancia espacial americana, ela tinha o objetivo principal de procurar planetas parecidos com o nosso, durante quatro anos. Seu telesc\u00f3pio e um sistema de imagens em alta defini\u00e7\u00e3o s\u00e3o capazes de identificar mesmo planetas considerados pequenos, como a Terra. Em rela\u00e7\u00e3o ao Hubble, a Kepler tem duas vantagens: capta mais estrelas em detalhes e faz imagens mais n\u00edtidas por possuir um filtro que diminui as interfer\u00eancias luminosas e detecta diferentes cores.<\/p>\n<p>At\u00e9 agora, a maior parte dos planetas revelados por ela tem um tamanho intermedi\u00e1rio entre a Terra e Netuno, quatro vezes maior que a Terra. A an\u00e1lise das informa\u00e7\u00f5es dos tr\u00eas primeiros anos da miss\u00e3o j\u00e1 identificou 3 845 poss\u00edveis candidatos a planetas. Desses, 962 foram confirmados.<\/p>\n<p>Como outras miss\u00f5es de busca, a Kepler tem mais facilidade em identificar grandes planetas. Eles s\u00e3o mais vis\u00edveis e facilmente monitorados pelos telesc\u00f3pios em regi\u00f5es long\u00ednquas do cosmo. Por isso, grande parte das descobertas s\u00e3o de super-Terras, planetas mais pesados e maiores que Terra, ou gigantes gasosos, bolas de g\u00e1s como J\u00fapiter, planeta de hidrog\u00eanio com massa equivalente \u00e0 de 317 terras. Lugares assim, no entanto, exibem condi\u00e7\u00f5es menos prop\u00edcias \u00e0 vida \u2014 os gigantes gasosos costumam ter uma atmosfera maci\u00e7a, causando uma grande press\u00e3o que praticamente inviabiliza a exist\u00eancia de seres complexos, enquanto as super-Terras t\u00eam menor probabilidade de reunir as condi\u00e7\u00f5es atmosf\u00e9ricas necess\u00e1rias para garantir a presen\u00e7a de vida.<\/p>\n<p>Por isso, programas espaciais em todo o mundo investem maci\u00e7amente em telesc\u00f3pios potentes, capazes de captar planetas menores. Dados e imagens ainda mais precisos que os da miss\u00e3o Kepler \u2014 que encerrou a primeira fase de seu programa em 2013 e, no in\u00edcio da segunda fase, chamada K2, teve um problema com o sistema que \u201cmira\u201d o telesc\u00f3pio, mas continua em atividade \u2014 vir\u00e3o de programas como aquele que ser\u00e1 lan\u00e7ado pela Nasa em 2017, com uma nova gera\u00e7\u00e3o de telesc\u00f3pios. Nessa data, ir\u00e1 para o espa\u00e7o o Transiting Exoplanet Survey Satellite (Tess) e o telesc\u00f3pio James Webb, substituto do Hubble. O Tess vai monitorar planetas ao redor de estrelas an\u00e3s, enquanto o James Webb pretende examinar a atmosfera desses planetas e procurar subst\u00e2ncias que s\u00f3 poderiam ser geradas por organismos vivos, como os seis elementos essenciais \u00e0 vida (carbono, hidrog\u00eanio, nitrog\u00eanio, oxig\u00eanio, f\u00f3sforo e enxofre).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Possibilidade de vida<\/strong> \u2014 Quanto mais planetas s\u00e3o descobertos, maior \u00e9 a probabilidade de achar planetas semelhantes ao nosso e, assim, os astr\u00f4nomos acreditam que aumente tamb\u00e9m as chances de encontrar vida em outros lugares do universo. A defini\u00e7\u00e3o de vida, por\u00e9m, \u00e9 algo complexo, que est\u00e1 longe de ser consenso entre os cientistas. O estudo da vida terr\u00e1quea \u2014 o \u00fanico tipo conhecido at\u00e9 hoje \u2014 mostrou que, apesar da grande biodiversidade terrestre, todos os seres s\u00e3o similares: s\u00e3o feitos de c\u00e9lulas ou, como os v\u00edrus, dependem delas; usam \u00e1cidos nucleicos como o DNA para armazenar e transmitir informa\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica; e possuem um metabolismo similar.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel a exist\u00eancia de outros tipos de vida espalhados pelo universo. Afinal, mesmo a Terra guarda muitos organismos que ainda s\u00e3o enigmas para os cientistas. Em 2010, pesquisadores da Nasa encontraram uma bact\u00e9ria em um lago da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos, que se comporta como um ser extraterrestre: n\u00e3o usava nenhum dos seis elementos fundamentais \u00e0 exist\u00eancia, mas sobrevivia a partir de ars\u00eanio, um elemento altamente t\u00f3xico.<\/p>\n<p>&#8220;Sabemos que para surgir vida \u00e9 necess\u00e1ria uma complexidade qu\u00edmica m\u00ednima, ou seja, mol\u00e9culas org\u00e2nicas e razoavelmente complexas, formadas a partir de elementos b\u00e1sicos. Mas sua origem pode exigir algumas condi\u00e7\u00f5es especiais. Ainda estamos aprendendo como todos esses elementos se juntam para formar um sistema qu\u00edmico autossustentado, capaz de se reproduzir e evoluir&#8221;, explica Douglas Galante, pesquisador do Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron, em Campinas, e do N\u00facleo de Pesquisa em Astrobiologia da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP).<\/p>\n<p>Por isso, os cientistas ainda procuram corpos vivos no espa\u00e7o de uma maneira \u201cTerroc\u00eantrica\u201d, buscando as condi\u00e7\u00f5es que proporcionaram o surgimento dos seres por aqui: presen\u00e7a de \u00e1gua l\u00edquida ou mol\u00e9culas org\u00e2nicas complexas.<\/p>\n<p>&#8220;Mesmo a vida que conhecemos tem uma flexibilidade imensa a diferentes situa\u00e7\u00f5es. N\u00e3o \u00e9 imposs\u00edvel imaginar um universo com muitos planetas, alguns mais quentes, outros frios, por\u00e9m todos com organismos capazes de lidar com essas condi\u00e7\u00f5es. Talvez em muitos desses planetas que estamos descobrindo as condi\u00e7\u00f5es sejam extremas demais para atingir a multicelularidade, ou chegar a uma civiliza\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica como a nossa. Mas, ainda assim, isso mostraria que a Terra n\u00e3o \u00e9 privilegiada em ter vida&#8221;, afirma o cientista.<\/p>\n<p>Um cosmo pr\u00f3spero? \u2014 Quando se fala da exist\u00eancia de seres animados no espa\u00e7o, normalmente os cientistas imaginam formas microsc\u00f3picas, como as primeiras que provavelmente habitaram a Terra em sua origem.<\/p>\n<p>&#8220;Se houver vida, como ela funciona? Podemos estar pr\u00f3ximo a um momento de descobrir sistemas vivos completamente novos, novas biosferas para conhecer e explorar. \u00c9 quase como se estiv\u00e9ssemos no papel do naturalista ingl\u00eas Charles Darwin, em 1800, a bordo do navio Beagle explorando novas terras e toda a sua riqueza&#8221;, diz Galante.<\/p>\n<p>Para a maior parte dos astr\u00f4nomos envolvidos com a busca de planetas fora do Sistema Solar, \u00e9 muito improv\u00e1vel que, em um universo t\u00e3o cheio de constela\u00e7\u00f5es, planetas e sistemas estelares com condi\u00e7\u00f5es pr\u00f3ximas a nossa, a Terra seja o \u00fanico lugar a ter desenvolvido organismos vivos. &#8220;Sabemos agora que planetas semelhantes \u00e0 Terra s\u00e3o comuns na Via L\u00e1ctea. Para nosso planeta ser o \u00fanico com vida na gal\u00e1xia, isso significa que a vida \u00e9 algo incrivelmente raro \u2014 uma ocorr\u00eancia em 40 bilh\u00f5es. Mas, mesmo que a probabilidade seja apenas de 1 em 1 milh\u00e3o de possibilidades, isso j\u00e1 significaria muita vida s\u00f3 nessa gal\u00e1xia\u201d, afirma o astrof\u00edsico Erik Petigura, pesquisador da Universidade da Calif\u00f3rnia, nos Estados Unidos.<\/p>\n<p>Se essas hip\u00f3teses forem confirmadas nos pr\u00f3ximos anos pelos cientistas, esses alien\u00edgenas, que podem estar na imin\u00eancia de serem encontrados, causariam uma grande revolu\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, semelhante \u00e0 provocada pelo astr\u00f4nomo Nicolau Cop\u00e9rnico, quando ele formulou, no s\u00e9culo XVI, a teoria de que o Sol \u00e9 o centro do Sistema Solar. Ter\u00edamos de aprender que somos apenas mais um planeta \u2014 e min\u00fasculo \u2014 cercado de bilh\u00f5es de outros com seres diferentes.<\/p>\n<p>&#8220;Uma descoberta como essa teria impactos profundos. At\u00e9 o momento, o conhecimento que temos parte da hip\u00f3tese de que a Terra \u00e9 o \u00fanico lugar do cosmo onde a vida apareceu e evoluiu. Se for provado que a vida \u00e9 uma consequ\u00eancia natural da forma\u00e7\u00e3o de planetas nas zonas habit\u00e1veis, assim como foi provado que a forma\u00e7\u00e3o de planetas \u00e9 uma consequ\u00eancia natural da forma\u00e7\u00e3o de estrelas, ent\u00e3o isso significa que o universo \u00e9, literalmente, f\u00e9rtil em vida&#8221;, diz o astrof\u00edsico Stephen Kane. &#8220;O \u00fanico desafio que permanecer\u00e1 depois disso ser\u00e1 descobrir como atravessar as vastas dist\u00e2ncia que nos separam desses outros seres.&#8221;<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Veja, em 27\/04\/2014 Para cientistas, o Kepler-186f foi apenas o primeiro planeta parecido com a Terra a ser descoberto na Via L\u00e1ctea. 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