{"id":7168,"date":"2014-01-07T16:25:02","date_gmt":"2014-01-07T18:25:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/?p=7168"},"modified":"2026-03-02T16:31:47","modified_gmt":"2026-03-02T19:31:47","slug":"inovacao-para-os-cientistas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/inovacao-para-os-cientistas\/","title":{"rendered":"Inova\u00e7\u00e3o para os cientistas"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Revista Pesquisa FAPESP em Dezembro de 2013<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignnone size-full wp-image-7171\" title=\"Inova\u00e7\u00e3o-cientistas_colagem-revistaFAPESP-dez-2013\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/wp-content\/uploads\/2014\/01\/Inova%C3%A7%C3%A3o-cientistas_colagem-revistaFAPESP-dez-2013.jpg?resize=786%2C594&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"786\" height=\"594\" \/><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Legenda: <span style=\"font-size: 13px;\">(1)\u00danica fonte de luz s\u00edncrotron do pa\u00eds, o LNLS,\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 13px;\">em Campinas, atrai pesquisadores brasileiros e estrangeiros interessados em experimentos ligados\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 13px;\">\u00e0s estruturas at\u00f4micas de materiais (2)Coloca\u00e7\u00e3o do\u00a0<\/span><span style=\"font-size: 13px;\">porta-amostras para experimento remoto a ser realizado na linha SAXS1, de espalhamento de raios X a baixos \u00e2ngulos. Nesse tipo de experimento pode-se utilizar o equipamento a dist\u00e2ncia e realizar an\u00e1lises via internet (3)Porta-amostras para execu\u00e7\u00e3o de cristalografia de macromol\u00e9culas na linha de luz MX2, do LNLS.<\/span><\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><span style=\"font-size: 13px;\">A difus\u00e3o do discurso da inova\u00e7\u00e3o no Brasil nos anos 1990 e o ordenamento jur\u00eddico-institucional destinado a transform\u00e1-la num eixo central da pol\u00edtica nacional de ci\u00eancia e tecnologia que tomou corpo no alvorecer do s\u00e9culo XXI s\u00e3o menos fruto da iniciativa do Estado combinada a demandas do setor produtivo e muito mais o resultado do esfor\u00e7o direto dos cientistas brasileiros nesse sentido. Seu trabalho pela inclus\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o na pol\u00edtica de ci\u00eancia e tecnologia do pa\u00eds serviu ao fim e ao cabo para legitimar socialmente a pr\u00f3pria ci\u00eancia \u2013 suas institui\u00e7\u00f5es, discursos e pr\u00e1ticas \u2013 e fortalec\u00ea-la.<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Adotar essa vis\u00e3o implica admitir uma for\u00e7a pol\u00edtica de dimens\u00f5es insuspeitadas dos cientistas brasileiros enquanto grupo organizado da sociedade civil que, ali\u00e1s, viria sendo exercida desde o come\u00e7o da institucionaliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia no pa\u00eds, ainda na primeira metade do s\u00e9culo XX. E mais: implica perceber que esse poder tem rostos definidos. Personaliza-se nas lideran\u00e7as cient\u00edficas que a cada tempo se fazem os interlocutores fundamentais da burocracia do Estado no tra\u00e7ado dos percursos da institucionaliza\u00e7\u00e3o e do fortalecimento da atividade cient\u00edfica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">T\u00e3o provocativas proposi\u00e7\u00f5es aparecem em\u00a0<em>Veredas da mudan\u00e7a na ci\u00eancia brasileira: discurso, institucionaliza\u00e7\u00e3o e pr\u00e1ticas no cen\u00e1rio contempor\u00e2neo<\/em>, de Maria Caramez Carlotto, 30 anos, coeditado pela Editora 34, Associa\u00e7\u00e3o Filos\u00f3fica Sciencia Studia e FAPESP. Rec\u00e9m-lan\u00e7ado, o livro se originou da disserta\u00e7\u00e3o de mestrado da jovem autora no campo da sociologia da ci\u00eancia, feito entre 2006 e 2008 na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), e surpreende n\u00e3o s\u00f3 pelas conclus\u00f5es corajosas a que chega quanto pela densidade do estudo, sustentado simultaneamente por consistente reflex\u00e3o te\u00f3rica e por uma pesquisa emp\u00edrica de abrang\u00eancia e profundidade pouco comuns nesse est\u00e1gio de forma\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O lugar privilegiado a partir do qual Maria Carlotto decidiu esmiu\u00e7ar a mudan\u00e7a institucional da ci\u00eancia brasileira p\u00f3s-anos 1980 foi o Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), com implanta\u00e7\u00e3o iniciada em 1986 e inaugurado em Campinas em 1997. Para cumprir esse intento, tratou de entrevistar uma d\u00fazia de lideran\u00e7as do laborat\u00f3rio, entre as quais t\u00eam presen\u00e7a destacada integrantes do que a autora chama de \u201co grupo da Unicamp\u201d, seguindo denomina\u00e7\u00e3o comum no pr\u00f3prio meio cient\u00edfico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c0s entrevistas, ela somou o envio de um extenso question\u00e1rio aos 2.480 pesquisadores de diferentes institui\u00e7\u00f5es nacionais de pesquisa que, entre 1997 e mar\u00e7o de 2008, trabalharam em Campinas com a fonte de luz do laborat\u00f3rio Intitulado \u201cCi\u00eancia e tecnologia no Brasil: os usu\u00e1rios do Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron\u201d, o question\u00e1rio foi aplicado nos meses de mar\u00e7o e abril de 2008 em parceria com o pr\u00f3prio LNLS.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria recebeu de volta as respostas de 211 pesquisadores, ou seja, obteve um retorno de 8,5%, taxa considerada razo\u00e1vel nesse tipo de trabalho. Com esses depoimentos, conseguiu construir um retrato sem precedentes dessa elite de pesquisadores brasileiros. Somado isso \u00e0s informa\u00e7\u00f5es das lideran\u00e7as sobre como se foi conseguindo, passo a passo, formular e construir o LNLS, assegurar apoios, vencer resist\u00eancias, afastar opositores ou mesmo aliados indesej\u00e1veis em alguma esfera do poder pol\u00edtico, tem-se um precioso raio-x sociol\u00f3gico do<em> modus operandi<\/em> de um microcosmo dessa institui\u00e7\u00e3o que \u00e9 a ci\u00eancia brasileira, em sua fronteira mais avan\u00e7ada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Alternados esses resultados emp\u00edricos com a vis\u00e3o hist\u00f3rica dos movimentos-chave do processo de institucionaliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia no pa\u00eds, e explicitadas as matrizes internacionais das inflex\u00f5es nas pol\u00edticas nacionais de ci\u00eancia e tecnologia, Maria Carlotto ilumina a for\u00e7a de um grupo social certamente despercebida nas an\u00e1lises mais convencionais da sociedade civil brasileira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Importa\u00e7\u00e3o e naturaliza\u00e7\u00e3o<\/strong><br \/>\nMaria Caramez Carlotto apresenta uma s\u00edntese do contexto internacional da elabora\u00e7\u00e3o do conceito de inova\u00e7\u00e3o nas pol\u00edticas estatais de ci\u00eancia e tecnologia antes de detalhar a nova pol\u00edtica brasileira para o setor que se estabelece no governo Fernando Henrique Cardoso. Disposta a mostrar como os novos discursos sobre a ci\u00eancia transitam \u201cda promo\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico ao incentivo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica\u201d, ela afirma na introdu\u00e7\u00e3o do segundo cap\u00edtulo, baseada na an\u00e1lise de documentos, leis e programas, que o governo brasileiro, sobretudo a partir de 2001, \u201cvem implementando uma nova pol\u00edtica de ci\u00eancia e tecnologia marcada por uma forte \u00eanfase no incentivo \u00e0 transforma\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico em inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica como estrat\u00e9gia para aumentar a competitividade das empresas brasileiras e impulsionar o crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds\u201d (p. 59).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ideia era seguir o exemplo das na\u00e7\u00f5es \u201cbem-sucedidas\u201d em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s suas pol\u00edticas de inova\u00e7\u00e3o e comercializa\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico, \u201cespecialmente daquele produzido no regime disciplinar por universidades e laborat\u00f3rios governamentais e financiado com recursos p\u00fablicos\u201d (p. 60). Esse diagn\u00f3stico, segundo a autora, \u00e9 explicitado na abertura do<em> Livro branco de ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o<\/em>, s\u00edntese program\u00e1tica da nova pol\u00edtica estruturada com base nos debates da Segunda Confer\u00eancia Nacional de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, de 2001.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na busca por contextualizar as decis\u00f5es do governo brasileiro, Maria Carlotto passa pelo esfor\u00e7o dos pa\u00edses centrais para superar nos anos 1980 a separa\u00e7\u00e3o mais ou menos r\u00edgida entre processo de produ\u00e7\u00e3o e processo de comercializa\u00e7\u00e3o do conhecimento cient\u00edfico. Um dos pilares centrais das pol\u00edticas estatais de ci\u00eancia do p\u00f3s-guerra, essa separa\u00e7\u00e3o tem em suas bases conceituais o famoso relat\u00f3rio <em>Science, the endless frontier<\/em>, elaborado por Vannevar Bush, do Massachusetts Institute of Technology (MIT) e apresentado ao presidente Franklin Roosevelt em 1945. Maria Carlotto lembra que o relat\u00f3rio \u201ctentava justificar por que o governo dos Estados Unidos deveria manter um alto n\u00edvel de investimento p\u00fablico em pesquisa cient\u00edfica, terminado o esfor\u00e7o de guerra\u201d. E a maior raz\u00e3o, segundo Bush, era que \u201ca ci\u00eancia \u2013 antes mesmo do que a tecnologia \u2013 seria essencial para que um pa\u00eds pudesse gerar inova\u00e7\u00f5es tecnol\u00f3gicas e, com isso, competir internacionalmente no plano econ\u00f4mico\u201d, prossegue ela (p. 63).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O Brasil bebeu sofregamente dessa fonte nos anos 1950. E seguiu de perto a pol\u00edtica que o relat\u00f3rio de Bush inspirou, posteriormente chamada de modelo linear de inova\u00e7\u00e3o, e que pressupunha os investimentos do Estado concentrados na \u201cpesquisa b\u00e1sica\u201d e na \u201cforma\u00e7\u00e3o da m\u00e3o de obra\u201d cient\u00edfica, enquanto o setor privado deveria se responsabilizar pela comercializa\u00e7\u00e3o do conhecimento produzido, conforme Maria Carlotto observa. Se a segunda parte n\u00e3o saiu conforme o figurino, culpe-se as especificidades do capitalismo brasileiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas qual o acontecimento na cena internacional, no come\u00e7o da d\u00e9cada de 1980, que tanto ir\u00e1 afetar a pol\u00edtica brasileira de ci\u00eancia e tecnologia nas duas d\u00e9cadas seguintes? Trata-se da percep\u00e7\u00e3o de que est\u00e1 emergindo uma nova economia ou a Economia do Conhecimento. E a pesquisadora vale-se de v\u00e1rios autores para abordar tanto uma dimens\u00e3o te\u00f3rica quanto um lado mais pr\u00e1tico dessa economia que, digamos, incorpora o conhecimento cient\u00edfico na pr\u00f3pria estrutura org\u00e2nica do capital e reconhece os impactos da inova\u00e7\u00e3o sobre o crescimento econ\u00f4mico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ela recorre, por exemplo, ao soci\u00f3logo espanhol Manuel Castells, num artigo j\u00e1 de 2002, \u2028\u201cO novo paradigma do desenvolvimento e suas institui\u00e7\u00f5es\u201d, publicado na revista <em>Desenvolvimento em Debate<\/em>, organizada por Ana C\u00e9lia Castro e editada pelo BNDES: \u201c(\u2026) hoje em dia, as for\u00e7as produtivas n\u00e3o se medem em toneladas de a\u00e7o nem em quilowatts, como diriam Henry Ford ou L\u00eanin, mas na capacidade inovadora de gerar valor agregado atrav\u00e9s do conhecimento e da informa\u00e7\u00e3o. Esse modelo de crescimento econ\u00f4mico baseado no conhecimento \u00e9 o mesmo em toda parte, como foi a industrializa\u00e7\u00e3o no paradigma do desenvolvimento\u201d (p. 71, cita\u00e7\u00e3o da p. 398 do artigo). E observa que a dimens\u00e3o mais simples e mais operacional dessa nova economia \u00e9 \u201co reconhecimento de que o crescimento econ\u00f4mico explica-se, antes de tudo, pela efici\u00eancia dos processos nacionais de inova\u00e7\u00e3o, de modo que os setores mais din\u00e2micos da economia seriam aqueles ligados \u00e0s novas tecnologias, particularmente a bio e a nanotecnologia\u201d (p. 71).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Maria Carlotto passa em revista a constru\u00e7\u00e3o dos sistemas nacionais de inova\u00e7\u00e3o (SNIs) e seus pressupostos te\u00f3ricos. Aborda o trabalho de ag\u00eancias como a OCDE (Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e o Desenvolvimento Econ\u00f4mico) na promo\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia enquanto atividade econ\u00f4mica. Comenta que a inova\u00e7\u00e3o, conforme relat\u00f3rio de 2005 da OCDE, \u201c\u00e9 a implementa\u00e7\u00e3o de um produto (bem ou servi\u00e7o) novo ou significativamente melhorado, ou um processo, ou um novo m\u00e9todo de marketing, ou um novo m\u00e9todo organizacional nas pr\u00e1ticas de neg\u00f3cios, na organiza\u00e7\u00e3o do local de trabalho ou nas rela\u00e7\u00f5es externas (da empresa). Nesse sentido, as atividades inovadoras s\u00e3o etapas cient\u00edficas, tecnol\u00f3gicas, organizacionais, financeiras e comerciais que conduzem, ou visam a conduzir, \u00e0 implementa\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00f5es\u201d (p. 74-75).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Nessa forma de definir a inova\u00e7\u00e3o, segundo a autora, h\u00e1 \u201cuma dupla aproxima\u00e7\u00e3o entre economia e ci\u00eancia. Por um lado, o progresso tecnocient\u00edfico \u2018invade\u2019 a economia na medida em que a mudan\u00e7a tecnol\u00f3gica transforma-se no principal fator explicativo do crescimento econ\u00f4mico, o que torna a inova\u00e7\u00e3o objeto privilegiado da a\u00e7\u00e3o estatal. Por outro, a economia \u2018invade\u2019 a atividade cient\u00edfica e tecnol\u00f3gica quando se torna base para a cria\u00e7\u00e3o de um instrumental capaz de medir o desempenho da inova\u00e7\u00e3o em termos de efici\u00eancia, possibilitando a sua gest\u00e3o em termos econ\u00f4micos\u201d (p. 75).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Cumprido esse percurso, a pesquisadora detalha \u201ca emerg\u00eancia da inova\u00e7\u00e3o como foco da pol\u00edtica cient\u00edfica brasileira\u201d. Segundo ela, \u201co processo de reconfigura\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica brasileira de ci\u00eancia e tecnologia, a partir de 2001, incorporou, praticamente sem media\u00e7\u00e3o, o \u2018modelo\u2019 de pol\u00edtica de inova\u00e7\u00e3o\u201d dos pa\u00edses centrais. \u201cNesse sentido, a Nova Pol\u00edtica Nacional de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o confere um car\u00e1ter priorit\u00e1rio \u00e0 consolida\u00e7\u00e3o do sistema nacional de inova\u00e7\u00e3o, ao aumento da efici\u00eancia da inova\u00e7\u00e3o e \u00e0 reforma do regime disciplinar\/estatal de produ\u00e7\u00e3o e reprodu\u00e7\u00e3o do conhecimento, com especial \u00eanfase ao incentivo \u00e0 propriedade intelectual\u201d (p. 97).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa pol\u00edtica \u00e9 uma constru\u00e7\u00e3o do segundo mandato de Fernando Henrique Cardoso, desde que o embaixador Ronaldo Sardenberg assume o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia (1999 a 2002). E o primeiro e fundamental instrumento de tal pol\u00edtica \u00e9 o projeto \u201cDiretrizes estrat\u00e9gicas para a ci\u00eancia, a tecnologia e a inova\u00e7\u00e3o\u201d, n\u00e3o por acaso posto sob a dire\u00e7\u00e3o do f\u00edsico Cylon Gon\u00e7alves da Silva, professor da Unicamp e coordenador da implanta\u00e7\u00e3o do LNLS entre 1986 e 1997, (<a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2006\/11\/01\/fisico-politico-executivo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>ver Pesquisa FAPESP, edi\u00e7\u00e3o 129<\/em><\/a>). A prop\u00f3sito, Cylon observou em entrevista concedida a Maria Carlotto que at\u00e9 onde sabe a palavra inova\u00e7\u00e3o apareceu pela primeira vez num documento oficial do governo federal no <em>Livro verde de ci\u00eancia e tecnologia<\/em>, de 2001, que orientou o conte\u00fado das discuss\u00f5es da Segunda Confer\u00eancia, ambos, registre-se, coordenados por ele (p. 97).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Mas \u00e9 a Lei da Inova\u00e7\u00e3o \u201ca pe\u00e7a mais importante da reforma jur\u00eddico-institucional do sistema cient\u00edfico nacional em curso no pa\u00eds\u201d. Proposta na Segunda Confer\u00eancia e depois colocada em consulta p\u00fablica pelo MCT, a lei s\u00f3 seria aprovada em dezembro de 2004, no segundo ano do governo de Lu\u00eds In\u00e1cio Lula da Silva. \u201c\u00c9 poss\u00edvel dizer, portanto, que o \u2018discurso da inova\u00e7\u00e3o\u2019 \u00e9 um dos pontos de continuidade entre os dois governos \u2013 formados por partidos cujos ide\u00e1rios s\u00e3o n\u00e3o s\u00f3 distintos mas, em muitos pontos, opostos \u2013, o que torna a compreens\u00e3o da din\u00e2mica da sua produ\u00e7\u00e3o social um problema ainda mais interessante\u201d, comenta a autora (p. 108).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A reflex\u00e3o da pesquisadora segue sustentada pelos dados de investimento de P&amp;D no pa\u00eds e pelo consumo de tecnologia, pelas informa\u00e7\u00f5es sobre inova\u00e7\u00e3o nas empresas brasileiras, at\u00e9 a conclus\u00e3o de que \u201cn\u00e3o existe uma demanda consistente, por parte das empresas nacionais, para que a ci\u00eancia brasileira se envolva em processos de comercializa\u00e7\u00e3o de conhecimento\u201d. Surge da\u00ed a pergunta inevit\u00e1vel: \u201cComo explicar, ent\u00e3o, a emerg\u00eancia da nova pol\u00edtica de ci\u00eancia e tecnologia que tem, como foco central, o incentivo \u00e0 inova\u00e7\u00e3o tecnol\u00f3gica? Em outras palavras, a quem interessa a reforma institucional da ci\u00eancia atualmente em curso no pa\u00eds?\u201d (p. 127).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Depois do exame de novos dados, inclusive a constata\u00e7\u00e3o de que entre 2000 e 2010 \u201co n\u00famero de pesquisadores trabalhando em tempo integral em empresas, ao contr\u00e1rio do esperado, decaiu\u201d de 44.183 para 41.317 pessoas, enquanto no ensino superior, no mesmo per\u00edodo, esse n\u00famero passou de 77.465 para 188 mil, Maria Carlotto esbo\u00e7a um come\u00e7o de resposta: \u201cParece evidente (\u2026) que o regime estatal\/disciplinar \u2013 representado, em larga escala, pelas universidades de pesquisa do pa\u00eds \u2013 foi o grande favorecido pelo processo de reorienta\u00e7\u00e3o da pol\u00edtica cient\u00edfica nacional no sentido da valoriza\u00e7\u00e3o da inova\u00e7\u00e3o\u201d (p. 129). O que fortalece a hip\u00f3tese central de seu trabalho, ou seja, que no Brasil \u201co discurso da inova\u00e7\u00e3o e as altera\u00e7\u00f5es pol\u00edticas a ele correspondentes podem ser mais bem compreendidos se vistos como parte da estrat\u00e9gia de cientistas engajados na institucionaliza\u00e7\u00e3o do regime disciplinar\/estatal brasileiro para legitimar o investimento p\u00fablico em ci\u00eancia no contexto p\u00f3s-ditadura\u201d (p. 129).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Os cientistas engajados<\/strong><br \/>\nA partir desse ponto, o que se oferece ao leitor \u00e9 uma hist\u00f3ria fascinante de como o LNLS atualiza e rep\u00f5e padr\u00f5es tradicionais de institucionaliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia nacional. Da Escola de Minas de Ouro Preto, institutos agron\u00f4micos e institutos de pesquisa bacteriol\u00f3gica e sanit\u00e1ria do final do s\u00e9culo XIX, passando pela USP em 1934 e pela Unicamp em 1965, at\u00e9 praticamente o presente, o que a autora de <em>Veredas da mudan\u00e7a na ci\u00eancia brasileira<\/em> vai flagrar como um dos padr\u00f5es predominantes de institucionaliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia no Brasil \u00e9 \u201ca negocia\u00e7\u00e3o direta com o Estado, feita por homens de prest\u00edgio e boas rela\u00e7\u00f5es pessoais, chamados, por vezes, de her\u00f3is institucionalizadores da ci\u00eancia\u201d (p. 142).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00c9 assim que surgem nas p\u00e1ginas seguintes, ainda nos anos 1950, os f\u00edsicos Jos\u00e9 Leite Lopes e Cesar Lattes em meio \u00e0s negocia\u00e7\u00f5es com o almirante \u00c1lvaro Alberto de Santiago Dantas, presidente do rec\u00e9m-criado CNPq, para a constru\u00e7\u00e3o de um Sincroc\u00edclotron, e, tr\u00eas d\u00e9cadas depois, o f\u00edsico Rog\u00e9rio Cerqueira Leite discutindo com o ministro da Ci\u00eancia e Tecnologia, Renato Archer, a cria\u00e7\u00e3o do S\u00edncrotron.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO projeto de constru\u00e7\u00e3o do \u2018grande Sincroc\u00edclotron\u2019 exemplifica bem como funcionava (\u2026) a negocia\u00e7\u00e3o da institucionaliza\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia (\u2026)Pelo padr\u00e3o dominante, cientistas organizados em pequenos grupos e dotados de grande prest\u00edgio social negociavam diretamente com a burocracia do Estado o apoio aos grandes empreendimentos cient\u00edficos. O sucesso dessa a\u00e7\u00e3o dependia, por sua vez, da sensibilidade de membros da burocracia cient\u00edfica e de seu poder de interven\u00e7\u00e3o quase pessoal junto aos que decidiam as prioridades or\u00e7ament\u00e1rias do Estado\u201d (p. 165).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vale a pena ler um relato de Cerqueira Leite, envolvido desde 1985 nas negocia\u00e7\u00f5es do LNLS, para refletir sobre o quanto esse padr\u00e3o persistiu no pa\u00eds:<br \/>\n\u201cA ideia de constru\u00e7\u00e3o do laborat\u00f3rio S\u00edncrotron come\u00e7ou no Rio de Janeiro com o professor [Roberto] Lobo, que montou um grupo (\u2026) que come\u00e7ou a conduzir o projeto. Mas logo houve uma mudan\u00e7a de governo e, aparentemente, o projeto estava com problemas. Foi nesse contexto que o Cylon, que era membro do grupo, me procurou e pediu para que eu ajudasse. Eu convidei os membros do conselho \u2013 o Lobo, o [Jos\u00e9] Pel\u00facio, enfim, todos os que estavam envolvidos no projeto \u2013 para fazermos uma primeira reuni\u00e3o. Em seguida, houve uma reuni\u00e3o um pouco mais formal em Campinas e ficou claro que era preciso decidir o lugar [onde o laborat\u00f3rio seria constru\u00eddo]. Eu n\u00e3o fazia parte do Conselho, mas estava discutindo com eles e ficou mais ou menos claro que o melhor lugar seria S\u00e3o Paulo, n\u00e3o a USP, mas S\u00e3o Carlos ou Campinas, por raz\u00f5es de natureza t\u00e9cnica, n\u00e3o pol\u00edticas em um primeiro momento (\u2026). Tempo depois, quando o Renato Archer assumiu, eu fui conversar com ele. Nessa conversa ficou decidido que ele faria o favor de dar um \u2018presente\u2019 para o estado de S\u00e3o Paulo e a gente decidiu, ent\u00e3o, que o laborat\u00f3rio seria constru\u00eddo aqui em Campinas. Por\u00e9m, o ministro n\u00e3o queria o Roberto Lobo [na dire\u00e7\u00e3o] porque n\u00e3o gostava dele. Eu n\u00e3o sei por que, mas o Archer n\u00e3o gostava dele pessoalmente. Eu at\u00e9 levei o Lobo at\u00e9 o MCT para que eles conversassem e desfizessem algum mal-entendido (\u2026) mas eu senti que havia uma certa restri\u00e7\u00e3o ao nome do Lobo, talvez porque ele fosse parte do antigo governo e estivesse ligado ao pessoal do CNPq e havia algumas restri\u00e7\u00f5es a esse pessoal\u201d (p. 177-178).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por fim, vale destacar alguns dados a respeito dos pesquisadores externos do LNLS, ligados a institui\u00e7\u00f5es nacionais, que responderam ao question\u00e1rio de Maria Carlotto, dividido em cinco partes (dados pessoais, trajet\u00f3ria acad\u00eamica, trajet\u00f3ria profissional, pesquisa em curso do respondente, padr\u00f5es de avalia\u00e7\u00e3o da ci\u00eancia): 82% deles atuavam em universidades p\u00fablicas, 11% em institui\u00e7\u00f5es estatais de pesquisa, 1,4% em empresas e 1,4% em universidades ou faculdades privadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o, 33% dos pesquisadores eram formados em f\u00edsica, 28% em qu\u00edmica, 19% em engenharias, 9% em ci\u00eancias biol\u00f3gicas, 4% em ci\u00eancias agr\u00e1rias e 4% em farm\u00e1cia e bioqu\u00edmica, restando 3% para \u201coutros cursos de gradua\u00e7\u00e3o\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em termos de qualifica\u00e7\u00e3o, com 48,7% dos pesquisadores em per\u00edodo de forma\u00e7\u00e3o e 51,3% profissonalizados, torna-se relevante a informa\u00e7\u00e3o de que 28,9% do total tinham conclu\u00eddo o doutorado e 32,2% o p\u00f3s-doutorado. \u201cComparando esse percentual com os dados do Censo Escolar de 2003\u201d, segundo o qual 21% dos docentes de ensino superior no Brasil tinham doutorado completo, \u201cfica expl\u00edcito que os pesquisadores do LNLS comp\u00f5em a elite do ensino superior brasileiro, particularmente nas \u00e1reas de f\u00edsica, qu\u00edmica, engenharia e ci\u00eancias biol\u00f3gicas. Considerando ainda que a nano e a biotecnologia s\u00e3o \u00e1reas priorit\u00e1rias para o governo brasileiro, trata-se de uma elite \u2018estrat\u00e9gica\u2019 para a pol\u00edtica nacional de ci\u00eancia e inova\u00e7\u00e3o\u201d, comenta a autora (p. 246). Por fim, essa elite \u00e9 jovem (cerca de 70% tinham entre 30 e 50 anos de idade) e predominantemente masculina (66% s\u00e3o homens).<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista Pesquisa FAPESP em Dezembro de 2013 Legenda: (1)\u00danica fonte de luz s\u00edncrotron do pa\u00eds, o LNLS,\u00a0em Campinas, atrai pesquisadores brasileiros e estrangeiros interessados em experimentos ligados\u00a0\u00e0s estruturas at\u00f4micas de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1163,12],"tags":[],"class_list":["post-7168","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem","category-clipping-lnls","category-1163","category-12","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.0 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Inova\u00e7\u00e3o para os cientistas - CNPEM<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cnpem.br\/inovacao-para-os-cientistas\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Inova\u00e7\u00e3o para os cientistas - CNPEM\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Revista Pesquisa FAPESP em Dezembro de 2013 Legenda: (1)\u00danica fonte de luz s\u00edncrotron do pa\u00eds, o LNLS,\u00a0em Campinas, atrai pesquisadores brasileiros e estrangeiros interessados em experimentos ligados\u00a0\u00e0s estruturas at\u00f4micas de&hellip;\" \/>\n<meta property=\"og:url\" content=\"https:\/\/cnpem.br\/inovacao-para-os-cientistas\/\" \/>\n<meta property=\"og:site_name\" content=\"CNPEM\" \/>\n<meta property=\"article:published_time\" content=\"2014-01-07T18:25:02+00:00\" \/>\n<meta property=\"article:modified_time\" content=\"2026-03-02T19:31:47+00:00\" \/>\n<meta name=\"author\" content=\"Erik Medina\" \/>\n<meta name=\"twitter:card\" content=\"summary_large_image\" \/>\n<meta name=\"twitter:label1\" content=\"Written by\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data1\" content=\"Erik Medina\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:label2\" content=\"Est. reading time\" \/>\n\t<meta name=\"twitter:data2\" content=\"16 minutes\" \/>\n<script type=\"application\/ld+json\" class=\"yoast-schema-graph\">{\"@context\":\"https:\\\/\\\/schema.org\",\"@graph\":[{\"@type\":\"Article\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/inovacao-para-os-cientistas\\\/#article\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/inovacao-para-os-cientistas\\\/\"},\"author\":{\"name\":\"Erik Medina\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/b957a8048be4b70d687484cae6b978ef\"},\"headline\":\"Inova\u00e7\u00e3o para os cientistas\",\"datePublished\":\"2014-01-07T18:25:02+00:00\",\"dateModified\":\"2026-03-02T19:31:47+00:00\",\"mainEntityOfPage\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/inovacao-para-os-cientistas\\\/\"},\"wordCount\":3304,\"articleSection\":[\"CNPEM na M\u00eddia\",\"LNLS na M\u00eddia\"],\"inLanguage\":\"en-US\"},{\"@type\":\"WebPage\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/inovacao-para-os-cientistas\\\/\",\"url\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/inovacao-para-os-cientistas\\\/\",\"name\":\"Inova\u00e7\u00e3o para os cientistas - CNPEM\",\"isPartOf\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/#website\"},\"datePublished\":\"2014-01-07T18:25:02+00:00\",\"dateModified\":\"2026-03-02T19:31:47+00:00\",\"author\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/b957a8048be4b70d687484cae6b978ef\"},\"breadcrumb\":{\"@id\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/inovacao-para-os-cientistas\\\/#breadcrumb\"},\"inLanguage\":\"en-US\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"ReadAction\",\"target\":[\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/inovacao-para-os-cientistas\\\/\"]}]},{\"@type\":\"BreadcrumbList\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/inovacao-para-os-cientistas\\\/#breadcrumb\",\"itemListElement\":[{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":1,\"name\":\"In\u00edcio\",\"item\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/en\\\/\"},{\"@type\":\"ListItem\",\"position\":2,\"name\":\"Inova\u00e7\u00e3o para os cientistas\"}]},{\"@type\":\"WebSite\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/#website\",\"url\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/\",\"name\":\"Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais\",\"description\":\"Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais\",\"alternateName\":\"CNPEM\",\"potentialAction\":[{\"@type\":\"SearchAction\",\"target\":{\"@type\":\"EntryPoint\",\"urlTemplate\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/?s={search_term_string}\"},\"query-input\":{\"@type\":\"PropertyValueSpecification\",\"valueRequired\":true,\"valueName\":\"search_term_string\"}}],\"inLanguage\":\"en-US\"},{\"@type\":\"Person\",\"@id\":\"https:\\\/\\\/cnpem.br\\\/#\\\/schema\\\/person\\\/b957a8048be4b70d687484cae6b978ef\",\"name\":\"Erik Medina\",\"url\":\"\"}]}<\/script>\n<!-- \/ Yoast SEO plugin. -->","yoast_head_json":{"title":"Inova\u00e7\u00e3o para os cientistas - CNPEM","robots":{"index":"index","follow":"follow","max-snippet":"max-snippet:-1","max-image-preview":"max-image-preview:large","max-video-preview":"max-video-preview:-1"},"canonical":"https:\/\/cnpem.br\/inovacao-para-os-cientistas\/","og_locale":"en_US","og_type":"article","og_title":"Inova\u00e7\u00e3o para os cientistas - CNPEM","og_description":"Revista Pesquisa FAPESP em Dezembro de 2013 Legenda: (1)\u00danica fonte de luz s\u00edncrotron do pa\u00eds, o LNLS,\u00a0em Campinas, atrai pesquisadores brasileiros e estrangeiros interessados em experimentos ligados\u00a0\u00e0s estruturas at\u00f4micas de&hellip;","og_url":"https:\/\/cnpem.br\/inovacao-para-os-cientistas\/","og_site_name":"CNPEM","article_published_time":"2014-01-07T18:25:02+00:00","article_modified_time":"2026-03-02T19:31:47+00:00","author":"Erik Medina","twitter_card":"summary_large_image","twitter_misc":{"Written by":"Erik Medina","Est. reading time":"16 minutes"},"schema":{"@context":"https:\/\/schema.org","@graph":[{"@type":"Article","@id":"https:\/\/cnpem.br\/inovacao-para-os-cientistas\/#article","isPartOf":{"@id":"https:\/\/cnpem.br\/inovacao-para-os-cientistas\/"},"author":{"name":"Erik Medina","@id":"https:\/\/cnpem.br\/#\/schema\/person\/b957a8048be4b70d687484cae6b978ef"},"headline":"Inova\u00e7\u00e3o para os cientistas","datePublished":"2014-01-07T18:25:02+00:00","dateModified":"2026-03-02T19:31:47+00:00","mainEntityOfPage":{"@id":"https:\/\/cnpem.br\/inovacao-para-os-cientistas\/"},"wordCount":3304,"articleSection":["CNPEM na M\u00eddia","LNLS na M\u00eddia"],"inLanguage":"en-US"},{"@type":"WebPage","@id":"https:\/\/cnpem.br\/inovacao-para-os-cientistas\/","url":"https:\/\/cnpem.br\/inovacao-para-os-cientistas\/","name":"Inova\u00e7\u00e3o para os cientistas - CNPEM","isPartOf":{"@id":"https:\/\/cnpem.br\/#website"},"datePublished":"2014-01-07T18:25:02+00:00","dateModified":"2026-03-02T19:31:47+00:00","author":{"@id":"https:\/\/cnpem.br\/#\/schema\/person\/b957a8048be4b70d687484cae6b978ef"},"breadcrumb":{"@id":"https:\/\/cnpem.br\/inovacao-para-os-cientistas\/#breadcrumb"},"inLanguage":"en-US","potentialAction":[{"@type":"ReadAction","target":["https:\/\/cnpem.br\/inovacao-para-os-cientistas\/"]}]},{"@type":"BreadcrumbList","@id":"https:\/\/cnpem.br\/inovacao-para-os-cientistas\/#breadcrumb","itemListElement":[{"@type":"ListItem","position":1,"name":"In\u00edcio","item":"https:\/\/cnpem.br\/en\/"},{"@type":"ListItem","position":2,"name":"Inova\u00e7\u00e3o para os cientistas"}]},{"@type":"WebSite","@id":"https:\/\/cnpem.br\/#website","url":"https:\/\/cnpem.br\/","name":"Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais","description":"Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais","alternateName":"CNPEM","potentialAction":[{"@type":"SearchAction","target":{"@type":"EntryPoint","urlTemplate":"https:\/\/cnpem.br\/?s={search_term_string}"},"query-input":{"@type":"PropertyValueSpecification","valueRequired":true,"valueName":"search_term_string"}}],"inLanguage":"en-US"},{"@type":"Person","@id":"https:\/\/cnpem.br\/#\/schema\/person\/b957a8048be4b70d687484cae6b978ef","name":"Erik Medina","url":""}]}},"jetpack_featured_media_url":"","jetpack_sharing_enabled":true,"jetpack_shortlink":"https:\/\/wp.me\/per0Mi-1RC","_links":{"self":[{"href":"https:\/\/cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7168","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/users\/17"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=7168"}],"version-history":[{"count":0,"href":"https:\/\/cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/7168\/revisions"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=7168"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=7168"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/cnpem.br\/en\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=7168"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}