{"id":68593,"date":"2013-12-12T12:59:01","date_gmt":"2013-12-12T14:59:01","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.br\/novo-reator-permitira-independencia\/"},"modified":"2013-12-12T12:59:01","modified_gmt":"2013-12-12T14:59:01","slug":"novo-reator-permitira-independencia","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/novo-reator-permitira-independencia\/","title":{"rendered":"Novo reator permitir\u00e1 independ\u00eancia"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Jornal da Unicamp em 11\/12\/2013<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Investimento de US$ 500 milh\u00f5es vai permitir ao Brasil mais do que dobrar exames e procedimentos de Medicina Nuclear<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em><\/em><span style=\"font-size: 13px; text-align: justify;\">O investimento do governo federal de US$ 500 milh\u00f5es no Reator Multiprop\u00f3sito Brasileiro (RMB) vai permitir ao Brasil mais do que dobrar a quantidade de exames e procedimentos de Medicina Nuclear e proporcionar uma independ\u00eancia in\u00e9dita ao pa\u00eds na produ\u00e7\u00e3o de radiof\u00e1rmacos. Durante simp\u00f3sio na Unicamp realizado no dia 10, pesquisadores apresentaram as possibilidades de uso desse reator nuclear de pesquisa que ser\u00e1 constru\u00eddo na regi\u00e3o de Sorocaba (SP).<\/span><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Na abertura do evento, organizado pelo F\u00f3rum Pensamento Estrat\u00e9gico (PENSES), o reitor da Unicamp, professor Jos\u00e9 Tadeu Jorge, destacou que o empreendimento representa uma importante estrutura para a pesquisa do pa\u00eds e refor\u00e7ou o apoio institucional da universidade ao RMB, formalizado em mo\u00e7\u00f5es da Reitoria e do Instituto de F\u00edsica GlebWataghin (IFGW), que sediou o simp\u00f3sio. &#8220;A Unicamp tem plena consci\u00eancia e entendimento de que o RMB ir\u00e1 beneficiar o pa\u00eds de forma bastante significativa&#8221;, declarou Tadeu Jorge. &#8220;Uma universidade p\u00fablica n\u00e3o pode se furtar a iniciativas como essa, que retornam os investimentos feitos com dinheiro p\u00fablico.&#8221; Para o reitor, a parceria da Unicamp com o RMB dever\u00e1 se efetivar n\u00e3o s\u00f3 com o IFGW, mas tamb\u00e9m com outras unidades e \u00f3rg\u00e3os da universidade. &#8220;Queremos colaborar o m\u00e1ximo poss\u00edvel para que isso se viabilize e que n\u00e3o percamos a chance de ter um projeto t\u00e3o importante e t\u00e3o tecnicamente bem elaborado.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Essa maior intera\u00e7\u00e3o entre a universidade e o RMB ser\u00e1 essencial para que o Brasil desenvolva novos radiof\u00e1rmacos e n\u00e3o se limite a reproduzir as inova\u00e7\u00f5es do exterior. Atualmente essa tarefa fica limitada pelo fato de o pa\u00eds importar a grande maioria da mat\u00e9ria-prima para esses procedimentos m\u00e9dicos. Segundo o m\u00e9dico Celso Dar\u00edo Ramos, professor da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas (FCM) da Unicamp, o Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares (IPEN), que importa os radiois\u00f3topos para process\u00e1-los e fornec\u00ea-los \u00e0s cl\u00ednicas brasileiras, n\u00e3o consegue se dedicar adequadamente \u00e0 pesquisa. Ramos justificou a limita\u00e7\u00e3o do IPEN pela necessidade de suprir a demanda da Medicina Nuclear brasileira, j\u00e1 que o \u00f3rg\u00e3o tem o monop\u00f3lio da atividade. H\u00e1 mais de 50 anos, a Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear (CNEN) j\u00e1 forneceu cerca de 50 milh\u00f5es de doses de radiof\u00e1rmacos, sendo que nunca houve relato de rea\u00e7\u00e3o adversa grave que resultasse em morte ou interna\u00e7\u00e3o. O IPEN \u00e9 uma autarquia do governo paulista gerenciada t\u00e9cnica, administrativa e financeiramente pela CNEN.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O professor da FCM aponta que a \u00e1rea de radioatividade \u00e9 um setor naturalmente de aglutina\u00e7\u00e3o em pesquisa, diferenciando-se de outros ramos da ci\u00eancia que normalmente interagem menos. &#8220;Quando entramos em radioatividade, todos n\u00f3s temos que trabalhar juntos. Vejo a Unicamp com um potencial grande&#8221;, previu Ramos. &#8220;Sobra pouco espa\u00e7o no IPEN para se criar novos radiof\u00e1rmacos e isso seria uma voca\u00e7\u00e3o natural da universidade&#8221;, defendeu o docente, que tamb\u00e9m \u00e9 presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Nuclear (SBMN) e diretor do Servi\u00e7o de Medicina Nuclear na Unicamp.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil s\u00e3o realizados por ano cerca de dois milh\u00f5es de procedimentos de diagn\u00f3stico m\u00e9dico com tecn\u00e9cio-99. Esse radiois\u00f3topo \u00e9 originado a partir do molibd\u00eanio-99, que por sua vez \u00e9 um produto da fiss\u00e3o do ur\u00e2nio-235, min\u00e9rio radioativo encontrado na natureza. O pa\u00eds importa todo o molibd\u00eanio-99 necess\u00e1rio para esses procedimentos, ao custo anual de US$ 10 milh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">O coordenador do RMB, Jos\u00e9 Augusto Perrotta, estima que o empreendimento, que ser\u00e1 constru\u00eddo em Iper\u00f3 (SP), compensar\u00e1, apenas com o molibd\u00eanio-99, o investimento feito em um prazo de 20 a 25 anos. De acordo com o engenheiro, que tamb\u00e9m \u00e9 assessor da Presid\u00eancia da CNEN, a depend\u00eancia das importa\u00e7\u00f5es de \u00c1frica do Sul, Canad\u00e1 e Argentina \u00e9 prejudicial porque deixa o Brasil sujeito a problemas externos. H\u00e1 cerca de duas semanas, problemas com os reatores sul-africano e canadense fizeram com que o pa\u00eds s\u00f3 tivesse um ter\u00e7o de sua demanda por radiof\u00e1rmacos suprida pelos argentinos. Em 2008 e 2009, o problema foi ainda mais grave, pois o governo importava somente do Canad\u00e1.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A Argentina, que \u00e9 parceira do Brasil no projeto do RMB, conta com uma Medicina Nuclear mais desenvolvida. &#8220;A Medicina Nuclear do Brasil \u00e9 avan\u00e7ada, mas limitada a poucos centros. Em rela\u00e7\u00e3o ao tamanho da popula\u00e7\u00e3o, a nossa Medicina Nuclear \u00e9 quase tr\u00eas vezes menor do que a argentina&#8221;, constatou Ramos. O docente da FCM apresentou dados de 2011 mostrando que, do total de m\u00e9dicos especialistas do Brasil, apenas 0,24% s\u00e3o especializados em Medicina Nuclear, o que totalizava cerca de 500 profissionais. Al\u00e9m do mais, a concentra\u00e7\u00e3o desses m\u00e9dicos \u00e9 muito maior nas regi\u00f5es Sul e Sudeste.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Perrotta mostrou que o Brasil consome 4% da produ\u00e7\u00e3o mundial de radiof\u00e1rmacos atualmente. Depois que o RMB entrar em opera\u00e7\u00e3o, no prazo de cinco anos, o pa\u00eds poder\u00e1 responder pelo dobro desse percentual, previu o engenheiro. Al\u00e9m dessa utiliza\u00e7\u00e3o de grande import\u00e2ncia social, o RMB tamb\u00e9m produzir\u00e1 radiois\u00f3topos e fontes radioativas para aplica\u00e7\u00f5es na ind\u00fastria, agricultura e meio ambiente; e permitir\u00e1 a realiza\u00e7\u00e3o de testes de irradia\u00e7\u00e3o de combust\u00edveis nucleares e de materiais estruturais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante o evento, o pesquisador cient\u00edfico do IPEN Fabiano Yokaichiya abordou outra utiliza\u00e7\u00e3o importante do RMB, na \u00e1rea de pesquisas com feixes de n\u00eautrons em v\u00e1rias \u00e1reas do conhecimento, entre elas a an\u00e1lise de materiais. Essa estrutura destinada aos feixes de n\u00eautrons ser\u00e1 utilizada no modelo de laborat\u00f3rio multiusu\u00e1rio, aberto a pesquisadores externos, com fun\u00e7\u00e3o complementar ao realizado pelo Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS). &#8220;A grande vantagem da difra\u00e7\u00e3o de n\u00eautrons \u00e9 poder obter estruturas magn\u00e9ticas&#8221;, explicou Yokaichiya, referindo-se \u00e0s limita\u00e7\u00f5es da t\u00e9cnica de difra\u00e7\u00e3o de raios-X, usada no LNLS, em alguns tipos de materiais. No simp\u00f3sio, o pesquisador do IPEN mostrou utiliza\u00e7\u00f5es pr\u00e1ticas do feixe de n\u00eautrons em pesquisas, como em an\u00e1lise de materiais arqueol\u00f3gicos para preserva\u00e7\u00e3o e na constru\u00e7\u00e3o civil, para melhoramento de produtos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">A professora Marina Beatriz Vasconcellos, pesquisadora cient\u00edfica no IPEN, abordou as &#8220;Aplica\u00e7\u00f5es da An\u00e1lise por Ativa\u00e7\u00e3o com N\u00eautrons&#8221; e trouxe exemplos dessa t\u00e9cnica que emprega a forma\u00e7\u00e3o de is\u00f3topos radioativos por meio de rea\u00e7\u00f5es nucleares. As amostras, que podem ser das mais diversas origens, interagem com os n\u00eautrons a partir de uma exposi\u00e7\u00e3o e, por meio das radia\u00e7\u00f5es emitidas, pode-se fazer an\u00e1lise da concentra\u00e7\u00e3o de elementos qu\u00edmicos presentes no material. Uma das principais vantagens \u00e9 que esses elementos podem estar presentes na amostra em concentra\u00e7\u00f5es extremamente baixas. A An\u00e1lise por Ativa\u00e7\u00e3o com N\u00eautrons pode ser aplicada, por exemplo, em an\u00e1lises geol\u00f3gicas, pl\u00e1sticos, amostras arqueol\u00f3gicas, metais e ligas, alimentos e amostras ambientais. O evento foi encerrado com a palestra do professor Sandro Guedes de Oliveira, do IFGW, que mostrou aplica\u00e7\u00f5es espec\u00edficas na Medicina sobre a &#8220;Terapia de Captura de N\u00eautrons pelo Boro&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m estiveram presentes no Simp\u00f3sio RMB a pr\u00f3-reitora de Pesquisa da Unicamp, professora Gl\u00e1ucia Maria Pastore; o diretor do IFGW, professor Daniel Pereira, e J\u00falio C\u00e9sar Hadler Neto, professor do IFGW e coordenador do PENSES da Unicamp. O PENSES \u00e9 um espa\u00e7o acad\u00eamico vinculado ao Gabinete do Reitor respons\u00e1vel por promover discuss\u00f5es que contribuam para a formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas p\u00fablicas voltadas ao desenvolvimento da sociedade em todos os seus aspectos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Repercuss\u00e3o: <\/strong><em><a href=\"https:\/\/jornaldaciencia.org.br\/Detalhe.php?id=91202\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Jornal da Ci\u00eancia<\/a><\/em><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Jornal da Unicamp em 11\/12\/2013 Investimento de US$ 500 milh\u00f5es vai permitir ao Brasil mais do que dobrar exames e procedimentos de Medicina Nuclear O investimento do governo federal de&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1452,1456],"tags":[],"class_list":["post-68593","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem-en","category-clipping-lnls-en","category-1452","category-1456","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.2 - 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