{"id":6847,"date":"2009-05-27T17:15:57","date_gmt":"2009-05-27T20:15:57","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/?p=6847"},"modified":"2026-03-03T10:21:19","modified_gmt":"2026-03-03T13:21:19","slug":"plastico-de-cana-e-uma-boa","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/plastico-de-cana-e-uma-boa\/","title":{"rendered":"Pl\u00e1stico de cana \u00e9 uma boa?"},"content":{"rendered":"<p><em>Diretor do CTBE mediar\u00e1 mesa redonda na Ethanol Summit 2009 sobre as vantagens e novidades dos pl\u00e1sticos verdes<\/em><\/p>\n<p><em>Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o, em 27\/05\/2009<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ser renov\u00e1vel e sustent\u00e1vel se tornou um modismo corporativo. As empresas t\u00eam buscado nos \u00faltimos anos criar produtos \u201camig\u00e1veis\u201d ao meio-ambiente. Exemplo disso s\u00e3o os biopl\u00e1sticos. Quem os produz promete um material de qualidade que, em alguns casos, se biodegrad\u00e1vel, ainda colabora para a diminui\u00e7\u00e3o do problema de armazenamento de lixo nas grandes cidades. A pergunta a ser feita \u00e9 se isso ocorre na pr\u00e1tica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Buscar respostas a indaga\u00e7\u00f5es como essa ser\u00e1 uma das tarefas da mesa redonda que o diretor do Centro de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) Marco Aurelio Pinheiro Lima vai coordenar na pr\u00f3xima semana (02\/06) em S\u00e3o Paulo, na Ethanol Summit 2009. Lima se reunir\u00e1 com representantes de tr\u00eas empresas do setor (Braskem, Dow e PHB Industrial) para debater sobre as reais vantagens desses produtos e apresentar as novidades na \u00e1rea.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Lima, o r\u00f3tulo \u201cverde\u201d n\u00e3o garante que um tipo de pl\u00e1stico \u00e9 necessariamente melhor que similares dispon\u00edveis no mercado. \u201cV\u00e1rios fatores precisam ser levados em conta na an\u00e1lise do que \u00e9 melhor para o ser humano e para o planeta\u201d. Entre estes fatores podemos citar as propriedades f\u00edsico-qu\u00edmicas do material, os benef\u00edcios da biodegradabilidade em compara\u00e7\u00e3o \u00e0 reciclagem, as emiss\u00f5es de carbono oriundas do ciclo produtivo do biopl\u00e1stico e do pl\u00e1stico convencional, etc.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em primeiro lugar \u00e9 preciso distinguir pl\u00e1stico verde de pl\u00e1stico biodegrad\u00e1vel. Atualmente processos industriais bem estabelecidos conseguem extrair carbono de plantas como a cana-de-a\u00e7\u00facar e os transformar em pol\u00edmeros semelhantes aos feitos a partir do petr\u00f3leo. Essas mol\u00e9culas que d\u00e3o origem aos biopl\u00e1sticos podem sofrer ou n\u00e3o a a\u00e7\u00e3o degradante de microorganismos da natureza. As que degradam deixam como produto desta rea\u00e7\u00e3o g\u00e1s carb\u00f4nico e \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez visto que os pl\u00e1sticos verdes podem ser biodegrad\u00e1veis ou n\u00e3o, \u00e9 preciso saber se \u00e9 mais vantajoso enterrar um pol\u00edmero que n\u00e3o degrada (e lidar com o problema do lixo) ou fabricar pl\u00e1stico biodegrad\u00e1vel (e sofrer com as emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub>\u00a0desta degrada\u00e7\u00e3o).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os defensores dos pl\u00e1sticos verdes alegam que as emiss\u00f5es de g\u00e1s carb\u00f4nico na atmosfera n\u00e3o constituem um problema real, pois o carbono emitido \u00e9 reabsorvido pela planta na pr\u00f3xima safra. O balan\u00e7o final de emiss\u00f5es desse ciclo produtivo \u00e9 igual a zero. Tamb\u00e9m n\u00e3o h\u00e1 gera\u00e7\u00e3o de lixo nesse caso. Pelo contr\u00e1rio, j\u00e1 que esse pl\u00e1stico pode ser decomposto em espa\u00e7os apropriados e virar fertilizante agr\u00edcola.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O\u00a0lixo pode ser um ponto importante a favor dos pl\u00e1sticos verdes biodegrad\u00e1veis.\u00a0 Segundo o engenheiro do CTBE Jos\u00e9 Geraldo Pradella 20% do volume atual dos aterros sanit\u00e1rios s\u00e3o compostos por pl\u00e1stico. \u201cSe substitu\u00edssemos esse volume por material biodegrad\u00e1vel, a cada cinco aterros ganhar\u00edamos o espa\u00e7o de um sexto devido \u00e0 degrada\u00e7\u00e3o do pl\u00e1stico\u201d.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entretanto, talvez seja mais vantajoso reciclar do que deixar o pl\u00e1stico ser convertido em g\u00e1s pela natureza. Para o qu\u00edmico do CTBE Carlos Eduardo Vaz Rossell isso at\u00e9 poderia ser verdade se o processo atual de reciclagem n\u00e3o fosse t\u00e3o ineficiente. \u00c9 que a\u00a0refundi\u00e7\u00e3o do pl\u00e1stico, seja o material feito a partir de petr\u00f3leo ou de mat\u00e9ria-prima renov\u00e1vel, n\u00e3o garante a este\u00a0as mesmas condi\u00e7\u00f5es de maleabilidade e resist\u00eancia do pol\u00edmero virgem. Sem contar os problemas de contamina\u00e7\u00e3o que impedem o uso de pl\u00e1stico recicl\u00e1vel em diversas situa\u00e7\u00f5es (hospitais, por exemplo) e o alto custo do transporte deste material de baixa densidade. Tudo isso faz com que apenas 3% do volume de pl\u00e1stico produzido atualmente seja\u00a0reciclado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar dos argumentos a favor dos biopl\u00e1sticos (principalmente biodegrad\u00e1veis), ainda n\u00e3o se pode declarar a sua vit\u00f3ria no quesito sustentabilidade ambiental. Primeiro \u00e9 preciso verificar se, na an\u00e1lise do ciclo de vida desse pol\u00edmero, o n\u00famero de emiss\u00f5es de CO<sub>2<\/sub>\u00a0equivalente \u00e9 menor que o dos pl\u00e1sticos convencionais. Em outras palavras \u00e9 preciso mensurar, atrav\u00e9s de metodologias conhecidas, quanta energia \u00e9 gasta no processo de produ\u00e7\u00e3o e consumo de 1 kg de pl\u00e1stico \u201cverde\u201d que n\u00e3o degrada e comparar esse dado ao que degrada e ao derivado do petr\u00f3leo. Essa \u00e9 uma conta que, segundo Rossell, ainda precisa ser feita antes que se decida alguma coisa.<\/p>\n<p><strong>Custo de produ\u00e7\u00e3o do biopl\u00e1stico<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe um consenso de que a mudan\u00e7a de postura ecol\u00f3gica do consumidor \u00e9 um est\u00edmulo importante \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de produtos oriundos de mat\u00e9rias-primas renov\u00e1veis. No entanto, para que a ampla utiliza\u00e7\u00e3o destes materiais seja disseminada \u00e9 preciso ir al\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No caso espec\u00edfico dos pl\u00e1sticos Rossell explica que o custo de produ\u00e7\u00e3o \u00e9 algo vital. Atualmente os pl\u00e1sticos verdes se tornam economicamente competitivos se o pre\u00e7o do barril de petr\u00f3leo for algo entre US$ 100 e 150. Hoje ele custa cerca de US$ 60. Al\u00e9m disso, por se tratar de um investimento de risco (por conta da necessidade de melhorias na estrutura do produto atual) as empresas do setor analisam com cautela a instala\u00e7\u00e3o de novas plantas industriais destinadas a esses materiais. \u201cO ideal seria criar um pl\u00e1stico advindo de fonte renov\u00e1vel que n\u00e3o alterasse radicalmente as caras plataformas de produ\u00e7\u00e3o atuais\u201d, informa Rossell.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Outro problema a ser analisado \u00e9 a poss\u00edvel alta do pre\u00e7o da mat\u00e9ria-prima renov\u00e1vel no caso dos biopol\u00edmeros substitu\u00edrem grande parte do pl\u00e1stico consumido no mundo. De acordo com o coordenador do programa de pesquisa em sustentabilidade do CTBE Manoel Regis Lima Verde Leal, para que as 230 milh\u00f5es de toneladas de pl\u00e1stico produzidas anualmente no globo sejam substitu\u00eddas por PHB (biopl\u00e1stico degrad\u00e1vel oriundo do a\u00e7\u00facar da cana) \u00e9 preciso produzir 600 milh\u00f5es de toneladas de a\u00e7\u00facar. A produ\u00e7\u00e3o mundial\u00a0de a\u00e7\u00facar hoje em dia \u00e9 de aproximadamente 160 milh\u00f5es de toneladas, o que exigiria um aumento de quase quatro vezes na \u00e1rea total de cana plantada para suprir tal demanda.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de alto, esse n\u00famero n\u00e3o parece ser t\u00e3o absurdo se compararmos que a cana-de-a\u00e7\u00facar ocupa uma \u00e1rea global de 20 milh\u00f5es de hectares, enquanto a soja ocupa 100 e o trigo 200 milh\u00f5es. Al\u00e9m disso, se forem implantados melhoramentos nos processos de produ\u00e7\u00e3o de a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool, como a hidr\u00f3lise enzim\u00e1tica estudada no CTBE, essa \u00e1rea a ser expandida pode se tornar muito menor.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A cana-de-a\u00e7\u00facar como mat\u00e9ria-prima<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em resumo, o CTBE \u00e9 a favor da utiliza\u00e7\u00e3o do pl\u00e1stico renov\u00e1vel em pelo menos um nicho deste mercado. Como mat\u00e9ria-prima desses compostos, Marco Aur\u00e9lio Pinheiro Lima acredita que a cana-de-a\u00e7\u00facar se mostra uma excelente candidata. \u201cA cana \u00e9 uma enorme f\u00e1brica de carbono\u201d. Do seu caldo se faz a\u00e7\u00facar e \u00e1lcool e do baga\u00e7o \u00e9 poss\u00edvel gerar eletricidade. \u201cA pergunta a ser feita \u00e9 quais outros produtos de grande valor agregado podem ser produzidos a partir desta planta\u201d, completa Lima.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na tentativa de encontrar respostas a essa indaga\u00e7\u00e3o o CTBE trabalha na constru\u00e7\u00e3o de uma ferramenta computacional que vai estimar as mudan\u00e7as que uma nova tecnologia pode trazer ao ciclo produtivo convencional de cana-de-a\u00e7\u00facar\/etanol. A id\u00e9ia dessa Biorrefinaria Virtual \u00e9 suprir o setor com informa\u00e7\u00f5es cruciais a quem precisa analisar a viabilidade econ\u00f4mica, social e ambiental de novos processos industriais. Um instrumento deste porte ser\u00e1 de grande valia aos que um dia pensam em produzir pl\u00e1sticos verdes.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Diretor do CTBE mediar\u00e1 mesa redonda na Ethanol Summit 2009 sobre as vantagens e novidades dos pl\u00e1sticos verdes Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o, em 27\/05\/2009 Ser renov\u00e1vel e sustent\u00e1vel se tornou um&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1163,1208,123],"tags":[],"class_list":["post-6847","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem","category-releases-cnpem","category-releases-lnbr","category-1163","category-1208","category-123","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Pl\u00e1stico de cana \u00e9 uma boa? 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