{"id":68439,"date":"2014-06-25T15:13:13","date_gmt":"2014-06-25T18:13:13","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.br\/rotas-alternativas\/"},"modified":"2014-06-25T15:13:13","modified_gmt":"2014-06-25T18:13:13","slug":"rotas-alternativas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/rotas-alternativas\/","title":{"rendered":"Rotas alternativas"},"content":{"rendered":"<p>Revista Pesquisa Fapesp, em junho\/2014<\/p>\n<p><em>Esfor\u00e7o de pesquisa para substituir o uso de animais em testes come\u00e7a a mostrar resultados.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Ganha musculatura no pa\u00eds uma articula\u00e7\u00e3o entre laborat\u00f3rios p\u00fablicos, grupos de pesquisa e \u00f3rg\u00e3os governamentais para reduzir ou substituir o uso de animais em testes de seguran\u00e7a e efic\u00e1cia de produtos. O esfor\u00e7o foi deflagrado em 2012, com a cria\u00e7\u00e3o pelo governo federal da Rede Nacional de M\u00e9todos Alternativos (Renama) e o lan\u00e7amento de uma chamada de projetos pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), que contemplou 10 projetos de pesquisa no \u00e2mbito da Renama. Todos est\u00e3o em andamento e t\u00eam focos diversos, como a produ\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>kits<\/em>\u00a0de pele artificial para testes de sensibilidade de cosm\u00e9ticos, estudos com larvas capazes de substituir mam\u00edferos em exames de toxicidade ou a redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero de roedores no controle de qualidade de vacinas. Tr\u00eas laborat\u00f3rios fazem parte do n\u00facleo central da Renama. Um deles \u00e9 o Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias (LNBio), em Campinas. Os outros ficam no Rio de Janeiro: o Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Sa\u00fade (INCQS), vinculado \u00e0 Funda\u00e7\u00e3o Oswaldo Cruz, e o \u00a0Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro).<\/p>\n<p>Em mar\u00e7o, essa estrutura ainda em fase de consolida\u00e7\u00e3o foi desafiada a cumprir uma meta ambiciosa: dar suporte para a substitui\u00e7\u00e3o progressiva, nos pr\u00f3ximos cinco anos, do uso de animais em testes, sempre que existir uma alternativa validada. Para novos m\u00e9todos ainda n\u00e3o validados, esse processo envolver\u00e1 o Centro Brasileiro de Valida\u00e7\u00e3o de M\u00e9todos Alternativos (Bracvam) e toda a estrutura da Renama. A substitui\u00e7\u00e3o foi decidida pelo Conselho Nacional de Controle da Experimenta\u00e7\u00e3o Animal (Concea), institui\u00e7\u00e3o colegiada vinculada ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI), respons\u00e1vel desde 2009 por estabelecer normas para a experimenta\u00e7\u00e3o animal no Brasil e substituir animais para prop\u00f3sitos cient\u00edficos e did\u00e1ticos quando existirem recursos alternativos. Em maio, o Concea recebeu do Bracvam a primeira recomenda\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos alternativos j\u00e1 validados e aceitos internacionalmente. S\u00e3o 17 t\u00e9cnicas, que envolvem sensibilidade cut\u00e2nea, potencial de irrita\u00e7\u00e3o e corros\u00e3o ocular e toxicidade. \u201cA resolu\u00e7\u00e3o permitir\u00e1 que o pa\u00eds efetivamente adote m\u00e9todos alternativos em testes de agrot\u00f3xicos, cosm\u00e9ticos e medicamentos\u201d, diz o coordenador do Concea, Jos\u00e9 Mauro Granjeiro.<\/p>\n<p>O maior potencial para a substitui\u00e7\u00e3o de animais por m\u00e9todos alternativos n\u00e3o est\u00e1 nas pesquisas cient\u00edficas de cunho acad\u00eamico, mas sim nos testes exigidos pelas ag\u00eancias regulat\u00f3rias para garantir a seguran\u00e7a e a efic\u00e1cia de produtos. \u201cOs experimentos com animais feitos para averiguar hip\u00f3teses cient\u00edficas s\u00e3o idealizados de forma independente pelos pesquisadores: cada um tem a sua pergunta espec\u00edfica e idealiza um conjunto peculiar de experimentos para respond\u00ea-la. Portanto, \u00e9 muito mais dif\u00edcil padroniz\u00e1-los\u201d, explica Eduardo Pagani, pesquisador e gerente de desenvolvimento de f\u00e1rmacos do LNBio. \u201cJ\u00e1 os testes exigidos por ag\u00eancias do mundo inteiro para cosm\u00e9ticos e outros produtos s\u00e3o sempre feitos de acordo com m\u00e9todos padronizados. Neles, h\u00e1 mais espa\u00e7o para propor alternativas que n\u00e3o usem animais\u201d, observa. A exig\u00eancia dos testes\u00a0<em>in vivo<\/em>\u00a0para registro de medicamentos e cosm\u00e9ticos come\u00e7ou na d\u00e9cada de 1960, ap\u00f3s o conhecido acidente com a subst\u00e2ncia talidomida. O medicamento foi vendido no mundo todo com a indica\u00e7\u00e3o de combater o enjoo em gr\u00e1vidas. Milhares de m\u00e3es que usaram o rem\u00e9dio tiveram filhos com deforma\u00e7\u00f5es. J\u00e1 o movimento para substituir os modelos animais por m\u00e9todos alternativos ganhou for\u00e7a em 2003, quando a Europa prop\u00f4s o banimento do uso em testes de cosm\u00e9ticos, e demorou duas d\u00e9cadas para ser implementado.<\/p>\n<div id=\"attachment_150207\">\n<div style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" style=\"line-height: 19px;\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Animal_EDU_0894.jpg?resize=290%2C193&#038;ssl=1\" alt=\"Produ\u00e7\u00e3o de pele artificial pelo grupo da professora Silvya Stuchi-Maria Engler, da USP \" width=\"290\" height=\"193\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Produ\u00e7\u00e3o de pele artificial na USP (Eduardo Cesar)<\/p><\/div>\n<p>Os projetos sobre m\u00e9todos alternativos apoiados pelo MCTI em 2012 foram divididos em duas vertentes. Numa delas, a meta foi identificar grupos que j\u00e1 trabalhavam com m\u00e9todos alternativos e apoiar estudos realizados por eles. Nove projetos de grupos de S\u00e3o Paulo, Bahia, Goi\u00e1s, Rio de Janeiro, Santa Catarina e Rio Grande do Sul foram selecionados. Uma segunda vertente tinha foco espec\u00edfico: desenvolver compet\u00eancia no Brasil para produzir em escala industrial<em>kits<\/em>\u00a0de pele humana cultivada, utilizados pela ind\u00fastria de cosm\u00e9ticos para testes de seguran\u00e7a de seus produtos, mas cuja importa\u00e7\u00e3o se tornou um problema no Brasil. Acontece que os\u00a0<em>kits<\/em>\u00a0com c\u00e9lulas vivas deterioram em poucos dias e a demora nos tr\u00e2mites alfandeg\u00e1rios frequentemente inviabiliza sua aquisi\u00e7\u00e3o \u2013 o que leva as ind\u00fastrias a realizar tais testes no exterior.<\/p>\n<\/div>\n<p>O projeto contemplado foi o de um grupo da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da USP, liderado por Silvya Stuchi-Maria Engler, que come\u00e7ou a produzir pele artificial em meados dos anos 2000, com apoio da FAPESP (<a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2009\/12\/01\/pele-recriada-4\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>ver<\/em>\u00a0Pesquisa FAPESP\u00a0<em>n\u00ba 166<\/em><\/a>). Produzida a partir de c\u00e9lulas retiradas de doadores, a pele reproduz os mesmos tecidos biol\u00f3gicos da humana e pode ser utilizada para avaliar a toxicidade e a efic\u00e1cia de novos compostos para f\u00e1rmacos e produtos cosm\u00e9ticos. Originalmente, a pesquisa sobre pele cultivada buscava dar suporte a outra linha de investiga\u00e7\u00e3o em que Silvya est\u00e1 envolvida: o estudo de mol\u00e9culas capazes de deter o melanoma, tumor de pele muito agressivo. \u201cLogo percebemos que a pele poderia ajudar as empresas\u201d, afirma. \u201cOs<em>kits<\/em>\u00a0s\u00e3o uma alternativa para testes de cosm\u00e9ticos, mas \u00e9 bom lembrar que o uso de animais segue imprescind\u00edvel, por exemplo, em testes para o desenvolvimento de medicamentos\u201d, observa Silvya.<\/p>\n<p>O Instituto Butantan, com sua voca\u00e7\u00e3o para desenvolver e produzir soros e vacinas, vem diminuindo a quantidade de animais, como camundongos e cobaias, utilizados para o controle de qualidade. Esse esfor\u00e7o j\u00e1 levou, entre outros avan\u00e7os, \u00e0 redu\u00e7\u00e3o em mais de 60% do uso de camundongos em testes de qualidade da vacina recombinante contra a hepatite B, gra\u00e7as \u00e0 cria\u00e7\u00e3o de um teste imunoenzim\u00e1tico com fun\u00e7\u00f5es equivalentes. O trabalho do instituto habilitou-o a apresentar um projeto no edital da Renama, envolvendo v\u00e1rios m\u00e9todos alternativos para controle de qualidade de vacinas e soros. Numa das frentes de pesquisa, o objetivo \u00e9 reduzir o n\u00famero de animais nos testes em lotes da vacina de difteria e t\u00e9tano, com a ado\u00e7\u00e3o de um ensaio\u00a0<em>in vitro<\/em>\u00a0para detectar a atividade imunog\u00eanica. Em outra, a meta \u00e9 substituir ensaios em cobaias por ensaios em c\u00e9lulas no controle da anatoxina dift\u00e9rica \u2013 toxina da difteria que mant\u00e9m atividade imunog\u00eanica, embora n\u00e3o seja mais t\u00f3xica. Um terceiro foco \u00e9 a adapta\u00e7\u00e3o para vacinas produzidas pelo instituto de um\u00a0<em>kit<\/em>\u00a0que substitui o uso de coelhos em testes de pirog\u00eanios, contaminantes que causam febre e podem ser oriundos de microrganismos ou aglomerados proteicos. Em quarto lugar, procura-se reduzir o uso de camundongos na sorologia para vacina de coqueluche \u2013 a ideia \u00e9 utilizar para a doen\u00e7a os mesmos animais usados para dosar anticorpos contra difteria e t\u00e9tano. A redu\u00e7\u00e3o do n\u00famero \u00e9 sens\u00edvel: de 170 animais por lote de vacina para apenas seis cobaias.<\/p>\n<p>Por fim, o Butantan j\u00e1 est\u00e1 obtendo \u00eaxito em uma t\u00e9cnica com potencial para substituir o uso de camundongos por um ensaio imunoenzim\u00e1tico numa etapa da produ\u00e7\u00e3o da vacina contra a raiva. \u201cA redu\u00e7\u00e3o e a substitui\u00e7\u00e3o de animais \u00e9 um caminho sem volta\u201d, diz o qu\u00edmico Wagner Quintilio, pesquisador do Butantan respons\u00e1vel pelo projeto. \u201cExiste a press\u00e3o da sociedade e dos comit\u00eas de \u00e9tica em pesquisa, que n\u00e3o permitem o uso exagerado de animais. H\u00e1 tamb\u00e9m a press\u00e3o econ\u00f4mica. Criar os animais em condi\u00e7\u00f5es adequadas custa caro e ocupa muito espa\u00e7o\u201d, afirma.<\/p>\n<div id=\"attachment_150208\">\n<p>J\u00e1 o projeto do grupo liderado pela micologista Maria Jos\u00e9 Giannini, professora da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas de Araraquara, da Universidade Estadual Paulista (Unesp), prev\u00ea a cria\u00e7\u00e3o do Centro para o Desenvolvimento e Valida\u00e7\u00e3o de M\u00e9todos Alternativos (Cedevam), a fim de criar e testar t\u00e9cnicas que reduzam o uso de animais. Maria Jos\u00e9 \u00e9 supervisora da p\u00f3s-doutoranda Liliana Scorzoni, respons\u00e1vel por uma pesquisa sobre modelos capazes de substituir mam\u00edferos por outros organismos em testes de virul\u00eancia de micr\u00f3bios e a efic\u00e1cia de drogas. O\u00a0<em>front<\/em>\u00a0mais adiantado \u00e9 o do\u00a0<em>Galleria mellonella<\/em>, esp\u00e9cie de inseto lepid\u00f3ptero, cuja larva \u00e9 \u00fatil para verificar a atividade de determinadas subst\u00e2ncias. \u201c\u00c9 de f\u00e1cil manuseio e pode minimizar o uso de animais\u201d, diz Maria Jos\u00e9, que tamb\u00e9m \u00e9 membro do Conselho Superior da FAPESP. \u201cA larva tem c\u00e9lulas semelhantes \u00e0s do sistema imunol\u00f3gico. Quando se injeta uma subst\u00e2ncia t\u00f3xica, ela reage e escurece\u201d, afirma. A expectativa \u00e9 de que o\u00a0<em>Galleria<\/em>\u00a0substitua outros animais, como ratos e camundongos, em pelo menos alguma etapa dos testes de toxicidade e virul\u00eancia.<\/p>\n<\/div>\n<p>Outro modelo alternativo na mira do grupo da Unesp \u00e9 o\u00a0<em>C. elegans<\/em>, nemat\u00f3deo de um mil\u00edmetro de comprimento sens\u00edvel \u00e0 infec\u00e7\u00e3o por bact\u00e9rias e fungos pat\u00f3genos. \u201cTem um sistema imune para o reconhecimento e a elimina\u00e7\u00e3o de pat\u00f3genos com alta semelhan\u00e7a ao dos vertebrados. Al\u00e9m disso, seu genoma foi completamente sequenciado, o que ainda n\u00e3o \u00e9 o caso do\u00a0<em>Galleria<\/em>\u201d, afirma Maria Jos\u00e9. Os dois modelos est\u00e3o sendo testados para avaliar a virul\u00eancia de fungos\u00a0<em>Paracoccidioides<\/em>, end\u00eamicos na Am\u00e9rica Latina. Outros modelos, como o do peixe\u00a0<em>zebrafish<\/em>, ser\u00e3o testados. Em 2010, a Pr\u00f3-reitoria de Pesquisa da Unesp, cuja titular \u00e9 a professora Maria Jos\u00e9, organizou em S\u00e3o Paulo um f\u00f3rum internacional para discutir alternativas a testes de toxicidade com animais, que trouxe autoridades como Thomas Hartung, diretor do Centro de Alternativas aos Testes em Animais, da Universidade Johns Hopkins. \u201cA busca de modelos alternativos \u00e9 importante tamb\u00e9m para desenvolver m\u00e9todos mais eficientes. Modelos animais t\u00eam limita\u00e7\u00f5es e, \u00e0s vezes, n\u00e3o s\u00e3o suficientes para garantir a seguran\u00e7a, como se pode ver com medicamentos aprovados que acabam retirados do mercado\u201d, diz Maria Jos\u00e9.<\/p>\n<p>A decis\u00e3o do Concea de impulsionar o reconhecimento de m\u00e9todos alternativos validados foi uma resposta a uma peti\u00e7\u00e3o da organiza\u00e7\u00e3o n\u00e3o governamental\u00a0Humane Society International<em>,<\/em>\u00a0que reivindicava o banimento de ensaios em animais para cosm\u00e9ticos. No estado de S\u00e3o Paulo, ensaios em animais para cosm\u00e9ticos est\u00e3o proibidos por uma lei estadual sancionada em janeiro de 2014. O Concea, que n\u00e3o aceitou o pedido, entendeu que acelerar a implanta\u00e7\u00e3o de t\u00e9cnicas alternativas promover\u00e1 maior redu\u00e7\u00e3o no uso de animais que apenas a proibi\u00e7\u00e3o exclusiva do uso de animais para an\u00e1lise de cosm\u00e9ticos, j\u00e1 que praticamente n\u00e3o se usam mais animais para este fim. \u201cO banimento completo colocaria em xeque a seguran\u00e7a da popula\u00e7\u00e3o\u201d, diz o m\u00e9dico e biof\u00edsico Marcelo Morales, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e ex-coordenador do Concea. \u201cEle pode inviabilizar o desenvolvimento de cosm\u00e9ticos com ingredientes novos ou mol\u00e9culas descobertas na nossa biodiversidade que contenham contaminantes desconhecidos\u201d, afirma. Luiz Henrique do Canto Pereira, coordenador-geral de biotecnologia e sa\u00fade do MCTI, afirma que o banimento poderia prejudicar a estrat\u00e9gia definida pelo MCTI de substituir, reduzir e refinar o uso de animais em testes sempre que isso for poss\u00edvel. \u201cA campanha pelo banimento atropela o esfor\u00e7o que estamos fazendo desde 2011, quando come\u00e7amos a conceber essa iniciativa, para organizar no pa\u00eds uma rede estruturada, capaz de validar e disseminar de forma mais ampla os m\u00e9todos alternativos, incluindo n\u00e3o apenas cosm\u00e9ticos mas tamb\u00e9m f\u00e1rmacos e agrot\u00f3xicos\u201d, afirma. \u201cMesmo na Europa h\u00e1 salvaguardas que permitem a realiza\u00e7\u00e3o de testes se houver riscos \u00e0 sa\u00fade da popula\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_150209\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/06\/Animal_30-Paulistinha.jpg?resize=290%2C202&#038;ssl=1\" alt=\"Zebrafish e Galleria mellonella, cuja larva pode substituir animais em testes de toxicidade: modelos alternativos\" width=\"290\" height=\"202\" \/>H\u00e1 quem veja certo a\u00e7odamento no prazo de cinco anos para a substitui\u00e7\u00e3o estipulado pelo Concea. \u201cCome\u00e7amos recentemente a investir no desenvolvimento de m\u00e9todos alternativos aqui no Brasil e agora corremos o risco de morrer na praia se n\u00e3o tivermos resultados imediatos\u201d, diz Maria Jos\u00e9 Giannini, da Unesp. \u201cAs empresas, pressionadas pelo prazo, poder\u00e3o importar t\u00e9cnicas em vez de usar a<em>expertise<\/em>\u00a0nacional. Isso j\u00e1 acontece hoje. Empresas de cosm\u00e9ticos afirmam que n\u00e3o fazem testes com animais no Brasil. Mas fazem em outros pa\u00edses, para garantir a seguran\u00e7a dos produtos\u201d, explica.<\/div>\n<p>A expectativa de Octavio Presgrave, coordenador do Bracvam, \u00e9 de que pr\u00e1ticas aceitas internacionalmente tenham aprova\u00e7\u00e3o r\u00e1pida. \u201cPara a valida\u00e7\u00e3o interna ser\u00e1 necess\u00e1rio demonstrar que os registros j\u00e1 obtidos no exterior se reproduzem em testes feitos nos nossos laborat\u00f3rios\u201d, afirma Presgrave, que \u00e9 pesquisador do Instituto Nacional de Controle de Qualidade em Sa\u00fade (INCQS). Segundo ele, o prazo de cinco anos \u00e9 fact\u00edvel. \u201c\u00c9 tempo suficiente para que as empresas e laborat\u00f3rios se adaptem\u201d, diz. Em outros casos, o trabalho do Bracvam ser\u00e1 mais demorado. \u00c9 o caso, por exemplo, do protocolo Het-Cam, que busca substituir o uso de coelhos por uma membrana do ovo de galinha na identifica\u00e7\u00e3o de compostos corrosivos ou muito irritantes. O m\u00e9todo, criado na Europa em 1985, \u00e9 aceito apenas como pr\u00e9-teste na Fran\u00e7a e na Alemanha. O processo do Het-Cam ser\u00e1 o primeiro estudo de valida\u00e7\u00e3o no Brasil seguindo preceitos internacionais, afirma Presgrave. \u201cQuando deixamos de usar animal num teste, h\u00e1 um ganho \u00e9tico importante. Mas um novo m\u00e9todo tamb\u00e9m significa criar conhecimento. Desenvolvemos inova\u00e7\u00f5es na busca de m\u00e9todos mais fidedignos e sens\u00edveis\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Em outra frente para reduzir o uso de animais em testes de laborat\u00f3rio, o LNBio recebeu recursos do MCTI para criar um n\u00facleo de testes\u00a0<em>in silico<\/em>, para reduzir o uso de animais na pesquisa de medicamentos.\u00a0<em>In silico<\/em>\u00a0refere-se ao sil\u00edcio utilizado em circuitos integrados e significa \u201cem computador\u201d. Essa express\u00e3o foi criada em analogia \u00e0s express\u00f5es\u00a0<em>in vivo<\/em>\u00a0e\u00a0<em>in<\/em>\u00a0<em>vitro<\/em>, utilizadas h\u00e1 bastante tempo. Testes\u00a0<em>in silico<\/em>envolvem simula\u00e7\u00f5es em computador para avaliar, por exemplo, se mol\u00e9culas candidatas a novos medicamentos t\u00eam realmente essa voca\u00e7\u00e3o. \u201cO computador pode comparar a estrutura da mol\u00e9cula candidata com a de outras j\u00e1 testadas e cujas caracter\u00edsticas est\u00e3o armazenadas em bancos de dados para definir se vale a pena prosseguir com seu desenvolvimento\u201d, diz Eduardo Pagani, do LNBio. Estes testes tamb\u00e9m podem ajudar a avaliar se uma determinada mol\u00e9cula, mesmo com potencial, tem mesmo chances de ser absorvida pelo organismo se administrada, por via oral. Estimativas cl\u00e1ssicas d\u00e3o conta de que de 5 mil a 10 mil mol\u00e9culas s\u00e3o inicialmente avaliadas para potencial atividade em um alvo; 250 s\u00e3o sintetizadas e iniciam testes em animais; cinco iniciam os testes cl\u00ednicos em humanos e apenas uma chega ao mercado como medicamento. \u201cA ideia dos testes\u00a0<em>in silico<\/em>\u00a0\u00e9 diminuir ainda mais o n\u00famero de subst\u00e2ncias que s\u00e3o submetidas a testes em animais pela elimina\u00e7\u00e3o r\u00e1pida daquelas que se mostrarem invi\u00e1veis. Trata-se de um filtro que evita o desperd\u00edcio de tempo, recursos financeiros e principalmente o uso injustific\u00e1vel de animal em projetos previsivelmente destinados ao fracasso.\u201d<\/p>\n<div id=\"attachment_150211\">\n<p>O LNBio divulgou no m\u00eas passado os resultados de um edital que franqueou a empresas, institutos de pesquisa e universidades a possibilidade de realizar testes\u00a0<em>in silico<\/em>\u00a0no laborat\u00f3rio. Foram recebidas 19 propostas de sete empresas. \u201cTodas foram aprovadas e, nos pr\u00f3ximos meses, vamos iniciar os testes\u201d, diz Tiago Sobreira, pesquisador de bioinform\u00e1tica do LNBio respons\u00e1vel pela parte operacional dos testes\u00a0<em>in silico<\/em>. As empresas manifestaram o interesse de participar da chamada e agora negociar\u00e3o os termos dessa participa\u00e7\u00e3o, que inclui a prote\u00e7\u00e3o de segredos industriais. Entre os contemplados est\u00e3o laborat\u00f3rios, como Farmanguinhos, Crist\u00e1lia e Eurofarma, e ind\u00fastrias de cosm\u00e9ticos, como Botic\u00e1rio e Natura. \u201cQuem desenvolve f\u00e1rmacos diz que demora 15 anos e custa R$ 1 bilh\u00e3o para colocar um produto no mercado. O Brasil tem um d\u00e9ficit comercial farmac\u00eautico de R$ 6 bilh\u00f5es por ano. Precisamos gerar um esfor\u00e7o p\u00fablico para os brasileiros desenvolverem rem\u00e9dios aqui\u201d, diz Pagani.<\/p>\n<\/div>\n<p>A implementa\u00e7\u00e3o de m\u00e9todos alternativos depende da exist\u00eancia de laborat\u00f3rios reconhecidos nas chamadas boas pr\u00e1ticas de laborat\u00f3rio (BPL), mas eles ainda s\u00e3o poucos no Brasil. \u201cAs boas pr\u00e1ticas contribuem para a rastreabilidade e, portanto, para a confian\u00e7a no estudo realizado. A confiabilidade dos m\u00e9todos alternativos tamb\u00e9m ser\u00e1 garantida pela realiza\u00e7\u00e3o de compara\u00e7\u00f5es entre os laborat\u00f3rios da Renama\u201d, diz o coordenador do Concea, Jos\u00e9 Mauro Granjeiro, respons\u00e1vel por essa \u00e1rea no Inmetro. Recentemente, o Inmetro coordenou uma compara\u00e7\u00e3o entre cinco laborat\u00f3rios da rede, com apoio de uma consultoria internacional com experi\u00eancia \u2013 Centro Europeu para Valida\u00e7\u00e3o de M\u00e9todos Alternativos (Ecvam, na sigla em ingl\u00eas) \u2013, cujos resultados est\u00e3o sendo analisados.<\/p>\n<p>A amplia\u00e7\u00e3o dos estudos sobre m\u00e9todos alternativos depender\u00e1 de um refor\u00e7o no financiamento aos grupos de pesquisa envolvidos, observa Luiz Henrique Canto, do MCTI. \u201cConseguimos desenhar uma estrutura e come\u00e7amos a avan\u00e7ar e o MCTI vem envidando todos os esfor\u00e7os,\u00a0inclusive buscando apoio no Congresso por meio de emendas parlamentares, para o fortalecimento da Renama. Acreditamos que essa iniciativa poder\u00e1 beneficiar em muito o desenvolvimento cient\u00edfico e tecnol\u00f3gico do pa\u00eds na \u00e1rea das ci\u00eancias da vida\u201d, afirma.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista Pesquisa Fapesp, em junho\/2014 Esfor\u00e7o de pesquisa para substituir o uso de animais em testes come\u00e7a a mostrar resultados. &nbsp; Ganha musculatura no pa\u00eds uma articula\u00e7\u00e3o entre laborat\u00f3rios p\u00fablicos,&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1452,1455],"tags":[],"class_list":["post-68439","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem-en","category-clipping-lnbio-en","category-1452","category-1455","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Rotas alternativas - CNPEM<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cnpem.br\/en\/rotas-alternativas\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Rotas alternativas - CNPEM\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Revista Pesquisa Fapesp, em junho\/2014 Esfor\u00e7o de pesquisa para substituir o uso de animais em testes come\u00e7a a mostrar resultados. &nbsp; 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