{"id":68029,"date":"2015-06-24T15:28:24","date_gmt":"2015-06-24T15:28:24","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.br\/transporte-seletivo\/"},"modified":"2015-06-24T15:28:24","modified_gmt":"2015-06-24T15:28:24","slug":"transporte-seletivo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/transporte-seletivo\/","title":{"rendered":"Transporte seletivo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2015\/06\/16\/transporte-seletivo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revista FAPESP<\/a> em 16\/06\/2015<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Nanopart\u00edculas de s\u00edlica carregam antibi\u00f3ticos e eliminam bact\u00e9rias sem causar problemas \u00e0s c\u00e9lulas sadias<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"300\" width=\"249\" decoding=\"async\" class=\" alignright\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/068-069_Nanopart-LNLS_232-249x300.jpg?resize=249%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"068-069_Nanopart LNLS_232\" \/><\/p>\n<p>Um dos caminhos da evolu\u00e7\u00e3o das drogas farmac\u00eauticas \u00e9 tentar atingir e eliminar um microrganismo ou tumor sem prejudicar\u00a0as c\u00e9lulas sadias do paciente e causar efeitos colaterais. Dentre as ferramentas biotecnol\u00f3gicas mais utilizadas em experimentos para esse fim est\u00e3o as nanopart\u00edculas produzidas com v\u00e1rios tipos de materiais. No Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), institui\u00e7\u00e3o localizada em Campinas (SP) e vinculada ao Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o, a s\u00edlica foi o material escolhido para compor essas nanoestruturas com di\u00e2metros entre 10 e 500 nan\u00f4metros (a medida de 1 nan\u00f4metro equivale a 1 mil\u00edmetro dividido por 1 milh\u00e3o). Um novo tipo dessa nanopart\u00edcula poder\u00e1 levar antibi\u00f3ticos pelo corpo humano para combater bact\u00e9rias. Ela transporta o medicamento e tem um labirinto de canais internos onde o f\u00e1rmaco \u00e9 estocado para ser liberado no interior dos microrganismos ou pr\u00f3ximo a eles. O estudo do LNLS tamb\u00e9m levou ao desenvolvimento de dois outros tipos de nanopart\u00edculas: uma de prata, que tem propriedade bactericida, e outra com um \u201ccaro\u00e7o\u201d desse metal, recoberto por s\u00edlica, que transporta a droga em sua superf\u00edcie.<\/p>\n<p>Autor principal do projeto, o pesquisador Mateus Borba Cardoso diz que a maior vantagem da nanopart\u00edcula \u00e9 a capacidade de carregar uma grande quantidade do antibi\u00f3tico. \u201cAs nossas podem ser ativas contra os microrganismos e inofensivas \u00e0s c\u00e9lulas de mam\u00edferos\u201d, diz Cardoso. Os experimentos foram realizados com cultura de c\u00e9lulas humanas-padr\u00e3o usadas em biotecnologia. As nanoestruturas de prata tamb\u00e9m n\u00e3o apresentaram efeitos secund\u00e1rios indesej\u00e1veis \u00e0s c\u00e9lulas.<\/p>\n<p>O trabalho de Cardoso come\u00e7ou em 2010, quando o pesquisador desenvolveu uma estrat\u00e9gia para aprisionar carboidratos dentro de nanopart\u00edculas de s\u00edlica porosa. A pesquisa rendeu um artigo cient\u00edfico publicado em 2011 no <em>Journal of Pharmaceutical Sciences<\/em>. Nesse primeiro trabalho, ele diz ter se dado conta da possibilidade de controlar o tamanho das nanoestruturas de forma bem precisa. A equipe trabalhou com v\u00e1rios carboidratos diferentes, o que levou os pesquisadores a se perguntarem se n\u00e3o seria poss\u00edvel colocar mol\u00e9culas biologicamente ativas dentro das nanopart\u00edculas porosas.<\/p>\n<p>Cardoso ent\u00e3o testou a metodologia com uma prote\u00edna chamada lisozima em colabora\u00e7\u00e3o com o grupo do bi\u00f3logo J\u00f6rg Kobarg, ex-pesquisador do Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias (LNBio), que funciona ao lado do LNLS, hoje professor do Departamento de Bioqu\u00edmica e Biologia Tecidual do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). A lisozima est\u00e1 presente na l\u00e1grima humana e \u00e9 capaz de digerir parte da parede da maioria das bact\u00e9rias, destruindo-as. \u201cSurpreendentemente, verificamos que a nossa estrutura tinha um poder bactericida maior do que o da lisozima pura\u201d, conta Cardoso. \u201cNesse ponto, conseguimos entender que as propriedades superficiais e o tamanho eram pontos cruciais para que uma determinada nanopart\u00edcula apresentasse efeito biol\u00f3gico.\u201d O trabalho ilustrou a capa de uma das edi\u00e7\u00f5es da revista <em>Journal of Materials Chemistry<\/em>, em 2012.<\/p>\n<p>Dessa forma, ficou claro para o grupo que a utiliza\u00e7\u00e3o conjunta com o f\u00e1rmaco ou princ\u00edpio ativo produz efeitos biol\u00f3gicos mais acentuados do que a a\u00e7\u00e3o em separado. \u201cAp\u00f3s entender como o tamanho e a superf\u00edcie das nanopart\u00edculas se correlacionavam com as propriedades bactericidas, come\u00e7amos a trabalhar com sistemas biol\u00f3gicos mais complexos como a intera\u00e7\u00e3o dessas nanoestruturas com c\u00e9lulas tumorais e diferentes tipos de v\u00edrus\u201d, explica. \u201cDessa forma, come\u00e7amos a sintetizar tipos de nanoestruturas que levam a droga em seus canais ou em sua superf\u00edcie.\u201d<\/p>\n<p>\u00c9 o caso da s\u00edlica. Ao entrar em contato com a bact\u00e9ria, pode acontecer um de dois efeitos esperados: a nanopart\u00edcula entrar no microrganismo e liberar o antibi\u00f3tico, ou grudar no microrganismo (por fora) e soltar o medicamento perto de onde ele vai agir. Isso potencializa o poder bactericida, porque a a\u00e7\u00e3o da droga \u00e9 somada \u00e0 do pr\u00f3prio ve\u00edculo. \u201cN\u00f3s testamos essa tecnologia em duas bact\u00e9rias, uma resistente apenas \u00e0 tetraciclina e outra a esse antibi\u00f3tico e \u00e0 ampicilina\u201d, conta Cardoso. \u201cContra as resistentes aos dois medicamentos nossa metodologia se mostrou eficaz.\u201d Esse trabalho foi publicado em junho de 2014 no peri\u00f3dico <em>Langmuir<\/em>.<\/p>\n<p><strong>Din\u00e2mica molecular<br \/>\n<\/strong>Mais recentemente, o grupo come\u00e7ou a desenvolver uma classe de nanopart\u00edculas um pouco mais complexas chamadas de \u201ccaro\u00e7o-casca\u201d. \u201cO grande diferencial dessa estrutura \u00e9 o fato de ligarmos quimicamente a elas mol\u00e9culas do antibi\u00f3tico ampicilina, o que lhes confere grande poder bactericida\u201d, explica Cardoso. \u201cAl\u00e9m disso, o antibi\u00f3tico n\u00e3o \u00e9 colocado ao acaso na sua superf\u00edcie, mas em uma orienta\u00e7\u00e3o predeterminada. Estudos te\u00f3ricos baseados em din\u00e2mica molecular realizados pelo qu\u00edmico Hubert Stassen [professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul] indicaram a configura\u00e7\u00e3o que nos proporcionou o maior efeito biol\u00f3gico.\u201d A equipe considera essa estrat\u00e9gia a mais promissora por ter tr\u00eas meios de ataque ao pat\u00f3geno: o caro\u00e7o de prata, a casca de s\u00edlica e a droga.<\/p>\n<p>Na avalia\u00e7\u00e3o do engenheiro qu\u00edmico Ant\u00f4nio Hortencio Munhoz J\u00fanior, coordenador do curso de Engenharia de Materiais da Universidade Presbiteriana Mackenzie, em S\u00e3o Paulo, na \u00e1rea de <em>drug delivery<\/em> (libera\u00e7\u00e3o controlada de medicamentos), o que est\u00e1 mais avan\u00e7ado \u00e9 o uso de pol\u00edmeros org\u00e2nicos para o transporte do antibi\u00f3tico e sua libera\u00e7\u00e3o paulatina no organismo humano. \u201cO uso desses pol\u00edmeros \u00e9 comum tanto na literatura m\u00e9dica como na ind\u00fastria farmac\u00eautica\u201d, diz Ant\u00f4nio. \u201cCom o uso de nanopart\u00edculas de s\u00edlica para o transporte de antibi\u00f3ticos n\u00e3o conhe\u00e7o nenhum caso.\u201d<\/p>\n<p>De acordo com Cardoso, j\u00e1 existem v\u00e1rias nanoestruturas aprovadas e em uso para tratamento de diferentes tipos de c\u00e2ncer em outros pa\u00edses. \u201cNa parte dos antibi\u00f3ticos, at\u00e9 onde conhe\u00e7o, esse tipo de estrutura n\u00e3o est\u00e1 ainda sendo utilizada\u201d, diz. \u201cUm grupo nos Estados Unidos demonstrou propriedades bactericidas de outra classe de nanopart\u00edculas contra bact\u00e9rias resistentes. No entanto, a t\u00e9cnica e os produtos para a sua produ\u00e7\u00e3o s\u00e3o extremamente caros, o que pode inviabilizar uma poss\u00edvel utiliza\u00e7\u00e3o dessas part\u00edculas numa aplica\u00e7\u00e3o industrial\u201d, conclui. \u201cEles utilizam nanopart\u00edculas de ouro, enquanto o nosso utiliza a s\u00edlica, material bem barato e poss\u00edvel de ser facilmente utilizado em escala industrial.\u201d<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Repercuss\u00e3o:<\/strong>\u00a0<a href=\"https:\/\/paginabrazil.com\/nanoparticulas-de-silica-carregam-antibioticos-e-eliminam-bacterias-sem-causar-problemas-as-celulas-sadias\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">P\u00e1gina Brazil<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista FAPESP em 16\/06\/2015 &nbsp; Nanopart\u00edculas de s\u00edlica carregam antibi\u00f3ticos e eliminam bact\u00e9rias sem causar problemas \u00e0s c\u00e9lulas sadias &nbsp; Um dos caminhos da evolu\u00e7\u00e3o das drogas farmac\u00eauticas \u00e9 tentar&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1452,1456],"tags":[],"class_list":["post-68029","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem-en","category-clipping-lnls-en","category-1452","category-1456","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Transporte seletivo - CNPEM<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cnpem.br\/en\/transporte-seletivo\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Transporte seletivo - CNPEM\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Revista FAPESP em 16\/06\/2015 &nbsp; 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