{"id":67396,"date":"2016-10-05T17:24:03","date_gmt":"2016-10-05T17:24:03","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.br\/visao-de-campo\/"},"modified":"2016-10-05T17:24:03","modified_gmt":"2016-10-05T17:24:03","slug":"visao-de-campo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/visao-de-campo\/","title":{"rendered":"Vis\u00e3o de campo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2016\/10\/03\/visao-de-campo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revista Fapesp<\/a>, 09\/2016<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Diversidade de temas e integra\u00e7\u00e3o com outras \u00e1reas marcam as pesquisas de um dos primeiros institutos da universidade<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/cnpem.staging.wpengine.com\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/022_Raios_Unicamp_290-300x197.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-15034 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cnpem.staging.wpengine.com\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/022_Raios_Unicamp_290-300x197.jpg?resize=300%2C197&#038;ssl=1\" alt=\"raios_unicamp_revistafapesp\" width=\"300\" height=\"197\" \/><\/a>C\u00e9sar Lattes (1924-2005) j\u00e1 era um cientista famoso em 1967, quando come\u00e7ou a trabalhar como professor do Instituto de F\u00edsica, uma das primeiras unidades da universidade nascente. Convidado pelo tamb\u00e9m f\u00edsico Marcello Damy de Souza Santos, expoente da ci\u00eancia brasileira convocado por Zeferino Vaz para implantar o instituto, Lattes logo viu que as instala\u00e7\u00f5es n\u00e3o seriam como na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), onde trabalhava. Como os pr\u00e9dios do <em>campus<\/em> novo ainda n\u00e3o estavam prontos, ele e outros rec\u00e9m-contratados instalaram seus laborat\u00f3rios nos por\u00f5es do ent\u00e3o chamado Gin\u00e1sio Industrial Bento Quirino, no centro de Campinas, onde hoje funciona o Col\u00e9gio T\u00e9cnico de Campinas (Cotuca), que \u00e9 parte da Unicamp. Ali o f\u00edsico \u2013 que em 1947 havia participado da descoberta do m\u00e9son pi, part\u00edcula importante para a compreens\u00e3o do mundo subat\u00f4mico \u2013 observou e estudou fen\u00f4menos altamente energ\u00e9ticos relacionados \u00e0 intera\u00e7\u00e3o entre raios c\u00f3smicos e a mat\u00e9ria, as bolas de fogo, que havia come\u00e7ado a estudar na USP. As equipes se sucederam e o instituto hoje ocupa 12 pr\u00e9dios no<em>campus<\/em> da universidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO que fazemos hoje est\u00e1 t\u00e3o na fronteira do conhecimento quanto o que Lattes fazia na \u00e9poca dele\u201d, diz Carola Dobrigkeit Chinellato, professora do Instituto de F\u00edsica Gleb Wataghin (IFGW), assim chamado em homenagem ao cientista \u00edtalo-ucraniano que ajudou a organizar a f\u00edsica no Brasil. Carola \u00e9 hoje a representante do Brasil no conselho que preside a Colabora\u00e7\u00e3o Pierre Auger, respons\u00e1vel pela opera\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio Pierre Auger de Raios C\u00f3smicos. Da Unicamp participam tamb\u00e9m Anderson Fauth, Ernesto Kemp e Jos\u00e9 Augusto Chinellato.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda que com um objetivo similar \u2013 estudar a origem e a natureza dos raios c\u00f3smicos, as part\u00edculas mais energ\u00e9ticas do universo \u2013, a dimens\u00e3o espacial do experimento e as escalas de energia s\u00e3o muito maiores do que na \u00e9poca de Lattes. Reunindo hoje cerca de 500 pesquisadores de 16 pa\u00edses, o Observat\u00f3rio Pierre Auger come\u00e7ou a ser constru\u00eddo em 1998 em uma \u00e1rea de 3 mil quil\u00f4metros quadrados no munic\u00edpio de Malarg\u00fce, Argentina, e a registrar informa\u00e7\u00f5es sobre raios c\u00f3smicos em 2004. Em 2015 o acordo internacional respons\u00e1vel pelo financiamento do trabalho foi renovado e estendido por mais 10 anos, permitindo a moderniza\u00e7\u00e3o dos equipamentos. Os experimentos medem os chuveiros gigantes de part\u00edculas relativ\u00edsticas, resultantes da colis\u00e3o dos raios c\u00f3smicos, que chegam do espa\u00e7o, com a atmosfera terrestre. Jun Takahashi e outros pesquisadores da Unicamp participam tamb\u00e9m de experimentos no Cern, o acelerador de part\u00edculas de Genebra, Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Quem circular pelo IFGW encontrar\u00e1 com relativa facilidade estudos que evoluem e se renovam. Em 2001, os especialistas em supercondutores \u2013 materiais capazes de transmitir corrente el\u00e9trica com zero de resist\u00eancia \u2013 testavam um tipo de grafite sintetizado a temperaturas pr\u00f3ximas a 3.000\u00ba Celsius, que havia se mostrado promissor. Esse trabalho levou \u00e0 identifica\u00e7\u00e3o de propriedades el\u00e9tricas de outro composto cristalino de carbono, o grafeno, descritas em 2015 na <em>Nature Communications<\/em>, com a participa\u00e7\u00e3o do pesquisador do IFGW Yakov Kopelevich.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, emergiram duas novas fam\u00edlias de supercondutores, uma \u00e0 base do elemento qu\u00edmico c\u00e9rio e outra \u00e0 base de ferro. Buscam-se materiais capazes de funcionar a temperatura ambiente, j\u00e1 que hoje os supercondutores s\u00e3o mantidos em h\u00e9lio l\u00edquido, a quase 270\u00ba Celsius negativos. \u201cQuando conseguirmos compostos que funcionem em nitrog\u00eanio l\u00edquido, a 196\u00ba C negativos, at\u00e9 os exames de resson\u00e2ncia magn\u00e9tica, feitos em aparelhos que usam h\u00e9lio l\u00edquido, ficar\u00e3o mais baratos\u201d, explica Pascoal Pagliuso, que coordena pesquisas nesse campo. Marcelo Knobel, Kleber Pirota e Fanny Ber\u00f3n igualmente trabalham em novos materiais no laborat\u00f3rio de magnetismo e baixas temperaturas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Carlos Lenz C\u00e9sar, com sua equipe, come\u00e7ou a usar a \u00f3ptica para analisar sistemas biol\u00f3gicos, a chamada biofot\u00f4nica, h\u00e1 mais de 20 anos. Fez pin\u00e7as \u00f3pticas \u2013 delicados feixes de laser que manipulam o interior das c\u00e9lulas \u2013 e hoje trabalha com aparelhos e m\u00e9todos que lhe permitem examinar a intera\u00e7\u00e3o de prote\u00ednas em c\u00e9lulas card\u00edacas, como em estudo publicado em 2014 na <em>Nature Communications<\/em> em conjunto com equipes da Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas (FCM) e do Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias (LNBio), pr\u00f3ximo \u00e0 Unicamp. \u201cAgora podemos ver as rea\u00e7\u00f5es em uma \u00fanica mol\u00e9cula dentro de uma c\u00e9lula viva\u201d, conta o pesquisador.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os especialistas do IFGW v\u00e3o al\u00e9m da f\u00edsica. Entre as muitas linhas de pesquisa do instituto, pode ser mencionado o grupo coordenado por Marcus Aguiar, que, explorando a evolu\u00e7\u00e3o dos seres vivos por meio de modelos computacionais, encontrou um padr\u00e3o estat\u00edstico que reproduz o processo de forma\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies, a chamada especia\u00e7\u00e3o. Outro grupo, de Jos\u00e9 Joaquim Lunazzi, tem investigado os espelhos constru\u00eddos em pedra polida pelos povos da Am\u00e9rica do Sul h\u00e1 3 mil anos.<\/p>\n<div id=\"attachment_225553\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"text-align: justify;\">\n<p class=\"wp_author\">\u00a9 ARQUIVO CENTRAL \/ SIARQ<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/023_Raios_Unicamp_290-300x235.jpg?resize=300%2C235&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/023_Raios_Unicamp_290-768x601.jpg 768w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/023_Raios_Unicamp_290-634x496.jpg 634w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/023_Raios_Unicamp_290-300x235.jpg 300w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/023_Raios_Unicamp_290-1024x801.jpg 1024w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/023_Raios_Unicamp_290.jpg 1208w\" alt=\"C\u00e9sar Lattes em uma aula em 1967: sucessores mant\u00eam a ousadia\" width=\"300\" height=\"235\" \/><\/p>\n<p class=\"wp-caption-text\">C\u00e9sar Lattes em uma aula em 1967: sucessores mant\u00eam a ousadia<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fibras \u00d3pticas e computadores <\/strong><br \/>\nH\u00e1 muitas hist\u00f3rias de pioneirismo. Na d\u00e9cada de 1980, o laborat\u00f3rio de pesquisas fotovoltaicas, coordenado por Francisco Marques, foi o primeiro da Am\u00e9rica Latina a fabricar c\u00e9lulas solares de sil\u00edcio monocristalino e policristalino totalmente nacionais a partir do sil\u00edcio metal\u00fargico. Nas d\u00e9cadas de 1990 e 2000, \u00cdris Torriani ganhou reconhecimento internacional em sua \u00e1rea, a cristalografia. Em dezembro de 2001, Edison Zacarias da Silva, da Unicamp, com dois f\u00edsicos da USP, Ant\u00f4nio Jos\u00e9 Roque da Silva e Adalberto Fazzio, apresentaram uma proposta te\u00f3rica para explicar as possibilidades de rompimento de nanofios de ouro, um prov\u00e1vel componente dos semicondutores das pr\u00f3ximas gera\u00e7\u00f5es de computadores. O trabalho ganhou a capa da <em>Physical Review Letters<\/em> e foi complementado pelos estudos experimentais de S\u00e9rgio Legoas, Douglas Galv\u00e3o e Daniel Ugarte, em colabora\u00e7\u00e3o com colegas do Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Conceitos e materiais que v\u00e3o reger as m\u00e1quinas das pr\u00f3ximas d\u00e9cadas tomam forma e suas propriedades s\u00e3o conhecidas e ajustadas, passo a passo, por diferentes equipes do IFGW. Amir Caldeira, S\u00edlvio Vitiello, Marcos C\u00e9sar de Oliveira e outros pesquisadores trabalham com computa\u00e7\u00e3o qu\u00e2ntica e spintr\u00f4nica, duas abordagens poss\u00edveis para ampliar o desempenho e a velocidade de computadores. Outras, como as de Hugo Fragnito e de Carlos Henrique de Brito Cruz, criam vers\u00f5es mais r\u00e1pidas e eficientes de equipamentos a laser e fibras \u00f3pticas (<em><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/?p=225219\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ver reportagem<\/a><\/em>). Na f\u00edsica m\u00e9dica, Alessandra Tomal, Mario Bernal e Gabriela Castellano, com suas equipes, trabalham no aprimoramento de tom\u00f3grafos e outros aparelhos, em conjunto com os especialistas da FCM.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os resultados se devem em boa parte a uma particularidade do instituto, segundo seu atual diretor, Newton Frateschi: dois ter\u00e7os dos professores s\u00e3o da \u00e1rea de f\u00edsica experimental, que demanda altos investimentos em laborat\u00f3rios e equipamentos, e um ter\u00e7o da te\u00f3rica, enquanto em institui\u00e7\u00f5es similares os dois campos compartilham propor\u00e7\u00f5es mais pr\u00f3ximas. Segundo ele, n\u00e3o s\u00e3o, por\u00e9m, mundos estanques, porque um grupo precisa do outro para avan\u00e7ar.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A cada quatro anos, o instituto faz um planejamento estrat\u00e9gico de contrata\u00e7\u00e3o de professores, que define as prioridades a serem perseguidas e implantadas. O mais recente determinou a cria\u00e7\u00e3o de um grupo de pesquisa em cosmologia observacional. \u201cAinda n\u00e3o estamos nessa \u00e1rea\u201d, diz Frateschi, \u201ce queremos come\u00e7ar\u201d. N\u00e3o \u00e9 um espa\u00e7o inteiramente inexplorado, porque desde a d\u00e9cada de 1990 Marcelo Guzzo, Orlando Peres e Pedro de Holanda, com suas equipes, examinam as propriedades e transforma\u00e7\u00f5es dos neutrinos, part\u00edculas elementares que se formam no espa\u00e7o e a todo momento chegam \u00e0 Terra. O senso de ousadia e empreendedorismo que marcou a constru\u00e7\u00e3o do instituto continua forte, quase 50 anos depois.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista Fapesp, 09\/2016 &nbsp; Diversidade de temas e integra\u00e7\u00e3o com outras \u00e1reas marcam as pesquisas de um dos primeiros institutos da universidade &nbsp; C\u00e9sar Lattes (1924-2005) j\u00e1 era um cientista&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1452,1455],"tags":[],"class_list":["post-67396","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem-en","category-clipping-lnbio-en","category-1452","category-1455","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.2 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Vis\u00e3o de campo - CNPEM<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cnpem.br\/en\/visao-de-campo\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Vis\u00e3o de campo - CNPEM\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Revista Fapesp, 09\/2016 &nbsp; 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