{"id":67260,"date":"2017-01-11T17:45:28","date_gmt":"2017-01-11T17:45:28","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.br\/medidas-preventivas\/"},"modified":"2017-01-11T17:45:28","modified_gmt":"2017-01-11T17:45:28","slug":"medidas-preventivas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/medidas-preventivas\/","title":{"rendered":"Medidas preventivas"},"content":{"rendered":"<p><em>Revista Pesquisa FAPESP em Janeiro de 2017<\/em><\/p>\n<p><strong>LINK<\/strong>:\u00a0<a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2017\/01\/10\/medidas-preventivas\/?cat=tecnologia\">https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2017\/01\/10\/medidas-preventivas\/?cat=tecnologia<\/a><\/p>\n<p>As novas tecnologias, \u00e0 parte os numerosos benef\u00edcios para a sociedade, sempre trazem alguma preocupa\u00e7\u00e3o pela possibilidade de provocar preju\u00edzos \u00e0 sa\u00fade humana ou ao ambiente. Com a nanotecnologia ocorre o mesmo. No in\u00edcio de dezembro, pesquisadores brasileiros participaram da elabora\u00e7\u00e3o final do NANoREG, um projeto da Uni\u00e3o Europeia, iniciado em 2014, que tem o objetivo de levantar informa\u00e7\u00f5es e apresentar um conjunto de propostas de avalia\u00e7\u00e3o de risco aos \u00f3rg\u00e3os reguladores dos pa\u00edses e \u00e0s ind\u00fastrias abordando aspectos de seguran\u00e7a da nanotecnologia. Na confer\u00eancia, um grupo de 180 especialistas de v\u00e1rios pa\u00edses debateu a relev\u00e2ncia da regulamenta\u00e7\u00e3o e aplicabilidade dos resultados baseados na ci\u00eancia gerada nos \u00faltimos 10 anos sobre o uso de nanomateriais em rela\u00e7\u00e3o ao meio ambiente, sa\u00fade e seguran\u00e7a.<\/p>\n<p>\u201cEstamos quebrando v\u00e1rios mitos com o NANoREG\u201d, diz o patologista Wagner F\u00e1varo, professor do Instituto de Biologia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Ele foi o representante do Laborat\u00f3rio de S\u00edntese de Nanoestruturas e Intera\u00e7\u00e3o com Biossistemas (Nanobioss) da Unicamp, na confer\u00eancia final do NANoREG realizada em Paris pela Organiza\u00e7\u00e3o para Coopera\u00e7\u00e3o Econ\u00f4mica e Desenvolvimento (OCDE). \u201cCom uma ampla rede de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa que incluiu, al\u00e9m dos europeus, pesquisadores convidados do Food and Drug Administration (FDA), dos Estados Unidos, do Brasil e da Coreia do Sul, conseguimos chegar a resultados cient\u00edficos importantes: saber qual tipo de nanotubo passa pelas barreiras biol\u00f3gicas ou conseguem se acumular dentro da c\u00e9lula, por exemplo\u201d, conta F\u00e1varo. \u201cOs trabalhos apresentados nessa confer\u00eancia demonstraram claramente que muitos m\u00e9todos e abordagens cient\u00edficas foram validados e s\u00e3o confi\u00e1veis para regulamenta\u00e7\u00f5es a curto prazo. \u00c9 um trabalho imenso porque cada teste precisa ser pensado para cada material. Muitos tiveram de ser refeitos sob padr\u00f5es previamente acertados para evitar resultados divergentes, como era comum h\u00e1 pouco tempo.\u201d<\/p>\n<p>A participa\u00e7\u00e3o brasileira no NANoREG teve sete grupos de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa sob a coordena\u00e7\u00e3o do Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia (Inmetro). Os resultados dessa confer\u00eancia ser\u00e3o apresentados em um livro, em meados de 2017, na forma de recomenda\u00e7\u00f5es que possam constar em futuros regulamentos em torno do tema, de como testar e avaliar os efeitos e riscos de cada nanomaterial.<\/p>\n<p>O grupo da Unicamp, que, al\u00e9m de F\u00e1varo, tem tamb\u00e9m a coordena\u00e7\u00e3o de Oswaldo Alves e Nelson Dur\u00e1n, ambos do Instituto de Qu\u00edmica (IQ), apresentou na confer\u00eancia do NANoREG um estudo em conjunto com pesquisadores dinamarqueses com avalia\u00e7\u00f5es histopatol\u00f3gicas e toxicol\u00f3gicas de amostras teciduais de rins de camundongos que receberam diferentes tipos e concentra\u00e7\u00f5es de nanotubos pela traqueia. O resultado final indicou que o material se acumulou nos pulm\u00f5es, depois caiu na circula\u00e7\u00e3o sangu\u00ednea e, por fim, se acumulou nos rins. Nesse \u00f3rg\u00e3o, os nanotubos provocaram inflama\u00e7\u00f5es e n\u00e3o foram eliminados naturalmente.<\/p>\n<p><strong>Cuidado no descarte<\/strong><br \/>\nUm dos estudos pioneiros nessa \u00e1rea no Brasil foi realizado em 2008 por um grupo do IQ-Unicamp junto com o Instituto de Pesca em Canan\u00e9ia (SP), sob a coordena\u00e7\u00e3o de Oswaldo Alves. \u201cConseguimos mostrar que nanotubos de carbono, quando em contato com pesticidas usados na lavoura, aumentam consideravelmente a toxicidade para peixes [<a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2014\/12\/29\/interacoes-fatais\/?cat=tecnologia\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>ver<\/em> Pesquisa FAPESP <em>n\u00ba 226<\/em><\/a>].\u201d A ideia foi simular em laborat\u00f3rio um poss\u00edvel encontro, via descarte, de nanotubos e pesticidas em ambientes aqu\u00e1ticos. \u201cDescobrimos que os nanotubos s\u00e3o excelentes concentradores de pesticidas, que ficam presos nas guelras e contaminam o peixe\u201d, explica Alves. \u201cOs nanotubos s\u00e3o muito bons para uso em sensores e em chips, por exemplo, mas \u00e9 preciso cuidar do descarte.\u201d Isoladamente, o material n\u00e3o indicou nenhum sinal de toxicidade aguda at\u00e9 o limite de 3 miligramas\/litro, mas aparentemente causou uma redu\u00e7\u00e3o no consumo de oxig\u00eanio e na elimina\u00e7\u00e3o de am\u00f4nia pelos peixes.<\/p>\n<p>\u201cNos laborat\u00f3rios, na pesquisa b\u00e1sica ou aplicada, \u00e9 f\u00e1cil controlar e destruir esses materiais porque as quantidades s\u00e3o muito pequenas, mas quando muda a escala para um sistema industrial a situa\u00e7\u00e3o \u00e9 outra\u201d, alerta Fernando Galembeck, professor do IQ-Unicamp e ex-diretor do Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia (LNNano). \u201cA diretriz que pratiquei no LNNano \u00e9 que nenhum nanoproduto deve ser desenvolvido tecnologicamente sem que os seus riscos toxicol\u00f3gicos e ambientais sejam avaliados, come\u00e7ando o mais cedo poss\u00edvel. Precisamos saber quais s\u00e3o os riscos ainda nas fases iniciais da pesquisa, porque o desenvolvimento tecnol\u00f3gico envolve grandes gastos. Qualquer empres\u00e1rio, diante de qualquer nova descoberta, preocupa-se com a possibilidade de riscos ambientais e toxicol\u00f3gicos\u201d, afirma.<\/p>\n<p>Em 2015, o pesquisador esteve na C\u00e2mara dos Deputados, em Bras\u00edlia, na Comiss\u00e3o Mista de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustent\u00e1vel e de Ci\u00eancia e Tecnologia, Comunica\u00e7\u00e3o e Inform\u00e1tica para apresentar a sua posi\u00e7\u00e3o, ent\u00e3o como diretor do LNNano, sobre dois projetos de lei do deputado Jos\u00e9 Sarney Filho (PV-MA): o de n\u00famero 5133\/2013, que prev\u00ea a rotula\u00e7\u00e3o de produtos que contenham nanotecnologia, e o 6741\/2013, que trata sobre a Pol\u00edtica Nacional de Nanotecnologia, envolvendo a pesquisa, a produ\u00e7\u00e3o, o destino de rejeitos e o uso da nanotecnologia no pa\u00eds.<\/p>\n<p>\u201cSobre a rotulagem, enumerei, em uma leitura literal do projeto de lei, v\u00e1rios tipos de produtos familiares e bem conhecidos que passariam a ser rotulados, como manteiga, margarina, leite, cosm\u00e9ticos, sabonetes, pneus e tintas. Esses produtos t\u00eam e sempre tiveram part\u00edculas e outras estruturas nanom\u00e9tricas na sua composi\u00e7\u00e3o. Por exemplo, o fosfato de c\u00e1lcio contido no leite est\u00e1 na forma de nanopart\u00edculas\u201d, explica. \u201cEm rela\u00e7\u00e3o ao outro projeto, mostrei que a sua reda\u00e7\u00e3o compromete todos os projetos de pesquisa e desenvolvimento em nanotecnologia no pa\u00eds porque precisar\u00edamos registrar o que far\u00edamos, antes de come\u00e7ar o projeto, em um \u00f3rg\u00e3o estatal. Isso \u00e9 imposs\u00edvel e incompat\u00edvel com a pr\u00f3pria natureza da pesquisa, que \u00e9 um salto no desconhecido.\u201d Os projetos est\u00e3o agora tramitando na Comiss\u00e3o de Desenvolvimento Econ\u00f4mico, Ind\u00fastria, Com\u00e9rcio e Servi\u00e7os.<\/p>\n<p>\u201cQualquer pessoa que tenha trabalhado na \u00e1rea qu\u00edmica nos \u00faltimos 40 anos sabe que um produto novo pode envolver riscos. Ele tem que passar por avalia\u00e7\u00f5es ambientais e de riscos \u00e0 sa\u00fade e a ind\u00fastria precisa de padr\u00f5es de seguran\u00e7a muito altos\u201d, avalia Galembeck. \u201cNa nanotecnologia podemos regular o que sabidamente provoca riscos significativos e devemos pesquisar o que n\u00e3o se conhece, para aumentar a seguran\u00e7a do p\u00fablico e do empreendedor. Entretanto, as atividades de regula\u00e7\u00e3o, no Brasil, t\u00eam sido a fonte de muitos preju\u00edzos para a pesquisa cient\u00edfica, para as empresas e para o desenvolvimento do pa\u00eds. Abusos de regula\u00e7\u00e3o s\u00e3o uma parte importante da insalubridade do ambiente de inova\u00e7\u00e3o no Brasil.\u201d<\/p>\n<p><strong>Seguran\u00e7a na f\u00e1brica<\/strong><br \/>\nO debate sobre os poss\u00edveis problemas que poderiam ser causados pela nanotecnologia existe h\u00e1 alguns anos no pa\u00eds. \u201cCome\u00e7amos a discutir esse tema por volta de 2002 levantando riscos, mas, no primeiro momento, fui acusado de \u2018fogo amigo\u2019 pelos colegas pesquisadores da \u00e1rea\u201d, lembra Alves. Em 2013, ele foi um dos coautores de um dos primeiros livros a esse respeito no pa\u00eds: <em>Nanotoxicology: Materials, methodologies and assessments<\/em> (Nanotoxicologia: Materiais, metodologias e avalia\u00e7\u00f5es), publicado pela Springer. A mesma editora tem uma s\u00e9rie dedicada ao assunto, coordenada pelo professor Valtencir Zucolotto, do Instituto de F\u00edsica de S\u00e3o Carlos da Universidade de S\u00e3o Paulo (IFSC-USP).<\/p>\n<p>Na \u00e1rea industrial, um livro lan\u00e7ado em 2015 trouxe novas informa\u00e7\u00f5es para aqueles que trabalham diretamente com nanotecnologia no setor produtivo. <em>Nanosseguran\u00e7a: Guia de boas pr\u00e1ticas em nanotecnologia para fabrica\u00e7\u00e3o e laborat\u00f3rios <\/em>tem como autores Leandro Antunes Berti, doutor em nanotecnologia e secret\u00e1rio-executivo do Arranjo Promotor de Inova\u00e7\u00e3o em Nanotecnologia (API.nano), uma rede que congrega empresas e institui\u00e7\u00f5es para o desenvolvimento industrial sustent\u00e1vel da nanotecnologia no Brasil, que tem sede na Funda\u00e7\u00e3o Certi, em Florian\u00f3polis (SC), e o engenheiro e doutor em engenharia qu\u00edmica, Luismar Marques Porto, professor da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Com apoio financeiro da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o do Estado de Santa Catarina (Fapesc), o livro \u00e9 um guia pr\u00e1tico que apresenta, com uma linguagem did\u00e1tica,\u00a0defini\u00e7\u00f5es acess\u00edveis sobre o que \u00e9 nanotecnologia, quais as aplica\u00e7\u00f5es e como est\u00e1 se inserindo na vida cotidiana. A obra \u00e9 resultado de um levantamento minucioso em \u00f3rg\u00e3os como o FDA, a ag\u00eancia de prote\u00e7\u00e3o ambiental (EPA) dos Estados Unidos, entre outras institui\u00e7\u00f5es internacionais e de outros pa\u00edses.<\/p>\n<p>\u201cBuscamos\u00a0evidenciar o paradigma\u00a0Safety by design\u00a0[Seguran\u00e7a\u00a0obtida pelo projeto] e as melhores rotas de desenvolvimento e produ\u00e7\u00e3o de nanomateriais, centrada no conceito da\u00a0nanosseguran\u00e7a\u201d, diz Berti. \u201cMostramos t\u00e9cnicas pr\u00e1ticas reconhecidas e os mais modernos m\u00e9todos de produ\u00e7\u00e3o e caracteriza\u00e7\u00e3o de nanomateriais.\u201d<\/p>\n<p>Outro livro, lan\u00e7ado em 2016, foi escrito por pesquisadores da Universidade Estadual Paulista (Unesp) sob coordena\u00e7\u00e3o do engenheiro de materiais Ant\u00f4nio Carlos Guastaldi, do Instituto de Qu\u00edmica de Araraquara: <em>Engineered nanomaterials: Nanotoxicology issues, nanosafety and regulatory affairs<\/em>, da Editora Cultura Acad\u00eamica da Unesp. Tamb\u00e9m s\u00e3o coautores a farmac\u00eautica Carla dos Santos Riccardi, da Faculdade de Ci\u00eancias Agron\u00f4micas da Unesp de Botucatu, e o qu\u00edmico M\u00e1rcio Luiz dos Santos, da Universidade Federal do ABC (UFABC). O interesse de Guastaldi pelo tema apareceu durante os estudos, principalmente em odontologia, do Grupo de Biomateriais que ele coordena na Unesp. \u201cDecidimos fazer um levantamento sobre essa quest\u00e3o e entender o conhecimento mundial sobre o assunto\u201d, conta Guastaldi. Eles encontraram 187 mil estudos, entre 1990 e 2014, com a palavra nanopart\u00edcula, enquanto os artigos cient\u00edficos que continham as palavras nanopart\u00edcula e toxicidade atingiram 6,9 mil. Em levantamento feito at\u00e9 2014 em um banco de patentes internacional, das 20.216 patentes sobre nanotecnologia, apenas 795 t\u00eam cita\u00e7\u00f5es \u00e0 nanotoxicidade.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista Pesquisa FAPESP em Janeiro de 2017 LINK:\u00a0https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2017\/01\/10\/medidas-preventivas\/?cat=tecnologia As novas tecnologias, \u00e0 parte os numerosos benef\u00edcios para a sociedade, sempre trazem alguma preocupa\u00e7\u00e3o pela possibilidade de provocar preju\u00edzos \u00e0 sa\u00fade&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":3,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1452,1457],"tags":[],"class_list":["post-67260","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem-en","category-clipping-lnnano-en-2","category-1452","category-1457","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.3 - 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