{"id":5585,"date":"2013-04-11T12:51:13","date_gmt":"2013-04-11T15:51:13","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/?p=5585"},"modified":"2026-03-03T08:20:02","modified_gmt":"2026-03-03T11:20:02","slug":"reuniao-magna-2013-entrevista-com-sergio-rezende","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/reuniao-magna-2013-entrevista-com-sergio-rezende\/","title":{"rendered":"Reuni\u00e3o Magna 2013: entrevista com Sergio Rezende"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Academia Brasileira de Ci\u00eancia, em 10\/04\/2013<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O progresso da ci\u00eancia brasileira na \u00faltima d\u00e9cada d\u00e1 ao tema da Reuni\u00e3o Magna da ABC &#8211; Rumo a Novos Patamares &#8211; uma premissa otimista. No entanto, este progresso acompanha o ritmo dos demais setores do pa\u00eds, tanto em seus erros como em seus acertos. O Brasil faz pesquisa de ponta, mas possui um enorme d\u00e9ficit educacional; a infraestrutura traz vantagens ao pesquisador quando a concorr\u00eancia \u00e9 entre pa\u00edses latino-americanos, mas deixa a desejar na competitividade global; as desigualdades regionais em ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o reproduzem as desigualdades sociais e econ\u00f4micas do pa\u00eds. Tr\u00eas exemplos a partir dos quais se conclui que o rumo at\u00e9 os novos patamares apresenta obst\u00e1culos.<\/p>\n<p>O conjunto de palestras\u00a0Grandes Projetos, coordenado pelo Acad\u00eamico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/~smr\">Sergio Rezende<\/a>, professor titular do Departamento de F\u00edsica da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) e ministro de Ci\u00eancia e Tecnologia entre 2005 e 2010, acontece no dia 6 de maio e ter\u00e1 palestras dos Acad\u00eamicos\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/~virgilio\">Virg\u00edlio Almeida<\/a>, sobre Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/~jguimaraes\">Jorge Guimar\u00e3es<\/a>, sobre o programa Ci\u00eancia Sem Fronteiras,\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/~fazzio\">Adalberto Fazzio<\/a>\u00a0sobre Nanotecnologia, e\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/~aragao\">Carlos Alberto Arag\u00e3o de Carvalho<\/a>\u00a0sobre o Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron.<\/p>\n<p>Este conjunto de palestras foi organizado a partir de uma avalia\u00e7\u00e3o sobre onde a ci\u00eancia brasileira avan\u00e7ou, para destacar onde \u00e9 preciso continuar investindo para dar o salto necess\u00e1rio. \u00c9 o que pode ser compreendido na entrevista a seguir.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.abc.org.br\/spaw\/uploads\/images\/sergio_rezende_destaque_home_abc_1.jpg?resize=380%2C158&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"380\" height=\"158\" align=\"middle\" \/><br \/>\n<sub>Foto Ricardo Stuckert\/PR<\/sub><\/p>\n<p>NABC\u00a0\u00a0O modelo de Laborat\u00f3rio Nacional, tal como o Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron, n\u00e3o poderia ser expandido \u00e0s demais regi\u00f5es do Brasil, considerando que a sua implementa\u00e7\u00e3o fora da regi\u00e3o Sudeste poderia reduzir os contrastes do desenvolvimento regional da ci\u00eancia?<\/p>\n<p>Sergio\u00a0 Rezende\u00a0\u00a0 As atividades de pesquisa cient\u00edfica s\u00e3o feitas em dois tipos de institui\u00e7\u00f5es: nas universidades, principal fonte de gera\u00e7\u00e3o de conhecimento, cujo papel fundamental \u00e9 formar pessoal; e nos laborat\u00f3rios nacionais, ou laborat\u00f3rios com fins espec\u00edficos, que s\u00e3o muito disseminados em pa\u00edses desenvolvidos, cujos equipamentos de grande porte n\u00e3o se justificariam em uma universidade ou em um departamento em particular.<\/p>\n<p>Este tipo de laborat\u00f3rio \u00e9 bastante disseminado nos Estados Unidos e em pa\u00edses da Europa. No Brasil, ele s\u00f3 come\u00e7ou a ser implantado a partir de 1985, com o Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), em Campinas, que, entre outras fun\u00e7\u00f5es, \u00e9 utilizado para testar materiais para a ind\u00fastria. Na \u00e9poca, houve discuss\u00e3o na comunidade cient\u00edfica sobre o pa\u00eds manter este laborat\u00f3rio, pois, na opini\u00e3o de quem discordava, a sua exist\u00eancia drenaria recursos que fariam falta nas universidades. A Unicamp afirmava sua lideran\u00e7a na \u00e1rea de pesquisa e o LNLS foi o primeiro laborat\u00f3rio nacional do pa\u00eds aberto \u00e0 comunidade cient\u00edfica, com t\u00e9cnicos dispon\u00edveis para apoiar toda a comunidade cient\u00edfica que usasse suas instala\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Esses laborat\u00f3rios nacionais n\u00e3o precisam ficar restritos somente \u00e0s atividades que envolvem grandes m\u00e1quinas, nem precisam ficar restritos a uma regi\u00e3o do pa\u00eds. Ao contr\u00e1rio, \u00e9 importante que eles aproveitem as potencialidades de cada regi\u00e3o e beneficiem mais pesquisadores e empresas. Por exemplo, na Amaz\u00f4nia, o Instituto Nacional de Pesquisas da Amaz\u00f4nia (Inpa) est\u00e1 bem no centro da regi\u00e3o que tem a maior diversidade biol\u00f3gica do mundo, recebendo pesquisadores brasileiros e estrangeiros, com o apoio t\u00e9cnico necess\u00e1rio e o conhecimento acumulado sobre a biodiversidade amaz\u00f4nica. Quando fui ministro de Ci\u00eancia e Tecnologia, de 2005 a 2010, via a import\u00e2ncia deles para a descentraliza\u00e7\u00e3o da atividade cient\u00edfica no pa\u00eds, por isso criamos outros laborat\u00f3rios: o Centro de Excel\u00eancia em Tecnologia Eletr\u00f4nica (Ceitec), sediado em Porto Alegre, onde n\u00e3o havia nenhum laborat\u00f3rio do Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia e Tecnologia, que tem como objetivo formatar e desenvolver circuitos integrados, al\u00e9m de formar pessoal; o Centro de Tecnologias Estrat\u00e9gicas do Nordeste (Cetene), localizado em Recife, cujo bom aparato tecnol\u00f3gico &#8211; possui tr\u00eas aparelhos microsc\u00f3picos de grande precis\u00e3o &#8211; \u00e9 utilizado por pesquisadores da regi\u00e3o. O Cetene \u00e9 um laborat\u00f3rio regional, mas o aparato tecnol\u00f3gico que possui seria dif\u00edcil de ser mantido em uma universidade, tal como ocorre com os laborat\u00f3rios nacionais.<\/p>\n<p>NABC\u00a0\u00a0\u00a0Em qual est\u00e1gio a nanotecnologia se encontra no Brasil e onde precisa chegar, considerando as pol\u00edticas governamentais, o investimento empresarial e a pr\u00f3pria presen\u00e7a dessa \u00e1rea na comunidade acad\u00eamica?<\/p>\n<p>Rezende\u00a0\u00a0 A nanotecnologia \u00e9 uma \u00e1rea de pesquisas relativamente nova, data das d\u00e9cadas de 1960 e 1970. Ela necessita de sofisticado aparato tecnol\u00f3gico para ser desenvolvida. Lembre-se que &#8216;nano&#8217; vem das caracter\u00edsticas do tamanho do objeto investigado, quer dizer um bilion\u00e9simo do metro. Ela \u00e9 uma \u00e1rea multidisciplinar, havendo estruturas nanom\u00e9tricas que s\u00e3o inertes, em geral feitas por f\u00edsicos e qu\u00edmicos, e estruturas nanom\u00e9tricas vivas, encontradas na qu\u00edmica e na biologia. Por enquanto o n\u00famero de aplica\u00e7\u00f5es ainda \u00e9\u00a0reduzido\u00a0, o que se espera que seja alterado com a evolu\u00e7\u00e3o das pesquisas.<\/p>\n<p>No Brasil, a \u00e1rea de nanotecnologia precisa de investimento em tecnologia de ponta para a realiza\u00e7\u00e3o de pesquisas, aumentar a integra\u00e7\u00e3o entre os grupos de pesquisa existentes e, mesmo, aumentar o n\u00famero de grupos de pesquisa. Existe hoje um n\u00famero razo\u00e1vel de grupos trabalhando em nanotecnologia e h\u00e1 um esfor\u00e7o do governo em articular estes grupos. Nesta \u00e1rea, n\u00e3o s\u00e3o muitos os artigos cient\u00edficos publicados por grupos brasileiros que tenham a participa\u00e7\u00e3o de v\u00e1rias institui\u00e7\u00f5es. A nanotecnologia brasileira pode e deve avan\u00e7ar, e vamos tratar desse assunto na Reuni\u00e3o Magna.<\/p>\n<p>NABC\u00a0\u00a0O d\u00e9ficit educacional em ci\u00eancia no pa\u00eds continua grande. Como o programa Ci\u00eancia Sem Fronteiras pode mudar esta realidade, considerando seu efeito no ensino de ci\u00eancia e na forma\u00e7\u00e3o profissional decorrentes do programa?<\/p>\n<p>Rezende\u00a0\u00a0O Ci\u00eancia Sem Fronteiras \u00e9 o grande programa de ci\u00eancia do atual governo. At\u00e9 a d\u00e9cada de 1970, o Brasil enviava muitas pessoas para fazer o doutorado no exterior, porque n\u00f3s s\u00f3 passamos a ter doutorado aqui no final da d\u00e9cada de 60. A partir da d\u00e9cada de 1980, o pa\u00eds j\u00e1 possu\u00eda um bom n\u00famero de programas de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o com doutorado, e alguns deles se ressentiam porque os melhores alunos estudavam no exterior e n\u00e3o ficavam aqui. E o que faz um bom programa n\u00e3o \u00e9 s\u00f3 ter bons professores &#8211; \u00e9 preciso ter bons alunos. Al\u00e9m disso, aconteceu uma crise econ\u00f4mica que fez com que o d\u00f3lar valorizasse muito em rela\u00e7\u00e3o a nossa moeda; com isso, o Brasil foi deixou de mandar pessoas para fora, a ci\u00eancia brasileira foi se fechando muito em torno de si mesma, a troca de pessoas foi diminuindo.<\/p>\n<p>Em algumas \u00e1reas, n\u00f3s temos necessidade de formar pessoas nos melhores centros do mundo. O Ci\u00eancia sem Fronteiras aumentou muito esta din\u00e2mica, possibilitando a estudantes e pesquisadores brasileiros irem para o exterior, e estudantes e pesquisadores estrangeiros virem para o Brasil. Uma caracter\u00edstica muito importante do programa \u00e9 que ele est\u00e1 possibilitando esse interc\u00e2mbio durante a gradua\u00e7\u00e3o, o que o diferencia dos programas anteriores que n\u00e3o inclu\u00edam estudantes nesta etapa. \u00c9 de se esperar que isto tenha uma grande repercuss\u00e3o, modificando a mentalidade dos alunos, gerando outra vis\u00e3o de mundo.<\/p>\n<p>\u00c9 um grande programa, bem executado, e tende a contribuir muito para o desenvolvimento da ci\u00eancia e da tecnologia no Brasil. Atrav\u00e9s dele, mais alunos de gradua\u00e7\u00e3o ir\u00e3o se interessar em fazer p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e em se tornarem cientistas ou pesquisadores em tecnologia. Ir\u00e3o trabalhar nas empresas, de modo que ir\u00e3o contribuir para que a ci\u00eancia e a tecnologia sejam fatores de desenvolvimento econ\u00f4mico do Brasil &#8211; que \u00e9 o nosso grande desafio atual.<\/p>\n<p>NABC\u00a0\u00a0Outros d\u00e9ficits do pa\u00eds s\u00e3o aqueles que fazem uma sociedade de informa\u00e7\u00e3o. No Brasil, h\u00e1 polos de tecnologia plena e largos espa\u00e7os onde o mesmo n\u00e3o acontece.\u00a0 A formula\u00e7\u00e3o de pol\u00edticas de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o e comunica\u00e7\u00e3o (TIC) para o pa\u00eds tem considerado a comunidade cient\u00edfica no di\u00e1logo e no potencial de estudos que podem ser desenvolvidos para subsidi\u00e1-las?<\/p>\n<p>Rezende\u00a0\u00a0 O Brasil \u00e9 um pa\u00eds bem sucedido em termos desenvolvimento de Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o, levando em conta as suas caracter\u00edsticas. Com frequ\u00eancia ouvimos coment\u00e1rios que comparam o Brasil com outros pa\u00edses. J\u00e1 ouvi compara\u00e7\u00f5es do Brasil com a Finl\u00e2ndia &#8211; &#8220;A Finl\u00e2ndia tem 99% de inclus\u00e3o digital&#8230;&#8221; -, com a Coreia &#8211; &#8220;Coreia do Sul tem mais de 90% de inclus\u00e3o digital&#8230;&#8221; -, enquanto o Brasil s\u00f3 tem 70%. Agora, 70% num pa\u00eds com 193 milh\u00f5es de habitantes e com a nossa enorme extens\u00e3o territorial \u00e9 um feito muito grande. A \u00e1rea da Coreia do Sul corresponde \u00e0 \u00e1rea de Pernambuco, a Finl\u00e2ndia tem uma \u00e1rea maior, mas tem uma popula\u00e7\u00e3o de 4 milh\u00f5es e meio de habitantes. Estas compara\u00e7\u00f5es n\u00e3o fazem o menor sentido para avaliar o patamar de desenvolvimento da Tecnologia da Informa\u00e7\u00e3o no pa\u00eds.<\/p>\n<p>O governo do presidente Lula e da presidente Dilma tem um programa de inclus\u00e3o digital de todas as escolas p\u00fablicas do Brasil, que tem sido bem sucedido e que cresce nas escolas p\u00fablicas brasileiras em ritmo bastante acelerado. D\u00e1 acesso \u00e0 internet &#8211; em alguns lugares com boa velocidade, em outros com menos -, complementados por programas estaduais que instalam computadores nas escolas e distribuem laptops entre os seus melhores alunos e os professores. \u00c9 claro que seria \u00f3timo o pa\u00eds ter 100% de inclus\u00e3o digital, mas o Brasil \u00e9 um pa\u00eds grande e complexo.<\/p>\n<p>As pol\u00edticas de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o tem se beneficiado muito do fato do Minist\u00e9rio de Ci\u00eancia e Tecnologia, ainda na d\u00e9cada de 1990, ter implantado uma secretaria exclusiva para esta \u00e1rea: a Secretaria de Pol\u00edtica de Inform\u00e1tica. O Minist\u00e9rio tem quatro secretarias: tr\u00eas delas s\u00f3 trabalham em \u00e1reas horizontais, com programas em muitas \u00e1reas; s\u00f3 tem uma secretaria voltada para uma \u00e1rea espec\u00edfica, exatamente a Secretaria de Pol\u00edtica de Inform\u00e1tica. Esta secretaria tem comit\u00eas de gestores, de tal maneira que h\u00e1 uma grande participa\u00e7\u00e3o da comunidade de inform\u00e1tica, da Sociedade Brasileira de Computa\u00e7\u00e3o, e a pol\u00edtica de inform\u00e1tica tem feito que o Brasil tenha hoje grande parte dos equipamentos de inform\u00e1tica sendo fabricados no pa\u00eds, por conta da lei de inform\u00e1tica. S\u00e3o empresas estrangeiras, mas que montaram suas f\u00e1bricas aqui.<\/p>\n<p>A comunidade cient\u00edfica ajuda na formula\u00e7\u00e3o das pol\u00edticas de inform\u00e1tica, est\u00e1 presente atrav\u00e9s do comit\u00ea gestor de inform\u00e1tica, atrav\u00e9s de comiss\u00f5es diversas que a secretaria organiza. Posso dizer que h\u00e1 pol\u00edticas que s\u00f3 foram poss\u00edveis em fun\u00e7\u00e3o da participa\u00e7\u00e3o da comunidade cient\u00edfica. O n\u00famero de programas de inform\u00e1tica do Brasil cresceu muito nos \u00faltimos tempos e a inform\u00e1tica \u00e9 a \u00e1rea na qual existe o maior n\u00famero de novas empresas brasileiras criadas por nossos pesquisadores e t\u00e9cnicos, muitas delas bem sucedidas, inclusive com opera\u00e7\u00f5es importantes no exterior.<\/p>\n<p>NABC\u00a0\u00a0Baseado na sua experi\u00eancia e compreens\u00e3o, poderia nos dizer quais s\u00e3o os novos patamares que a ci\u00eancia brasileira pode alcan\u00e7ar?<\/p>\n<p>Rezende\u00a0\u00a0O Brasil tem hoje aproximadamente 90.000 pessoas com doutorado trabalhando em ci\u00eancia e tecnologia, tem aproximadamente 70.000 pessoas com mestrado, somando aproximadamente 160.000 pesquisadores trabalhando em ci\u00eancia e tecnologia hoje. Bastante aqu\u00e9m dos pa\u00edses que vivem uma economia do conhecimento &#8211; por exemplo, Estados Unidos, Reino Unido, Fran\u00e7a, Alemanha, Jap\u00e3o. \u00a0Nesses pa\u00edses. muitas vezes o n\u00famero de pesquisadores chega a 0,2% da popula\u00e7\u00e3o, enquanto no Brasil fica em torno de 0,08%.\u00a0 Aproximar-se destes pa\u00edses \u00e9 um grande desafio, mas \u00e9 um desafio que est\u00e1 sendo enfrentado. O Brasil est\u00e1 formando aproximadamente 14.000 doutores por ano e aproximadamente 40.000 mestres.<\/p>\n<p>Os recursos para ci\u00eancia e tecnologia cresceram muito na \u00faltima d\u00e9cada, mas pararam de crescer nos \u00faltimos dois anos, ali\u00e1s diminu\u00edram um pouco. Para que estas pessoas trabalhem com ci\u00eancia e tecnologia \u00e9 preciso que os recursos continuem crescendo. O Brasil precisa retomar o crescimento do or\u00e7amento para ci\u00eancia e tecnologia para que seja formado mais pessoal e sejam financiadas as atividades desenvolvidas. E o investimento precisa ser de todos os setores: governo federal, governo estadual e empresas. O investimento total destes tr\u00eas setores em pesquisa e desenvolvimento no Brasil hoje n\u00e3o chega a 1,2% do PIB brasileiro, enquanto nos pa\u00edses de economia do conhecimento este investimento est\u00e1 em torno de 2% e 3% de seus PIBs.<\/p>\n<p>Na d\u00e9cada de 1970, a Coreia do Sul era menos desenvolvida que o Brasil, mas tinha uma pol\u00edtica de ci\u00eancia e tecnologia. Enviou gente para estudar no exterior, realizou uma pol\u00edtica industrial articulada com a pol\u00edtica cient\u00edfica, o que fez com o que o padr\u00e3o inteiro da Coreia aumentasse. A renda\u00a0<em>per capita\u00a0<\/em>deles atualmente \u00e9 o dobro da brasileira. Guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, o exemplo \u00e9 v\u00e1lido.<\/p>\n<p>Se o Brasil continuar formando pessoal, aumentando recursos, financiando pesquisas, aumentando a participa\u00e7\u00e3o das empresas neste processo, seguiremos no rumo do desenvolvimento. A economia do conhecimento, ela n\u00e3o s\u00f3 enriquece o pa\u00eds, ela faz com que o pa\u00eds inteiro se desenvolva. O Brasil est\u00e1 em um processo acelerado de mudan\u00e7a, \u00e9 preciso mant\u00ea-lo e mant\u00ea-lo por muito tempo para que gere as mudan\u00e7as desejadas, para que leve aos novos patamares.<\/p>\n<p>&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;-<br \/>\nAs entrevistas de divulga\u00e7\u00e3o da Reuni\u00e3o Magna da Academia Brasileira de Ci\u00eancias em 2013 tem a inten\u00e7\u00e3o de compartilhar a vasta experi\u00eancia e compreens\u00e3o da ci\u00eancia brasileira em seus m\u00faltiplos aspectos. O primeiro entrevistado foi o Acad\u00eamico\u00a0<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/~ldavid\">Luiz Davidovich<\/a>, coordenador geral do evento, cuja entrevista por ser lida<a href=\"https:\/\/www.abc.org.br\/article.php3?id_article=2629\">aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">(Davi Padilha Bonela para Not\u00edcias da ABC)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Academia Brasileira de Ci\u00eancia, em 10\/04\/2013 O progresso da ci\u00eancia brasileira na \u00faltima d\u00e9cada d\u00e1 ao tema da Reuni\u00e3o Magna da ABC &#8211; Rumo a Novos Patamares &#8211; uma premissa&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1163,12],"tags":[],"class_list":["post-5585","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem","category-clipping-lnls","category-1163","category-12","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.6 - 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