{"id":5323,"date":"2013-03-04T12:57:24","date_gmt":"2013-03-04T15:57:24","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/?p=5323"},"modified":"2026-03-03T10:08:13","modified_gmt":"2026-03-03T13:08:13","slug":"mais-celulose-por-centimetro-quadrado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/mais-celulose-por-centimetro-quadrado\/","title":{"rendered":"Mais celulose por cent\u00edmetro quadrado"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>ZooNews, em 03\/03\/2013<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na apar\u00eancia, a pequena planta\u00e7\u00e3o de 2,2 hectares de eucaliptos, numa fazenda no munic\u00edpio de Angatuba (SP), n\u00e3o tem nada de incomum. Mas as diferen\u00e7as existem e est\u00e3o nas c\u00e9lulas dessas \u00e1rvores que receberam a inser\u00e7\u00e3o de um gene de outra esp\u00e9cie, a\u00a0<em>Arabidopsis thaliana<\/em>, uma planta-modelo muito usada em experimentos gen\u00e9ticos. Com a altera\u00e7\u00e3o, elas se tornam capazes de produzir 20% mais madeira em rela\u00e7\u00e3o aos cong\u00eaneres\u00a0<em>Eucalyptus<\/em>.\u00a0<strong><br \/>\n<\/strong><br \/>\nA pequena floresta de eucaliptos transg\u00eanicos em crescimento \u00e9 um dos quatro plantios experimentais dessa \u00e1rvore geneticamente modificada realizados pela\u00a0FuturaGene, empresa dedicada ao melhoramento da produtividade e sustentabilidade de florestas cultivadas para os mercados de celulose, bioenergia e biocombust\u00edveis. O objetivo \u00e9 avaliar a biosseguran\u00e7a dos transg\u00eanicos para verificar se eles causam impactos e interfer\u00eancias no ambiente e em outros vegetais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00a0FuturaGene\u00a0foi fundada em Israel, em 1993, como uma empresa incubada na\u00a0Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m, dedicada \u00e0 engenharia de prote\u00ednas, com o nome de\u00a0CBD Technologies. Em julho de 2010 ela foi comprada pela brasileira\u00a0Suzano Papel e Celulose.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Os experimentos realizados no interior paulista, na Bahia e no Piau\u00ed s\u00e3o um passo necess\u00e1rio para a libera\u00e7\u00e3o comercial de plantas geneticamente modificadas, exigido pela\u00a0Comiss\u00e3o T\u00e9cnica Nacional de Biosseguran\u00e7a\u00a0(CTNBio), \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel no Brasil pela avalia\u00e7\u00e3o de produtos transg\u00eanicos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Esses quatro plantios que realizamos em 2012 totalizaram nove hectares&#8221;, conta Eugenio Ulian, vice-presidente de assuntos regulat\u00f3rios da\u00a0FuturaGene. &#8220;O objetivo \u00e9 fazer observa\u00e7\u00f5es e colher dados para atender aos requisitos da\u00a0Lei de Biosseguran\u00e7a\u00a0e no futuro apresentar um pedido de libera\u00e7\u00e3o comercial \u00e0 CTNBio. A perspectiva \u00e9 de que esse produto possa ser aprovado para uso comercial em aproximadamente quatro anos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O gene que foi introduzido no eucalipto codifica uma das enzimas espec\u00edficas que participam da forma\u00e7\u00e3o qu\u00edmica da celulose, a\u00a0<em>endoglucanase<\/em>. &#8220;A\u00a0FuturaGene\u00a0descobriu uma forma de, por meio da express\u00e3o do gene da\u00a0<em>Arabidopsis thaliana<\/em>\u00a0para essa enzima nas plantas, alterar a estrutura da parede celular (que \u00e9 composta de celulose) das \u00e1rvores transg\u00eanicas&#8221;, diz Ulian. &#8220;Dessa forma, o gene ex\u00f3geno faz com que as c\u00e9lulas depositem mais celulose na forma\u00e7\u00e3o das paredes celulares da \u00e1rvore, o que, no caso de esp\u00e9cies como o eucalipto, resulta num maior volume de madeira.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A parede das c\u00e9lulas de uma planta \u00e9 um composto qu\u00edmico que consiste de celulose, um pol\u00edmero de unidades de glicose, emaranhada em outros pol\u00edmeros complexos, como hemicelulose e lignina. Isso forma uma estrutura r\u00edgida em volta da c\u00e9lula vegetal, que relaxa apenas para permitir que ela aumente de tamanho e se divida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A tecnologia da\u00a0FuturaGene\u00a0torna poss\u00edvel a produ\u00e7\u00e3o de esp\u00e9cies com paredes celulares modificadas, capazes de acelerar seu relaxamento e sua reconstitui\u00e7\u00e3o durante o crescimento normal da \u00e1rvore&#8221;, explica Ulian. &#8220;A inser\u00e7\u00e3o do novo gene no eucalipto resulta em um crescimento acelerado e maior produtividade.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">S\u00e3o bons motivos para que as ind\u00fastrias de papel e de energia se sintam atra\u00eddas por essa tecnologia. A celulose extra\u00edda da parede celular da planta \u00e9 a mat\u00e9ria-prima de toda fibra industrial utilizada na fabrica\u00e7\u00e3o de papel, chapas e madeira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, gera material para uma s\u00e9rie de outros produtos florestais ou agr\u00edcolas, incluindo os a\u00e7\u00facares que ser\u00e3o usados no futuro na produ\u00e7\u00e3o do etanol de segunda gera\u00e7\u00e3o, ou ainda em compostos qu\u00edmicos utilizados em biopl\u00e1sticos. No caso do eucalipto transg\u00eanico desenvolvido pela\u00a0<a title=\"FuturaGene\">FuturaGene<\/a>, al\u00e9m de produzir 20% a mais de celulose do que as plantas normais &#8212; que geram em m\u00e9dia 45 metros c\u00fabicos por hectare &#8211;, ele pode aumentar a produtividade de madeira de 30 a 40% para uso em outras aplica\u00e7\u00f5es, como em bioenergia, por exemplo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 chegar a essa planta geneticamente modificada, a\u00a0FuturaGene\u00a0percorreu um longo caminho. As primeiras pesquisas, que levaram ao eucalipto transg\u00eanico, come\u00e7aram a ser realizadas logo depois de sua funda\u00e7\u00e3o na\u00a0Universidade Hebraica de Jerusal\u00e9m.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Muitos estudos foram realizados com diversos genes envolvidos na forma\u00e7\u00e3o da parede celular que foram clonados e introduzidos para superexpress\u00e3o em esp\u00e9cies-modelo como a pr\u00f3pria\u00a0<em>Arabidopsis<\/em>, em \u00e1lamo e no pr\u00f3prio eucalipto&#8221;, conta Ulian. &#8220;O gene de\u00a0<em>endoglucanase<\/em>\u00a0foi escolhido para continuar os trabalhos porque apresentou os melhores resultados.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A\u00a0FuturaGene\u00a0j\u00e1 plantou 12 \u00e1reas experimentais com eucalipto transg\u00eanico. Os primeiros cultivos foram realizados em 2006 e 2007 em Israel e no Brasil. Os trabalhos continuaram depois de sua aquisi\u00e7\u00e3o pela Suzano, com novos plantios no Brasil. Em 2012, al\u00e9m dos nove hectares cultivados com a esp\u00e9cie geneticamente modificada original, outros seis foram plantados com sementes oriundas de cruzamentos realizados entre o transg\u00eanico e matrizes convencionais, visando selecionar clones melhorados com a caracter\u00edstica de aumento de produtividade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde 1998 a Suzano tamb\u00e9m desenvolve projetos em parceria com o professor Carlos Alberto Labate, do Departamento de Gen\u00e9tica da\u00a0Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz\u00a0(Esalq), da\u00a0Universidade de S\u00e3o Paulo\u00a0(USP). &#8220;S\u00e3o trabalhos voltados para a \u00e1rea de biotecnologia e gen\u00f4mica funcional do eucalipto&#8221;, conta Labate. &#8220;N\u00f3s j\u00e1 tivemos dois projetos financiados pelo\u00a0Programa de Apoio \u00e0 Pesquisa em Parceria para Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica\u00a0(Pite) da\u00a0Fapesp\u00a0aprovados e agora estamos no terceiro.&#8221;&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No primeiro projeto Pite o objetivo era o de desenvolver a metodologia de transforma\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica do eucalipto. &#8220;O meu aluno de doutorado Esteban Roberto Gonz\u00e1lez foi contratado pela Suzano e hoje \u00e9 o gerente de pesquisa e desenvolvimento da\u00a0FuturaGene&#8221;, diz o pesquisador da\u00a0Esalq, que assumiu em janeiro a fun\u00e7\u00e3o de diretor do\u00a0Laborat\u00f3rio Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol\u00a0(CTBE).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A metodologia que desenvolvemos foi patenteada e todo o conhecimento que geramos foi de certa maneira transferido para a empresa. Al\u00e9m disso, at\u00e9 hoje n\u00f3s realizamos reuni\u00f5es frequentes e treinamentos de pessoal na\u00a0FuturaGene, o que nos permite uma intera\u00e7\u00e3o muito boa com a empresa.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Teores de a\u00e7\u00facar<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No segundo projeto Pite o pesquisador da\u00a0Esalq\u00a0desenvolveu v\u00e1rias plantas transg\u00eanicas de eucalipto com altera\u00e7\u00e3o na express\u00e3o de genes relacionados \u00e0 s\u00edntese de carboidratos da planta. &#8220;O objetivo do projeto foi aumentar a quantidade de xilanas na madeira do eucalipto&#8221;, explica. &#8220;Essas plantas transg\u00eanicas est\u00e3o com a\u00a0FuturaGene, que deve realizar os ensaios de campo.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A xilana \u00e9 uma hemicelulose, um pol\u00edmero de xilose (um a\u00e7\u00facar presente na madeira), que tem um papel importante no branqueamento de polpas de celulose e nas propriedades do papel. Modificar os teores desse a\u00e7\u00facar na planta permite aumentar a produ\u00e7\u00e3o e diferenciar as propriedades das polpas e dos pap\u00e9is produzidos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para 2013, os planos da\u00a0FuturaGene\u00a0s\u00e3o plantar 30 hectares com eucaliptos geneticamente modificados para testes. &#8220;O objetivo \u00e9 testar novas altera\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas, que eventualmente poder\u00e3o dar origem a outros produtos, com a mesma caracter\u00edstica de aumento de produtividade j\u00e1 presente no primeiro eucalipto transg\u00eanico, mas contendo genes diferentes ou constru\u00e7\u00f5es gen\u00e9ticas melhoradas&#8221;, informa Eduardo Jos\u00e9 de Mello, vice-presidente de opera\u00e7\u00f5es no Brasil e gerente de melhoramento florestal da\u00a0FuturaGene. &#8220;Por isso, consideramos que os experimentos deste ano servir\u00e3o para a sele\u00e7\u00e3o de novos produtos.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Al\u00e9m disso, a empresa est\u00e1 trabalhando em seus laborat\u00f3rios para desenvolver esp\u00e9cies com resist\u00eancia a pragas e doen\u00e7as e que possibilitem um melhor manejo de plantas daninhas e melhoramento da qualidade da madeira. Al\u00e9m da biosseguran\u00e7a, nos testes que a\u00a0FuturaGene\u00a0realiza tamb\u00e9m est\u00e1 sendo verificado o comportamento do eucalipto transg\u00eanico em diferentes espa\u00e7amentos de cultivo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Essa informa\u00e7\u00e3o ser\u00e1 importante para o planejamento de futuros plantios em fun\u00e7\u00e3o de sua finalidade, como produ\u00e7\u00e3o de energia, chapas ou celulose, por exemplo&#8221;, diz Mello. &#8220;Devido \u00e0 alta produtividade do transg\u00eanico e dependendo da finalidade da biomassa, as colheitas poder\u00e3o ser realizadas em idades mais precoces, com 5 anos e meio.&#8221; O eucalipto convencional s\u00f3 atinge a mesma produtividade aos 7 anos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Hoje, de acordo com Mello, o Brasil det\u00e9m a maior produtividade mundial na cultura do eucalipto. Esta superioridade foi alcan\u00e7ada em raz\u00e3o do clima favor\u00e1vel e do desenvolvimento tecnol\u00f3gico realizado no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O melhoramento gen\u00e9tico convencional, por meio da sele\u00e7\u00e3o e propaga\u00e7\u00e3o dos melhores indiv\u00edduos, ofereceu uma importante contribui\u00e7\u00e3o para os ganhos de produtividade, mas a tend\u00eancia \u00e9 que eles fiquem cada vez mais dif\u00edceis de ser superados&#8221;, diz Mello.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A biotecnologia, por meio do uso de transg\u00eanicos, ser\u00e1 uma ferramenta importante para o Brasil manter-se na dianteira da produtividade e continuar competitivo no mercado de madeira de eucalipto e seus derivados.&#8221; A Suzano \u00e9 atualmente a segunda maior produtora mundial de celulose de eucalipto e a receita l\u00edquida da empresa atingiu R$ 4,8 bilh\u00f5es em 2011, sendo que mais de 50% das vendas seguem para o mercado externo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A manipula\u00e7\u00e3o gen\u00e9tica de plantas tamb\u00e9m poder\u00e1 ter um papel importante na manuten\u00e7\u00e3o e preserva\u00e7\u00e3o das matas nativas de todo o mundo. Segundo dados da\u00a0Organiza\u00e7\u00e3o das Na\u00e7\u00f5es Unidas para Agricultura e Alimenta\u00e7\u00e3o\u00a0(FAO), h\u00e1 no planeta cerca de 4 bilh\u00f5es de hectares cobertos com floresta, o que representa em torno de 27% da \u00e1rea das terras emersas do globo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Estima-se que hoje o consumo mundial de madeira chegue a cerca de 3,4 bilh\u00f5es de metros c\u00fabicos por ano, com previs\u00e3o de um aumento de 25% at\u00e9 2020. Para atender a essa demanda, as matas nativas do planeta s\u00e3o derrubadas a uma taxa de 12 milh\u00f5es de hectares por ano.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo um estudo do Centro para Avalia\u00e7\u00e3o do Risco Ambiental de Culturas Geneticamente Modificadas (Cera), da\u00a0Ilsi Research Foundation, uma funda\u00e7\u00e3o que re\u00fane institui\u00e7\u00f5es de pesquisa de todo o mundo, em 2000 as matas plantadas representavam apenas 5% do total de florestas do planeta, mas contribu\u00edam com cerca de 35% da madeira colhida.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Desde ent\u00e3o a \u00e1rea de cultivo de esp\u00e9cies arb\u00f3reas aumentou para 264 milh\u00f5es de hectares, o que representa 6,6% das selvas mundiais. Calcula-se que desde o final dos anos 1980, quando os primeiros vegetais transg\u00eanicos foram liberados para cultivos comerciais, j\u00e1 tenham sido realizados no mundo mais de 800 experimentos de campo com \u00e1rvores geneticamente modificadas de cerca de 40 esp\u00e9cies.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Projeto<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Gen\u00f4mica funcional aplicada \u00e0 descoberta de genes de resist\u00eancia a ferrugem do eucalipto &#8212; n\u00ba 2008\/50361-1. Modalidade:\u00a0Programa de Apoio \u00e0 Pesquisa em Parceria para Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica\u00a0(Pite). Coordenador: Carlos Alberto Labate &#8212; USP. Investimento: R$ 330.195,78 e US$ 242.235,41 (Fapesp) e R$ 1.376.000,00 (Suzano).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">FONTE<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Revista Pesquisa Fapesp<br \/>\nEvanildo da Silveira<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>ZooNews, em 03\/03\/2013 Na apar\u00eancia, a pequena planta\u00e7\u00e3o de 2,2 hectares de eucaliptos, numa fazenda no munic\u00edpio de Angatuba (SP), n\u00e3o tem nada de incomum. 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