{"id":5296,"date":"2013-02-15T10:34:02","date_gmt":"2013-02-15T12:34:02","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/?p=5296"},"modified":"2026-03-03T10:08:15","modified_gmt":"2026-03-03T13:08:15","slug":"entrevista-fernando-galembeck","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/entrevista-fernando-galembeck\/","title":{"rendered":"Entrevista: Fernando Galembeck"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Univesp, em 14\/02\/2013<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignleft\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/univesp.ensinosuperior.sp.gov.br\/media\/paginas\/images\/4600\/4528-2.jpg?resize=450%2C295&#038;ssl=1\" alt=\"Fernando Galembeck\" width=\"450\" height=\"295\" \/>Fernando Galembeck publicou seu primeiro trabalho sobre\u00a0nanopart\u00edculas em 1978. Professor convidado na Unicamp, onde se aposentou, \u00e9 hoje, aos 70 anos, conselheiro da Sociedade Brasileira de Qu\u00edmica (SBQ), da Academia de Ci\u00eancias do Estado de S\u00e3o Paulo (Aciesp) e da Iacis (International Association of Colloid and Interface Scientists), al\u00e9m de representante brasileiro na Iupac (International Union of Pure and Applied Chemistry). Inventor de mais de 20 patentes sobre tecnologias, que est\u00e3o na origem de v\u00e1rios produtos lan\u00e7ados no mercado, Galembeck \u00e9 diretor do Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia, o<a href=\"https:\/\/lnnano.cnpem.staging.wpengine.com\/\">LNNano<\/a>. O\u00a0<a href=\"https:\/\/lnnano.cnpem.staging.wpengine.com\/\">LNNano<\/a>\u00a0integra o\u00a0<a href=\"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/\">Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM)<\/a>, em Campinas, junto com o Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias (LNBio) e Laborat\u00f3rio Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol (CTBE). Recentemente, o qu\u00edmico brasileiro foi destaque na revista\u00a0<a href=\"https:\/\/www.lqes.iqm.unicamp.br\/images\/em_pauta_novidades_1650_WhatCreatesStatic.pdf\">American Scientist<\/a>, em resenha sobre a elucida\u00e7\u00e3o de mecanismos de\u00a0<a href=\"https:\/\/www.jornaldaciencia.org.br\/Detalhe.jsp?id=83563\">eletriza\u00e7\u00e3o de s\u00f3lidos isolantes<\/a>. Ele afirma que um elemento fundamental nessa descoberta foi o microsc\u00f3pio de for\u00e7a Kelvin, t\u00edpica ferramenta nanotecnol\u00f3gica que fez seu grupo ver o que ningu\u00e9m suspeitava e permitiu um avan\u00e7o na compreens\u00e3o de fen\u00f4menos que t\u00eam desafiado cientistas e engenheiros, h\u00e1 s\u00e9culos. Para ele, as escalas \u201cmicro\u201d e \u201cnano\u201d n\u00e3o s\u00e3o as \u00fanicas com as quais lida em seu trabalho: \u201cN\u00f3s estamos tratando de fazer coisas gigantescas, trabalhando com a mat\u00e9ria em v\u00e1rias escalas de tamanho \u2013 desde os nan\u00f4metros at\u00e9 quil\u00f4metros e talvez mais.\u201d Leia a entrevista a seguir.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Pr\u00e9-Univesp<\/em><\/strong><em>:\u00a0<\/em>Quais s\u00e3o as aplica\u00e7\u00f5es da nanotecnologia na vida quotidiana?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Galembeck<\/strong>: Nanotecnologia est\u00e1 presente na maioria dos materiais desenvolvidos recentemente e tamb\u00e9m em muitos materiais antigos \u2013 ainda que n\u00e3o recebesse esse nome. Um exemplo muito bom de aplica\u00e7\u00e3o das nanotecnologias est\u00e1 nos compostos de borracha usados em pneus de autom\u00f3veis e outros meios de transporte. N\u00e3o se faz uma boa borracha sem usar nanopart\u00edculas de carbono (negro de fumo) ou de s\u00edlica, transformando as borrachasem materiais nanoestruturados. N\u00e3o se fazem equipamentos eletr\u00f4nicos miniaturizados sem usar semicondutores nanoestruturados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Pr\u00e9-Univesp<\/em><\/strong><em>:<\/em><em>\u00a0<\/em>Como se criam novos materiais e como se modificam os materiais j\u00e1 existentes?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Galembeck<\/strong>: A an\u00e1lise do tamanho, composi\u00e7\u00e3o e tipo de liga\u00e7\u00e3o dos elementos faz parte do trabalho, mas n\u00e3o basta. \u00c9 preciso encontrar maneiras de estruturar mol\u00e9culas, part\u00edculas e \u00edons, de forma a se conseguir as propriedades \u2013 mec\u00e2nicas, \u00f3ticas, el\u00e9tricas etc. \u2013 desejadas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Pr\u00e9-Univesp<\/em><\/strong>: Qual \u00e9 o trabalho do Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia, o\u00a0<a href=\"https:\/\/lnnano.cnpem.staging.wpengine.com\/\">LNNano<\/a>?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Galembeck<\/strong>: O\u00a0<a href=\"https:\/\/lnnano.cnpem.staging.wpengine.com\/\">LNNano<\/a>\u00a0atua em quatro frentes: atendimento a usu\u00e1rios de equipamentos de grande porte (microsc\u00f3pios, microfabrica\u00e7\u00e3o, processamento e caracteriza\u00e7\u00e3o de materiais), pesquisa cient\u00edfica, projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inova\u00e7\u00e3o (P&amp;D&amp;I) com empresas e difus\u00e3o cient\u00edfica.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Pr\u00e9-Univesp<\/em><\/strong>: O\u00a0<a href=\"https:\/\/lnnano.cnpem.staging.wpengine.com\/\">LNNano<\/a>\u00a0n\u00e3o \u00e9 apenas um laborat\u00f3rio, mas re\u00fane v\u00e1rios. Como atuam esses laborat\u00f3rios?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Galembeck<\/strong>: S\u00e3o, ao todo, cinco laborat\u00f3rios. O Laborat\u00f3rio de Microscopia Eletr\u00f4nica, o Laborat\u00f3rio de Microscopia de Sondas, o Laborat\u00f3rio de Microfabrica\u00e7\u00e3o e mais outros dois, um de caracteriza\u00e7\u00e3o e processamento de materiais met\u00e1licos (CPM) e outro de materiais nanoestruturados (LMN). Os padr\u00f5es de atua\u00e7\u00e3o s\u00e3o diferentes em cada um deles. O Laborat\u00f3rio de Microscopia Eletr\u00f4nica (LME) ocupa a maior parte do seu tempo no atendimento a usu\u00e1rios, que encontram ali instrumentos caros, bem- mantidos e operados por pessoal bem-treinado. Os usu\u00e1rios recebem treinamento e s\u00e3o atendidos em suas demandas de ensaios. J\u00e1 o Laborat\u00f3rio de Caracteriza\u00e7\u00e3o e Processamento de Materiais concentra sua atua\u00e7\u00e3oem projetos de Pesquisa, Desenvolvimento e Inova\u00e7\u00e3o (P&amp;D&amp;I) com empresas de v\u00e1rios setores. Um dos pontos fortes desse laborat\u00f3rio \u00e9 a soldagem por atrito.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Pr\u00e9-Univesp<\/em><\/strong>: H\u00e1 utiliza\u00e7\u00e3o do\u00a0<a href=\"https:\/\/lnls.cnpem.staging.wpengine.com\/\">Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron<\/a>\u00a0(LNLS) pelo\u00a0<a href=\"https:\/\/lnnano.cnpem.staging.wpengine.com\/\">LNNano<\/a>?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Galembeck<\/strong>: O\u00a0<a href=\"https:\/\/lnnano.cnpem.staging.wpengine.com\/\">LNNano<\/a>\u00a0e o\u00a0<a href=\"https:\/\/lnls.cnpem.staging.wpengine.com\/\">LNLS<\/a>\u00a0trabalham juntos. Uma equipe do LNNano acabou de colocar em opera\u00e7\u00e3o um equipamento de simula\u00e7\u00e3o f\u00edsica em uma linha de raios-X. Isso permite submeter materiais a grandes esfor\u00e7os t\u00e9rmicos e mec\u00e2nicos, observando suas respostas macrosc\u00f3picas e, ao mesmo tempo, observando suas mudan\u00e7as estruturais, em escala nanom\u00e9trica. Al\u00e9m disso, dentro de dois meses dever\u00e1 entrar em opera\u00e7\u00e3o um microsc\u00f3pio infravermelho de resolu\u00e7\u00e3o espacial nanom\u00e9trica, instalado por uma equipe do LNNano em uma linha de radia\u00e7\u00e3o infravermelha do\u00a0<a href=\"https:\/\/lnls.cnpem.staging.wpengine.com\/\">LNLS<\/a>. S\u00e3o duas facilidades de pesquisa que, nesse momento, n\u00e3o t\u00eam similar no mundo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\" align=\"center\"><a href=\"https:\/\/afisicasemove.blogspot.com.br\/2011\/02\/1001-utilidades-para-luz-sincrotron.html\">Para saber mais sobre a luz s\u00edncrotron, clique aqui<\/a>.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u00a0<strong><em>Pr\u00e9-Univesp<\/em><\/strong>: A pesquisa sobre aproveitamento da biomassa, nos estudos com nanoestruturas, pode ser aplicada em quais \u00e1reas? O Brasil se encontra em um est\u00e1gio avan\u00e7ado nesse tipo de pesquisa? Quais s\u00e3o as perspectivas cient\u00edficas e econ\u00f4micas nesse campo?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Galembeck<\/strong>: Um resultado importante nessa \u00e1rea foi a solu\u00e7\u00e3o do \u201cmist\u00e9rio da borracha natural\u201d, isto \u00e9, da causa da superioridade de algumas propriedades da borracha natural sobre cong\u00eaneres sint\u00e9ticas. O \u201cmist\u00e9rio\u201d foi resolvido quando nosso grupo de pesquisa descobriu que a borracha natural \u00e9, intrinsecamente, um nanocomp\u00f3sito natural. Isso permitiu a cria\u00e7\u00e3o de novos processos de produ\u00e7\u00e3o de nanocomp\u00f3sitos, e desde ent\u00e3o novas demandas surgem continuamente.\u00a0As perspectivas cient\u00edficas s\u00e3o excelentes, e destaco o grande desafio que \u00e9, hoje, a compreens\u00e3o das estruturas dos materiais lignocelul\u00f3sicos [<em>como o baga\u00e7o de cana e outros res\u00edduos agr\u00edcolas, que podem ser mat\u00e9rias-primas para produ\u00e7\u00e3o de etanol, por exemplo<\/em>]. No aspecto econ\u00f4mico, essa nova ci\u00eancia e as tecnologias que poder\u00e3o ser criadas ser\u00e3o absolutamente necess\u00e1rias para que se consiga fazer a transi\u00e7\u00e3o para uma economia sustent\u00e1vel.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Pr\u00e9-Univesp<\/em><\/strong>: Quais foram os maiores impactos cient\u00edficos e tecnol\u00f3gicos das pesquisas com nanoestruturas nos \u00faltimos anos?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Galembeck<\/strong>: Qualquer resposta com menos de 100 p\u00e1ginas ser\u00e1 injusta. Convido o leitor a fazer um exerc\u00edcio, gratuito e em sua pr\u00f3pria casa: entre no site\u00a0<a href=\"https:\/\/patft.uspto.gov\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">https:\/\/patft.uspto.gov\/<\/a>, localize os bot\u00f5es de \u201cquick search\u201d, coloque a palavra chave (Term) \u201cnanotechnology\u201d e divirta-se lendo os t\u00edtulos dos cerca de dez mil pedidos de patentes. Se tiver um pouco mais de tempo, abra as patentes (basta clicar sobre o nome) e identifique os titulares das patentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong><em>Pr\u00e9-Univesp<\/em><\/strong>: Qual \u00e9 a import\u00e2ncia do desenvolvimento da nanotecnologia para o futuro?<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Galembeck<\/strong>: N\u00e3o h\u00e1 futuro sem nanotecnologias porque n\u00e3o h\u00e1 futuro sem novos materiais que s\u00e3o hoje criados, na quase totalidade, usando nanotecnologias. Sempre lembro que os antigos eg\u00edpcios, culturalmente muito mais adiantados que os hititas [povo indo-europeu que habitou a \u00c1sia Menor no II Mil\u00eanio a.C.], foram dominados por estes, por uma \u00fanica raz\u00e3o: os hititas sabiam usar o ferro. Os eg\u00edpcios n\u00e3o.\u00a0A experi\u00eancia hist\u00f3rica alerta para as vit\u00f3rias do futuro.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Univesp, em 14\/02\/2013 Fernando Galembeck publicou seu primeiro trabalho sobre\u00a0nanopart\u00edculas em 1978. 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