{"id":5115,"date":"2012-12-05T11:45:23","date_gmt":"2012-12-05T13:45:23","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/?p=5115"},"modified":"2026-03-03T10:08:32","modified_gmt":"2026-03-03T13:08:32","slug":"o-setor-esta-investindo-em-diversificacao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/o-setor-esta-investindo-em-diversificacao\/","title":{"rendered":"\u2018O setor est\u00e1 investindo em diversifica\u00e7\u00e3o\u2019"},"content":{"rendered":"<p><em>Canal Jornal da Bioenergia, em 05\/12\/2012<\/em><\/p>\n<p><strong>Evandro Bittencourt<\/strong><br \/>\nEngenheiro mec\u00e2nico de produ\u00e7\u00e3o formado pela Escola Polit\u00e9cnica da USP, Jos\u00e9 Luiz Oliv\u00e9rio \u00e9 vice-presidente de Tecnologia e Desenvolvimento da Dedini S\/A Ind\u00fastrias de Base. Representa a ind\u00fastria de equipamentos na C\u00e2mara Setorial do Biodiesel e, de 2004 a 2007, atuou na mesma fun\u00e7\u00e3o na C\u00e2mara do A\u00e7\u00facar e do \u00c1lcool, ambas do Minist\u00e9rio da Agricultura.<\/p>\n<p>\u00c9 membro do Conselho de Tecnologia e do Conselho Superior do Agroneg\u00f3cio (ambos da Fiesp), do Conselho de Orienta\u00e7\u00e3o do Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas (IPT), do Conselho Consultivo Internacional\u00a0 da\u00a0 Funda\u00e7\u00e3o Dom Cabral (FDC), membro do Comit\u00ea T\u00e9cnico de Bens de Capital do Centro Nacional das Ind\u00fastrias do Setor Sucroalcooleiro e Energ\u00e9tico (Ceise Br) e membro do Comit\u00ea T\u00e9cnico-Cient\u00edfico do Laborat\u00f3rio Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol (CTBE).<\/p>\n<p>Foi professor, chefe de departamento, membro do Conselho Departamental e da Congrega\u00e7\u00e3o da Funda\u00e7\u00e3o Educacional Inaciana (FEI) e professor do Curso de Extens\u00e3o Universit\u00e1ria na Mau\u00e1.<\/p>\n<p><strong>O senhor acredita que o Pa\u00eds possa realmente passar por um apag\u00e3o de combust\u00edveis em at\u00e9 dois anos caso o governo n\u00e3o adote medidas consistentes de apoio ao setor sucroenerg\u00e9tico?<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>\u00c9 muito dif\u00edcil falar com certeza, mas h\u00e1 ind\u00edcio de que isso realmente pode ocorrer porque o abastecimento de combust\u00edveis estava indo numa certa dire\u00e7\u00e3o. E o que se imaginava \u00e9 que dos combust\u00edveis que abastecem os ve\u00edculos de ciclo Oto o etanol continuaria sendo o principal e isso foi o que aconteceu at\u00e9 2010. Mas devido a uma s\u00e9rie de fatores, principalmente as consequ\u00eancias da crise financeira de 2008, e a falta de investimentos em aumento de capacidade, houve uma redu\u00e7\u00e3o na produ\u00e7\u00e3o de etanol decorrente da redu\u00e7\u00e3o da produ\u00e7\u00e3o de cana quando a demanda era crescente. E isso foi reconhecido muito tardiamente, muito em cima da ocorr\u00eancia do fato de n\u00e3o haver etanol suficiente, o que levou a uma s\u00e9rie de medidas de urg\u00eancia que, infelizmente, est\u00e3o permanecendo at\u00e9 hoje, porque a Petrobras se viu com o problema de garantir o abastecimento nacional. E a empresa estava contando que os ve\u00edculos de ciclo Oto seriam abastecidos com etanol. Ela estava exportando gasolina e se concentrando no refino de diesel. Com a falta do etanol o que aconteceu foi que, de uma hora para outra, foi necess\u00e1rio mudar essa tend\u00eancia. Houve uma demanda imprevista de gasolina, a\u00a0Petrobras teve que deixar de exportar a gasolina como ela fazia e teve que passar a importar.<\/p>\n<p><strong>E o sistema de distribu\u00e7\u00e3o n\u00e3o estava preparado para isso.<\/strong><br \/>\nSim,\u00a0 foram solu\u00e7\u00f5es de emerg\u00eancia, de curto prazo, n\u00e3o foram otimizadas. N\u00e3o havia tanques regionais e foi um esfor\u00e7o enorme garantir o abastecimento justamente por falta dessa produ\u00e7\u00e3o de etanol. A partir da\u00ed se identificou o problema, mas n\u00e3o houve solu\u00e7\u00e3o. Hoje continua ocorrendo uma menor produ\u00e7\u00e3o de cana do que \u00e9 necess\u00e1rio para atender a demanda. N\u00f3s estamos com uma produ\u00e7\u00e3o de cana da ordem de 600 milh\u00f5es de toneladas por safra, uma capacidade industrial um pouco acima, da ordem de 700 milh\u00f5es de toneladas por safra, mas a demanda est\u00e1 num n\u00edvel de 800 milh\u00f5es de toneladas de cana para fazer a\u00e7\u00facar e etanol. Nesse momento n\u00f3s dever\u00edamos estar num processo de expans\u00e3o, tanto da \u00e1rea de cana, quanto na implanta\u00e7\u00e3o de usinas novas e isso n\u00e3o est\u00e1 acontecendo. Se n\u00e3o forem anunciadas as medidas que restabele\u00e7am a confian\u00e7a do investidor, o setor vai continuar, por alguns anos, com uma produ\u00e7\u00e3o de cana ainda insuficiente e uma capacidade industrial tamb\u00e9m insuficiente para um mercado que \u00e9 altamente demandante. Se n\u00e3o houver medidas de pol\u00edticas p\u00fablicas, principalmente, que restabele\u00e7am a confian\u00e7a do investidor no aumento da capacidade agr\u00edcola e industrial, n\u00f3s vamos realmente ter essa capacidade do cen\u00e1rio atual por muito tempo.<\/p>\n<p><strong>Como o senhor avalia as tecnologias dispon\u00edveis no Brasil, atualmente, para a produ\u00e7\u00e3o de etanol, a\u00e7\u00facar e bioeletricidade ?<\/strong><strong><br \/>\n<\/strong>S\u00e3o tecnologias no Estado da arte. Hoje n\u00f3s temos no Brasil, tanto para produzir a\u00e7\u00facar, etanol e bioeletricidade, as melhores tecnologias dispon\u00edveis mundialmente. Em alguns casos, n\u00f3s at\u00e9 estamos acima, somos refer\u00eancia para essas tecnologias, somo o benchmarking mundial para essas tecnologias.\u00a0 Mas isso n\u00e3o quer dizer que n\u00e3o se possa melhorar. Existe a possibilidade de termos ainda um progresso bastante grande na \u00e1rea de tecnologia. Mas se compararmos no contexto mundial, com a tecnologias que existem em outros pa\u00edses, estamos muito bem situados.<\/p>\n<p><strong>A crise de 2008 impactou no desenvolvimento dessas tecnologias?<\/strong><br \/>\nA curto prazo n\u00e3o, mas hoje ela j\u00e1 est\u00e1 impactando, pois quem possibilita o desenvolvimento de tecnologia \u00e9 o mercado. Quando se tem um mercado vigoroso as empresas, pelo est\u00edmulo que recebem, investem bastante no desenvolvimento de tecnologias.\u00a0 At\u00e9\u00a0 2008 n\u00f3s est\u00e1vamos vindo de um crescimento enorme, com a continuidade dos investimentos em tecnologia, mas j\u00e1 a partir de 2010 os investimentos come\u00e7aram a diminuir. E isso gerou um fato perverso. Aquelas tecnologias que estavam em desenvolvimento e que se completaram at\u00e9 2010, 2011 ainda n\u00e3o foram implantadas, elas est\u00e3o estocadas, esperando novos investimentos.\u00a0 Essas novas tecnologias ser\u00e3o incorporadas quando o setor voltar a investir em aumento de capacidade e em usinas novas.<\/p>\n<p><strong>Como est\u00e1 a demanda por equipamentos e usinas prontas no Brasil e quais as perspectivas para os pr\u00f3ximos anos?\u00a0<\/strong><br \/>\nO setor n\u00e3o parou de investir. Ele continua a faz\u00ea-lo,\u00a0 mas num ritmo menor. Continuam os investimentos de entressafra, normalmente, a parte toda de recondicionamento da usina, troca de pe\u00e7as sobressalentes e ajustes dos equipamentos. J\u00e1 em rela\u00e7\u00e3o aos equipamentos novos o setor n\u00e3o est\u00e1 investindo em aumento de capacidade, mas ele est\u00e1 investindo em diversifica\u00e7\u00e3o. Ou seja, quem est\u00e1 fazendo etanol coloca uma f\u00e1brica de a\u00e7\u00facar. Nesse caso, com a mesma quantidade de cana ele tamb\u00e9m passa a produzir a\u00e7\u00facar, aumentando a sua capacidade. Muitas vezes a usina produz \u00e1lcool hidratado, que abastece o ve\u00edculo flex, mas a demanda est\u00e1 boa em anidro, para a mistura com a gasolina. Nesse caso ela p\u00f5e uma unidade de desidrata\u00e7\u00e3o para completar o processo de transformar a cana em etanol anidro. Outras vezes a usina est\u00e1 produzindo a\u00e7\u00facar e etanol e tem o interesse de vender energia el\u00e9trica para a rede. Nesse caso ela investe em energia, compra caldeiras, turbinas etc. O setor tem investido nessa diversifica\u00e7\u00e3o, assim como em troca de equipamentos\u00a0 em fim de vida ou para ganhar mais efici\u00eancia. Esse ciclo de investimento em diversifica\u00e7\u00e3o acomoda a produ\u00e7\u00e3o da usina \u00e0 demanda do mercado, mas n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o representativa quanto os investimentos em greenfields, em que h\u00e1 uma demanda por todos os equipamentos da linha e n\u00e3o s\u00f3 de alguns espec\u00edficos.<\/p>\n<p><strong>E h\u00e1 sinais de que o setor vai voltar a investir?<\/strong><br \/>\nOs sinais, hoje, s\u00e3o de que o setor vai voltar a investir. Digo isso porque estamos perdendo muita coisa ao n\u00e3o ter uma produ\u00e7\u00e3o adequada do setor sucroenerg\u00e9tico. Hoje n\u00f3s temos problemas com a Petrobras, que est\u00e1 tendo preju\u00edzo, estamos tendo problemas na balan\u00e7a comercial pois, em vez de exportar gasolina, estamos importando, em vez de exportar etanol, \u00e0s vezes at\u00e9 o importamos. J\u00e1 estamos com problemas na balan\u00e7a de pagamentos e tem diminu\u00eddo o saldo comercial do Pa\u00eds. Aquele crescimento que se verificou de forma intensa, principalmente na regi\u00e3o das novas fronteiras, como \u00e9 o Centro-Oeste, j\u00e1 diminuiu. Toda aquela evolu\u00e7\u00e3o social que se tem associada \u00e0 implanta\u00e7\u00e3o de usinas novas est\u00e1 sendo estabilizada. N\u00f3s precisamos crescer mais, criar mais empregos, distribuir mais renda e estender benef\u00edcios sociais. Se comparamos a energia da cana com a energia do petr\u00f3leo, a que tem maior impacto social \u00e9 a energia da cana, pois \u00e9 ela quem cria mais emprego e distribui melhor a renda, afetando uma comunidade muito maior do que o crescimento promovido pelo petr\u00f3leo, que \u00e9 um mundo muito pequeno. N\u00e3o h\u00e1 a promo\u00e7\u00e3o de um movimento regional e a universaliza\u00e7\u00e3o do desenvolvimento quando se investe mais em petr\u00f3leo e menos em cana. Por isso, como o Pa\u00eds precisa crescer e melhorar suas contas no exterior, caminhando no sentido da sustentabilidade, tudo isso vai levar a uma solu\u00e7\u00e3o de curto prazo. N\u00f3s j\u00e1 estamos sentindo isso na Dedini. N\u00e3o estamos fechando neg\u00f3cios, mas estamos fazendo or\u00e7amentos. Temos tido muitos contatos de clientes procurando atualizar os or\u00e7amentos antigos, que estavam parados devido \u00e0 crise. Os sinais s\u00e3o de que o setor acredita no an\u00fancio de medidas que v\u00e3o possibilitar a retomada do investimento e do crescimento do setor.<\/p>\n<p><strong>O segmento das ind\u00fastrias de bens de capital, do qual faz parte a Dedini, tem conseguido uma boa interlocu\u00e7\u00e3o com o governo federal no que se refere \u00e0s dificuldades enfrentadas pelo setor industrial?<\/strong><br \/>\nO governo est\u00e1 muito sens\u00edvel aos problemas que a ind\u00fastria est\u00e1 sofrendo. Muito se fala nos jornais em desindustrializa\u00e7\u00e3o, em retomar o crescimento do setor de bens de capital. O reconhecimento do problema existe, n\u00e3o s\u00f3 com o setor de bens de capital, mas de maneira geral para a \u00e1rea industrial. O que n\u00e3o me parece suficiente \u00e9 que as medidas que est\u00e3o sendo tomadas s\u00e3o pontuais, a exemplo da desonera\u00e7\u00e3o fiscal das empresas automobil\u00edsticas, dos eletrodom\u00e9sticos da linha branca e a da ind\u00fastria t\u00eaxtil. Isso \u00e9 medida de emerg\u00eancia, n\u00e3o \u00e9 uma medida estruturada, de pol\u00edtica industrial. O que eu acho que est\u00e1 faltando s\u00e3o defini\u00e7\u00f5es de m\u00e9dio e longo prazos. O governo se mostra sens\u00edvel ao atender essas emerg\u00eancias, mas isso n\u00e3o \u00e9 suficiente para proporcionar uma retomada do investimento. \u00c9 suficiente apenas para salvar o n\u00edvel de opera\u00e7\u00e3o e a ind\u00fastria de bens de capital vive de novos investimentos, ela vive do crescimento. \u00c9 diferente de uma ind\u00fastria automobil\u00edstica que vive do consumo e de uma ind\u00fastria de eletrodom\u00e9sticos, que vive de uma linha de cr\u00e9dito que facilita o fluxo de caixa.<\/p>\n<p><strong>As descobertas de petr\u00f3leo na camada pr\u00e9-sal j\u00e1 apresentam reflexos de demanda na ind\u00fastria de base?<\/strong><br \/>\nMuito pouco, ainda. N\u00f3s estamos numa fase de entender bem o que \u00e9 o pr\u00e9-sal. \u00c9 um patrim\u00f4nio enorme que o Pa\u00eds tem, uma vantagem competitiva para n\u00f3s que tem de ser aproveitada, mas as condi\u00e7\u00f5es para\u00a0 isso ainda s\u00e3o, tecnicamente, muito dif\u00edceis. Existe algum investimento, mas n\u00e3o no ritmo suficiente para promover um crescimento do setor de bens de capital. Mas ele deve ser continuado e deve ter um efeito importante, mas isso ainda vai demorar algum tempo.<\/p>\n<p><strong>Como a ind\u00fastria de base pode colaborar para aumentar a produtividade das usinas sucroenerg\u00e9ticas brasileiras?<\/strong><br \/>\nGrande parte das tecnologias que t\u00eam sido introduzidas nas usinas \u00e9 desenvolvida na ind\u00fastria de equipamentos. Tem uma parte que a pr\u00f3pria usina faz, outra parte \u00e9 dos centros de pesquisa e consultorias, mas, ao final, \u00e9 preciso por uma m\u00e1quina para fazer o que foi elaborado e obter resultado de uma forma adequada, em escala e confiabilidade.\u00a0 Por isso, a contribui\u00e7\u00e3o que a ind\u00fastria de equipamentos faz \u00e9 total. E nesse caso, na ind\u00fastria sucroenerg\u00e9tica, os equipamentos s\u00e3o 100% produzidos no Pa\u00eds. \u00c9 o \u00fanico caso no Brasil que n\u00f3s dominamos a tecnologia em todos os n\u00edveis, seja na pesquisa, no desenvolvimento, na engenharia, na fabrica\u00e7\u00e3o, na montagem e na opera\u00e7\u00e3o.<br \/>\nN\u00e3o h\u00e1 nenhum outro setor da atividade econ\u00f4mica do Brasil que n\u00f3s dominamos tudo.\u00a0 A da ind\u00fastria automobil\u00edstica vem de fora; na de celulose a tecnologia do processo est\u00e1 nos pa\u00edses escandinavos e no Canad\u00e1; em minera\u00e7\u00e3o compramos tecnologia do Jap\u00e3o e da Alemanha. O setor de cana \u00e9 o \u00fanico que \u00e9 100% brasileiro, a n\u00e3o ser por pequenos componentes eletr\u00f4nicos que s\u00e3o feitos na China. A contribui\u00e7\u00e3o que o setor tem dado \u00e9 de ter possibilitado todo esse desenvolvimento. No in\u00edcio do Pro\u00e1lcool, por exemplo, com seis moendas de 78 polegadas eram processadas 5,5 mil toneladas de cana por dia. Hoje o mesmo equipamento possibilita processar 15 mil toneladas de cana por dia e esse foi um desenvolvimento brasileiro.\u00a0 Naquela \u00e9poca, as moendas tiravam 93% do a\u00e7\u00facar. Hoje, mesmo aumentando a moagem, tira 97%. Antes faz\u00edamos 66 litros de etanol por tonelada de cana, hoje fazemos 87 litros. Tudo isso foi uma contribui\u00e7\u00e3o de muitos, mas em todos eles a ind\u00fastria de bens de capital esteve presente.<\/p>\n<p><strong>Como se d\u00e1 a sinergia da ind\u00fastria de bens de capital com as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa?<\/strong><br \/>\nN\u00f3s trabalhamos muito em contato com universidades e centros de pesquisa, principalmente na fase de concep\u00e7\u00e3o das solu\u00e7\u00f5es e na fase de engenharia processual. N\u00e3o temos participa\u00e7\u00e3o na parte do projeto do equipamento, pois a\u00ed \u00e9 qualifica\u00e7\u00e3o interna da empresa, mas temos muitos trabalhos juntos. Temos um bom entrosamento com a Unicamp, com a USP de S\u00e3o Carlos, a Esalq de Piracicaba, com o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC) e com o Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas (IPT). N\u00f3s trabalhamos muitas vezes em conjunto e, em outras, contratando um servi\u00e7o que \u00e9 intermedi\u00e1rio e faz parte do processo de desenvolvimento.<\/p>\n<p><strong>Como a preocupa\u00e7\u00e3o com a preserva\u00e7\u00e3o ambiental se insere no processo produtivo das ind\u00fastrias de bens de capital, a exemplo da Dedini?<\/strong><br \/>\nEm rela\u00e7\u00e3o ao setor sucroenerg\u00e9tico, sobre o qual eu posso falar melhor, o reconhecimento de que n\u00f3s precisamos melhorar a sustentabilidade dos processos e das usinas teve in\u00edcio no come\u00e7o da d\u00e9cada de 2000.\u00a0 N\u00f3s come\u00e7amos a estudar o assunto e a desenvolver processos de maior sustentabilidade, ou seja, que n\u00e3o contaminem o meio ambiente e possibilitem melhorias nas condi\u00e7\u00f5es agr\u00edcolas e industriais. E chegamos a enxergar a usina como um todo na \u00f3tica da sustentabilidade. Foi um enfoque diferente, inovador. Todos procuram analisar a usina \u2013 e n\u00f3s tamb\u00e9m \u2013 para ter mais a\u00e7\u00facar, mais etanol e mais energia el\u00e9trica com a mesma quantidade de cana, mas ningu\u00e9m tinha, ainda, avaliado a usina, no seu todo, procurando desenvolver solu\u00e7\u00f5es ambientalmente amig\u00e1veis. E foi isso o que n\u00f3s fizemos. N\u00f3s chegamos como solu\u00e7\u00e3o a processos que atendem ao que chamamos de conceito zero. Hoje temos na usina sustent\u00e1vel Dedini processos que n\u00e3o t\u00eam res\u00edduos,\u00a0 efluentes l\u00edquidos nem odor desagrad\u00e1vel e que n\u00e3o usa \u00e1gua, apenas recicla a \u00e1gua da cana e tem uma condi\u00e7\u00e3o m\u00e1xima de mitiga\u00e7\u00e3o de gases do efeito estufa, que promovem o aquecimento global.\u00a0 Terminamos o desenvolvimento dessa usina em 2009 e estamos aguardando um projeto greenfield para implantar tudo isso que est\u00e1 dispon\u00edvel.<\/p>\n<p><strong>Que avalia\u00e7\u00e3o o senhor faz dos investimentos em bioeletricidade no Brasil por parte do poder p\u00fablico e da iniciativa privada?<\/strong><br \/>\nAcho que tem de haver uma reorienta\u00e7\u00e3o. O programa teve resultados no come\u00e7o, com os leil\u00f5es, o que levou a um crescimento da produ\u00e7\u00e3o e do fornecimento de bioeletricidade para a rede. Mas ultimamente a forma de conduzir os leil\u00f5es n\u00e3o tem atra\u00eddo investidores. Isso tem que ser reformulado de v\u00e1rias formas, fazendo leil\u00f5es espec\u00edficos de biomassa. Hoje n\u00f3s estamos usando energia de usinas t\u00e9rmicas, que custam muito mais caro, pela falta de investimento adequado na produ\u00e7\u00e3o de energia el\u00e9trica por meio da biomassa, a exemplo do baga\u00e7o da cana-de- a\u00e7\u00facar.<\/p>\n<p><strong>Como o senhor v\u00ea o Estado de Goi\u00e1s no cen\u00e1rio nacional da produ\u00e7\u00e3o de cana-de-a\u00e7\u00facar e seus derivados?<\/strong><br \/>\n\u00c9 uma nova fronteira agr\u00edcola pujante, que est\u00e1 possibilitando um crescimento substancial do setor sucroenerg\u00e9tico. E o que \u00e9 muito bom \u00e9 que ainda h\u00e1 condi\u00e7\u00e3o de expandir muito mais. Ela disponibiliza uma \u00e1rea de expans\u00e3o de cana \u2013 que vai possibilitar a produ\u00e7\u00e3o de uma energia renov\u00e1vel \u2013 que n\u00e3o se encontra em outros pa\u00edses.<br \/>\nHoje o crescimento da \u00e1rea agr\u00edcola para a fun\u00e7\u00e3o energ\u00e9tica est\u00e1 limitada no mundo inteiro pela necessidade de uso da \u00e1rea para a produ\u00e7\u00e3o de alimentos. Esse dilema n\u00f3s n\u00e3o vivemos aqui no Brasil, onde temos um plano de zoneamento agroecol\u00f3gico que define exatamente quais s\u00e3o as \u00e1reas em que se pode expandir sem impacto ambiental e sem competir com alimento.<br \/>\nGoi\u00e1s est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o privilegiada e tenho a convic\u00e7\u00e3o que, com essa retomada de investimentos que est\u00e1 pr\u00f3xima, muitos novos investimentos v\u00e3o surgir. Acredito ser fundamental que esse est\u00edmulo para a implanta\u00e7\u00e3o de novas usinas no Estado permane\u00e7a, pois ser\u00e1 em benef\u00edcio do Estado de Goi\u00e1s e do Brasil como um todo.<\/p>\n<p><strong>Jos\u00e9 Luiz Oliv\u00e9rio, vice-presidente da Dedini<\/strong><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Canal Jornal da Bioenergia, em 05\/12\/2012 Evandro Bittencourt Engenheiro mec\u00e2nico de produ\u00e7\u00e3o formado pela Escola Polit\u00e9cnica da USP, Jos\u00e9 Luiz Oliv\u00e9rio \u00e9 vice-presidente de Tecnologia e Desenvolvimento da Dedini S\/A&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1163,1224],"tags":[],"class_list":["post-5115","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem","category-clipping-lnbr","category-1163","category-1224","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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