{"id":4223,"date":"2012-05-21T12:05:37","date_gmt":"2012-05-21T15:05:37","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/?p=4223"},"modified":"2026-03-03T10:09:28","modified_gmt":"2026-03-03T13:09:28","slug":"ciencia-a-flor-da-pele","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/ciencia-a-flor-da-pele\/","title":{"rendered":"Ci\u00eancia \u00e0 flor da pele"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Revista Pesquisa FAPESP, em Maio de 2012<\/em><\/p>\n<p>A fabricante de cosm\u00e9ticos Natura praticamente dobrou de tamanho em apenas cinco anos. Entre 2007 e 2011, a receita l\u00edquida saltou de R$ 3 bilh\u00f5es para R$ 5,5 bilh\u00f5es, os pedidos de produtos passaram de 9 milh\u00f5es para 17 milh\u00f5es ao ano e a participa\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es internacionais saiu de 4,4% e chegou a 9%. Apesar de um desempenho abaixo do esperado para 2011, encerrou o ano com um crescimento de 9% e lucro l\u00edquido recorde de R$ 830,9 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>A trajet\u00f3ria de sucesso da empresa criada em 1969 com um laborat\u00f3rio de modestas dimens\u00f5es e uma pequena loja \u00e9 fruto de uma estrat\u00e9gia que contempla uma constante busca de solu\u00e7\u00f5es inovadoras n\u00e3o s\u00f3 na concep\u00e7\u00e3o de produtos, como na gest\u00e3o dos impactos ambientais e no modelo comercial, al\u00e9m de oportunas corre\u00e7\u00f5es de rota nos momentos cr\u00edticos.<\/p>\n<p>A Natura, com sede em Cajamar, na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, segue um modelo de pesquisa e desenvolvimento que privilegia a conex\u00e3o entre especialistas de diversas \u00e1reas com s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, para que os projetos possam incorporar diferentes pontos de vista. &#8220;Uma das belezas da ci\u00eancia \u00e9 que ela tem uma linguagem relativamente estruturada que torna poss\u00edvel a conversa entre cientistas de \u00e1reas diferentes&#8221;, diz Victor Fernandes, 50 anos, diretor de ci\u00eancia, tecnologia e ideias e conceitos da Natura. A \u00e1rea que dirige tem foco de atua\u00e7\u00e3o em quatro grandes frentes de pesquisa: ci\u00eancias cl\u00e1ssicas e avan\u00e7adas de pele e cabelos, tecnologias sustent\u00e1veis, design de experi\u00eancias e bem-estar e rela\u00e7\u00f5es. &#8220;A metodologia de conhecimento Natura \u00e9 estruturada com esses quatro elementos&#8221;, ressalta. &#8220;\u00c9 um trabalho quase fractal de aprofundar e ao mesmo tempo ampliar para ter rela\u00e7\u00e3o com outros temas.&#8221;<\/p>\n<p>Engenheiro qu\u00edmico formado pela Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) h\u00e1 20 anos, Victor fez MBA no Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), em gest\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o e biotecnologia, e morou oito anos nos Estados Unidos, onde trabalhou na \u00e1rea de alimentos e gest\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o. H\u00e1 seis anos na empresa e dois na atual fun\u00e7\u00e3o, Victor diz que o mais comum nas \u00e1reas de P&amp;D das empresas \u00e9 o agrupamento entre hiperespecialistas, sem abertura para outras especialidades. &#8220;A ci\u00eancia \u00e9 relevante para a cria\u00e7\u00e3o de valor, mas a conex\u00e3o entre diversos elementos \u00e9 que traz a diferencia\u00e7\u00e3o para a Natura.&#8221;<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga Ana Paula Azambuja, coordenadora de pesquisa de ci\u00eancias cl\u00e1ssicas e avan\u00e7adas de pele e cabelo da Natura, por exemplo, se dedicou durante seus estudos a entender a biologia das c\u00e9lulas de cora\u00e7\u00f5es embrion\u00e1rios e hoje est\u00e1 \u00e0 frente de um projeto de mapeamento das caracter\u00edsticas da pele do povo brasileiro. Um caminho aparentemente sem maiores conex\u00f5es. Mas o cora\u00e7\u00e3o, estudado por Ana Paula durante seu mestrado e doutorado em biologia celular e molecular no Instituto do Cora\u00e7\u00e3o (InCor) da Faculdade de Medicina da USP, forneceu toda a base cient\u00edfica e t\u00e9cnica que hoje aplica nos estudos de pele.<\/p>\n<p>A ponte entre as duas linhas de pesquisa foi constru\u00edda pelo pesquisador Alexandre da Costa Pereira, do Laborat\u00f3rio de Gen\u00e9tica e Cardiologia Molecular do InCor, que estuda a intera\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos de vida dos brasileiros &#8211; como sedentarismo, alimenta\u00e7\u00e3o, n\u00edvel de estresse &#8211; com os fatores gen\u00e9ticos relacionados ao risco de doen\u00e7as cardiovasculares. Ao perceber que poderia contribuir para pesquisas que levam em conta n\u00e3o s\u00f3 a gen\u00e9tica, mas tamb\u00e9m os fatores ambientais e culturais na biologia da pele e cabelo, ele apresentou um projeto para a Natura.<\/p>\n<p>&#8220;Nesse projeto em parceria tentamos entender como a diversidade biol\u00f3gica, gen\u00e9tica e sociocultural do povo brasileiro pode se refletir nas caracter\u00edsticas da pele&#8221;, diz Ana Paula, de 30 anos, que h\u00e1 dois est\u00e1 na empresa. A \u00e1rea em que trabalha conta com 12 pesquisadores de forma\u00e7\u00f5es diversas, como bi\u00f3logos, biom\u00e9dicos, bioqu\u00edmicos, qu\u00edmicos e um f\u00edsico. &#8220;\u00c9 uma equipe extremamente heterog\u00eanea, o que torna mais criativo o nosso processo de inova\u00e7\u00e3o em pesquisa&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Na Natura, a \u00e1rea de pesquisa e desenvolvimento est\u00e1 abrigada na vice-presid\u00eancia de inova\u00e7\u00e3o, estruturada em quatro diretorias: ci\u00eancia, tecnologia, ideias e conceitos; desenvolvimento de produtos; gest\u00e3o e redes de inova\u00e7\u00e3o; e seguran\u00e7a do consumidor. S\u00e3o 300 pesquisadores internos, que trazem na bagagem forma\u00e7\u00f5es e especializa\u00e7\u00f5es diversas. &#8220;Temos pesquisadores formados em pelo menos oito \u00e1reas, que englobam biol\u00f3gicas e sa\u00fade, ci\u00eancias exatas, qu\u00edmica, agronomia, engenharias, administra\u00e7\u00e3o, ci\u00eancias sociais aplicadas e humanas, com 170 especialidades diferentes&#8221;, diz o bi\u00f3logo Gilson Manfio, respons\u00e1vel pela comunica\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de inova\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o do conhecimento na vice-presid\u00eancia de inova\u00e7\u00e3o, com base no mapeamento das compet\u00eancias ligadas \u00e0 ci\u00eancia e tecnologia na empresa. Anualmente, a Natura investe cerca de 3% de sua receita l\u00edquida em pesquisa e desenvolvimento. Em 2011 foram destinados R$ 146,6 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Mesmo com uma equipe t\u00e3o diversa, a Natura n\u00e3o conseguiria dar conta de desenvolver sozinha centenas de novos produtos a cada ano. Apenas no ano passado, 164 novos itens foram colocados no mercado pela empresa. Para encurtar os ciclos de pesquisa e inova\u00e7\u00e3o, a Natura, a exemplo de empresas de ramos diversos, aderiu ao conceito batizado de inova\u00e7\u00e3o aberta, cunhado por Henry Chesbrough, professor e diretor executivo do Centro de Inova\u00e7\u00e3o Aberta da Universidade de Berkeley, no livro Open innovation: the new imperative for creating and profiting from technology, lan\u00e7ado em 2003.<\/p>\n<p>&#8220;Inova\u00e7\u00e3o aberta \u00e9 uma tend\u00eancia em que as empresas buscam fora dos seus limites empresariais novas oportunidades, tanto em institui\u00e7\u00f5es e universidades como em pequenas empresas de base tecnol\u00f3gica e tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o aos consumidores, aos mercados e aos clientes&#8221;, diz Jo\u00e3o Furtado, membro da Coordena\u00e7\u00e3o Adjunta de Pesquisa para Inova\u00e7\u00e3o da Fapesp e professor da Escola Polit\u00e9cnica da USP. &#8220;Ao mesmo tempo que buscam oportunidades fora, elas tamb\u00e9m podem, em alguns casos, transferir para outras empresas oportunidades que nasceram dentro delas e n\u00e3o querem explorar.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Parceiros externos<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Uma das ferramentas para a execu\u00e7\u00e3o do modelo de inova\u00e7\u00e3o aberta \u00e9 o programa Natura Campus, uma plataforma que existe h\u00e1 sete anos para aumentar a conex\u00e3o com a gera\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Adriano Jorge, 29 anos, gerente de redes e parcerias para inova\u00e7\u00e3o. A primeira vers\u00e3o do programa em 2003 foi uma parceria com a Fapesp para pesquisas sobre biodiversidade financiadas pelo Programa Parceria para Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (Pite). &#8220;Lan\u00e7ado em 2006, o Natura Campus \u00e9 o espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o das redes de inova\u00e7\u00e3o da empresa com a comunidade cient\u00edfica&#8221;, diz Adriano, farmac\u00eautico formado pela USP com MBA em gerenciamento de projetos pela Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV). H\u00e1 12 anos na empresa, onde come\u00e7ou como estagi\u00e1rio na \u00e1rea de desenvolvimento de produtos, Adriano passou pelo programa de trainees, pela \u00e1rea de ci\u00eancia e tecnologia e h\u00e1 tr\u00eas anos est\u00e1 no setor de redes e parcerias para inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os parceiros externos est\u00e3o a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e as universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Estadual Paulista (Unesp), Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares (Ipen), Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas (IPT), Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), Centro Nacional da Pesquisa Cient\u00edfica (CNRS) e Universidade de Lyon 1, ambos da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Colabora\u00e7\u00f5es com pequenas empresas de base tecnol\u00f3gica e a capta\u00e7\u00e3o de recursos de financiadoras de pesquisa tamb\u00e9m fazem parte do modelo de parcerias em rede da Natura. Mais de 65% do portf\u00f3lio de projetos de tecnologia da empresa \u00e9 feito com parceiros externos.<\/p>\n<p>&#8220;Temos tamb\u00e9m v\u00e1rias empresas parceiras que desenvolvem materiais e solu\u00e7\u00f5es para embalagens, \u00f3leos essenciais e at\u00e9 novos ingredientes para os nossos produtos&#8221;, diz Luciana Hashiba, 45 anos, gerente de gest\u00e3o e redes de inova\u00e7\u00e3o. Hoje a Natura conta com mais de 100 empresas que atuam como parceiras em diversos projetos. Formada em engenharia de alimentos pela Unicamp e com doutorado em administra\u00e7\u00e3o pela FGV, Luciana est\u00e1 h\u00e1 sete anos na empresa. Come\u00e7ou pela \u00e1rea de tecnologia de embalagens, liderou o time de projetos de novos produtos em marketing e h\u00e1 quatro anos est\u00e1 \u00e0 frente da \u00e1rea de gest\u00e3o e redes de inova\u00e7\u00e3o. Em julho do ano passado, a Natura foi listada pela revista norte-americana Forbes como uma das 50 companhias mais inovadoras do mundo. \u00danica empresa brasileira a figurar na lista, ficou com o oitavo lugar, bem pr\u00f3xima de posi\u00e7\u00f5es conquistadas pela Apple (5\u00ba lugar) e Google (6\u00ba).<\/p>\n<p>Al\u00e9m das instala\u00e7\u00f5es de Cajamar, que comp\u00f5em um centro integrado de pesquisa, produ\u00e7\u00e3o e log\u00edstica com 80 mil metros quadrados, a empresa tem ainda um laborat\u00f3rio de pesquisa em Bel\u00e9m, no Par\u00e1, um laborat\u00f3rio em Paris, na Fran\u00e7a, e uma parceria com o Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias (LNBio), em Campinas (SP). S\u00f3 nas depend\u00eancias de Cajamar circulam diariamente cerca de 4 mil funcion\u00e1rios. Dos 300 pesquisadores da empresa, metade tem mestrado ou doutorado.<\/p>\n<p>Os aportes para as escolhas das linhas de pesquisa se d\u00e3o pela demanda tanto interna como externa. &#8220;O macro, por exemplo, \u00e9 gerenciado pela diretoria da nossa \u00e1rea, que aponta os temas relevantes a serem trabalhados&#8221;, diz a bi\u00f3loga Ines Francke, de 28 anos, gerente cient\u00edfica de tecnologias sustent\u00e1veis. Um dos programas em que Ines trabalha \u00e9 o de indicadores socioambientais, que engloba a quest\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono e a pegada h\u00eddrica.<\/p>\n<p>&#8220;A nossa equipe \u00e9 respons\u00e1vel por criar ferramentas de gest\u00e3o e quantifica\u00e7\u00e3o dos impactos socioambientais.&#8221; No caso das emiss\u00f5es de carbono, o tema surgiu na esteira das preocupa\u00e7\u00f5es com o aquecimento global. &#8220;Criamos uma metodologia de invent\u00e1rio de gases de efeito estufa com a vis\u00e3o de ciclo de vida dos produtos, que come\u00e7a na extra\u00e7\u00e3o dos ativos da biodiversidade e vai at\u00e9 o descarte do produto&#8221;, afirma Ines.<\/p>\n<p><strong>Pegada h\u00eddrica<\/strong><\/p>\n<p>O invent\u00e1rio de consumo de \u00e1gua ainda est\u00e1 em fase de valida\u00e7\u00e3o. &#8220;Olhamos as metodologias que estavam no mercado e escolhemos a mais completa delas, chamada de pegada h\u00eddrica &#8211; ou water foot-print -, um indicador bastante complexo&#8221;, diz Ines. &#8220;Aprendemos a metodologia com o grupo da University Twente, na Holanda, que criou o conceito.&#8221; Antes de estabelecer um processo de medi\u00e7\u00e3o para a pegada h\u00eddrica da empresa, os pesquisadores fizeram um projeto-piloto com o ciclo de vida de dois produtos, um \u00f3leo corporal e um perfume.<\/p>\n<p>A grande dificuldade para estabelecer os indicadores \u00e9 a quantidade de mat\u00e9rias-primas utilizadas nos produtos. &#8220;Para algumas delas conseguimos dados reais com nossos fornecedores, para outras tivemos que recorrer a bancos de dados da Europa&#8221;, diz Ines. No caso da pegada h\u00eddrica, a Natura fez parceria com uma consultoria su\u00ed\u00e7a junto com empresas como LOreal e Kraft, para financiamento de um banco de dados regionalizado. Para chegar ao invent\u00e1rio de carbono, a empresa baseou-se nas diretrizes do instituto Greenhouse Gas Protocol (GHG Protocol), da Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de tecnologias sustent\u00e1veis tem 12 colaboradores, que trabalham em quatro programas de pesquisa &#8212; indicadores socioambientais, biomim\u00e9tica, ecodesign e bioagricultura. Ines trabalha tamb\u00e9m com biomim\u00e9tica, um programa iniciado no ano passado por indica\u00e7\u00e3o de pesquisadores e gerentes cient\u00edficos que mapeiam tend\u00eancias tecnol\u00f3gicas. &#8220;Buscamos inspira\u00e7\u00e3o na natureza para criar solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 para produtos, mas tamb\u00e9m para processos&#8221;, diz a bi\u00f3loga formada pela Unicamp.<\/p>\n<p>Desde que entrou na Natura em 2007 como trainee na \u00e1rea de seguran\u00e7a do consumidor, ela j\u00e1 trabalhou em diversas \u00e1reas, fez p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em administra\u00e7\u00e3o e atualmente faz uma especializa\u00e7\u00e3o em biomim\u00e9tica no instituto Biomimicry 3.8, nos Estados Unidos. A institui\u00e7\u00e3o criada por Janine Benyus, inventora do conceito de biomim\u00e9tica, \u00e9 parceira da empresa nessa linha de pesquisa.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o da Natura com a comunidade cient\u00edfica passou por uma estrutura\u00e7\u00e3o h\u00e1 um ano e meio. &#8220;Queremos cada vez mais colocar todo o conhecimento gerado aqui dentro para fora&#8221;, diz Manfio, bi\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o com especializa\u00e7\u00e3o em microbiologia e h\u00e1 sete anos na empresa. Um dos exemplos \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de artigos cient\u00edficos publicados pelos pesquisadores, ap\u00f3s garantir a propriedade intelectual com o dep\u00f3sito de patente. &#8220;Ao longo da vida da Natura foram publicados 40 artigos. No \u00faltimo ano foram seis publica\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<div id=\"idDinamico\" class=\"bodyInterna\" style=\"font-size: 100%;\">\n<div class=\"linhaSecundariaInterna\">\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Revista Pesquisa FAPESP, em Maio de 2012<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A fabricante de cosm\u00e9ticos <a title=\"Natura\">Natura<\/a> praticamente dobrou de tamanho em apenas cinco anos. Entre 2007 e 2011, a receita l\u00edquida saltou de R$ 3 bilh\u00f5es para R$ 5,5 bilh\u00f5es, os pedidos de produtos passaram de 9 milh\u00f5es para 17 milh\u00f5es ao ano e a participa\u00e7\u00e3o das opera\u00e7\u00f5es internacionais saiu de 4,4% e chegou a 9%. Apesar de um desempenho abaixo do esperado para 2011, encerrou o ano com um crescimento de 9% e lucro l\u00edquido recorde de R$ 830,9 milh\u00f5es.<br \/>\n<\/strong><br \/>\nA trajet\u00f3ria de sucesso da empresa criada em 1969 com um laborat\u00f3rio de modestas dimens\u00f5es e uma pequena loja \u00e9 fruto de uma estrat\u00e9gia que contempla uma constante busca de solu\u00e7\u00f5es inovadoras n\u00e3o s\u00f3 na concep\u00e7\u00e3o de produtos, como na gest\u00e3o dos impactos ambientais e no modelo comercial, al\u00e9m de oportunas corre\u00e7\u00f5es de rota nos momentos cr\u00edticos.<\/p>\n<p>A <a title=\"Natura\">Natura<\/a>, com sede em Cajamar, na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo, segue um modelo de pesquisa e desenvolvimento que privilegia a conex\u00e3o entre especialistas de diversas \u00e1reas com s\u00f3lida forma\u00e7\u00e3o acad\u00eamica, para que os projetos possam incorporar diferentes pontos de vista. &#8220;Uma das belezas da ci\u00eancia \u00e9 que ela tem uma linguagem relativamente estruturada que torna poss\u00edvel a conversa entre cientistas de \u00e1reas diferentes&#8221;, diz Victor Fernandes, 50 anos, diretor de ci\u00eancia, tecnologia e ideias e conceitos da <a title=\"Natura\">Natura<\/a>. A \u00e1rea que dirige tem foco de atua\u00e7\u00e3o em quatro grandes frentes de pesquisa: ci\u00eancias cl\u00e1ssicas e avan\u00e7adas de pele e cabelos, tecnologias sustent\u00e1veis, design de experi\u00eancias e bem-estar e rela\u00e7\u00f5es. &#8220;A metodologia de conhecimento <a title=\"Natura\">Natura<\/a> \u00e9 estruturada com esses quatro elementos&#8221;, ressalta. &#8220;\u00c9 um trabalho quase fractal de aprofundar e ao mesmo tempo ampliar para ter rela\u00e7\u00e3o com outros temas.&#8221;<\/p>\n<p>Engenheiro qu\u00edmico formado pela <a title=\"Universidade de S\u00e3o Paulo\">Universidade de S\u00e3o Paulo<\/a> (USP) h\u00e1 20 anos, Victor fez MBA no <a title=\"Instituto de Tecnologia de Massachusetts\">Instituto de Tecnologia de Massachusetts<\/a> (MIT), em gest\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o e biotecnologia, e morou oito anos nos Estados Unidos, onde trabalhou na \u00e1rea de alimentos e gest\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o. H\u00e1 seis anos na empresa e dois na atual fun\u00e7\u00e3o, Victor diz que o mais comum nas \u00e1reas de P&amp;D das empresas \u00e9 o agrupamento entre hiperespecialistas, sem abertura para outras especialidades. &#8220;A ci\u00eancia \u00e9 relevante para a cria\u00e7\u00e3o de valor, mas a conex\u00e3o entre diversos elementos \u00e9 que traz a diferencia\u00e7\u00e3o para a <a title=\"Natura\">Natura<\/a>.&#8221;<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga Ana Paula Azambuja, coordenadora de pesquisa de ci\u00eancias cl\u00e1ssicas e avan\u00e7adas de pele e cabelo da <a title=\"Natura\">Natura<\/a>, por exemplo, se dedicou durante seus estudos a entender a biologia das c\u00e9lulas de cora\u00e7\u00f5es embrion\u00e1rios e hoje est\u00e1 \u00e0 frente de um projeto de mapeamento das caracter\u00edsticas da pele do povo brasileiro. Um caminho aparentemente sem maiores conex\u00f5es. Mas o cora\u00e7\u00e3o, estudado por Ana Paula durante seu mestrado e doutorado em biologia celular e molecular no <a title=\"Instituto do Cora\u00e7\u00e3o\">Instituto do Cora\u00e7\u00e3o<\/a> (InCor) da <a title=\"Faculdade de Medicina\">Faculdade de Medicina<\/a> da <a title=\"USP\">USP<\/a>, forneceu toda a base cient\u00edfica e t\u00e9cnica que hoje aplica nos estudos de pele.<\/p>\n<p>A ponte entre as duas linhas de pesquisa foi constru\u00edda pelo pesquisador Alexandre da Costa Pereira, do Laborat\u00f3rio de Gen\u00e9tica e Cardiologia Molecular do InCor, que estuda a intera\u00e7\u00e3o dos h\u00e1bitos de vida dos brasileiros &#8211; como sedentarismo, alimenta\u00e7\u00e3o, n\u00edvel de estresse &#8211; com os fatores gen\u00e9ticos relacionados ao risco de doen\u00e7as cardiovasculares. Ao perceber que poderia contribuir para pesquisas que levam em conta n\u00e3o s\u00f3 a gen\u00e9tica, mas tamb\u00e9m os fatores ambientais e culturais na biologia da pele e cabelo, ele apresentou um projeto para a <a title=\"Natura\">Natura<\/a>.<\/p>\n<p>&#8220;Nesse projeto em parceria tentamos entender como a diversidade biol\u00f3gica, gen\u00e9tica e sociocultural do povo brasileiro pode se refletir nas caracter\u00edsticas da pele&#8221;, diz Ana Paula, de 30 anos, que h\u00e1 dois est\u00e1 na empresa. A \u00e1rea em que trabalha conta com 12 pesquisadores de forma\u00e7\u00f5es diversas, como bi\u00f3logos, biom\u00e9dicos, bioqu\u00edmicos, qu\u00edmicos e um f\u00edsico. &#8220;\u00c9 uma equipe extremamente heterog\u00eanea, o que torna mais criativo o nosso processo de inova\u00e7\u00e3o em pesquisa&#8221;, afirma.<\/p>\n<p>Na <a title=\"Natura\">Natura<\/a>, a \u00e1rea de pesquisa e desenvolvimento est\u00e1 abrigada na vice-presid\u00eancia de inova\u00e7\u00e3o, estruturada em quatro diretorias: ci\u00eancia, tecnologia, ideias e conceitos; desenvolvimento de produtos; gest\u00e3o e redes de inova\u00e7\u00e3o; e seguran\u00e7a do consumidor. S\u00e3o 300 pesquisadores internos, que trazem na bagagem forma\u00e7\u00f5es e especializa\u00e7\u00f5es diversas. &#8220;Temos pesquisadores formados em pelo menos oito \u00e1reas, que englobam biol\u00f3gicas e sa\u00fade, ci\u00eancias exatas, qu\u00edmica, agronomia, engenharias, administra\u00e7\u00e3o, ci\u00eancias sociais aplicadas e humanas, com 170 especialidades diferentes&#8221;, diz o bi\u00f3logo Gilson Manfio, respons\u00e1vel pela comunica\u00e7\u00e3o da \u00e1rea de inova\u00e7\u00e3o e gest\u00e3o do conhecimento na vice-presid\u00eancia de inova\u00e7\u00e3o, com base no mapeamento das compet\u00eancias ligadas \u00e0 ci\u00eancia e tecnologia na empresa. Anualmente, a <a title=\"Natura\">Natura<\/a> investe cerca de 3% de sua receita l\u00edquida em pesquisa e desenvolvimento. Em 2011 foram destinados R$ 146,6 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Mesmo com uma equipe t\u00e3o diversa, a <a title=\"Natura\">Natura<\/a> n\u00e3o conseguiria dar conta de desenvolver sozinha centenas de novos produtos a cada ano. Apenas no ano passado, 164 novos itens foram colocados no mercado pela empresa. Para encurtar os ciclos de pesquisa e inova\u00e7\u00e3o, a <a title=\"Natura\">Natura<\/a>, a exemplo de empresas de ramos diversos, aderiu ao conceito batizado de inova\u00e7\u00e3o aberta, cunhado por Henry Chesbrough, professor e diretor executivo do Centro de Inova\u00e7\u00e3o Aberta da <a title=\"Universidade de Berkeley\">Universidade de Berkeley<\/a>, no livro <a title=\"Open innovation: the new imperative for creating and profiting from technology\">Open innovation: the new imperative for creating and profiting from technology<\/a>, lan\u00e7ado em 2003.<\/p>\n<p>&#8220;Inova\u00e7\u00e3o aberta \u00e9 uma tend\u00eancia em que as empresas buscam fora dos seus limites empresariais novas oportunidades, tanto em institui\u00e7\u00f5es e universidades como em pequenas empresas de base tecnol\u00f3gica e tamb\u00e9m em rela\u00e7\u00e3o aos consumidores, aos mercados e aos clientes&#8221;, diz Jo\u00e3o Furtado, membro da Coordena\u00e7\u00e3o Adjunta de Pesquisa para Inova\u00e7\u00e3o da <a title=\"Fapesp\">Fapesp<\/a> e professor da <a title=\"Escola Polit\u00e9cnica\">Escola Polit\u00e9cnica<\/a> da <a title=\"USP\">USP<\/a>. &#8220;Ao mesmo tempo que buscam oportunidades fora, elas tamb\u00e9m podem, em alguns casos, transferir para outras empresas oportunidades que nasceram dentro delas e n\u00e3o querem explorar.&#8221;<\/p>\n<p><strong>Parceiros externos<\/strong><\/p>\n<p>&#8220;Uma das ferramentas para a execu\u00e7\u00e3o do modelo de inova\u00e7\u00e3o aberta \u00e9 o programa <a title=\"Natura Campus\">Natura Campus<\/a>, uma plataforma que existe h\u00e1 sete anos para aumentar a conex\u00e3o com a gera\u00e7\u00e3o de inova\u00e7\u00e3o&#8221;, explica Adriano Jorge, 29 anos, gerente de redes e parcerias para inova\u00e7\u00e3o. A primeira vers\u00e3o do programa em 2003 foi uma parceria com a <a title=\"Fapesp\">Fapesp<\/a> para pesquisas sobre biodiversidade financiadas pelo <a title=\"Programa Parceria para Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica\">Programa Parceria para Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica<\/a> (Pite). &#8220;Lan\u00e7ado em 2006, o <a title=\"Natura Campus\">Natura Campus<\/a> \u00e9 o espa\u00e7o de constru\u00e7\u00e3o das redes de inova\u00e7\u00e3o da empresa com a comunidade cient\u00edfica&#8221;, diz Adriano, farmac\u00eautico formado pela <a title=\"USP\">USP<\/a> com MBA em gerenciamento de projetos pela <a title=\"Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas\">Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas<\/a> (FGV). H\u00e1 12 anos na empresa, onde come\u00e7ou como estagi\u00e1rio na \u00e1rea de desenvolvimento de produtos, Adriano passou pelo programa de trainees, pela \u00e1rea de ci\u00eancia e tecnologia e h\u00e1 tr\u00eas anos est\u00e1 no setor de redes e parcerias para inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Entre os parceiros externos est\u00e3o a <a title=\"Universidade de S\u00e3o Paulo\">Universidade de S\u00e3o Paulo<\/a> (USP) e as universidades Estadual de Campinas (Unicamp), Estadual Paulista (Unesp), Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), <a title=\"Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares\">Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares<\/a> (Ipen), <a title=\"Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas\">Instituto de Pesquisas Tecnol\u00f3gicas<\/a> (IPT), <a title=\"Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria\">Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria<\/a> (Embrapa), <a title=\"Instituto de Tecnologia de Massachusetts\">Instituto de Tecnologia de Massachusetts<\/a> (MIT), <a title=\"Centro Nacional da Pesquisa Cient\u00edfica\">Centro Nacional da Pesquisa Cient\u00edfica<\/a> (CNRS) e <a title=\"Universidade de Lyon 1\">Universidade de Lyon 1<\/a>, ambos da Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Colabora\u00e7\u00f5es com pequenas empresas de base tecnol\u00f3gica e a capta\u00e7\u00e3o de recursos de financiadoras de pesquisa tamb\u00e9m fazem parte do modelo de parcerias em rede da <a title=\"Natura\">Natura<\/a>. Mais de 65% do portf\u00f3lio de projetos de tecnologia da empresa \u00e9 feito com parceiros externos.<\/p>\n<p>&#8220;Temos tamb\u00e9m v\u00e1rias empresas parceiras que desenvolvem materiais e solu\u00e7\u00f5es para embalagens, \u00f3leos essenciais e at\u00e9 novos ingredientes para os nossos produtos&#8221;, diz Luciana Hashiba, 45 anos, gerente de gest\u00e3o e redes de inova\u00e7\u00e3o. Hoje a <a title=\"Natura\">Natura<\/a> conta com mais de 100 empresas que atuam como parceiras em diversos projetos. Formada em engenharia de alimentos pela <a title=\"Unicamp\">Unicamp<\/a> e com doutorado em administra\u00e7\u00e3o pela FGV, Luciana est\u00e1 h\u00e1 sete anos na empresa. Come\u00e7ou pela \u00e1rea de tecnologia de embalagens, liderou o time de projetos de novos produtos em marketing e h\u00e1 quatro anos est\u00e1 \u00e0 frente da \u00e1rea de gest\u00e3o e redes de inova\u00e7\u00e3o. Em julho do ano passado, a <a title=\"Natura\">Natura<\/a> foi listada pela revista norte-americana <a title=\"Forbes\">Forbes<\/a> como uma das 50 companhias mais inovadoras do mundo. \u00danica empresa brasileira a figurar na lista, ficou com o oitavo lugar, bem pr\u00f3xima de posi\u00e7\u00f5es conquistadas pela <a title=\"Apple\">Apple<\/a> (5\u00ba lugar) e <a title=\"Google\">Google<\/a> (6\u00ba).<\/p>\n<p>Al\u00e9m das instala\u00e7\u00f5es de Cajamar, que comp\u00f5em um centro integrado de pesquisa, produ\u00e7\u00e3o e log\u00edstica com 80 mil metros quadrados, a empresa tem ainda um laborat\u00f3rio de pesquisa em Bel\u00e9m, no Par\u00e1, um laborat\u00f3rio em Paris, na Fran\u00e7a, e uma parceria com o <a title=\"Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias\">Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias<\/a> (LNBio), em Campinas (SP). S\u00f3 nas depend\u00eancias de Cajamar circulam diariamente cerca de 4 mil funcion\u00e1rios. Dos 300 pesquisadores da empresa, metade tem mestrado ou doutorado.<\/p>\n<p>Os aportes para as escolhas das linhas de pesquisa se d\u00e3o pela demanda tanto interna como externa. &#8220;O macro, por exemplo, \u00e9 gerenciado pela diretoria da nossa \u00e1rea, que aponta os temas relevantes a serem trabalhados&#8221;, diz a bi\u00f3loga Ines Francke, de 28 anos, gerente cient\u00edfica de tecnologias sustent\u00e1veis. Um dos programas em que Ines trabalha \u00e9 o de indicadores socioambientais, que engloba a quest\u00e3o das emiss\u00f5es de carbono e a pegada h\u00eddrica.<\/p>\n<p>&#8220;A nossa equipe \u00e9 respons\u00e1vel por criar ferramentas de gest\u00e3o e quantifica\u00e7\u00e3o dos impactos socioambientais.&#8221; No caso das emiss\u00f5es de carbono, o tema surgiu na esteira das preocupa\u00e7\u00f5es com o aquecimento global. &#8220;Criamos uma metodologia de invent\u00e1rio de gases de efeito estufa com a vis\u00e3o de ciclo de vida dos produtos, que come\u00e7a na extra\u00e7\u00e3o dos ativos da biodiversidade e vai at\u00e9 o descarte do produto&#8221;, afirma Ines.<\/p>\n<p><strong>Pegada h\u00eddrica<\/strong><\/p>\n<p>O invent\u00e1rio de consumo de \u00e1gua ainda est\u00e1 em fase de valida\u00e7\u00e3o. &#8220;Olhamos as metodologias que estavam no mercado e escolhemos a mais completa delas, chamada de pegada h\u00eddrica &#8211; ou water foot-print -, um indicador bastante complexo&#8221;, diz Ines. &#8220;Aprendemos a metodologia com o grupo da University Twente, na Holanda, que criou o conceito.&#8221; Antes de estabelecer um processo de medi\u00e7\u00e3o para a pegada h\u00eddrica da empresa, os pesquisadores fizeram um projeto-piloto com o ciclo de vida de dois produtos, um \u00f3leo corporal e um perfume.<\/p>\n<p>A grande dificuldade para estabelecer os indicadores \u00e9 a quantidade de mat\u00e9rias-primas utilizadas nos produtos. &#8220;Para algumas delas conseguimos dados reais com nossos fornecedores, para outras tivemos que recorrer a bancos de dados da Europa&#8221;, diz Ines. No caso da pegada h\u00eddrica, a <a title=\"Natura\">Natura<\/a> fez parceria com uma consultoria su\u00ed\u00e7a junto com empresas como LOreal e Kraft, para financiamento de um banco de dados regionalizado. Para chegar ao invent\u00e1rio de carbono, a empresa baseou-se nas diretrizes do instituto <a title=\"Greenhouse Gas Protocol\">Greenhouse Gas Protocol<\/a> (GHG Protocol), da Su\u00ed\u00e7a.<\/p>\n<p>A \u00e1rea de tecnologias sustent\u00e1veis tem 12 colaboradores, que trabalham em quatro programas de pesquisa &#8212; indicadores socioambientais, biomim\u00e9tica, ecodesign e bioagricultura. Ines trabalha tamb\u00e9m com biomim\u00e9tica, um programa iniciado no ano passado por indica\u00e7\u00e3o de pesquisadores e gerentes cient\u00edficos que mapeiam tend\u00eancias tecnol\u00f3gicas. &#8220;Buscamos inspira\u00e7\u00e3o na natureza para criar solu\u00e7\u00f5es n\u00e3o s\u00f3 para produtos, mas tamb\u00e9m para processos&#8221;, diz a bi\u00f3loga formada pela <a title=\"Unicamp\">Unicamp<\/a>.<\/p>\n<p>Desde que entrou na <a title=\"Natura\">Natura<\/a> em 2007 como trainee na \u00e1rea de seguran\u00e7a do consumidor, ela j\u00e1 trabalhou em diversas \u00e1reas, fez p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o em administra\u00e7\u00e3o e atualmente faz uma especializa\u00e7\u00e3o em biomim\u00e9tica no instituto <a title=\"Biomimicry 3.8\">Biomimicry 3.8<\/a>, nos Estados Unidos. A institui\u00e7\u00e3o criada por Janine Benyus, inventora do conceito de biomim\u00e9tica, \u00e9 parceira da empresa nessa linha de pesquisa.<\/p>\n<p>A estrat\u00e9gia de comunica\u00e7\u00e3o da <a title=\"Natura\">Natura<\/a> com a comunidade cient\u00edfica passou por uma estrutura\u00e7\u00e3o h\u00e1 um ano e meio. &#8220;Queremos cada vez mais colocar todo o conhecimento gerado aqui dentro para fora&#8221;, diz Manfio, bi\u00f3logo de forma\u00e7\u00e3o com especializa\u00e7\u00e3o em microbiologia e h\u00e1 sete anos na empresa. Um dos exemplos \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o do n\u00famero de artigos cient\u00edficos publicados pelos pesquisadores, ap\u00f3s garantir a propriedade intelectual com o dep\u00f3sito de patente. &#8220;Ao longo da vida da <a title=\"Natura\">Natura<\/a> foram publicados 40 artigos. No \u00faltimo ano foram seis publica\u00e7\u00f5es.&#8221;<\/p>\n<\/div>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista Pesquisa FAPESP, em Maio de 2012 A fabricante de cosm\u00e9ticos Natura praticamente dobrou de tamanho em apenas cinco anos. 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