{"id":4206,"date":"2012-05-11T11:26:01","date_gmt":"2012-05-11T14:26:01","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/?p=4206"},"modified":"2026-03-03T10:09:29","modified_gmt":"2026-03-03T13:09:29","slug":"a-multidisciplinaridade-como-resolucao-para-novos-problemas-cientificos","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/a-multidisciplinaridade-como-resolucao-para-novos-problemas-cientificos\/","title":{"rendered":"A multidisciplinaridade como resolu\u00e7\u00e3o para novos problemas cient\u00edficos"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><em>Com Ci\u00eancia, em 10\/05\/2012<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Por Monique Lopes<\/strong><br \/>\n<strong>10\/05\/2012<\/strong><\/p>\n<p>Um dos mais antigos e conhecidos centros de pesquisa do mundo, o Massachussetts Institute of Technology (MIT), \u00e9 tamb\u00e9m um dos maiores exemplos quando se fala em multicentro. Fundado em 1861, hoje o MIT abriga laborat\u00f3rios nas \u00e1reas de energia, nanotecnologia, ci\u00eancia nuclear, biomedicina, ci\u00eancia da informa\u00e7\u00e3o, ci\u00eancias humanas, entre outros. Apesar disso, potenciais multicentros brasileiros apontam como refer\u00eancia o modelo europeu de pesquisa, da constitui\u00e7\u00e3o de centros ancorados em universidades, embora tenham um jeito pr\u00f3prio de existir. Em todas as institui\u00e7\u00f5es, no entanto, permanece uma quest\u00e3o que \u00e9 consensual: a multidisciplinaridade \u00e9 chave na busca por resolu\u00e7\u00e3o de problemas.<\/p>\n<p>Carlos Arag\u00e3o, diretor do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), ressalta que no Brasil h\u00e1 uma caracter\u00edstica pr\u00f3pria de reunir bioci\u00eancias e nanotecnologia com bioetanol e, no seu caso, com s\u00edncrotron. \u201cExatamente como o CNPEM n\u00e3o h\u00e1\u201d, compara em rela\u00e7\u00e3o ao s\u00edncrotron su\u00ed\u00e7o \u2013 Swiss Light Source (SLS) \u2013 e o European Synchrotron Radiation Facility (ESRF), em Grenoble, na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Nascido do Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), por sua vez inaugurado em 1997, o centro que ocupa parte do campus da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) s\u00f3 passou a ser conhecido como CNPEM em 2010, momento em que j\u00e1 haviam sido criados outros dois laborat\u00f3rios nacionais: o de Bioci\u00eancias (LNBio) e o de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol (CTBE). A estes se juntou, no ano passado, o Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia (LNNano). A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Tecnologia de Luz S\u00edncotron (ABTLuS), respons\u00e1vel por gerir o CNPEM, est\u00e1 atualmente em processo para assumir o nome do centro como nome tamb\u00e9m da pr\u00f3pria organiza\u00e7\u00e3o social.<\/p>\n<p>Nem todos os projetos de pesquisa realizados no CNPEM se utilizam da intera\u00e7\u00e3o entre os laborat\u00f3rios, como esclarece Arag\u00e3o, mas ter a possibilidade de tratar um mesmo problema \u00e0 luz de diversas especialidades \u00e9, na opini\u00e3o do diretor, a grande vantagem de um centro de pesquisas multidisciplinar. \u201cH\u00e1 problemas em que voc\u00ea precisa de f\u00edsicos, qu\u00edmicos, matem\u00e1ticos, de gente da \u00e1rea de engenharia&#8230; Na minha vis\u00e3o \u00e9 um grande ganho ter, em um mesmo campus, compet\u00eancias que s\u00e3o complementares e que permitem que se estude determinada quest\u00e3o com pessoas de forma\u00e7\u00f5es diversas e equipamentos tamb\u00e9m complementares, o que amplia muito as possibilidades de solu\u00e7\u00e3o do problema\u201d, afirma.<\/p>\n<p>A constitui\u00e7\u00e3o de multicentros \u00e9 uma tend\u00eancia internacionalmente difundida. A raz\u00e3o b\u00e1sica para este fen\u00f4meno \u00e9 a demanda crescente por diferentes compet\u00eancias para lidar com problemas cujo grau de complexidade transcende uma determinada \u00e1rea espec\u00edfica. \u201c\u00c9 uma tend\u00eancia da ci\u00eancia e tecnologia modernas que tem se consolidado e essa intera\u00e7\u00e3o vai ocorrer cada vez mais\u201d, defende Arag\u00e3o.<\/p>\n<p>Embora a multidisciplinaridade seja uma caracter\u00edstica comum do ambiente das universidades, em geral, nem sempre h\u00e1 a intera\u00e7\u00e3o entre \u00e1reas de conhecimento nas pesquisas realizadas nesse ambiente. O diferencial de um centro formado com o objetivo da multidisciplinaridade \u00e9 a j\u00e1 pressuposta integra\u00e7\u00e3o de capacidades, que resulta numa natural troca de informa\u00e7\u00f5es entre os laborat\u00f3rios e na utiliza\u00e7\u00e3o de uma linha de pesquisa \u2013 inicialmente desenvolvida em bioci\u00eancias, por exemplo \u2013 para diversas finalidades \u2013 podendo ser aproveitada, como cita o diretor do CNPEM, para nanotecnologia.<\/p>\n<p>Outra caracter\u00edstica marcante dos multicentros \u00e9 que eles n\u00e3o s\u00e3o centros de pesquisa fechados em si pr\u00f3prios, ou seja, s\u00e3o geralmente abertos a usu\u00e1rios externos, tanto acad\u00eamicos quanto do meio empresarial, em coopera\u00e7\u00f5es com empresas que tenham interesse na \u00e1rea de inova\u00e7\u00e3o, que parece ser uma tend\u00eancia na nova concep\u00e7\u00e3o de institui\u00e7\u00f5es de pesquisa.<\/p>\n<p>Tal pressuposi\u00e7\u00e3o do trabalho em conjunto implica, no entanto, em que todos os grupos envolvidos atuem com velocidade similar na busca de recursos, de parcerias e de gerar conhecimento, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o, o que, na opini\u00e3o de um dos fundadores do Centro de Pesquisas em Processos e Materiais para a Ind\u00fastria de Petr\u00f3leo e Energia, em fase final de constru\u00e7\u00e3o no principal campus da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCar), pode ser uma dificuldade. \u201cO funcionamento e a perenidade de um centro de pesquisas multidisciplinar depende, fundamentalmente, da capacidade dos grupos de entregar resultados com qualidade\u201d, alerta Ernesto Urquieta, coordenador de pesquisa do departamento de engenharia qu\u00edmica da UFSCar e coordenador de pesquisa em cat\u00e1lise, materiais e energia no centro.<\/p>\n<p>Uma segunda dificuldade que pode ser apontada \u00e9 quanto ao financiamento. Alguns multicentros contam com o apoio de programas estaduais como o Cepid (Centros de Pesquisa, Inova\u00e7\u00e3o e Difus\u00e3o) da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado de S\u00e3o Paulo (Fapesp), que contempla apenas projetos de pesquisa essencialmente multidisciplinares. \u00c9 o caso do Centro de Biotecnologia Molecular e Estrutural (CBME), com sede na Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), no campus de S\u00e3o Carlos. Al\u00e9m de se utilizar dos laborat\u00f3rios de Cristalografia de Prote\u00ednas e Biologia Estrutural do Instituto de F\u00edsica da pr\u00f3pria USP, o centro conta com parceria de bi\u00f3logos moleculares do Departamento de Gen\u00e9tica e Evolu\u00e7\u00e3o e Departamento de Ci\u00eancias Fisiol\u00f3gicas da UFSCar, dos laborat\u00f3rios de Produtos Naturais e S\u00edntese Org\u00e2nica do Departamento de F\u00edsica tamb\u00e9m da UFSCar, e do pr\u00f3prio Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS) do CNPEM. Mas a maioria dos centros acaba na depend\u00eancia de parcerias com empresas interessadas no resultado das pesquisas, uma vez que n\u00e3o existem programas de incentivo nessa \u00e1rea por parte do governo federal, por exemplo.<\/p>\n<p>Tendo iniciado as obras em 2009 e com previs\u00e3o de entrega para o segundo semestre de 2012, o futuro Centro de Pesquisa da UFSCar conta com um investimento de R$ 20 milh\u00f5es da Petrobras e abrigar\u00e1 nove laborat\u00f3rios nas \u00e1reas de materiais, cat\u00e1lise, nanotecnologia, combust\u00edveis limpos, lubrificantes e instrumenta\u00e7\u00e3o. E ainda que n\u00e3o tenha sido inaugurado, j\u00e1 est\u00e1 em funcionamento, garante Urquieta: \u201cGrandes projetos vem sendo desenvolvidos com os grupos de cat\u00e1lise, nanotecnologia, combust\u00edveis, cer\u00e2micas e refrat\u00e1rios, e resultados atraentes j\u00e1 v\u00eam sendo patenteados\u201d. No que diz respeito a vantagens, Urquieta endossa o discurso de Carlos Arag\u00e3o: \u201cO desenvolvimento de pesquisa da maneira como se planeja nos multicentros tem, al\u00e9m das vantagens colocadas, a de que os resultados alcan\u00e7ados, em menor tempo e com os custos minimizados, poder\u00e3o ter aplica\u00e7\u00e3o imediata contribuindo ao avan\u00e7o da ci\u00eancia e tecnologia do pa\u00eds, dessa maneira diminuindo a depend\u00eancia tecnol\u00f3gica\u201d.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Com Ci\u00eancia, em 10\/05\/2012 Por Monique Lopes 10\/05\/2012 Um dos mais antigos e conhecidos centros de pesquisa do mundo, o Massachussetts Institute of Technology (MIT), \u00e9 tamb\u00e9m um dos maiores&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1163],"tags":[424,365,170,40,144,145,30,206,109,1192,8,45,182,305,18],"class_list":["post-4206","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem","tag-bioetanol","tag-centro","tag-ciencia","tag-cnpem","tag-ctbe","tag-etanol","tag-fonte","tag-inovacao","tag-laboratorio","tag-lnbio","tag-lnls","tag-lnnano","tag-nacional","tag-nanotecnologia","tag-sincrotron","category-1163","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.8 - 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