{"id":3667,"date":"2011-05-02T14:43:56","date_gmt":"2011-05-02T17:43:56","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/?p=3667"},"modified":"2026-03-03T10:14:10","modified_gmt":"2026-03-03T13:14:10","slug":"parceria-bem-sucedida","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/parceria-bem-sucedida\/","title":{"rendered":"Parceria bem-sucedida"},"content":{"rendered":"<p><em>Revista Pesquisa FAPESP em Maio de 2011<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A uni\u00e3o do conhecimento acad\u00eamico com as demandas da maior fabricante brasileira de cosm\u00e9ticos, a Natura, tem produzido resultados alentadores que beneficiam ambos os lados. Novas esp\u00e9cies arom\u00e1ticas nativas da mata atl\u00e2ntica com potencial para fabrica\u00e7\u00e3o de \u00f3leos essenciais e produtos medicinais, princ\u00edpios ativos extra\u00eddos de plantas e algas com poder antioxidante para desenvolvimento de produtos cosm\u00e9ticos, al\u00e9m de novas t\u00e9cnicas e processos de an\u00e1lise mais simples e mais baratos para avalia\u00e7\u00e3o da efic\u00e1cia de produtos s\u00e3o alguns dos exemplos dessa bem-sucedida parceria. \u201c\u00c9 um tipo de colabora\u00e7\u00e3o em que todos ganham\u201d, diz o professor Anderson Zanardi de Freitas, do Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares (Ipen), ganhador do Pr\u00eamio Natura Campus de Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica edi\u00e7\u00e3o 2010 com o projeto \u201cAvalia\u00e7\u00e3o do uso da tomografia de coer\u00eancia \u00f3ptica em dermatologia\u201d. \u201cA empresa investiu no desenvolvimento da t\u00e9cnica no laborat\u00f3rio do Ipen, com tecnologia totalmente nacional para fazer testes de efic\u00e1cia de produtos, e ainda contratou um dos meus alunos de doutorado para trabalhar nessa \u00e1rea dentro da Natura\u201d, diz Freitas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O primeiro contato da empresa com Freitas foi em 2006, depois que um pesquisador da Natura conheceu a t\u00e9cnica chamada tomografia de coer\u00eancia \u00f3ptica em um congresso de dermatologia nos Estados Unidos. \u201c\u00c9 uma t\u00e9cnica n\u00e3o invasiva, que permite ver em tempo real a imagem de tecidos biol\u00f3gicos com a mesma resolu\u00e7\u00e3o de um microsc\u00f3pio \u00f3ptico\u201d, explica Freitas, que na \u00e9poca fazia o doutorado nessa \u00e1rea. \u201cO resultado do meu doutorado foi o primeiro tom\u00f3grafo de coer\u00eancia \u00f3ptica no Brasil\u201d, diz. A Natura procurou o pesquisador porque queria desenvolver uma metodologia para testar a efic\u00e1cia dos produtos cosm\u00e9ticos que produz. \u201cOs testes eram feitos na Alemanha, porque n\u00e3o existia uma t\u00e9cnica no Brasil para isso\u201d, relata Freitas. O projeto resultou no desenvolvimento de uma metodologia e de um\u00a0<em>software\u00a0<\/em>que conseguem aferir, em tempo real, a efic\u00e1cia dos produtos.\u00a0 Com isso a empresa conseguiu acelerar o processo de avalia\u00e7\u00e3o e reduzir os custos, j\u00e1 que o teste na Alemanha ficava cinco vezes mais caro. \u201cA Natura comprou um sistema de tomografia comercial e abriu uma linha de pesquisa de tomografia \u00f3ptica, que considero como o maior ganho do projeto\u201d, diz Freitas. O pesquisador acredita que o primeiro lugar no pr\u00eamio, lan\u00e7ado em 2007 e concedido a cada dois anos, deve-se \u00e0 facilidade de emprego da t\u00e9cnica que, embora complexa, n\u00e3o apresenta grandes segredos para a aplica\u00e7\u00e3o na ind\u00fastria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Natura foi a primeira colocada no setor de farmac\u00eautica e cosm\u00e9ticos no\u00a0<em>ranking<\/em>\u00a0das 25 companhias brasileiras escolhidas com base na receita e melhor desempenho na d\u00e9cada, publicado na edi\u00e7\u00e3o especial do jornal\u00a0<em>Valor Econ\u00f4mico\u00a0<\/em>em 2010. A empresa alcan\u00e7ou receita l\u00edquida de R$ 5,1 bilh\u00f5es em 2010, 21,1% superior ao ano anterior. O investimento em pesquisa e desenvolvimento foi de 2,8% da receita l\u00edquida. A segunda empresa brasileira do setor cosm\u00e9tico, O Botic\u00e1rio, teve receita l\u00edquida de R$ 422,8 milh\u00f5es em 2009 e um crescimento de 15,8% em rela\u00e7\u00e3o ao ano anterior, segundo a publica\u00e7\u00e3o. Na lista dos 10 maiores mercados consumidores de produtos de higiene, perfumaria e cosm\u00e9ticos, o Brasil ocupa a terceira posi\u00e7\u00e3o, com movimenta\u00e7\u00e3o de US$ 37,4 bilh\u00f5es no ano passado, correspondentes a 10% da fatia mundial (US$ 374,3 bilh\u00f5es), segundo dados da empresa Euromonitor International. A lideran\u00e7a \u00e9 dos Estados Unidos, com US$ 59,8 bilh\u00f5es, seguido pelo Jap\u00e3o, com US$ 43,8 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O desenvolvimento de uma metodologia padr\u00e3o para os testes\u00a0<em>in vitro\u00a0<\/em>que s\u00e3o utilizados pela ind\u00fastria dermatol\u00f3gica e cosm\u00e9tica para avaliar a seguran\u00e7a de novos ativos deu \u00e0 professora Maria Vit\u00f3ria Bentley, da Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas de Ribeir\u00e3o Preto da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), o segundo lugar do pr\u00eamio Natura Campus. \u201cNos testes\u00a0<em>in vitro<\/em>, com membranas de animais ou pele humana, conseguimos avaliar o grau de penetra\u00e7\u00e3o de uma subst\u00e2ncia na pele, em que camada ela fica retida ou mesmo se poder\u00e1 ter absor\u00e7\u00e3o sist\u00eamica\u201d, diz a pesquisadora, que coordena o Centro de Pesquisa de Permea\u00e7\u00e3o Cut\u00e2nea da universidade e trabalha h\u00e1 20 anos na \u00e1rea. Maria Vit\u00f3ria recebeu h\u00e1 tr\u00eas anos um convite da Natura para fazer um estudo interlaboratorial que envolveu o laborat\u00f3rio da USP, considerado refer\u00eancia nessa \u00e1rea de pesquisa, um laborat\u00f3rio particular e a pr\u00f3pria empresa. \u201cCada um realizou os testes no seu laborat\u00f3rio, que foram ent\u00e3o comparados e, a partir deles, estabelecemos uma metodologia padr\u00e3o, validada, para que os produtos cosm\u00e9ticos sejam todos avaliados da mesma forma com rela\u00e7\u00e3o \u00e0 permea\u00e7\u00e3o cut\u00e2nea.\u201d A import\u00e2ncia do trabalho repercutiu na Ag\u00eancia Nacional de Vigil\u00e2ncia Sanit\u00e1ria (Anvisa), que est\u00e1 elaborando uma revis\u00e3o das normas exigidas para os produtos aplicados na pele lan\u00e7ados pela ind\u00fastria farmac\u00eautica e cosm\u00e9tica, com a colabora\u00e7\u00e3o da professora\u00a0 Maria Vit\u00f3ria.\u00a0 A metodologia permite avaliar, por exemplo, a efic\u00e1cia de um sistema de libera\u00e7\u00e3o controlada de ativos com nanotecnologia, como cremes antirrugas e outros produtos.<\/p>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>\u00d3leos essenciais<\/strong>\u00a0&#8211; A parceria da Natura com os pesquisadores externos abrange ainda um mergulho na biota da mata atl\u00e2ntica, como mostra uma extensa pesquisa conduzida pela professora M\u00e1rcia Ortiz, do Instituto Agron\u00f4mico de Campinas (IAC), no interior paulista. O estudo, que durou tr\u00eas anos e contou com a participa\u00e7\u00e3o de 25 pessoas, envolveu especialistas de v\u00e1rias \u00e1reas do conhecimento e tamb\u00e9m da empresa na sele\u00e7\u00e3o de \u00f3leos essenciais de esp\u00e9cies nativas com potencial olfativo e atividade biol\u00f3gica. O projeto, que come\u00e7ou a ser elaborado timidamente dentro do IAC, ganhou for\u00e7a em mar\u00e7o de 2003, quando foi lan\u00e7ado o primeiro edital da Natura em parceria com a FAPESP para pesquisas sobre biodiversidade financiadas pelo programa Parceria para Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (Pite). Desde ent\u00e3o o programa financiou 10 projetos de pesquisa, dos quais oito foram conclu\u00eddos e dois est\u00e3o em andamento.\u00a0 O investimento total da Funda\u00e7\u00e3o \u00e9 de R$ 1.374.696,27.\u201cO Pite foi um grande marco e deu inspira\u00e7\u00e3o para a empresa lan\u00e7ar o Natura Campus, em 2006, que \u00e9 um programa de fluxo cont\u00ednuo\u201d, diz o bi\u00f3logo Gilson Manfio, gerente de Inova\u00e7\u00e3o da empresa. Nessa modalidade, as parcerias ocorrem de formas diversas. Alguns temas de interesse para projetos de pesquisa em parceria s\u00e3o colocados no\u00a0<em>site<\/em>, mas a empresa tamb\u00e9m manda seus representantes para as universidades ou ent\u00e3o prop\u00f5e colabora\u00e7\u00f5es com pesquisadores escolhidos. \u201cSe houver uma linha de pesquisa interessante, vamos atr\u00e1s do projeto para propor parceria\u201d, diz Manfio. A empresa pode ainda licenciar tecnologias prontas. O programa est\u00e1 focado em quatro \u00e1reas: tecnologias sustent\u00e1veis, mat\u00e9rias-primas com propriedades sensoriais (relativo ao olfato), ativos para pele e cabelo e pesquisa voltada para o bem-estar do consumidor.\u201cA bioprospec\u00e7\u00e3o do potencial arom\u00e1tico de esp\u00e9cies nativas da mata atl\u00e2ntica envolveu n\u00e3o s\u00f3 a parte qu\u00edmica, olfativa, gen\u00e9tica, taxon\u00f4mica e a fisiologia das plantas, mas tamb\u00e9m a propaga\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies selecionadas\u201d, diz M\u00e1rcia, que encerrou o projeto em 2008 e ficou com o terceiro lugar do pr\u00eamio. A proposta apresentada tinha como objetivo selecionar amostras nas \u00e1reas nativas preservadas da institui\u00e7\u00e3o. O IAC faz parte da Ag\u00eancia Paulista de Tecnologia dos Agroneg\u00f3cios (Apta), da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de S\u00e3o Paulo, que possui mais de 20 fazendas, muitas delas com \u00e1reas nativas. Pelo seu car\u00e1ter multidisciplinar, o estudo reuniu especialistas das \u00e1reas de bot\u00e2nica, fitoqu\u00edmica, fisiologia e gen\u00e9tica. Na primeira etapa, que durou sete meses, foram selecionadas mais de 100 esp\u00e9cies de v\u00e1rias fam\u00edlias bot\u00e2nicas com base no crit\u00e9rio olfativo. Ap\u00f3s a extra\u00e7\u00e3o do \u00f3leo essencial de todas as esp\u00e9cies, a empresa fez a avalia\u00e7\u00e3o olfativa e o IAC verificou a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, a atividade antimicrobiana e antioxidante dos \u00f3leos essenciais.<\/p>\n<p>Na segunda etapa do projeto, os pesquisadores sa\u00edram novamente a campo para novas coletas das esp\u00e9cies selecionadas, tanto no n\u00edvel do mar como na \u00e1rea central do estado. O objetivo era saber se a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica dos \u00f3leos essenciais era influenciada por fatores gen\u00e9ticos e ambientais. \u201cA grande d\u00favida era se as esp\u00e9cies selecionadas de ocorr\u00eancia em lugares diferentes tinham composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica divergente\u201d, diz a pesquisadora. A resposta \u00e9 sim. O estudo abarcou ainda a identifica\u00e7\u00e3o das esp\u00e9cies, observa\u00e7\u00e3o em campo dos ambientes de ocorr\u00eancia e avalia\u00e7\u00e3o da abund\u00e2ncia, frequ\u00eancia e din\u00e2mica demogr\u00e1fica dessas plantas em diferentes popula\u00e7\u00f5es. Paralelamente, foi feito um estudo de variabilidade qu\u00edmica e gen\u00e9tica via marcador molecular para cada esp\u00e9cie.<\/p>\n<p>S\u00e9rgio Gallucci, gestor da \u00e1rea de pesquisa da empresa que trabalha no desenvolvimento de ingredientes com propriedades sensoriais, diz que a proposta foi bem-sucedida, mas que h\u00e1 ainda um longo caminho pela frente. \u201cPara que as subst\u00e2ncias selecionadas transformem-se em produto s\u00e3o necess\u00e1rios v\u00e1rios estudos complementares\u201d, diz Gallucci. Das 100 esp\u00e9cies iniciais foram selecionadas 11 com potencial de uso cosm\u00e9tico e medicinal. \u201cComo \u00e9 um novo ingrediente, temos que ter certeza a respeito da sua seguran\u00e7a para consumo humano.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<div style=\"text-align: justify;\"><strong>Res\u00edduo aproveitado<\/strong>\u00a0&#8211; Um outro projeto envolvendo uma esp\u00e9cie nativa da mata atl\u00e2ntica, conhecida popularmente como passari\u00fava (<em>Sclerolobium spp<\/em>.) e utilizada em carvoarias, tamb\u00e9m financiado pela FAPESP em parceria com a Natura, comprovou que as folhas da \u00e1rvore cont\u00eam\u00a0 antioxidantes e podem ser usadas em formula\u00e7\u00f5es cosm\u00e9ticas. A escolha da planta se deu pelo fato de que as folhas s\u00e3o um res\u00edduo descartado e tamb\u00e9m porque triagens feitas ainda no \u00e2mbito do projeto Biota da FAPESP apontaram para o seu potencial antioxidante. \u201cCaracterizamos quimicamente o extrato da planta e demonstramos o seu potencial antioxidante\u201d, diz o professor Alberto Jos\u00e9 Cavalheiro, do Instituto de Qu\u00edmica da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Araraquara, no interior paulista, coordenador do projeto. \u201cForam feitos ensaios adicionais de toxicologia, que comprovaram a seguran\u00e7a necess\u00e1ria para uso em formula\u00e7\u00f5es d\u00e9rmicas\u201d,\u00a0 relata Cavalheiro. Os resultados foram in\u00e9ditos e geraram uma patente. A parte de pesquisa foi encerrada em 2007 e entregue para a empresa, a quem cabe o desenvolvimento final do produto. Esse processo pode demorar at\u00e9 cinco anos.\u201cAlgumas vezes as plantas n\u00e3o s\u00e3o abundantes para atender ao lan\u00e7amento de produtos\u201d, diz Gallucci. \u201cEm 50% dos casos temos que montar a cadeia de fornecimento vegetal.\u201d Ele cita como exemplos alguns produtos de sucesso no mercado, como os feitos com a castanha-do-brasil, que j\u00e1 tem uma cadeia agron\u00f4mica estabelecida, ou com a pitanga, em que foi necess\u00e1rio estabelecer parceria com produtores para conseguir a mat\u00e9ria-prima, que s\u00e3o as folhas da pitangueira, em quantidade suficiente para ter volume. \u201cAs pesquisas com a pitanga tiveram in\u00edcio em 2002, mas o produto foi lan\u00e7ado apenas em 2004\u201d, relata. Mesmo quando h\u00e1 a cadeia de fornecimento \u2013 e uma pesquisa com resultados promissores \u2013 pode ocorrer de o produto n\u00e3o conquistar o p\u00fablico.Foi o que aconteceu com a pariparoba, um arbusto origin\u00e1rio da mata atl\u00e2ntica que mostrou em estudos feitos na Faculdade de Ci\u00eancias Farmac\u00eauticas da Universidade de S\u00e3o Paulo atividade protetora contra os raios ultravioleta do tipo UVB, os mais lesivos para a pele. A descoberta resultou em um pedido de patente e despertou o interesse da Natura, que licenciou a tecnologia para utiliza\u00e7\u00e3o do extrato da raiz no desenvolvimento de produtos de uso cosm\u00e9tico (<a href=\"https:\/\/www.revistapesquisa.fapesp.br\/?art=2621&amp;bd=1&amp;pg=1&amp;lg=\"><em>ver mais sobre o assunto em\u00a0<\/em>Pesquisa FAPESP\u00a0<em>n\u00b0 105<\/em><\/a>). Em 2007 a empresa lan\u00e7ou um produto para tratamento de rosto \u00e0 base de pariparoba como parte da linha Ekos, baseada na biodiversidade brasileira. \u201cO produto saiu de linha depois de um tempo porque n\u00e3o teve sucesso no mercado\u201d, diz Manfio.<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em compensa\u00e7\u00e3o, o Chronos Passiflora, um creme antienvelhecimento que tem como mat\u00e9ria-prima o maracuj\u00e1, desenvolvido em parceria entre o professor Jo\u00e3o Batista Calixto, do Departamento de Farmacologia da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), e a Natura, \u00e9 um sucesso desde o seu lan\u00e7amento em 2009. \u201cToda a pesquisa de comprova\u00e7\u00e3o de benef\u00edcios do produto foi feita pelo professor Calixto\u201d, diz Manfio. Coube \u00e0 empresa desenvolver a cadeia de fornecimento para o maracuj\u00e1. O grupo de pesquisa de Calixto tamb\u00e9m participou do desenvolvimento do primeiro antiinflamat\u00f3rio fitoter\u00e1pico nacional, o Acheflan, lan\u00e7ado no mercado em 2005 pela Ach\u00e9.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A biodiversidade envolve tamb\u00e9m pesquisas com macroalgas encontradas na costa brasileira. \u201cUm dos extratos obtidos apresentou excelente potencial para uso em formula\u00e7\u00f5es destinadas \u00e0 prote\u00e7\u00e3o solar\u201d, diz o professor Pio Colepicolo Neto, do Departamento de Bioqu\u00edmica do Instituto de Qu\u00edmica da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), coordenador de um projeto Pite em parceria com a Natura. Uma das subst\u00e2ncias encontradas nas macroalgas brasileiras s\u00e3o os amino\u00e1cidos tipo micosporinas,\u00a0 composto qu\u00edmico de baixo peso molecular sintetizado por algas e fungos com alta capacidade de absor\u00e7\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o ultravioleta, que foram isolados e caracterizados pelo grupo de Colepicolo Neto. A Natura j\u00e1 fez os testes de estabilidade e de avalia\u00e7\u00e3o de citotoxicidade da subst\u00e2ncia, ensaio feito em cultura de c\u00e9lulas necess\u00e1rio para avaliar a biocompatibilidade dos materiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Rede externa<\/strong>\u00a0&#8211; A Natura tem hoje parcerias com 18 universidades brasileiras, distribu\u00eddas em nove estados. \u201cH\u00e1 uma intera\u00e7\u00e3o direta com pesquisadores e bolsistas da rede externa, um movimento que envolve uma grande quantidade de pessoas.\u201d A \u00e1rea de pesquisa e desenvolvimento da empresa conta com 250 pesquisadores internos. O maior laborat\u00f3rio, com 80 mil metros quadrados, fica em Cajamar, na Regi\u00e3o Metropolitana de S\u00e3o Paulo. A empresa tem ainda um laborat\u00f3rio em Bel\u00e9m, no Par\u00e1, ligado \u00e0 f\u00e1brica de saboaria em Benevides, que fica pr\u00f3xima \u00e0s fontes de mat\u00e9rias-primas utilizadas nos sabonetes e \u00f3leos essenciais. Um terceiro laborat\u00f3rio em Paris, na Fran\u00e7a, tem como objetivo o desenvolvimento de novas tecnologias em cosm\u00e9ticos. \u201cL\u00e1 os pesquisadores da Natura desenvolvem projetos em parceria com institui\u00e7\u00f5es francesas\u201d, diz Manfio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O modelo de neg\u00f3cios escolhido pela empresa, de investir na inova\u00e7\u00e3o com base em subst\u00e2ncias da nossa biodiversidade, tem se diversificado. \u201cEste ano vamos expandir nossas parcerias com modelos novos\u201d, diz Manfio. Um exemplo \u00e9 um acordo feito com o Laborat\u00f3rio Nacional de Bioci\u00eancias (LNBio), um dos tr\u00eas laborat\u00f3rios associados do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais, junto com o Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron e o Centro de Tecnologia do Bioetanol, em Campinas, no interior paulista. A parceria prev\u00ea o estabelecimento de uma plataforma de\u00a0<em>screening\u00a0<\/em>(triagem) de alta\u00a0<em>performance\u00a0<\/em>para testar ativos para pele e cabelo. A Natura patrocina o centro de pesquisa dentro do laborat\u00f3rio e compartilha o uso das instala\u00e7\u00f5es com o LNBio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><img data-recalc-dims=\"1\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.revistapesquisa.fapesp.br\/arq\/r\/pt\/948\/Natura.jpg?w=1200&#038;ssl=1\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p><em>1 &#8211; Bioprospec\u00e7\u00e3o do potencial arom\u00e1tico de esp\u00e9cies nativas do bioma mata atl\u00e2ntica no estado de S\u00e3o Paulo: ocorr\u00eancia, taxonomia, caracteriza\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, gen\u00e9tica e fisiol\u00f3gica de popula\u00e7\u00f5es &#8211; n\u00ba 2003\/08896-1<br \/>\n2 &#8211; Valida\u00e7\u00e3o de Sclerolobium spp. como fonte de antioxidantes naturais cosm\u00e9ticos &#8211; n\u00ba 2003\/08863-6<br \/>\n3 &#8211;\u00a0 Algas marinhas da costa brasileira: isolamento e caracteriza\u00e7\u00e3o de subst\u00e2ncias bioativas com potencial uso para formula\u00e7\u00f5es cosm\u00e9ticas &#8211; n\u00ba 2003\/08735-8<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Modalidade<br \/>\n<\/strong>Pesquisa em Parceria para Inova\u00e7\u00e3o Tecnol\u00f3gica (Pite)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Co\u00ador\u00adde\u00adna\u00addores<br \/>\n<\/strong>1 &#8211; M\u00e1rcia Ortiz Mayo Marques (IAC)<br \/>\n2 &#8211; Alberto Jos\u00e9 Cavalheiro (Unesp)<br \/>\n3 &#8211; Pio Colepicolo Neto (USP)<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Investimento<br \/>\n<\/strong>1 &#8211; R$ 228.660,74 (FAPESP) e R$ 207.301,34 (Natura)<br \/>\n2 &#8211; R$ 45.000,00 (Natura) e R$ 45.000,00 (FAPESP)<br \/>\n3 \u2013 R$ 95.000,00 (Natura) e R$ 95.800,00 (FAPESP)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista Pesquisa FAPESP em Maio de 2011 &nbsp; A uni\u00e3o do conhecimento acad\u00eamico com as demandas da maior fabricante brasileira de cosm\u00e9ticos, a Natura, tem produzido resultados alentadores que beneficiam&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1163,179],"tags":[],"class_list":["post-3667","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem","category-clipping-lnbio","category-1163","category-179","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Parceria bem-sucedida - CNPEM<\/title>\n<meta name=\"robots\" content=\"index, follow, max-snippet:-1, max-image-preview:large, max-video-preview:-1\" \/>\n<link rel=\"canonical\" href=\"https:\/\/cnpem.br\/parceria-bem-sucedida\/\" \/>\n<meta property=\"og:locale\" content=\"en_US\" \/>\n<meta property=\"og:type\" content=\"article\" \/>\n<meta property=\"og:title\" content=\"Parceria bem-sucedida - CNPEM\" \/>\n<meta property=\"og:description\" content=\"Revista Pesquisa FAPESP em Maio de 2011 &nbsp; 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