{"id":23498,"date":"2021-04-23T15:29:27","date_gmt":"2021-04-23T15:29:27","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.staging.wpengine.com\/?p=23498"},"modified":"2026-03-02T15:54:43","modified_gmt":"2026-03-02T18:54:43","slug":"como-e-a-busca-por-fosseis-de-bacteria-na-terra-e-em-marte","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/como-e-a-busca-por-fosseis-de-bacteria-na-terra-e-em-marte\/","title":{"rendered":"Como \u00e9 a busca por f\u00f3sseis de bact\u00e9ria na Terra e em Marte"},"content":{"rendered":"<p>Por <a href=\"https:\/\/super.abril.com.br\/especiais\/como-e-a-busca-por-fosseis-de-bacteria-na-terra-e-em-marte\/\">Super Interessante<\/a> em 14\/04\/2021<\/p>\n<p>Texto: Bruno Vaiano | Ilustra\u00e7\u00e3o: Gustavo Magalh\u00e3es | Design: Natalia Sayuri Lara<\/p>\n<p>A coisa mais limpa do mundo n\u00e3o est\u00e1 no mundo neste momento. N\u00e3o neste mundo. Estamos falando de 43 cilindros ocos de alum\u00ednio e tit\u00e2nio carregados pelo jipinho n\u00e3o tripulado Perseverance &#8211; a miss\u00e3o da Nasa que pousou em 18 de fevereiro na cratera de Jezero, em Marte, para buscar ind\u00edcios de vida extraterrestre.<\/p>\n<p>&#8216;A cada passo da montagem, os tubos eram limpos com jatos de ar filtrados, enxaguados em \u00e1gua deionizada [sem nenhum sal mineral] e mergulhados em acetona, \u00e1lcool isoprop\u00edlico e outros agentes de limpeza ex\u00f3ticos agitados por ondas ultrass\u00f4nicas&#8217;, explica o engenheiro Ian Clark no site da Nasa. A toler\u00e2ncia m\u00e1xima de compostos org\u00e2nicos por tubo foi de 0,00015 mg. Sheldon Cooper ficaria emocionado.<\/p>\n<p>O motivo de tanto esmero \u00e9 que esses tubos est\u00e3o sendo usados pelo rover (neste exato momento) para abrigar fragmentos de rocha e solo que podem conter ind\u00edcios de vida marciana passada ou presente. A Perseverance n\u00e3o podia decolar para o Planeta Vermelho com nenhum tra\u00e7o de contamina\u00e7\u00e3o &#8211; qualquer micr\u00f3bio terr\u00e1queo que fosse de carona no tubo faria soar um alarme falso na hora de analisar a amostra.<\/p>\n<p>Conforme a sonda de seis rodas percorre a superf\u00edcie do planeta, seu arsenal de ferramentas coleta as amostras e as insere nesses cilindros, que t\u00eam o tamanho de microfones. Depois, o rob\u00f4 lacra os inv\u00f3lucros e os abandona no deserto marciano. Uma sequ\u00eancia de outras miss\u00f5es, programadas para ocorrer at\u00e9 o final da d\u00e9cada, trar\u00e1 os tubos de material alien\u00edgena para an\u00e1lise aqui na Terra. Voc\u00ea pode entender a opera\u00e7\u00e3o de retorno in\u00e9dita no infogr\u00e1fico abaixo: \u00e9 a primeira vez que algo fabricado por n\u00f3s far\u00e1 a viagem de volta.<\/p>\n<p>Passagem s\u00f3 de volta<\/p>\n<p>At\u00e9 2031 a Nasa e a ESA trar\u00e3o amostras de rochas marcianas para a Terra, algo que jamais aconteceu. Entenda o passo a passo da opera\u00e7\u00e3o bilion\u00e1ria.<\/p>\n<p>1. O primeiro elo da cadeia \u00e9 o fetch rover (&#8216;ve\u00edculo de busca&#8217;) &#8211; um pequeno jipe que coleta os tubos lacrados com amostras deixados para tr\u00e1s pela Perseverance.<\/p>\n<p>2. O rover vai retornar para o lander (&#8216;aterrissador&#8217;) &#8211; a nave maior, que centraliza a opera\u00e7\u00e3o. O lander recolhe as amostras e as insere num pequeno foguete.<\/p>\n<p>3. O foguete decola para a \u00f3rbita de Marte. Tanto o rover quanto o lander ficam para tr\u00e1s. A opera\u00e7\u00e3o, que come\u00e7a em 2026, custar\u00e1, ao todo, US$ 7 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>4. Em \u00f3rbita, o foguete libera as amostras para um sat\u00e9lite da Ag\u00eancia Espacial Europeia (ESA), que agarra o pacote e o traz de volta para a Terra (chegada prevista: 2031).<\/p>\n<p>A viagem de ida, considerando as dificuldades envolvidas, j\u00e1 se tornou corriqueira: desde 1960, 49 miss\u00f5es j\u00e1 foram enviadas para passar de rasp\u00e3o em Marte, orbit\u00e1-lo ou arriscar um pouso. 36 delas falharam em alguma etapa. Nenhuma coletou qualquer evid\u00eancia de que haja (ou de que tenha havido) vida por l\u00e1. Se nosso vizinho j\u00e1 abrigou seres org\u00e2nicos &#8211; provavelmente h\u00e1 uns 4 bilh\u00f5es de anos, quando havia \u00e1gua l\u00edquida no planeta -, \u00e9 quase certo que eles sejam microsc\u00f3picos e unicelulares, como as bact\u00e9rias terr\u00e1queas. E bact\u00e9rias t\u00eam o infort\u00fanio de n\u00e3o deixar f\u00f3sseis.<\/p>\n<p>Ou pelo menos era o que se pensava at\u00e9 1956, data da publica\u00e7\u00e3o de um artigo cient\u00edfico seminal sobre a forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica de Gunflint, \u00e0s margens do Lago Superior, no sul do Canad\u00e1. Essas rochas de 1,88 bilh\u00e3o de anos &#8211; tr\u00eas vezes mais antigas que as primeiras formas de vida animais &#8211; forneceram as primeiras evid\u00eancias inequ\u00edvocas de que a Terra j\u00e1 era um antro pululante de micr\u00f3bios muito antes da evolu\u00e7\u00e3o de formas de vida mais complexas.<\/p>\n<p>O problema \u00e9 decifrar essas evid\u00eancias. Os rastros deixados por bact\u00e9rias n\u00e3o t\u00eam nada a ver com os ossos de dinossauro mineralizados que vemos em museus. Primeiro porque sua morfologia \u00e9 bem simples &#8211; tubinhos, esferas, filamentos e outras formas que poderiam facilmente ter origem inorg\u00e2nica.<\/p>\n<p>Para diferenciar resqu\u00edcios abi\u00f3ticos (que n\u00e3o t\u00eam a ver com vida) de f\u00f3sseis aut\u00eanticos, \u00e9 preciso verificar se a poeirinha em quest\u00e3o tem uma composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica an\u00f4mala em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 rocha que a circunda. An\u00f4mala de jeitos bem espec\u00edficos. N\u00e3o basta saber que uma bact\u00e9ria produza uma determinada mol\u00e9cula ou elemento e ent\u00e3o busc\u00e1-los &#8211; o que por si s\u00f3 j\u00e1 \u00e9 um desafio: como deduzir o metabolismo de um serzinho que viveu h\u00e1 tanto tempo?<\/p>\n<p>Tamb\u00e9m \u00e9 preciso estudar por quais transforma\u00e7\u00f5es esses restos teriam passado ap\u00f3s bilh\u00f5es de anos submetidos a mudan\u00e7as de temperatura e press\u00e3o, \u00e0 eros\u00e3o etc. Muitas vezes, a an\u00e1lise do contexto geol\u00f3gico diz que o sinal de vida \u00e9 um alarme falso.<\/p>\n<p>Hoje, o campo da nanopaleontologia mobiliza centenas de pesquisadores de v\u00e1rios pa\u00edses e m\u00e1quinas bilion\u00e1rias &#8211; capazes de decifrar as mol\u00e9culas presentes em amostras min\u00fasculas e fazer imagens dos f\u00f3sseis com resolu\u00e7\u00e3o alt\u00edssima. \u00c9 o caso do\u00a0acelerador\u00a0de part\u00edculas\u00a0Sirius, localizado em Campinas (SP). Saber se um buraquinho em uma rocha \u00e9 ou n\u00e3o uma bact\u00e9ria ancestral ser\u00e1 essencial quando as amostras marcianas chegarem aqui, no final da d\u00e9cada. A seguir, vamos conhecer o trabalho de cientistas brasileiros que est\u00e3o na vanguarda dessas pesquisas.<\/p>\n<p>Os extrem\u00f3filos<\/p>\n<p>Todo organismo vivo lida com o problema b\u00e1sico de gerar energia. N\u00f3s e os demais animais fazemos isso queimando a\u00e7\u00facar com aux\u00edlio do oxig\u00eanio. Mas precisamos obter esse carboidrato em uma fonte externa a n\u00f3s, o que nos torna heterotr\u00f3ficos no jarg\u00e3o biol\u00f3gico. As plantas d\u00e3o um passo al\u00e9m: fabricam seu carboidrato via fotoss\u00edntese, que usa a luz solar como fonte de energia e di\u00f3xido de carbono como mat\u00e9ria-prima. Elas fazem a pr\u00f3pria comida do zero, o que as torna autotr\u00f3ficas.<\/p>\n<p>Em ambientes extremos, a sele\u00e7\u00e3o natural gera solu\u00e7\u00f5es diferentes. H\u00e1 micr\u00f3bios autotr\u00f3ficos que n\u00e3o usam a luz solar como fonte de energia, e sim rea\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas que acontecem em seu habitat, ou o calor de \u00e1guas aquecidas por atividade vulc\u00e2nica. Esses Indiana Jones microsc\u00f3picos podem ter um metabolismo baseado, por exemplo, na oxida\u00e7\u00e3o de metais (em vez de compostos org\u00e2nicos feitos de \u00e1tomos levinhos, como o carbono). Com frequ\u00eancia, s\u00e3o resistentes ao calor, \u00e0 radia\u00e7\u00e3o ou a outras intemp\u00e9ries. Ganham o nome de extrem\u00f3filos (ao p\u00e9 da letra, &#8216;amigo dos extremos&#8217;).<\/p>\n<p>O Rio Tinto, na Espanha, tem cor de vinho e acidez de lim\u00e3o. Suas \u00e1guas alcan\u00e7am pH 2 em certos trechos, uma cifra compar\u00e1vel \u00e0 do suco g\u00e1strico humano. Isso torna suas \u00e1guas e margens um\u00a0laborat\u00f3rio\u00a0a c\u00e9u aberto para o estudo de extrem\u00f3filos. Mais especificamente, extrem\u00f3filos parecidos com os que poderiam existir em Marte, j\u00e1 que o planeta \u00e9 vermelho pelo mesmo motivo que o rio \u00e9 tinto: a presen\u00e7a de uma dose cavalar de ferro.<\/p>\n<p>A bi\u00f3loga brasileira Lara Maldanis faz p\u00f3s-doutorado na Universidade de Grenoble Alpes, no leste da Fran\u00e7a. Um de seus temas de pesquisa s\u00e3o justamente os extrem\u00f3filos espanh\u00f3is. Ou melhor: os f\u00f3sseis deixados pelos antepassados desses microrganismos. Eles n\u00e3o s\u00e3o muito antigos; t\u00eam &#8216;s\u00f3&#8217; 2 milh\u00f5es de anos, o que \u00e9 pouqu\u00edssimo na escala geol\u00f3gica. (Nessa \u00e9poca, ancestrais bem pr\u00f3ximos do ser humano, os Homo erectus, j\u00e1 andavam por a\u00ed.)<\/p>\n<p>\u00c9 que o objetivo central n\u00e3o \u00e9 desvendar algo sobre o passado profundo da Terra, e sim entender como seriam os f\u00f3sseis do Planeta Vermelho caso eles existam &#8211; e quais transforma\u00e7\u00f5es qu\u00edmicas aconteceram ao longo da fossiliza\u00e7\u00e3o. N\u00e3o d\u00e1 para encontrar algo nas amostras marcianas se n\u00e3o soubermos o que procurar. Para analisar a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de um pedacinho de rocha, Lara usa t\u00e9cnicas como a espectroscopia por fluoresc\u00eancia de raios X. Vamos entend\u00ea-la.<\/p>\n<p>Raios X s\u00e3o luz. N\u00e3o podemos v\u00ea-los porque nossos olhos evolu\u00edram para enxergar (e nosso c\u00e9rebro para interpretar como cor) apenas as luzes localizadas dentro de uma faixa de energia muito espec\u00edfica. Os raios X est\u00e3o acima dessa faixa.<\/p>\n<p>A luz \u00e9 formada por part\u00edculas chamadas f\u00f3tons. Quando um feixe de raios X \u00e9 apontado para uma amostra, os f\u00f3tons invocados se chocam com os \u00e1tomos que formam a amostra. A mais levinha das part\u00edculas que comp\u00f5em o \u00e1tomo atingido, o el\u00e9tron, aproveita essa energia para pular fora.<\/p>\n<p>Um \u00e1tomo cont\u00e9m v\u00e1rios el\u00e9trons, que se organizam em diferentes estados qu\u00e2nticos, cada um com uma energia caracter\u00edstica. N\u00e3o se preocupe com o que \u00e9 um estado qu\u00e2ntico. O que interessa \u00e9 que, quando um el\u00e9tron pula fora, outro precisa ocupar aquele estado qu\u00e2ntico que ficou vago. Para isso, ele precisa perder energia. Ao perd\u00ea-la, essa energia ser\u00e1 eliminada para o ambiente, adivinhe s\u00f3, na forma de outros raios X. E a energia dos raios X emitidos pelos el\u00e9trons de cada \u00e1tomo indica a qual elemento qu\u00edmico ele pertence: zinco, ferro, mangan\u00eas?<\/p>\n<p>Esse \u00e9 um dos m\u00e9todos que Lara e outros cientistas usam para descobrir a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica de uma amostra (sem destru\u00ed-la, diga-se, algo especialmente importante no caso de uma rocha marciana). A fluoresc\u00eancia de raios X n\u00e3o detecta os \u00e1tomos leves que comp\u00f5em o grosso dos seres vivos, como carbono, hidrog\u00eanio, nitrog\u00eanio etc. Mas a propor\u00e7\u00e3o entre metais, que s\u00e3o mais pesados, j\u00e1 diz muito sobre a hist\u00f3ria daquele pedacinho de rocha.<\/p>\n<p>&#8216;Vamos supor que a amostra, para ser gerada por um ser vivo, precise ter mais ferro do que zinco, e mais zinco do que mangan\u00eas&#8217;, explica Lara. &#8216;Se a gente v\u00ea um mont\u00e3o de mangan\u00eas, sabe que ele n\u00e3o se originou do metabolismo da bact\u00e9ria.&#8217; N\u00e3o existe uma impress\u00e3o digital de elementos qu\u00edmicos que diga com certeza se houve uma bact\u00e9ria ali: cada an\u00e1lise \u00e9 uma an\u00e1lise.<\/p>\n<p>Existem m\u00e1quinas de fluoresc\u00eancia de raios X que cabem em um\u00a0laborat\u00f3rio\u00a0comum. Mas uma abordagem promissora \u00e9 usar a mesma t\u00e9cnica nas f\u00e1bricas de luz mais potentes do mundo: aceleradores de el\u00e9trons gigantescos chamados s\u00edncrotrons.<\/p>\n<p>Made in Brazil<\/p>\n<p>O\u00a0Sirius, localizado nos arredores de Campinas (SP), \u00e9 um edif\u00edcio com o formato e as dimens\u00f5es de uma arena de basquete. Visto do c\u00e9u, \u00e9 uma enorme rosquinha met\u00e1lica. Seu formato redondo est\u00e1 diretamente relacionado \u00e0 sua fun\u00e7\u00e3o: ele \u00e9 um autorama de el\u00e9trons. Em seu interior, corre um anel com 518 m de circunfer\u00eancia, no qual essas part\u00edculas d\u00e3o 580 mil voltas por segundo quase \u00e0 velocidade da luz (300 mil km\/s).<\/p>\n<p>Os el\u00e9trons, o nome j\u00e1 diz, t\u00eam carga el\u00e9trica, o que significa que sua trajet\u00f3ria muda quando eles est\u00e3o na presen\u00e7a de campos magn\u00e9ticos. \u00c9 por isso que no\u00a0Sirius, e em outros aceleradores do tipo\u00a0s\u00edncrotron, o que for\u00e7a os el\u00e9trons a manter a trajet\u00f3ria circular \u00e9 um conjunto de \u00edm\u00e3s hom\u00e9ricos. A atua\u00e7\u00e3o desses \u00edm\u00e3s tem um efeito colateral, e esse efeito \u00e9 o objetivo central da m\u00e1quina.<\/p>\n<p>Se voc\u00ea pegar uma toalha molhada, segur\u00e1-la por uma ponta e gir\u00e1-la no ar, a \u00e1gua em excesso espirra em todas as dire\u00e7\u00f5es. No\u00a0s\u00edncrotron, acontece algo parecido: nos pontos em que os el\u00e9trons s\u00e3o for\u00e7ados pelos \u00edm\u00e3s a mudar de dire\u00e7\u00e3o, eles emitem luz. F\u00f3tons. Esses f\u00f3tons s\u00e3o canalizados em dezenas de esta\u00e7\u00f5es de pesquisa ao longo da circunfer\u00eancia.<\/p>\n<p>O astrobi\u00f3logo Douglas Galante, do\u00a0Centro Nacional de Pesquisa em Energia\u00a0e Materiais\u00a0(CNPEM, a institui\u00e7\u00e3o subordinada ao MCTI que opera o\u00a0Sirius), usa uma das esta\u00e7\u00f5es de pesquisa do\u00a0Sirius, chamada Carna\u00faba, para aperfei\u00e7oar m\u00e9todos como a fluoresc\u00eancia de raios X.<\/p>\n<p>Uma linha de pesquisa interessante \u00e9 a tafonomia experimental: pesquisadores como a paleont\u00f3loga Miriam Pacheco, da Universidade Federal de S\u00e3o Carlos (UFSCAR), geram f\u00f3sseis de bact\u00e9ria em\u00a0laborat\u00f3rio, em condi\u00e7\u00f5es simuladas, para acompanhar a qu\u00edmica da fossiliza\u00e7\u00e3o &#8211; e depois analis\u00e1-la no\u00a0acelerador.<\/p>\n<p>A esta\u00e7\u00e3o Carna\u00faba, adjacente \u00e0 pista na qual os el\u00e9trons giram, n\u00e3o faz s\u00f3 fluoresc\u00eancia. A intera\u00e7\u00e3o dos raios X com a amostra pode ser aproveitada por v\u00e1rios detectores, cada um com uma fun\u00e7\u00e3o. Acima, voc\u00ea v\u00ea uma ilustra\u00e7\u00e3o do Tarum\u00e3, um conjunto de detectores que atuam na Carna\u00faba. Essas engenhocas parecem pistolas laser de Star Wars e ficam todas apontadas para a min\u00fascula amostra no centro. S\u00f3 duas delas s\u00e3o usadas para fluoresc\u00eancia.<\/p>\n<p>Outras t\u00eam fun\u00e7\u00f5es diferentes &#8211; como usar o feixe de raios X para gerar imagens 3D que representam com precis\u00e3o a forma desses f\u00f3sseis. Essa \u00e9 uma t\u00e9cnica recente, poss\u00edvel apenas nos s\u00edncrotrons, chamada de tomografia computadorizada de raios X pticogr\u00e1ficos (PXCT). Funciona seguindo o mesmo princ\u00edpio de uma tomografia de hospital: nos lugares mais densos, como os ossos, passa menos luz, nos menos densos, como seu f\u00edgado, passa mais luz, e assim surge um retrato do interior do corpo.<\/p>\n<p>A diferen\u00e7a, no\u00a0Sirius, \u00e9 a resolu\u00e7\u00e3o e o tamanho min\u00fasculo das amostras. Al\u00e9m do contraste: tomografias comuns distinguem apenas \u00e1reas com densisades radicalmente diferentes &#8211; o s\u00edncroton permite distinguir trechos bem mais similares da amostra observada, que pareceriam a mesma coisa em uma tomografia comum.<\/p>\n<p>Retrato falado<\/p>\n<p>No come\u00e7o de 2020, Lara divulgou alguns dos resultados mais importantes de seu doutorado, que ela terminou em 2019 orientada pelo Douglas: ela usou PXCT para gerar imagens 3D de alguns f\u00f3sseis de bact\u00e9ria pouco preservados de Gunflint &#8211; aqueles do Canad\u00e1 &#8211; com a resolu\u00e7\u00e3o mais alta j\u00e1 obtida. Ela tamb\u00e9m mediu a densidade de cada pedacinho do f\u00f3ssil. Como cada subst\u00e2ncia tem uma densidade caracter\u00edstica, esse \u00e9 outro meio, diferente da fluoresc\u00eancia, para descobrir a composi\u00e7\u00e3o qu\u00edmica.<\/p>\n<p>Voc\u00ea acompanha o processo no gr\u00e1fico abaixo. O primeiro passo foi cortar as rochas em fatias finas, transl\u00facidas, e observ\u00e1-las sob um microsc\u00f3pio \u00f3ptico comum, com uma amplia\u00e7\u00e3o de mil vezes, para encontrar filamentos, bolinhas e outras marcas candidatas a serem f\u00f3sseis de bact\u00e9ria. Depois, Lara e seus colegas extra\u00edram essas marquinhas promissoras da fatia de rocha cortando fora cilindros min\u00fasculos, dez vezes mais finos que um fio de cabelo (os chamados &#8216;pilares&#8217;).<\/p>\n<p>Esses pilares foram para o\u00a0s\u00edncrotron\u00a0de terceira gera\u00e7\u00e3o do Instituto Paul Scherrer, na Su\u00ed\u00e7a (o\u00a0Sirius\u00a0\u00e9 similar, mas mais avan\u00e7ado, de quarta gera\u00e7\u00e3o). \u00c9 que Lara estava em um doutorado sandu\u00edche, quando o pesquisador passa um per\u00edodo em uma institui\u00e7\u00e3o estrangeira.<\/p>\n<p>Com a PXCT, foi poss\u00edvel ver exatamente qual parte do microf\u00f3ssil era composta de mat\u00e9ria org\u00e2nica, que s\u00e3o os restos mortais das bact\u00e9rias, e qual parte era feita de um certo \u00f3xido de ferro, que tem densidade maior que a parte org\u00e2nica. Tamb\u00e9m foi poss\u00edvel ver que o \u00f3xido de ferro dentro do f\u00f3ssil (maghemita) era diferente do \u00f3xido de ferro fora do f\u00f3ssil (hematita), um sinal de que a presen\u00e7a das bact\u00e9rias interferiu na qu\u00edmica da rocha.<\/p>\n<p>T\u00e9cnicas menos sofisticadas exigem que voc\u00ea transforme o f\u00f3ssil em p\u00f3 para analis\u00e1-lo. Mas se Lara tivesse feito isso, nunca teria percebido que havia \u00f3xidos diferentes no f\u00f3ssil e em volta dele. Esse \u00e9 o poder de uma t\u00e9cnica n\u00e3o destrutiva como a PXCT. Ela permite verificar a localiza\u00e7\u00e3o exata da anomalia qu\u00edmica: ela est\u00e1 mesmo no trecho da rocha que tem o formato da bact\u00e9ria?<\/p>\n<p>O problema das rochas marcianas \u00e9 que n\u00e3o podemos extrair pilares. Sequer podemos pass\u00e1-las na m\u00e1quina de frios. De fato, elas provavelmente n\u00e3o v\u00e3o nem sair dos inv\u00f3lucros que as protegem da contamina\u00e7\u00e3o terr\u00e1quea. Para que pesquisadores como Lara possam analisar essas rochas, eles precisar\u00e3o aperfei\u00e7oar t\u00e9cnicas ainda menos destrutivas, que pulam as etapas de prepara\u00e7\u00e3o listadas ali atr\u00e1s. Com isso, a resolu\u00e7\u00e3o cai.<\/p>\n<p>Mesmo que as rochas marcianas se provem um alarme falso, e n\u00e3o haja nenhum resqu\u00edcio de vida em suas entranhas, esses esfor\u00e7os n\u00e3o ter\u00e3o sido em v\u00e3o. Afinal, h\u00e1 um outro planeta no Sistema Solar que com certeza cont\u00e9m vida: o nosso. E por bilh\u00f5es de anos essa vida foi microsc\u00f3pica. Animais e plantas s\u00e3o inven\u00e7\u00f5es evolutivas recentes. M\u00e1quinas como o\u00a0Sirius\u00a0d\u00e3o zoom nos nossos antepassados mais antigos &#8211; e revelam como a Terra, gra\u00e7as \u00e0s bact\u00e9rias, foi de um b\u00f3lido incandescente de magma ao planeta mais especial que conhecemos.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Por Super Interessante em 14\/04\/2021 Texto: Bruno Vaiano | Ilustra\u00e7\u00e3o: Gustavo Magalh\u00e3es | Design: Natalia Sayuri Lara A coisa mais limpa do mundo n\u00e3o est\u00e1 no mundo neste momento. 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