{"id":23064,"date":"2020-12-01T16:38:06","date_gmt":"2020-12-01T16:38:06","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.staging.wpengine.com\/?p=23064"},"modified":"2022-01-21T15:25:54","modified_gmt":"2022-01-21T18:25:54","slug":"luz-sincrotron-permite-rastrear-impacto-do-desastre-de-mariana-no-mar","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/luz-sincrotron-permite-rastrear-impacto-do-desastre-de-mariana-no-mar\/","title":{"rendered":"Luz s\u00edncrotron permite rastrear impacto do desastre de Mariana no mar"},"content":{"rendered":"<div class=\"c-news__wrap\" style=\"text-align: left;\">\n<figure><a href=\"https:\/\/sinteses.blogfolha.uol.com.br\/2020\/11\/04\/luz-sincrotron-permite-rastrear-impacto-do-desastre-de-mariana-no-mar\/\">Folha de S\u00e3o Paulo<\/a>, 04\/11\/2020<\/figure>\n<figure><\/figure>\n<figure class=\"c-post-image\"><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"384\" width=\"768\" decoding=\"async\" class=\"c-post-image__image u-responsive-image\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/sinteses.blogfolha.uol.com.br\/files\/2020\/11\/mar_ufes-768x384.jpeg?resize=768%2C384&#038;ssl=1\" alt=\"\" \/><\/figure>\n<p>Lama com rejeitos mancha o mar do Esp\u00edrito Santo (Cr\u00e9dito: Equipe de campo \u2013 UFES)<\/p>\n<div><\/div>\n<div class=\"c-signature\"><strong class=\"c-signature__author\">Mariana Pezzo<\/strong><\/div>\n<\/div>\n<div class=\"c-news__content\">\n<p>H\u00e1 cinco anos, na tarde de\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2020\/10\/apos-5-anos-atingidos-pela-lama-em-mariana-ainda-esperam-reparacao.shtml\">5 de novembro de 2015<\/a>, o rompimento da barragem do Fund\u00e3o, em Mariana, Minas Gerais, matou 19 pessoas e deixou um rastro de lama com res\u00edduos do processamento de min\u00e9rio de ferro que rapidamente chegou at\u00e9 a foz do Rio Doce, no litoral do Esp\u00edrito Santo. Sete meses depois, em 16 de junho de 2016, a mancha marrom chegou a\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/cotidiano\/2016\/01\/1727971-nao-ha-provas-de-que-mancha-na-ba-tenha-lama-de-mariana-diz-samarco.shtml\">Abrolhos<\/a>, importante \u2013e sens\u00edvel\u2013 ecossistema marinho brasileiro. Agora, j\u00e1 n\u00e3o \u00e9 mais t\u00e3o f\u00e1cil ver os rejeitos, o que n\u00e3o significa que eles n\u00e3o estejam l\u00e1.<\/p>\n<p>Pesquisa realizada por cientistas das universidades federais do Esp\u00edrito Santo (UFES), Sul da Bahia (UFSB) e da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), usando equipamentos do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas, permitiu estabelecer um marcador para rastreamento desse material em sedimentos de ambientes aqu\u00e1ticos \u2013no leito do Rio Doce e no oceano\u2013 ao longo do tempo. Esse marcador \u2013chamado de conjunto de minerais de ferro (IMS, do Ingl\u00eas\u00a0<em>iron mineralogical set<\/em>)\u2013 \u00e9 uma esp\u00e9cie de assinatura, ou impress\u00e3o digital, dos res\u00edduos armazenados na barragem do Fund\u00e3o antes do desastre.<\/p>\n<p>\u201cEu n\u00e3o consigo saber a origem de um sedimento s\u00f3 de olhar para ele. N\u00e3o s\u00e3o a cor, a textura ou a granulometria desse sedimento que me d\u00e3o esta resposta. Mas outras an\u00e1lises sim. Na ci\u00eancia forense, por exemplo, a an\u00e1lise do sedimento encontrado nas roupas de uma pessoa assassinada permite saber onde aquela pessoa foi morta, porque o sedimento tem a assinatura de um determinado local\u201d, explica Marcos Tadeu Orlando, da UFES, um dos coordenadores da pesquisa. No CNPEM, os pesquisadores utilizam as chamadas linhas de luz s\u00edncrotron,\u00a0em que este tipo de onda eletromagn\u00e9tica\u00a0permite investigar a estrutura, a composi\u00e7\u00e3o e as propriedades da mat\u00e9ria com muito mais precis\u00e3o que o olho humano.<\/p>\n<p>A composi\u00e7\u00e3o elementar de sedimentos \u2013isto \u00e9, a participa\u00e7\u00e3o de diferentes elementos qu\u00edmicos no material analisado\u2013 pode ser feita em equipamentos relativamente simples, usando t\u00e9cnicas convencionais. No caso, nos rejeitos da chamada barragem do Fund\u00e3o foram detectados majoritariamente ferro e sil\u00edcio, com n\u00edveis mais baixos de alum\u00ednio e tra\u00e7os de uma s\u00e9rie de outros elementos.<\/p>\n<p>No entanto, a chamada composi\u00e7\u00e3o cristalogr\u00e1fica, relativa \u00e0 estrutura que configura o marcador do min\u00e9rio processado pela Samarco em Mariana, s\u00f3 p\u00f4de ser determinada com precis\u00e3o usando os equipamentos do CNPEM. Essa composi\u00e7\u00e3o deriva da rocha de onde os min\u00e9rios eram retirados pela Samarco \u2013o itabirito, t\u00edpico daquela regi\u00e3o\u2013, dos fluidos usados no processamento, da efici\u00eancia desse processamento e, tamb\u00e9m, do intemperismo sofrido pelo material durante o armazenamento na pr\u00f3pria barragem.<\/p>\n<p>Para caracterizar essa composi\u00e7\u00e3o, os pesquisadores analisaram no CNPEM amostras de sedimentos coletados na \u00e1rea pr\u00f3xima \u00e0 barragem logo ap\u00f3s o rompimento e em diferentes pontos ao longo do Rio Doce, na sua foz e no oceano em diferentes momentos, desde antes do desastre at\u00e9 2019. Com isso, puderam estabelecer o IMS, cujas fases cristalogr\u00e1ficas majorit\u00e1rias s\u00e3o os min\u00e9rios de ferro hematita e magnetita, al\u00e9m de quartzo. Fases minorit\u00e1rias cont\u00eam goethita e grennalita (tamb\u00e9m min\u00e9rios de ferro) e um aluminossilicato.<\/p>\n<p>\u201cNosso desafio era imenso justamente porque era muito dif\u00edcil distinguir o sedimento coletado depois do rompimento daquele que estava no rio antes, j\u00e1 que havia caracter\u00edsticas muito semelhantes. Por dois anos, a gente tentava separar e n\u00e3o conseguia. Quando a lama chega todo mundo v\u00ea, mas depois, quando assenta no solo, voc\u00ea n\u00e3o consegue mais distinguir com clareza o que j\u00e1 estava l\u00e1 e o que chegou com o rejeito\u201d, explica Orlando. \u201cE esta \u00e9 uma quest\u00e3o importante inclusive porque est\u00e1 envolvida em\u00a0<a href=\"https:\/\/www1.folha.uol.com.br\/colunas\/marceloleite\/2018\/09\/relatorio-revela-brasil-complexo-contido-no-desastre-de-mariana.shtml\">indeniza\u00e7\u00f5es milion\u00e1rias<\/a>\u201d, exemplifica o pesquisador.<\/p>\n<p>A obten\u00e7\u00e3o do marcador facilita, a partir de agora, o monitoramento em campo, permitindo a identifica\u00e7\u00e3o inequ\u00edvoca e o acompanhamento dos rejeitos em locais a centenas de quil\u00f4metros de Mariana, e mesmo depois de cinco anos. Outra conclus\u00e3o importante da pesquisa \u00e9 que, neste momento, ainda n\u00e3o \u00e9 poss\u00edvel prever por quantos anos os res\u00edduos continuar\u00e3o presentes nesses ambientes e, assim, impactando a flora e a fauna.<\/p>\n<p>A melhor compreens\u00e3o deste impacto \u00e9, inclusive, o principal objetivo dos pesquisadores na continuidade do estudo, com a utiliza\u00e7\u00e3o do Sirius, novo acelerador do CNPEM. \u201cAntes, n\u00f3s n\u00e3o t\u00ednhamos o marcador, que agora permite o acompanhamento da presen\u00e7a dos res\u00edduos nos sedimentos usando apenas as t\u00e9cnicas convencionais. Mas j\u00e1 temos outra quest\u00e3o. O marcador vai ficando mais dilu\u00eddo com o tempo e, tamb\u00e9m, \u00e9 incorporado nos organismos, incluindo a microfauna e a microflora. Por isso, neste momento, o que a continuidade da pesquisa mais precisa \u00e9 de novas an\u00e1lises que ser\u00e3o possibilitadas pelo Sirius\u201d, conta Orlando.<\/p>\n<p>\u201cOs marcadores minerais n\u00e3o s\u00e3o, necessariamente, t\u00f3xicos, embora esta ainda seja uma quest\u00e3o em aberto. Mas, junto com esses minerais s\u00e3o arrastados elementos mais pesados e muito mais t\u00f3xicos, como merc\u00fario, ars\u00eanio, bromo e outros. Estes se acumulam ao longo da cadeia alimentar e causam danos celulares. Conseguir enxergar, junto aos minerais, a presen\u00e7a desses elementos, \u00e9 o pr\u00f3ximo passo que queremos dar\u201d, afirma Douglas Galante, coordenador da esta\u00e7\u00e3o experimental Carna\u00faba no Sirius.<\/p>\n<p>\u201cA Carna\u00faba \u00e9, basicamente, um gigantesco microsc\u00f3pio de raios X, que permite ver o que o olho humano n\u00e3o enxerga, com a luz vis\u00edvel. Por exemplo, a presen\u00e7a de metais pesados, de elementos t\u00f3xicos, no interior dos tecidos e das c\u00e9lulas. Ser\u00e1 poss\u00edvel, em breve, produzir imagens 2D ou 3D da presen\u00e7a desses elementos t\u00f3xicos dentro dos organismos, mas tamb\u00e9m nas rochas e no sedimento, fazer mapas para entender exatamente onde est\u00e1 cada um desses elementos\u201d, explica Galante. \u201cEm alguns microrganismos que acumulam esses elementos na sua carapa\u00e7a, por exemplo, ser\u00e1 poss\u00edvel acompanhar a sa\u00fade do oceano ao longo do tempo, como quando analisamos a idade de uma \u00e1rvore por seus an\u00e9is. A resolu\u00e7\u00e3o espacial \u00e0 qual estamos chegando na Carna\u00faba \u00e9 uma das mais altas em todo o mundo, e esperamos bater v\u00e1rios recordes mundiais aqui no Sirius\u201d, conclui o pesquisador.<\/p>\n<p>Os resultados da pesquisa que estabeleceu o marcador est\u00e3o no artigo \u201c<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/abs\/pii\/S0045653520313771\">Tracing iron ore tailings in the marine environment: An investigation of the Fund\u00e3o dam failure<\/a>\u201d (Rastreando rejeitos de min\u00e9rio de ferro no ambiente marinho: uma investiga\u00e7\u00e3o da falha da barragem do Fund\u00e3o), publicado em outubro na revista cient\u00edfica\u00a0<em>Chemosphere<\/em>.<\/p>\n<\/div>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Folha de S\u00e3o Paulo, 04\/11\/2020 Lama com rejeitos mancha o mar do Esp\u00edrito Santo (Cr\u00e9dito: Equipe de campo \u2013 UFES) Mariana Pezzo H\u00e1 cinco anos, na tarde de\u00a05 de novembro&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1163,12],"tags":[],"class_list":["post-23064","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem","category-clipping-lnls","category-1163","category-12","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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