{"id":19484,"date":"2018-06-29T17:34:51","date_gmt":"2018-06-29T17:34:51","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.staging.wpengine.com\/?p=19484"},"modified":"2026-03-02T16:00:46","modified_gmt":"2026-03-02T19:00:46","slug":"ha-vida-nas-estrelas","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/ha-vida-nas-estrelas\/","title":{"rendered":"H\u00e1 vida nas estrelas?"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/cultura.estadao.com.br\/blogs\/estado-da-arte\/ha-vida-nas-estrelas\/\">Estad\u00e3o<\/a> em 25\/06\/2018<\/p>\n<p>Prosseguindo a sua s\u00e9rie Bits de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, o Estado da Arte publica o segundo de uma s\u00e9rie de cinco textos relacionados a cada uma das confer\u00eancias apresentadas na Maratona Piau\u00ed Serrapilheira, realizada em maio no Instituto Moreira Salles no Rio de Janeiro.<\/p>\n<p>H\u00e1 vida fora do planeta Terra? Como sab\u00ea-lo? Essas foram as principais quest\u00f5es abordadas pela confer\u00eancia de Douglas Galante, pesquisador do Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncroton, em Campinas, vinculado ao Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), e um dos maiores especialistas brasileiros em Astrobiologia \u2013 o estudo sobre a exist\u00eancia de vida fora da Terra.<\/p>\n<p>\u00c9 claro que perguntar por isso leva-nos a uma pergunta anterior, em nada mais f\u00e1cil: o que \u00e9 a vida? Galante n\u00e3o pretendeu responder a esta quest\u00e3o. Como bom cientista que busca seguir um m\u00e9todo, colocou uma indaga\u00e7\u00e3o anterior: quais s\u00e3o as\u00a0condi\u00e7\u00f5es\u00a0para que existam formas de vida parecidas com aquelas da Terra? As bases f\u00edsico-qu\u00edmicas da mat\u00e9ria parecem ser sempre comuns \u00e0s formas de vida conhecidas. Poderiam elas ter existido em outras partes do universo? \u00c9 claro que isso responde a uma condi\u00e7\u00e3o necess\u00e1ria, mas n\u00e3o suficiente para tais formas de vida: ou seja, \u00e9\u00a0preciso\u00a0que haja certos tipos de mol\u00e9culas para que haja tais formas de vida, mas n\u00e3o \u00e9 claro se isto\u00a0basta\u00a0para que elas existam. Quer dizer que o que se analisa \u00e9 o\u00a0m\u00ednimo\u00a0para que formas de vida assim existam.<\/p>\n<p>Assim, por exemplo, ainda que n\u00e3o se creia que outras formas de vida devam obrigatoriamente possuir c\u00f3digo gen\u00e9tico em DNA, busca-se mesmo assim \u201cmol\u00e9culas informacionais\u201d que determinem o desenvolvimento do organismo. Outro caso not\u00e1vel \u00e9 o da \u00e1gua, indissoci\u00e1vel para n\u00f3s da vida na Terra: haveria outro solvente universal al\u00e9m dela que permitisse tais formas de vida?<\/p>\n<p>Descobrir vida em outros planetas poderia auxiliar tamb\u00e9m a compreender como a vida teria surgido na Terra. Fica claro que aqui funciona um tipo de racioc\u00ednio por analogia, muito importante nas descobertas cient\u00edficas. Se algo ocorreu num certo contexto, tamb\u00e9m poderia ter acontecido em condi\u00e7\u00f5es semelhantes em outro lugar. Na verdade, o campo da Astrobiologia parece desenvolver-se amplamente segundo este mecanismo. Ela considera, por exemplo, bact\u00e9rias que vivem em condi\u00e7\u00f5es extremas na Terra: se estes organismos podem sobreviver na Terra em temperatura, press\u00e3o ou acidez muito peculiares, isso seria ind\u00edcio de que em condi\u00e7\u00f5es an\u00e1logas em outras partes do universo eles\u00a0poderiam\u00a0existir. Assim \u00e9 que Galante contou trabalhar principalmente com dados sobre organismos terrestres e com\u00a0simula\u00e7\u00f5es\u00a0sobre o espa\u00e7o, analisando quais condi\u00e7\u00f5es seriam prop\u00edcias \u00e0 origem da vida, por exemplo, na lua Europa de J\u00fapiter.<\/p>\n<p>Cabe notar que a Astrobiologia limita-se a buscar a vida\u00a0tal como a conhecemos, e n\u00e3o qualquer forma de vida. No filme\u00a0Contato, a cientista interpretada por Jodie Foster decifra os sinais enviados por seres do espa\u00e7o para descobrir que eles indicam como construir uma m\u00e1quina. Esta conclu\u00edda, a doutora embarca e a liga, iniciando um tipo de viagem. Em vez de deparar-se com pequenos homens verdes, ela se encontra numa praia de areias claras, e v\u00ea vindo ao seu encontro seu pai, j\u00e1 morto. \u201cVoc\u00ea n\u00e3o \u00e9 real, nada disso \u00e9 real\u201d, diz a mulher, desorientada. \u201cQuando eu estava inconsciente, voc\u00ea extraiu meus pensamentos, minhas lembran\u00e7as\u201d. \u201cAchamos que assim seria mais f\u00e1cil para voc\u00ea\u201d, respondem\u00a0eles, sob a forma do seu pai. O contato foi feito, mas\u00a0eles\u00a0n\u00e3o podem se mostrar por completo. O\u00a0outro, enquanto outro, sempre se apresenta de maneira mais diferente do que o\u00a0eu\u00a0gostaria de cr\u00ea-lo. Os verdadeiros \u201calien\u00edgenas\u201d (palavra sin\u00f4nima de \u201cestrangeiro\u201d, \u201cestranho\u201d), caso existissem, seriam muito mais distintos do que esperamos. Os marcianos poderiam ser, n\u00e3o homenzinhos verdes, conforme nossa imagina\u00e7\u00e3o antropom\u00f3rfica ditou por tantos anos \u00e0 fic\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, mas uma forma de exist\u00eancia que nos passasse despercebida enquanto vida \u2013 algo que se assemelhasse para n\u00f3s, por exemplo, a pedras ou mesmo ao ar. Seriam formas de vida \u201cinvis\u00edveis\u201d aos nossos olhos: algo que a Astrobiologia denomina \u201cbiosfera oculta\u201d.<\/p>\n<p>Galante foi direto em dizer que a ci\u00eancia n\u00e3o sabe hoje qual \u00e9 a origem da vida \u2013 o que existem s\u00e3o algumas teorias. Geralmente, disse Galante, trabalha-se com a concep\u00e7\u00e3o de que a vida biol\u00f3gica deve ser um sistema que: 1\/ separa um dentro e um fora; 2\/ carrega informa\u00e7\u00e3o; 3\/ produz energia. A \u201cbioqu\u00edmica ex\u00f3tica\u201d estuda sistemas vivos que n\u00e3o s\u00e3o feitos de carbono, ou que tenham material gen\u00e9tico diferente, ou ainda que usem outros solventes que n\u00e3o a \u00e1gua. Mas, disse Galante, ainda assim continua-se com a mesma concep\u00e7\u00e3o sobre os\u00a0tipos\u00a0de condi\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 vida.<\/p>\n<p>Mas a quest\u00e3o sobre o que \u00e9 necess\u00e1rio para caracterizar a vida de um ponto de vista biol\u00f3gico n\u00e3o \u00e9 nada f\u00e1cil. Poder\u00edamos imaginar que toda forma de vida conhecida \u00e9 constitu\u00edda por c\u00e9lulas. Mas dever\u00edamos dizer que um v\u00edrus n\u00e3o \u00e9 vivo? Galante apresentou uma concep\u00e7\u00e3o mais abrangente: seria vivo aquilo que depende\u00a0de uma c\u00e9lula para viver (e n\u00e3o apenas aquilo que \u00e9\u00a0constitu\u00eddo\u00a0por c\u00e9lulas) \u2013 nesta linha, v\u00edrus podem ser considerados seres vivos. Na defini\u00e7\u00e3o de Galante, at\u00e9 mesmo o pr\u00edon (um tipo de prote\u00edna autorreplicante) seria vivo: ele funciona como um aut\u00f4mato celular \u2013 ele \u00e9 capaz de transmitir informa\u00e7\u00e3o \u2013 e depende de uma c\u00e9lula para viver.<\/p>\n<p>Galante arriscou mesmo uma defini\u00e7\u00e3o de vida: um sistema que tem um conjunto de informa\u00e7\u00e3o e que \u00e9 capaz de transmitir essa informa\u00e7\u00e3o adiante, captando energia e modificando seu meio.\u00a0No entanto, seguindo esta defini\u00e7\u00e3o, por que \u00e9 que um \u201cv\u00edrus\u201d (de computador) n\u00e3o estaria \u201cvivo\u201d? Ser\u00e1 que o foco no aspecto informacional da vida n\u00e3o nos leva a um potencial desligamento da no\u00e7\u00e3o de formas de vida biol\u00f3gicas? Podemos pensar que as defini\u00e7\u00f5es de vida com as quais temos contato s\u00e3o meramente instrumentais, sem possu\u00edrem de fato um crit\u00e9rio demarcat\u00f3rio claro e universal. Sob um ponto de vista filos\u00f3fico, poder\u00edamos talvez dizer que nem tudo aquilo que podemos reconhecer como distinto pode ser definido por n\u00f3s.<\/p>\n<p>A Astrobiologia avan\u00e7a portanto em grande parte analisando bact\u00e9rias extrem\u00f3filas (\u201camigas dos extremos\u201d) \u2013 aquelas que podem viver em temperaturas, pH ou press\u00e3o peculiares. Se tais organismos podem sobreviver nessas condi\u00e7\u00f5es, poderiam estar tamb\u00e9m em diversos outros lugares do universo, ou ainda no passado remoto de planetas j\u00e1 conhecidos por n\u00f3s. Quer dizer que esses seriam os organismos mais prov\u00e1veis de serem encontrados em lugares fora da Terra. Mas onde se encontram tais organismos em nosso planeta? Em diversos lugares, como no deserto do Atacama, ou na regi\u00e3o de Araruama (MG), onde pode-se analisar f\u00f3sseis estromat\u00f3litos de cianobact\u00e9rias.<\/p>\n<p>Um aspecto interessante \u00e9 que bact\u00e9rias extrem\u00f3filas n\u00e3o t\u00eam necessariamente a capacidade de se proliferar em situa\u00e7\u00f5es extremas como uma qualidade adicional \u00e0 da vida \u201cpadr\u00e3o\u201d. H\u00e1 organismos, por exemplo, que\u00a0apenas\u00a0se proliferam em condi\u00e7\u00f5es com poucos nutrientes \u2013 quando, ao contr\u00e1rio, h\u00e1 muitos nutrientes, eles n\u00e3o sobrevivem. Trata-se, portanto, de organismos com um metabolismo extremamente distinto daquele com os quais estamos acostumados. Poderia-se crer que, h\u00e1 bilh\u00f5es de anos, formas de vida an\u00e1logas existiram em outros astros do universo.<\/p>\n<p>Mas como teria a vida surgido por aqui? A verdade \u00e9 que n\u00e3o h\u00e1 consenso cient\u00edfico sobre como a vida apareceu na Terra. Segundo Galante, h\u00e1 duas abordagens fundamentais \u00e0 quest\u00e3o: aquela\u00a0bottom-up, que considera os elementos f\u00edsico-qu\u00edmicos das formas conhecidas de vida e tenta entender como eles podem se compor para gerar vida; e a\u00a0top-down, que considera a biodiversidade da Terra e analisa o parentesco das formas de vida terr\u00e1quea, para compreender como essas podem ter surgido. Galante, por exemplo, faz simula\u00e7\u00f5es para compreender como mol\u00e9culas org\u00e2nicas poderiam ter aparecido \u2013 quanto \u00e0 forma\u00e7\u00e3o de c\u00e9lulas, ele declarou, isso \u00e9 muito mais complicado.<\/p>\n<p>\u00c9 evidente que o segundo tipo de abordagem est\u00e1 relacionado de alguma maneira ao darwinismo. Um detalhe interessante ressaltado por Galante \u00e9 que Darwin\u00a0n\u00e3o\u00a0fala sobre a origem da vida no livro\u00a0A origem das esp\u00e9cies, mas o faz numa c\u00e9lebre carta ao bot\u00e2nico J. D. Hooker. Darwin imagina que se (com \u201cum grande se\u201d, em suas pr\u00f3prias palavras) em uma \u201cpo\u00e7a d\u2019\u00e1gua quente\u201d, na qual sais de f\u00f3sforo e de am\u00f4nio estariam presentes, existissem as condi\u00e7\u00f5es adequadas de eletricidade, de calor e de luz, um cen\u00e1rio poss\u00edvel para a vida estaria aberto. Poder\u00edamos tentar assim remeter-nos a uma forma de vida origin\u00e1ria da evolu\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>Fala-se atualmente de um certo\u00a0LUCA\u00a0\u2013 o\u00a0\u00faltimo ancestral comum universal, segundo a sigla em ingl\u00eas (\u201cLast Universal Common Ancestral\u201d). Galante, entretanto, enfatizou que a origem da vida poderia ter acontecido diversas vezes \u2013 umas das quais foi muito bem sucedida. Neste sentido, ter\u00edamos um modelo de \u201campulheta\u201d: diversas origens da vida \u201cconcentrariam-se\u201d no LUCA, que seria a forma de vida que teve sucesso dentre todas essas. Mas a quest\u00e3o \u00e9 como demonstrar isso.<\/p>\n<p>Quanto \u00e0 origem da vida, Galante aceita \u201ca teoria do desequil\u00edbrio qu\u00edmico\u201d: a ideia de que a vida\u00a0\u00a0depende do consumo de energia e de sua transforma\u00e7\u00e3o. Do ponto de vista celular, sabemos que a membrana da mitoc\u00f4ndria produz mol\u00e9culas de ATP, as quais funcionam como um armazenamento de energia. Este processo \u00e9 feito a partir de um desequil\u00edbrio qu\u00edmico entre \u00edons que est\u00e3o fora ou dentro da membrana. \u00c9 um processo de transforma\u00e7\u00e3o de energia potencial em energia cin\u00e9tica, como numa usina hidrel\u00e9trica. A \u00e1gua cai, diminuindo a sua energia potencial; ao mesmo tempo, ela gira um motor que faz aumentar a energia cin\u00e9tica.<\/p>\n<p>Galante tem analisado alguns contextos na Terra onde a vida poderia ter surgido a partir de desequil\u00edbrios qu\u00edmicos. N\u00e3o se trata da \u201cpo\u00e7a quente\u201d de Darwin: em particular, ele pesquisa fontes termais submarinas, ou seja, vulc\u00f5es no fundo do oceano que expelem \u00e1gua aquecida pelo manto terrestre, carregando minerais. A sa\u00edda desta \u00e1gua quente no fundo oce\u00e2nico frio gera um desequil\u00edbrio qu\u00edmico. Pr\u00f3ximo ao Tri\u00e2ngulo das Bermudas, tem sido estudada uma regi\u00e3o chamada\u00a0Lost city, na qual aparecem colunas de \u00e1gua aquecida com minerais. Estaria a\u00ed, quase evocando uma Atl\u00e2ntida perdida, um poss\u00edvel cen\u00e1rio de origem da vida segundo a teoria endossada por Galante.<\/p>\n<p>Galante \u00e9 pesquisador em um acelerador de part\u00edculas, o Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncroton, em Campinas. Al\u00e9m disso, ele participa do projeto do Sirius, o grande acelerador de part\u00edculas que est\u00e1 sendo constru\u00eddo em Campinas desde 2014, fruto de um projeto bilion\u00e1rio financiado pelo governo federal (ele est\u00e1 or\u00e7ado em R$ 1,5 bi), e que ter\u00e1 uma pot\u00eancia cinco vezes maior do que o acelerador j\u00e1 existente. Tal acelerador deve se tornar uma refer\u00eancia n\u00e3o apenas no Brasil, mas mesmo no cen\u00e1rio mundial de pesquisa.<\/p>\n<p>A import\u00e2ncia dos aceleradores de part\u00edculas para a Astrobiologia \u00e9 que eles permitem bombardear bact\u00e9rias e biomol\u00e9culas; pode-se, assim, estudar a estrutura tridimensional de uma c\u00e9lula individual. Em particular, Galante faz imagens 3D com resolu\u00e7\u00e3o nanom\u00e9trica de amostras geol\u00f3gicas e paleontol\u00f3gicas \u2013 algo que poder\u00e1 ser feito no Sirius com uma maior resolu\u00e7\u00e3o e uma melhor sensibilidade.\u00a0Al\u00e9m disso, ele faz o mapeamento dos elementos qu\u00edmicos e minerais presentes nessas amostras, usando essa t\u00e9cnica para estudar algumas das primeiras e supostas formas de vida (microbiana) de nosso planeta, e para dizer se seriam de fato biol\u00f3gicas ou n\u00e3o.\u00a0Essa mesma t\u00e9cnica, ele prop\u00f5e, poder\u00e1 ser usada para caracterizar as amostras que algum dia voltar\u00e3o de Marte, para podermos dizer se houve vida l\u00e1 ou n\u00e3o.<\/p>\n<p>Graduado no Curso de Ci\u00eancias Moleculares da USP e doutor e p\u00f3s-doutor em Astronomia pela mesma universidade, Galante \u00e9 ainda um dos pesquisadores \u00e0 frente da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.garatea.space\/\">Miss\u00e3o Garat\u00e9a<\/a>\u00a0(do Tupi-Guarani \u201cBusca Vidas\u201d), que pretende enviar uma sonda brasileira \u00e0 \u00f3rbita da lua nos pr\u00f3ximos anos. A Garat\u00e9a pretende ainda testar a sobreviv\u00eancia de certas bact\u00e9rias extrem\u00f3filas e de diversas formas de vida \u2013 inclusive c\u00e9lulas humanas \u2013 no espa\u00e7o, mais precisamente na \u00f3rbita lunar.<\/p>\n<p>Ainda que os homenzinhos verdes n\u00e3o tenham se mostrado a n\u00f3s, novos ind\u00edcios na dire\u00e7\u00e3o das hip\u00f3teses de Galante apareceram antes mesmo do que ele previra. Menos de um m\u00eas ap\u00f3s a sua confer\u00eancia,\u00a0<a href=\"https:\/\/science.sciencemag.org\/content\/360\/6393\/1096\">um estudo foi publicado na revista Science<\/a>, indicando a exist\u00eancia de \u201cmat\u00e9ria org\u00e2nica\u201d em Marte. A sonda\u00a0Curiosity\u00a0extraiu material rochoso de 3,5 bilh\u00f5es de anos de idade da cratera marciana\u00a0Gale, evidenciando rochas nas quais um grupo liderado por uma pesquisadora da NASA identificou mol\u00e9culas associadas \u00e0 vida terrestre. Trata-se de mol\u00e9culas de metano, contendo carbono e hidrog\u00eanio: \u00e1tomos de elementos geralmente associados \u00e0 vida na Terra. A origem das mol\u00e9culas, por\u00e9m, n\u00e3o \u00e9 necessariamente biol\u00f3gica: elas poderiam tamb\u00e9m ter vindo de meteoritos, ou de uma forma\u00e7\u00e3o geol\u00f3gica. Os experimentos cient\u00edficos nos fazem avan\u00e7ar, mas para ter os p\u00e9s no ch\u00e3o temos de lembrar que seu alcance \u00e9 sempre limitado.<\/p>\n<p>Talvez, antes de chegarmos \u00e0s estrelas, possamos pensar um pouco mais sobre a vida \u2013 a qual n\u00e3o \u00e9 t\u00e3o f\u00e1cil de se apreender cientificamente, ainda que possamos fazer tanto a partir dela. Antes, talvez, de perguntarmo-nos com David Bowie se h\u00e1 vida em Marte, poder\u00edamos perguntar-nos com Calder\u00f3n de la Barca:<\/p>\n<p>\u00bfQu\u00e9 es la vida? Un frenes\u00ed.<br \/>\n\u00bfQu\u00e9 es la vida? Una ilusi\u00f3n,<br \/>\nuna sombra, una ficci\u00f3n,<br \/>\ny el mayor bien es peque\u00f1o:<br \/>\nque toda la vida es sue\u00f1o,<br \/>\ny los sue\u00f1os, sue\u00f1os son.<\/p>\n<p>Jo\u00e3o Cortese\u00a0\u00e9 doutor em Epistemologia e Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia pela Universidade de Paris 7 e em Filosofia pela USP.<\/p>\n<p>A palestra de Douglas Galante pode ser vista na \u00edntegra\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=gqPXGYLL80k\">aqui<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Estad\u00e3o em 25\/06\/2018 Prosseguindo a sua s\u00e9rie Bits de divulga\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, o Estado da Arte publica o segundo de uma s\u00e9rie de cinco textos relacionados a cada uma das confer\u00eancias&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1163,615,12],"tags":[],"class_list":["post-19484","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem","category-releases-lnls","category-clipping-lnls","category-1163","category-615","category-12","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.0 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>H\u00e1 vida nas estrelas? 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