{"id":17610,"date":"2017-10-02T15:37:36","date_gmt":"2017-10-02T15:37:36","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.staging.wpengine.com\/?p=17610"},"modified":"2026-03-02T16:05:10","modified_gmt":"2026-03-02T19:05:10","slug":"reformas-estruturais-sao-um-elemento-fundamental","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/reformas-estruturais-sao-um-elemento-fundamental\/","title":{"rendered":"\u201cReformas estruturais s\u00e3o um elemento fundamental\u201d"},"content":{"rendered":"<p><em>Panorama Mercantil em 20\/09\/2017<\/em><\/p>\n<p><strong>LINK<\/strong>:\u00a0<a href=\"https:\/\/www.panoramamercantil.com.br\/reformas-estruturais-sao-um-elemento-fundamental-pedro-wongtschowski-presidente-do-iedi-e-membro-do-conselho-de-administracao-da-ultrapar-participacoes\/\">https:\/\/www.panoramamercantil.com.br\/reformas-estruturais-sao-um-elemento-fundamental-pedro-wongtschowski-presidente-do-iedi-e-membro-do-conselho-de-administracao-da-ultrapar-participacoes\/<\/a><\/p>\n<p>Pedro Wongtschowski \u00e9 engenheiro qu\u00edmico, mestre e doutor em Engenharia pela Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo. Foi diretor superintendente da Oxiteno (1992-2006). Entre janeiro de 2007 e dezembro de 2012 foi presidente da Ultrapar Participa\u00e7\u00f5es. \u00c9 presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM). \u00c9 presidente do Conselho de Administra\u00e7\u00e3o da Empresa Brasileira de Pesquisa e Inova\u00e7\u00e3o Industrial (Emprapii) e presidente do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (IEDI). \u00c9 membro do conselho de administra\u00e7\u00e3o de diversas empresas, incluindo a Ultrapar Participa\u00e7\u00f5es e Embraer, e de institui\u00e7\u00f5es n\u00e3o-governamentais na \u00e1rea de tecnologia, empreendedorismo e inova\u00e7\u00e3o. \u00c9 pesquisador associado do N\u00facleo de Pol\u00edtica e Gest\u00e3o Tecnol\u00f3gica da USP desde 2012. \u201c\u00c9 dif\u00edcil avaliar qual o sentimento geral dos empres\u00e1rios da ind\u00fastria neste instante, porque a crise atinge diferentemente cada um dos seus setores. Tenho impress\u00e3o que o empres\u00e1rio v\u00ea a trajet\u00f3ria econ\u00f4mica para daqui seis meses ou mais um pouco melhor do que no ano passado, dado que alguns sinais de recupera\u00e7\u00e3o j\u00e1 s\u00e3o vistos, mesmo que de modo t\u00eanue. Mas \u00e9 preciso reconhecer que o empres\u00e1rio \u00e9 um otimista por defini\u00e7\u00e3o, dado seu car\u00e1ter empreendedor\u201d, afirma o presidente do IEDI.<span id=\"more-23186\"><\/span><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Em 2015, o senhor disse que a crise econ\u00f4mica era mais grave que a crise pol\u00edtica. Continua com a mesma an\u00e1lise, ou tem um feeling diferente para este momento?<\/strong><\/p>\n<p>Em 2015, o que se colocava era uma crise econ\u00f4mica muito forte, a atingir sobretudo o setor industrial. A partir de 2016, as perdas na esfera econ\u00f4mica se conjugaram com um quadro pol\u00edtico em intensa deteriora\u00e7\u00e3o, prejudicando evidentemente o desempenho de todas as atividades produtivas. A despeito disso, mais para o final do ano, entramos em um per\u00edodo de modera\u00e7\u00e3o que em 2017 se converteu em uma incipiente recupera\u00e7\u00e3o. De fato, o quadro em 2017 est\u00e1 menos adverso, mas nem por isso trata-se de uma trajet\u00f3ria firme de recupera\u00e7\u00e3o. As altas, inclusive na ind\u00fastria, que sentiu mais fortemente a crise, ainda s\u00e3o muito baixas e n\u00e3o contemplam todos os setores.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=dIlJuWi8gos\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">[v\u00eddeo]<\/a><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>A desindustrializa\u00e7\u00e3o \u00e9 real?<\/strong><\/p>\n<p>Prefiro falar em decl\u00ednio da participa\u00e7\u00e3o da ind\u00fastria na economia brasileira. Isso porque a ind\u00fastria n\u00e3o retrocedeu em termos absolutos. Continua sendo um setor fundamental para a gera\u00e7\u00e3o de receita fiscal para o Governo, para o emprego de melhor qualidade e de maior rendimento e, principalmente, para a produ\u00e7\u00e3o de novas tecnologias e novos processos produtivos. Ainda assim, o setor industrial perdeu muitas oportunidades devido a um conjunto de fatores que tornam o ambiente econ\u00f4mico bastante hostil a esse tipo de atividade. Dentre os mais destacados est\u00e1 a exist\u00eancia de elevados custos sist\u00eamicos, decorrentes, por exemplo, de uma infraestrutura insuficiente e obsoleta e de uma estrutura tribut\u00e1ria muito complexa e onerosa. Al\u00e9m disso, temos suportado taxas de juros das mais elevadas do mundo por muito tempo, encarecendo o custo de capital e desestimulando os investimentos necess\u00e1rios para o avan\u00e7o da produtividade. Al\u00e9m desses fatores, per\u00edodos longos de taxa de c\u00e2mbio apreciada retirou competitividade do produto nacional n\u00e3o s\u00f3 nos mercados internacionais, prejudicando a inser\u00e7\u00e3o brasileira nas cadeias globais de valor, como tamb\u00e9m no pr\u00f3prio mercado dom\u00e9stico, expondo o sistema produtivo a uma concorr\u00eancia extremamente acirrada com o produto importado. Esse quadro e a crise recente criam grandes desafios para o Brasil acompanhar a pr\u00f3xima Revolu\u00e7\u00e3o Industrial, conhecida como Ind\u00fastria 4.0.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Como o senhor tem sentido o sentimento dos empres\u00e1rios da ind\u00fastria neste instante?<\/strong><\/p>\n<p>\u00c9 dif\u00edcil avaliar qual o sentimento geral dos empres\u00e1rios da ind\u00fastria neste instante, porque a crise atinge diferentemente cada um dos seus setores. Tenho impress\u00e3o que o empres\u00e1rio v\u00ea a trajet\u00f3ria econ\u00f4mica para daqui seis meses ou mais um pouco melhor do que no ano passado, dado que alguns sinais de recupera\u00e7\u00e3o j\u00e1 s\u00e3o vistos, mesmo que de modo t\u00eanue. Mas \u00e9 preciso reconhecer que o empres\u00e1rio \u00e9 um otimista por defini\u00e7\u00e3o, dado seu car\u00e1ter empreendedor. De toda maneira, os \u00edndices muito elevados de ociosidade da capacidade produtiva desautorizam um cen\u00e1rio de iminente retomada dos investimentos, mesmo que a confian\u00e7a do empresariado continue evoluindo positivamente.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>E quais s\u00e3o as suas perspectivas para o cen\u00e1rio em um m\u00e9dio prazo?<\/strong><\/p>\n<p>As crises pol\u00edtica e econ\u00f4mica pela qual passamos possuem intera\u00e7\u00f5es complexas que dificultam tra\u00e7ar um cen\u00e1rio de m\u00e9dio e longo prazo que seja de fato confi\u00e1vel. Turbul\u00eancias pol\u00edticas e deteriora\u00e7\u00f5es adicionais no n\u00edvel de atividade econ\u00f4mica n\u00e3o podem ser completamente descartadas. Este aspecto, inclusive, ajuda explicar porque nossa recupera\u00e7\u00e3o tem sido parcial e muito lenta. No curto prazo, contudo, e sob um ponto de vista estritamente econ\u00f4mico, 2017 deve terminar com um desempenho melhor da economia, mesmo que quest\u00f5es importantes, tais como o ajuste fiscal e o reequil\u00edbrio do balan\u00e7o das empresas, ainda precisem ser resolvidas.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>O Brasil exporta um pouco mais de 11% do PIB (Produto Interno Bruto). Por que um pa\u00eds com essa dimens\u00e3o \u00e9 t\u00e3o fechado?<\/strong><\/p>\n<p>Devido a in\u00fameras causas, muitas delas j\u00e1 mencionadas anteriormente, como o chamado\u00a0<a href=\"https:\/\/www.youtube.com\/watch?v=6doLTgjMnIM\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Custo Brasil<\/a>, que impacta sobremaneira a competitividade industrial, o c\u00e2mbio bastante vol\u00e1til al\u00e9m de valorizado por longos per\u00edodos, e um custo de capital elevado, dif\u00edcil de ser compatibilizado com os padr\u00f5es de rentabilidade de muitas atividades produtivas. Al\u00e9m disso, \u00e9 preciso reconhecer que o Brasil ficou de fora das grandes tend\u00eancias globais, especialmente de acordos comerciais importantes, que foram utilizados com intelig\u00eancia por economias emergentes mais agressivas no com\u00e9rcio internacional.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais seriam as sa\u00eddas para uma maior abertura para as exporta\u00e7\u00f5es?<\/strong><\/p>\n<p>A solu\u00e7\u00e3o vir\u00e1 de uma pol\u00edtica mais adequada de c\u00e2mbio e juros e de uma participa\u00e7\u00e3o mais estreita do Brasil em acordos internacionais de com\u00e9rcio.<br \/>\n<strong>Poderia nos falar qual o seu papel central como presidente do IEDI?<\/strong><\/p>\n<p>Como presidente do\u00a0<a href=\"https:\/\/www.iedi.org.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IEDI<\/a>, o nosso papel \u00e9 representar as principais vis\u00f5es e recomenda\u00e7\u00f5es do Conselho do Instituto, que \u00e9 formado por quase 50 empres\u00e1rios da maior relev\u00e2ncia do cen\u00e1rio industrial do pa\u00eds, junto \u00e0 sociedade e ao Governo. Nossa tradi\u00e7\u00e3o \u00e9 de sugerir pol\u00edticas horizontais, que favore\u00e7am o desenvolvimento de todos os setores, contribuindo para o aumento da produtividade e da competitividade da ind\u00fastria brasileira, sempre almejando uma participa\u00e7\u00e3o mais expressiva na ind\u00fastria mundial.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Recentemente, o senhor afirmou que os la\u00e7os entre o setor p\u00fablico e privado deveriam ser reformulados. Como se daria essa reformula\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>O grande n\u00famero de den\u00fancias de corrup\u00e7\u00e3o trouxe um certo constrangimento para o setor empresarial brasileiro, mesmo que a maioria sempre tenha operado com respeito \u00e0s leis, adotando elevado padr\u00e3o de governan\u00e7a. A corrup\u00e7\u00e3o sist\u00eamica distorce o comportamento dos empres\u00e1rios e dos agentes p\u00fablicos que, em nome de interesses particulares e espec\u00edficos, deixam de procurar o bem comum. Com isso, perde a sociedade e perde o sistema econ\u00f4mico, porque a corrup\u00e7\u00e3o, no fundo, \u00e9 um importante fator de distor\u00e7\u00e3o da competitividade. A reformula\u00e7\u00e3o das rela\u00e7\u00f5es do setor p\u00fablico e do setor privado \u00e9 uma tarefa de todas as lideran\u00e7as empresariais que atuam dentro da legalidade e precisam que este comportamento se generalize, a bem de uma isonomia competitiva.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Quais seriam os desafios mais urgentes para o desenvolvimento brasileiro na chamada \u201cQuarta Revolu\u00e7\u00e3o Industrial?\u201d.<\/strong><\/p>\n<p>Essa \u00e9 uma quest\u00e3o da maior relev\u00e2ncia. E da maior urg\u00eancia, dadas as dificuldades enfrentadas h\u00e1 muito tempo pela ind\u00fastria nacional. O restante do mundo n\u00e3o vai esperar que resolvamos os problemas que j\u00e1 temos. Ainda que exista muita incerteza em rela\u00e7\u00e3o \u00e0s implica\u00e7\u00f5es das novas tecnologias, a Ind\u00fastria 4.0 j\u00e1 \u00e9 uma realidade. Os principais pa\u00edses industriais do mundo, como Alemanha, Jap\u00e3o, EUA e mesmo a China, est\u00e3o ativamente formulando pol\u00edticas para acelerar essa nova Revolu\u00e7\u00e3o Industrial. De forma pragm\u00e1tica, dever\u00edamos estudar o que est\u00e3o fazendo e tra\u00e7ar nossa pr\u00f3pria estrat\u00e9gia. Este \u00e9 um momento de ter ambi\u00e7\u00e3o, porque se as novas tecnologias trazem desafios importantes, tamb\u00e9m abrem oportunidades \u00edmpares. Precisamos pensar seriamente em melhorar nosso sistema de educa\u00e7\u00e3o, aperfei\u00e7oar programas e medidas de apoio \u00e0 ci\u00eancia, tecnologia e inova\u00e7\u00e3o, de modo a contemplar as \u00e1reas centrais da\u00a0<a href=\"https:\/\/www.citisystems.com.br\/industria-4-0\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ind\u00fastria 4.0<\/a>. Este \u00e9 um esfor\u00e7o coletivo, que deve envolver empresas, universidades e governos.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Produtividade baixa se resolve com competi\u00e7\u00e3o?<\/strong><\/p>\n<p>Como se sabe, produtividade \u00e9 algo extremamente complexo e que mostra diferentes faces. Resulta de ac\u00famulo de capital humano, de boas pr\u00e1ticas regulat\u00f3rias, de infraestrutura moderna, do arcabou\u00e7o nacional de apoio \u00e0 pesquisa, desenvolvimento e inova\u00e7\u00e3o e de um ambiente de saud\u00e1vel concorr\u00eancia no meio empresarial que se traduza em um din\u00e2mico processo de inova\u00e7\u00e3o. Isso para n\u00e3o falarmos de itens mais relacionados \u00e0 microeconomia. Em muitas atividades e em muitos setores, o n\u00edvel de produtividade atingida dentro dos muros das f\u00e1bricas nacionais n\u00e3o deixa a desejar a nenhum de nossos competidores estrangeiros. O problema \u00e9 que muito disso \u00e9 perdido devido a fatores sist\u00eamicos ou macroecon\u00f4micos. Usufruir de uma maior integra\u00e7\u00e3o externa, seja de nossas empresas no exterior, seja de estrangeiros no Brasil, ou ainda de um fluxo mais expressivo de com\u00e9rcio internacional, tamb\u00e9m \u00e9 um fator importante para alavancar a produtividade.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Acredita que a recupera\u00e7\u00e3o da economia brasileira vir\u00e1 em quanto tempo?<\/strong><\/p>\n<p>A economia mostra sinais de que come\u00e7a a reagir. Se entendermos a recupera\u00e7\u00e3o como um processo sustentado de crescimento, isso est\u00e1 mais perto de acontecer do que j\u00e1 esteve nos \u00faltimos anos, mas nada est\u00e1 garantido. Outros fatores se fazem necess\u00e1rios, a come\u00e7ar por uma maior estabilidade pol\u00edtica. As reformas, especialmente a da Previd\u00eancia e tamb\u00e9m a Tribut\u00e1ria, que vem sendo ventilada, contribuiriam muito para isso. As reformas estruturais s\u00e3o um elemento fundamental e quanto melhor forem desenhadas e mais rapidamente forem aprovadas, mais robusta ser\u00e1 nossa recupera\u00e7\u00e3o.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Panorama Mercantil em 20\/09\/2017 LINK:\u00a0https:\/\/www.panoramamercantil.com.br\/reformas-estruturais-sao-um-elemento-fundamental-pedro-wongtschowski-presidente-do-iedi-e-membro-do-conselho-de-administracao-da-ultrapar-participacoes\/ Pedro Wongtschowski \u00e9 engenheiro qu\u00edmico, mestre e doutor em Engenharia pela Escola Polit\u00e9cnica da Universidade de S\u00e3o Paulo. Foi diretor superintendente da Oxiteno (1992-2006). 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