{"id":17383,"date":"2017-09-05T12:45:47","date_gmt":"2017-09-05T12:45:47","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.staging.wpengine.com\/?p=17383\/"},"modified":"2022-11-10T16:02:53","modified_gmt":"2022-11-10T19:02:53","slug":"fermentacao-continua-ou-em-batelada","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/fermentacao-continua-ou-em-batelada\/","title":{"rendered":"Fermenta\u00e7\u00e3o: cont\u00ednua ou em batelada?"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/www.revistarpanews.com.br\/120-edicao2015\/edicao-192\/3100-tecnologia-industrial-fermentacao\">RPANews<\/a>, 28 de agosto\/2017<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MESMO APRESENTANDO CUSTOS MENORES DE OPERA\u00c7\u00c3O E OUTRAS VANTAGENS, O SISTEMA CONT\u00cdNUO N\u00c3O SUPERA, NA MAIORIA DOS CASOS, O RENDIMENTO DA FERMENTA\u00c7\u00c3O EM BATELADA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A discuss\u00e3o \u00e9 bastante antiga, mas o tema ainda gera d\u00favidas quando o assunto \u00e9 fermenta\u00e7\u00e3o, afinal, qual \u00e9 o melhor sistema? Cont\u00ednuo ou em batelada? Bem, apesar da resposta parecer \u00f3bvia para alguns, o assunto ainda tem muito a ser discutido, afinal, unidades que desejam elevar suas efici\u00eancias no processo de fermenta\u00e7\u00e3o muitas vezes n\u00e3o sabem quais os reais ganhos e perdas de cada um destes dois sistemas, que continuam sendo pesquisados e aprimorados por centros de pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fermenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua foi proposta pelo CTC (Centro de Tecnologia Canavieira) nos anos 80 e se baseia na alimenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua de todo o mosto &#8211;\u00a0l\u00edquido a\u00e7ucarado que pode ser fermentado &#8211; para uma ou mais dornas que se mant\u00e9m permanentemente cheias durante o processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cO vinho, j\u00e1 parcialmente fermentado, segue por transbordamento para uma segunda dorna tamb\u00e9m mantida cheia, e, em seguida, para uma terceira ou quarta, em s\u00e9rie, at\u00e9 que todos os a\u00e7\u00facares tenham sido consumidos. Este processo acontece no mesmo tempo da fermenta\u00e7\u00e3o em batelada. Da \u00faltima dorna, o vinho fermentado segue para a centrifuga\u00e7\u00e3o, onde o leite de levedura \u00e9 tratado, em geral tamb\u00e9m continuamente com \u00e1gua e \u00e1cido em mais de um tanque em s\u00e9rie. Da\u00ed o fermento tratado segue de volta para a primeira dorna onde \u00e9 alimentado junto com o mosto\u201d, explica Jaime Finguerut, diretor do ITC (Instituto de Tecnologia Canavieira).<\/p>\n<figure class=\"image pull-left\" style=\"text-align: justify;\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.revistarpanews.com.br\/images\/edicoes\/ed192\/Daniel%20Atala_opt.jpeg?resize=158%2C237&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"158\" height=\"237\" \/><figcaption>Atala explica que o sistema<br \/>\nde Fermenta\u00e7\u00e3o Cont\u00ednuo<br \/>\nMultiest\u00e1gio, desenvolvido<br \/>\npelo CTBE, permite alcan\u00e7ar<br \/>\nvinhos fermentados com 15%<br \/>\nem volume de teor alco\u00f3lico<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">J\u00e1 a fermenta\u00e7\u00e3o em batelada, que tamb\u00e9m pode ser chamada de descont\u00ednua \u00e9, em termos de biotecnologia industrial, um processo fermentativo caracterizado pela inocula\u00e7\u00e3o e incuba\u00e7\u00e3o de microrganismos de modo que forne\u00e7a boas condi\u00e7\u00f5es para a fermenta\u00e7\u00e3o. O modo de opera\u00e7\u00e3o \u00e9 dividido em tr\u00eas partes:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">1) A solu\u00e7\u00e3o nutriente esterilizada \u00e9 inoculada com o microrganismo desejado, de modo que permita a fermenta\u00e7\u00e3o em boas condi\u00e7\u00f5es;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">2) Durante o processo fermentativo, al\u00e9m da adi\u00e7\u00e3o de oxig\u00eanio (em processos aer\u00f3bicos), adiciona-se tamb\u00e9m o antiespumante e o \u00e1cido ou base, que efetuam o controle do pH, evitando a morte dos microrganismos;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">3) Ap\u00f3s o fim do processo de fermenta\u00e7\u00e3o, ocorre o descarregamento da dorna e o fermentado segue para tratamentos finais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma das principais caracter\u00edsticas da fermenta\u00e7\u00e3o em batelada \u00e9 o seu volume, que permanece constante, tendo em vista que n\u00e3o h\u00e1 adi\u00e7\u00e3o de solu\u00e7\u00f5es para o controle do processo e nem perdas de material por evapora\u00e7\u00e3o. Uma das principais vantagens da fermenta\u00e7\u00e3o descont\u00ednua, afirmam especialistas, s\u00e3o os menores riscos de contamina\u00e7\u00e3o, o que permite maior flexibilidade de opera\u00e7\u00e3o, ou seja, a fabrica\u00e7\u00e3o de v\u00e1rios produtos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>CONT\u00cdNUA X BATELADA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A fermenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua teve um tempo de prest\u00edgio no Brasil, j\u00e1 que al\u00e9m dos custos de instala\u00e7\u00e3o serem menores, o sistema propicia redu\u00e7\u00e3o de custos com anti-espumantes. No entanto, o que mais se consolidou na maioria das usinas \u00e9 o sistema em batelada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Henrique Berbert de Amorim Neto, vice-presidente da Fermentec, o principal motivo \u00e9 justamente a contamina\u00e7\u00e3o bacteriana. \u201cComo no sistema cont\u00ednuo \u00e9 poss\u00edvel lavar as dornas, a contamina\u00e7\u00e3o reduz o rendimento das fermenta\u00e7\u00f5es e o custo de produ\u00e7\u00e3o acaba ficando mais elevado, pois a usina precisa usar muito mais insumos como \u00e1cido sulf\u00farico e antimicrobianos.\u201d<\/p>\n<figure class=\"image pull-left\" style=\"text-align: justify;\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.revistarpanews.com.br\/images\/edicoes\/ed192\/Jaime%20Finguerut_opt.jpeg?resize=178%2C268&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"178\" height=\"268\" \/><figcaption>Para Finguerut, a fermenta\u00e7\u00e3o<br \/>\ncont\u00ednua, quando constru\u00edda<br \/>\npara minimizar os custos de<br \/>\ninstala\u00e7\u00e3o, \u00e9 menos flex\u00edvel e tem<br \/>\nmaior in\u00e9rcia. Isso significa que<br \/>\naltera\u00e7\u00f5es significativas das<br \/>\ncondi\u00e7\u00f5es de opera\u00e7\u00e3o afetam<br \/>\nmais a cont\u00ednua do que o sistema<br \/>\nem batelada<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na fermenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua se adiciona o mosto e levedura na primeira dorna onde a fermenta\u00e7\u00e3o inicia. Este mosto com leveduras \u00e9 bombeado para mais tr\u00eas dornas, finalizando a fermenta\u00e7\u00e3o na \u00faltima dorna. \u201c\u00c9 um processo mais simples, mas muito complexo de operar, principalmente em unidades que t\u00eam muitas varia\u00e7\u00f5es e paradas. J\u00e1 o processo em batelada, utiliza sete dornas, \u00e9 mais simples de operar, por\u00e9m faz fermenta\u00e7\u00f5es de maneira individual. A grande vantagem do sistema descont\u00ednuo \u00e9 que o operador tem maior dom\u00ednio do processo, podendo ter mais op\u00e7\u00f5es em momentos de dificuldades\u201d, acrescenta Amorim Neto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 dez anos, a Fermentec publicou um trabalho no qual faz um comparativo de ambos os processos de fermenta\u00e7\u00e3o com diversos par\u00e2metros (International Sugar Journal, 2008, Vol. 110, N 1311). Neste trabalho foram comparadas 51 unidades que possu\u00edam fermenta\u00e7\u00e3o em batelada e 11 com sistemas cont\u00ednuos. Em todos os par\u00e2metros comparados o processo em batelada superou o cont\u00ednuo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na opini\u00e3o de Tercio Marques Dalla Vecchia, CEO da Reunion Engenharia,\u00a0a fermenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua \u00e9 uma excelente solu\u00e7\u00e3o para algumas situa\u00e7\u00f5es porque proporciona estabilidade de mat\u00e9ria-prima (vaz\u00e3o com poucas flutua\u00e7\u00f5es), qualidade de opera\u00e7\u00e3o, \u00f3timo controle de temperatura, al\u00e9m de ter duas linhas em paralelo para eventuais redu\u00e7\u00f5es de\u00a0produ\u00e7\u00e3o, e ainda leveduras adaptadas ao meio. No entanto, este sistema, na melhor das hip\u00f3teses, chega a um rendimento pr\u00f3ximo da fermenta\u00e7\u00e3o em batelada, mas nunca superior, o que se deve ao fato de sempre haver maior teor de a\u00e7\u00facar residual no vinho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cA grande vantagem da fermenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua \u00e9 a redu\u00e7\u00e3o de custos de implanta\u00e7\u00e3o, manuten\u00e7\u00e3o, automa\u00e7\u00e3o e opera\u00e7\u00e3o. Entretanto, problemas s\u00e9rios de infec\u00e7\u00f5es e de queda de rendimento s\u00e3o comuns, da\u00ed a op\u00e7\u00e3o de muitas usinas pela fermenta\u00e7\u00e3o em batelada, onde o processo fica mais na m\u00e3o\u201d, adiciona Dalla Vecchia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O custo do sistema cont\u00ednuo pode ficar em torno de 50 a 60% mais barato que a fermenta\u00e7\u00e3o em batelada, uma vez que n\u00e3o h\u00e1 necessidade de grandes \u00e1reas para a sua instala\u00e7\u00e3o. Al\u00e9m disso, o sistema tem menor custo de automa\u00e7\u00e3o e \u00e9 mais barato por ter menor n\u00famero de dornas. Segundo Eloisa Mocheuti Kronka, diretora da Al Sukkar Biotecnologia Industrial, esta fermenta\u00e7\u00e3o \u00e9 indicada para plantas que utilizam mat\u00e9ria-prima de melhor qualidade como, por exemplo, caldo evaporado com adi\u00e7\u00e3o de at\u00e9 40% de ART proveniente do mel.<\/p>\n<figure class=\"image pull-left\" style=\"text-align: justify;\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.revistarpanews.com.br\/images\/edicoes\/ed192\/Amorim%20Fermentec_opt.jpeg?resize=236%2C158&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"236\" height=\"158\" \/><figcaption>Segundo Amorim Neto, as unidades que<br \/>\nest\u00e3o trabalhando com teores alco\u00f3licos<br \/>\nmais elevados e que possuem cromat\u00f3grafos<br \/>\ne um laborat\u00f3rio adequado, s\u00e3o aquelas<br \/>\ncom maiores rendimentos<\/figcaption><\/figure>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, a fermenta\u00e7\u00e3o em batelada, apesar de utilizar v\u00e1rias dornas com capacidade menor &#8211; que s\u00e3o processadas uma a uma &#8211; e de possuir alto custo de instala\u00e7\u00e3o, automa\u00e7\u00e3o e de manuten\u00e7\u00e3o, s\u00e3o mais f\u00e1ceis de limpar, propiciam um melhor controle microbiol\u00f3gico e oferecem melhor rendimento, o que exige menos investimentos em insumos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Normalmente, a unidade produtora vai decidir pelo tipo de fermenta\u00e7\u00e3o que melhor se adapta as caracter\u00edsticas de espa\u00e7o f\u00edsico da sua unidade, das caracter\u00edsticas da mat\u00e9ria-prima e at\u00e9 do clima da regi\u00e3o onde a usina fica localizada. \u201cAssim, cada uma das fermenta\u00e7\u00f5es tem seus pr\u00f3s e contras e a escolha vai depender das caracter\u00edsticas de cada unidade produtora. Um aspecto relevante na compara\u00e7\u00e3o entre os tipos de fermenta\u00e7\u00f5es, \u00e9 no volume de vinha\u00e7a produzido, pois, sem d\u00favida, o futuro da ind\u00fastria sucroalcooleira vai depender da produ\u00e7\u00e3o de menor volume deste res\u00edduo e isto implica em trabalhar com alto teor alco\u00f3lico no vinho. Este fator dever\u00e1 alterar o desenho das fermenta\u00e7\u00f5es para atender as necessidades do processo sem perda da efici\u00eancia fermentativa\u201d, destaca Eloisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Finguerut, a fermenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, quando constru\u00edda\u00a0para minimizar os custos de instala\u00e7\u00e3o, \u00e9 menos flex\u00edvel e tem maior in\u00e9rcia, isso significa que altera\u00e7\u00f5es significativas das condi\u00e7\u00f5es de opera\u00e7\u00e3o afetam mais a cont\u00ednua do que em batelada.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cComo o rendimento da fermenta\u00e7\u00e3o\u00a0e o teor alco\u00f3lico final na cont\u00ednua s\u00e3o muito parecidos, n\u00e3o h\u00e1 atratividade em colocar uma cont\u00ednua numa amplia\u00e7\u00e3o, numa reforma ou numa nova instala\u00e7\u00e3o. Hoje as usinas buscam maximizar os ganhos na comercializa\u00e7\u00e3o e portanto alteram o seu mix de produtos de forma a atender rapidamente as demandas, o que ocorre \u00e0s vezes sem programa\u00e7\u00e3o pr\u00e9via, alterando as condi\u00e7\u00f5es de alimenta\u00e7\u00e3o da fermenta\u00e7\u00e3o, afetando a cont\u00ednua de forma mais negativa do que o sistema em batelada. A batelada \u00e9 um pouco mais cara, por\u00e9m \u00e9 mais robusta\u201d, destaca.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>MONITORAMENTO GARANTE EFICI\u00caNCIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Atualmente as usinas conseguem atingir efici\u00eancias entre 88% e 92% nos processos fermentativos, que s\u00e3o os respons\u00e1veis pelas maiores perdas de a\u00e7\u00facares na ind\u00fastria \u2013 chegando a 60% do total de perdas \u2013 causadas principalmente pela a\u00e7\u00e3o das bact\u00e9rias contaminantes provenientes do solo (que entra junto com a cana) e da \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cPara minimizar as perdas \u00e9 necess\u00e1rio medir, analisar e melhorar as condutas de controle do processo, ou seja, fazer um controle e monitoramento que forne\u00e7a informa\u00e7\u00f5es mais precisas aos operadores, de modo a permitir que sejam tomadas medidas para melhorar as condi\u00e7\u00f5es de opera\u00e7\u00e3o do processo e proporcionar um ambiente adequado para que a levedura tenha um alto rendimento fermentativo\u201d, afirma a Eloisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Amorim Neto, n\u00e3o existe f\u00f3rmula m\u00e1gica para se chegar a um percentual de efici\u00eancia perfeita. \u201cNa fermenta\u00e7\u00e3o, como trabalhamos com organismos vivos, dar maior aten\u00e7\u00e3o aos detalhes na condu\u00e7\u00e3o do processo \u00e9 o mais importante. Portanto, n\u00e3o existe uma f\u00f3rmula correta para o melhor rendimento fermentativo. A usina precisa mudar a condu\u00e7\u00e3o do seu processo dependendo do mix que trabalha, das instala\u00e7\u00f5es que possui e da levedura que est\u00e1 na dorna.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ainda de acordo com ele, se a usina n\u00e3o realizar an\u00e1lises bem feitas e que a permita tomar decis\u00f5es em cada parte do processo, n\u00e3o h\u00e1 possibilidade alguma de se elevar o rendimento fermentativo. De uma maneira geral, explica o vice-presidente da Fermentec, as unidades que est\u00e3o trabalhando com teores alco\u00f3licos mais elevados e que possuem cromat\u00f3grafos e um laborat\u00f3rio adequado, s\u00e3o aquelas que ter\u00e3o maiores rendimentos. \u201cO m\u00e1ximo que se consegue em rendimento \u00e9 92%.\u00a0A m\u00e9dia das unidades clientes da Fermentec \u00e9 de 89,9%, mas alguns clientes possuem valores acima de 91% de rendimento fermentativo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para fazer este controle e monitoramento com melhor efici\u00eancia, a Al Sukkar desenvolveu um sistema de an\u00e1lise que identifica as bact\u00e9rias contaminantes individualmente e nos principais pontos de contamina\u00e7\u00e3o: no caldo que entra, na \u00e1gua, no mel, no mosto e vinho. Com isto, tem-se uma informa\u00e7\u00e3o mais precisa da contamina\u00e7\u00e3o em todos os pontos cr\u00edticos, antes e depois da dorna (a qual avalia-se tamb\u00e9m as condi\u00e7\u00f5es da levedura no processo).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este sistema de an\u00e1lises, chamado Sukkarbio, \u00e9 composto por um\u00a0kit\u00a0que contem meios espec\u00edficos para a identifica\u00e7\u00e3o e quantifica\u00e7\u00e3o das principais bact\u00e9rias contaminantes do processo. \u201cCom o uso deste kit, tem-se uma atua\u00e7\u00e3o preventiva no processo, ou seja, tem-se a informa\u00e7\u00e3o da contamina\u00e7\u00e3o de todo o processo antes e depois da dorna. Com isto, \u00e9 poss\u00edvel melhorar as condi\u00e7\u00f5es de opera\u00e7\u00e3o do processo e assim, o rendimento fermentativo. Na evolu\u00e7\u00e3o do Sukkarbio, estamos desenvolvendo outro sistema chamado de Femsystem, que far\u00e1 o controle e monitoramento da contamina\u00e7\u00e3o atrav\u00e9s de an\u00e1lises qu\u00edmicas dos subprodutos das bact\u00e9rias. Este sistema ter\u00e1 um\u00a0software\u00a0que vai permitir fazer uma correla\u00e7\u00e3o entre o teor dos \u00e1cidos org\u00e2nicos (subprodutos das bact\u00e9rias) com a concentra\u00e7\u00e3o das respectivas bact\u00e9rias, emitindo\u00a0online\u00a0relat\u00f3rios com diagn\u00f3sticos da contamina\u00e7\u00e3o em tempo real, ou seja, dentro do ciclo fermentativo\u201d, explica Eloisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este \u00e9 um novo conceito e uma nova tecnologia para o controle do processo fermentativo industrial. \u201cEste sistema trar\u00e1 ganhos em at\u00e9 1% no rendimento fermentativo, proporcionando uma redu\u00e7\u00e3o de 40% a 50% nas perdas como tamb\u00e9m no consumo de produtos\u201d, adiciona Eloisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FERMENTA\u00c7\u00c3O DE ALTO TEOR ALCO\u00d3LICO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para produzir um menor volume de vinha\u00e7a \u00e9 preciso que se tenha um vinho de alto teor alco\u00f3lico e, para isto, a fermenta\u00e7\u00e3o dever\u00e1 estar desenhada para atender esta necessidade sem perda de efici\u00eancia. Amorim Neto, explica que a eleva\u00e7\u00e3o do teor alco\u00f3lico no vinho bruto tem sido uma das prioridades do setor por propiciar uma s\u00e9rie de vantagens econ\u00f4micas e t\u00e9cnicas como a redu\u00e7\u00e3o do consumo de \u00e1gua no tratamento de fermento, do uso de vapor na destila\u00e7\u00e3o, do volume de vinha\u00e7a e do consumo de energia el\u00e9trica para a centrifuga\u00e7\u00e3o de fermento.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo Amorim Neto, com tantas vantagens, a fermenta\u00e7\u00e3o de alto teor alco\u00f3lico vem gerando cada vez mais investimentos em leveduras adaptadas e melhorias no controle dos processos por meio da cromatografia.\u00a0As dificuldades impostas ao processo fermentativo por uso exclusivo ou de grande propor\u00e7\u00e3o de mel final na formula\u00e7\u00e3o do mosto est\u00e3o sendo amenizadas por meio de procedimentos espec\u00edficos que tornam poss\u00edvel a condu\u00e7\u00e3o da fermenta\u00e7\u00e3o com teores alco\u00f3licos superiores a 10% para unidades que fermentam mel e \u00e1gua.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O avan\u00e7o deste tipo de fermenta\u00e7\u00e3o a partir de mela\u00e7o se confirma quando s\u00e3o analisados os dados das dez unidades industriais com os maiores teores alco\u00f3licos. Entre estas usinas, 40% fermentam com mosto a base de mela\u00e7o e \u00e1gua, 30% com mostos mistos (caldo + mela\u00e7o) e as 30% restantes com mostos de caldo evaporado. A propor\u00e7\u00e3o de unidades que fermentam com teores alco\u00f3licos acima de 10% tem aumentado (entre 9% e 10% dos clientes Fermentec) assim como a propor\u00e7\u00e3o de unidades que trabalham com teores entre 9% e 10% tamb\u00e9m vem aumentando progressivamente, o que indica que \u00e9 uma tend\u00eancia de mercado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Amorim Neto destaca que antes de se pensar em investir altos valores em concentradores de vinha\u00e7a, as usinas devem pensar em aumentar o teor alco\u00f3lico dos seus processos de fermenta\u00e7\u00e3o. \u201cOs benef\u00edcios s\u00e3o muitos. Usinas que est\u00e3o trabalhando com teores alco\u00f3licos de 10% a 12%, obt\u00e9m vinha\u00e7a concentrada em at\u00e9 30%. Desta forma, a usina pode economizar milh\u00f5es de reais.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>FERMENTA\u00c7\u00c3O CONT\u00cdNUA MULTIEST\u00c1GIO<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Tamb\u00e9m pensando na quest\u00e3o da diminui\u00e7\u00e3o do teor de vinha\u00e7a no processo industrial, os pesquisadores do CTBE (Laborat\u00f3rio Nacional de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol) desenvolveram, entre 2012 e 2015, um sistema de Fermenta\u00e7\u00e3o Cont\u00ednua Multiest\u00e1gio.\u00a0Segundo Daniel Atala, coordenador da Divis\u00e3o Agr\u00edcola do CTBE, o projeto surgiu de um desafio de olhar para algo muito bem estabelecido, como a fermenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua, e tentar implementar melhorias significativas com base nas melhores informa\u00e7\u00f5es dispon\u00edveis na literatura e pr\u00e1ticas de engenharia existentes.\u00a0\u201cAssim surgiu o conceito da Fermenta\u00e7\u00e3o Cont\u00ednua Multiest\u00e1gio, que permite alcan\u00e7ar vinhos fermentados com 15% em volume de teor alco\u00f3lico. Trata-se de um processo parecido com o sistema cont\u00ednuo existente, s\u00f3 que com alguns diferenciais significativos.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Neste sistema desenvolvido pelo CTBE, trabalha-se com cinco est\u00e1gios de fermenta\u00e7\u00e3o (n\u00e3o limitados a estes n\u00fameros) e n\u00e3o quatro como ocorre na maioria dos processos cont\u00ednuos. Estes est\u00e1gios apresentam um perfil de temperatura que diminui ao longo dos fermentadores (nos processos atuais o perfil de temperatura \u00e9 constante), sendo este uma fun\u00e7\u00e3o do teor alco\u00f3lico no processo. Quanto maior o teor alco\u00f3lico, maior \u00e9 o efeito inibit\u00f3rio exercido sobre a levedura, que \u00e9 agravado com o aumento da temperatura. Assim, a medida que se diminui a temperatura da fermenta\u00e7\u00e3o nos est\u00e1gios finais, a toler\u00e2ncia ao etanol aumenta, o que permite trabalhar com elevados teores alco\u00f3licos e ter a levedura sempre em condi\u00e7\u00f5es \u00f3timas nos diferentes est\u00e1gios.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cComo o processo foi repensado, tamb\u00e9m foram propostas mudan\u00e7as no processo de reciclo com a inclus\u00e3o de uma segunda etapa de centrifuga\u00e7\u00e3o com uma reativa\u00e7\u00e3o celular, o que permite manter a levedura sempre ativa e vi\u00e1vel garantindo assim o reciclo de biomassa\u201d, destaca Atala.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Um ponto importante neste desenvolvimento foi a obten\u00e7\u00e3o de vinhos com elevado teor alco\u00f3lico no processo, o que traz uma s\u00e9rie de benef\u00edcios como:<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 Barreira natural para contaminantes:\u00a0funciona como uma barreira natural para a entrada de leveduras oportunistas (selvagens) e no estabelecimento de contaminantes bacterianos no processo, contribuindo assim, para a sa\u00fade da fermenta\u00e7\u00e3o e para seu elevado \u00edndice de rendimento;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 Diminui\u00e7\u00e3o de Capex: aumento da produtividade, o que significa produzir mais etanol nos mesmos volumes de fermentadores, sendo uma excelente oportunidade para o\u00a0retrofit\u00a0de processos existentes (quando se quer aumentar a capacidade de moagem das unidades ou redu\u00e7\u00e3o do volume de fermentadores para os novos processos);<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u2022 Diminui\u00e7\u00e3o de Opex:\u00a0quanto maior for o grau alco\u00f3lico do vinho produzido, menor ser\u00e1 o gasto de energia na destila\u00e7\u00e3o (Capex de destilaria) e menor ser\u00e1 o volume de vinha\u00e7a gerada (Capex em concentrador de vinha\u00e7a) com consequ\u00eancias na sua aplica\u00e7\u00e3o no campo.<\/p>\n<table border=\"1\" cellspacing=\"1\" cellpadding=\"1\" align=\"left\">\n<tbody>\n<tr>\n<td>CONT\u00cdNUO X BATELADA<\/p>\n<p>Fermenta\u00e7\u00e3o em<\/p>\n<p>batelada:<\/p>\n<p>-Maior rendimento quando comparado \u00e0 cont\u00ednua;<\/p>\n<p>&#8211; Menor uso de insumos (antimicrobianos);<\/p>\n<p>-Mais flex\u00edvel quanto a acidentes na fermenta\u00e7\u00e3o;<\/p>\n<p>-\u00c9 poss\u00edvel operar com maiores rendimentos sem ser muito exigente quanto a m\u00e3o de obra e controle anal\u00edtico.<\/p>\n<p>Fermenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua:<\/p>\n<p>&#8211; Menor custo de instala\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o for totalmente automatizada;<\/p>\n<p>&#8211; Mais f\u00e1cil de<\/p>\n<p>automatizar;<\/p>\n<p>&#8211; Menor custo para manter a temperatura adequada nas dornas<\/p>\n<p>(menos trocadores);<\/p>\n<p>&#8211; Menor volume de<\/p>\n<p>dornas.<\/td>\n<\/tr>\n<\/tbody>\n<\/table>\n<p style=\"text-align: justify;\">Este processo, segundo o coordenador da Divis\u00e3o Agr\u00edcola do CTBE, por ter um teor alco\u00f3lico maior, gera um volume de vinha\u00e7a 60% menor ao encontrado hoje nas unidades produtoras, o que impacta no transporte e aplica\u00e7\u00e3o em campo. Por outro lado, este menor volume favorece energeticamente o processo de concentra\u00e7\u00e3o de vinha\u00e7a com impactos diretos no transporte e aplica\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A tecnologia foi desenvolvida e validada na Planta Piloto de Desenvolvimento de Processos (PPDP) do CTBE. A BP, que participou dos estudos como parceira desta tecnologia, poder\u00e1 avaliar sua implementa\u00e7\u00e3o em uma nova planta no futuro. \u201cComo pr\u00f3ximos passos, planejamos sua valida\u00e7\u00e3o em planta demonstrativa e estamos avaliando sua prototipagem virtual atrav\u00e9s de modelagem bem como o aprimoramento da levedura para este processo.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>NA CONTRAM\u00c3O DA MAIORIA<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto a maioria das usinas fazem sua fermenta\u00e7\u00e3o em bateladas a Usina Ferrari, localizada em Pirassununga, SP, escolheu adaptar o seu sistema e transform\u00e1-lo em cont\u00ednuo. Conhecida como uma das mais avan\u00e7adas quando o assunto s\u00e3o novas tecnologias, a empresa explica que na expans\u00e3o da unidade o investimento para a adapta\u00e7\u00e3o do processo em batelada para cont\u00ednua apresentou o melhor custo-benef\u00edcio. Entre os motivos se destacaram a otimiza\u00e7\u00e3o operacional e ganhos como um menor volume de dornas instaladas, menor \u00e1rea de troca t\u00e9rmica e torres de resfriamento, redu\u00e7\u00e3o do quadro operacional e maior estabilidade no processo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00eanio Respondovesk, gerente Industrial Geral da Usina Ferrari, explica que dentro do processo de fermenta\u00e7\u00e3o dois itens ajudam a obter uma maior efici\u00eancia para a usina, sendo eles a automa\u00e7\u00e3o do processo e o sistema de agita\u00e7\u00e3o hidr\u00e1ulica das dornas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">\u201cHoje a usina produz 13 l de vinha\u00e7a para 1 l de etanol com um teor alco\u00f3lico de 8,5 %. O m\u00e1ximo de efici\u00eancia que conseguimos chegar tem sido 91%. As principais a\u00e7\u00f5es realizadas s\u00e3o o controle de temperatura e de infec\u00e7\u00e3o. A usina est\u00e1 planejando investimentos para o aumento do teor alco\u00f3lico e redu\u00e7\u00e3o no volume de vinha\u00e7a\u201d, finaliza.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Finguerut afirma que, assim como a Usina Ferrari, outras unidades continuam com este sistema porque os rendimentos e caracter\u00edsticas dos vinhos finais s\u00e3o bastante parecidos com o que \u00e9 obtido no sistema em bateladas. \u201cAs vantagens e desvantagens da fermenta\u00e7\u00e3o cont\u00ednua ficam balanceadas para uma\u00a0planta que j\u00e1 usa este processo h\u00e1 bastante tempo. A usina segue com a cont\u00ednua por causa da maior facilidade operacional e menor manuten\u00e7\u00e3o, mesmo que exija um maior aprendizado para sua otimiza\u00e7\u00e3o e bons controles laboratoriais\u201d, conclui.\u00a0(Colabora\u00e7\u00e3o de Alisson Henrique sob supervis\u00e3o de Nat\u00e1lia Cherubin)<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>RPANews, 28 de agosto\/2017 MESMO APRESENTANDO CUSTOS MENORES DE OPERA\u00c7\u00c3O E OUTRAS VANTAGENS, O SISTEMA CONT\u00cdNUO N\u00c3O SUPERA, NA MAIORIA DOS CASOS, O RENDIMENTO DA FERMENTA\u00c7\u00c3O EM BATELADA A discuss\u00e3o&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1163,1224],"tags":[],"class_list":["post-17383","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem","category-clipping-lnbr","category-1163","category-1224","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v28.1 - https:\/\/yoast.com\/product\/yoast-seo-wordpress\/ -->\n<title>Fermenta\u00e7\u00e3o: cont\u00ednua ou em batelada? 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