{"id":15689,"date":"2017-01-19T19:03:46","date_gmt":"2017-01-19T19:03:46","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.staging.wpengine.com\/?p=15689\/"},"modified":"2022-01-21T15:49:46","modified_gmt":"2022-01-21T18:49:46","slug":"o-acelerador-de-particulas-de-15-bilhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/o-acelerador-de-particulas-de-15-bilhao\/","title":{"rendered":"O Acelerador de part\u00edculas de 1,5 Bilh\u00e3o"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/epoca.globo.com\/ciencia-e-meio-ambiente\/noticia\/2017\/01\/o-acelerador-de-particulas-de-r-15-bilhao.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revista \u00c9poca<\/a>, em 12\/01\/17<\/p>\n<p><em>No meio da maior crise econ\u00f4mica da hist\u00f3ria recente, o Brasil concentra seu investimento tecnol\u00f3gico em um novo acelerador de part\u00edculas<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Rafael Ciscati<\/p>\n<p>Quem circula pelo polo de alta<strong>\u00a0tecnologia<\/strong>\u00a0de Campinas, no interior de S\u00e3o Paulo, cruza estradinhas buc\u00f3licas pontuadas pelos\u00a0<em>campi\u00a0<\/em>de algumas grandes empresas. S\u00e3o, na maioria, instala\u00e7\u00f5es de concreto, cercadas por imensos estacionamentos e quase mon\u00f3tonas quando vistas pelo lado de fora. Um pr\u00e9dio branco salta \u00e0 vista: parece um est\u00e1dio de futebol constru\u00eddo em um lugar improv\u00e1vel. \u201cAqui do meio \u00e9 que voc\u00ea tem uma no\u00e7\u00e3o do real tamanho do pr\u00e9dio\u201d, diz o engenheiro Oscar Vigna, um homem alto e vermelho, queimado das muitas horas passadas sob o sol,\u00a0 supervisionando as obras do pr\u00e9dio que vai abrigar o\u00a0<strong>Sirius<\/strong>, um equipamento que funciona como um\u00a0<strong>microsc\u00f3pio gigante<\/strong>.<\/p>\n<p>A m\u00e1quina tem um nome complicado: acelerador de part\u00edculas do tipo s\u00edncrotron. \u00c9 a ferramenta que os cientistas usam para entender a estrutura at\u00f4mica das subst\u00e2ncias com as quais v\u00e3o trabalhar. Algo importante para o desenvolvimento de novos medicamentos, para o aprimoramento de materiais usados na constru\u00e7\u00e3o civil, na explora\u00e7\u00e3o de petr\u00f3leo e em uma infinidade de outras \u00e1reas. Uma m\u00e1quina imensa, usada para desbravar universos em miniatura. Quando estiver pronto, o Sirius acumular\u00e1 n\u00fameros parrudos. O pr\u00e9dio de 68.000 metros quadrados abrigar\u00e1 um equipamento com formato de anel e circunfer\u00eancia de 500 metros. Para proteger as pessoas da radia\u00e7\u00e3o liberada pelo funcionamento da m\u00e1quina, planejada para ser a mais avan\u00e7ada desse tipo em todo o mundo, o conjunto ser\u00e1 blindado por 1 quil\u00f4metro de paredes de concreto. Uma barreira com 1,5 metro de espessura e 3 metros de altura.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-560\">\n<div style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"As obras do acelerador de part\u00edculas Sirius,em Campinas. A crise diminuiu o repasse de verbas para o projeto (Foto: Rog\u00e9rio Cassimiro\/\u00c9POCA)\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2.glbimg.com\/9imhTdaFfM1UM59ghWRj7NW8Fr0%3D\/560x430\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/01\/06\/eddji_0021_dj.jpg?resize=560%2C430&#038;ssl=1\" alt=\"As obras do acelerador de part\u00edculas Sirius,em Campinas. A crise diminuiu o repasse de verbas para o projeto (Foto: Rog\u00e9rio Cassimiro\/\u00c9POCA)\" width=\"560\" height=\"430\" \/><p class=\"wp-caption-text\">As obras do acelerador de part\u00edculas Sirius,em Campinas. A crise diminuiu o repasse de verbas para o projeto (Foto: Rog\u00e9rio Cassimiro\/\u00c9POCA)<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p>Dos n\u00fameros do Sirius, o que mais impressiona \u00e9 o pre\u00e7o: R$ 1,5 bilh\u00e3o. \u00c9 o<strong>\u00a0projeto cient\u00edfico<\/strong>\u00a0mais ambicioso j\u00e1 levado a cabo no Brasil. Ou \u00e9 essa a esperan\u00e7a de seus construtores. Sua constru\u00e7\u00e3o ainda est\u00e1 em andamento. Espera-se que esteja pronto em 2019. E, com a crise econ\u00f4mica e pol\u00edtica que aflige o Brasil, o gigantismo do projeto parece amea\u00e7ado. \u201cO Sirius \u00e9 priorit\u00e1rio, mas seria ingenuidade nossa dizer que n\u00e3o h\u00e1 preocupa\u00e7\u00e3o\u201d, afirma o f\u00edsico Ant\u00f4nio Jos\u00e9 Roque, diretor do Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), que encabe\u00e7a o projeto. Desde que o Sirius come\u00e7ou a ser discutido em Bras\u00edlia, em 2008, a ci\u00eancia nacional foi do melhor ao pior dos mundos. Entre 2000 e 2013, as verbas para fazer ci\u00eancia no Brasil cresceram a patamares in\u00e9ditos para depois despencar, levadas pelos reveses econ\u00f4micos do segundo governo Dilma. Cientistas deixaram o pa\u00eds e projetos foram postos de lado. O Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia n\u00e3o admite que o Sirius esteja amea\u00e7ado: \u201cNum momento como o atual, um projeto como o Sirius traz oportunidades que ajudam o Brasil a sair da crise\u201d, diz a Pasta em nota. Manter as obras dentro do cronograma exigir\u00e1 repasses de R$ 500 milh\u00f5es em\u00a0 2017, nos c\u00e1lculos do pessoal do LNLS. Mas a primeira vers\u00e3o de 2017, encaminhada pelo governo ao Congresso, fala em destinar apenas R$ 365 milh\u00f5es. Em 2016, o or\u00e7amento proposto pelo governo \u2013 R$ 270 milh\u00f5es \u2013 j\u00e1 sofrera redu\u00e7\u00f5es. Fechou em R$ 182 millh\u00f5es.<\/p>\n<p>O Brasil j\u00e1 conta com um\u00a0<strong>acelerador de part\u00edculas<\/strong>, o UVX, tamb\u00e9m localizado em Campinas. O projeto come\u00e7ou em 1985, por iniciativa dos f\u00edsicos Ricardo Lago e Ricardo Rodrigues. Foi inaugurado em 1997 com pompa e a presen\u00e7a do ent\u00e3o presidente Fernando Henrique Cardoso.\u00a0 Era o in\u00edcio do LNLS, uma instala\u00e7\u00e3o com tecnologia avan\u00e7ada e \u2013 coisa in\u00e9dita no Brasil \u2013 aberta para ser usada por pesquisadores de qualquer universidade ou empresa do pa\u00eds e do mundo. Seus construtores entraram para a hist\u00f3ria do laborat\u00f3rio como her\u00f3is improv\u00e1veis: em um pa\u00eds assolado pela infla\u00e7\u00e3o, puseram de p\u00e9 um equipamento \u00fanico em toda a Am\u00e9rica Latina e raro no mundo inteiro. Mas, no come\u00e7o dos anos 2000, a m\u00e1quina dava sinais de cansa\u00e7o. A tecnologia avan\u00e7ara e o UVX ficara obsoleto, em compara\u00e7\u00e3o a outros s\u00edncrotrons espalhados pelo mundo. \u201cN\u00f3s sab\u00edamos que precis\u00e1vamos construir um acelerador novo\u201d, diz Jos\u00e9 Ant\u00f4nio Brum, diretor do LNLS entre 2001 e 2008. \u201cEra isso ou fechar as portas.\u201d Em 2008, Brum pediu \u00e0 equipe do laborat\u00f3rio que desenhasse um pr\u00e9-projeto do novo acelerador. A proposta foi entregue ao ent\u00e3o ministro da Ci\u00eancia, o f\u00edsico S\u00e9rgio Rezende, durante uma visita ao laborat\u00f3rio. As avalia\u00e7\u00f5es preliminares adiantavam que seria um projeto caro,\u00a0 de R$ 600 milh\u00f5es. Rezende n\u00e3o se incomodou: \u201cEu disse ao Brum: \u2018V\u00e1 em frente, que a gente arruma o dinheiro\u2019\u201d, afirma o ex-ministro.<\/p>\n<p><iframe loading=\"lazy\" src=\"https:\/\/www.youtube.com\/embed\/zBo1zBiWt20\" width=\"853\" height=\"480\" frameborder=\"0\" allowfullscreen=\"allowfullscreen\"><\/iframe><\/p>\n<div class=\"youtube componente_materia\"><\/div>\n<p>A\u00a0<strong>ci\u00eancia<\/strong>\u00a0brasileira vinha de uma sequ\u00eancia de anos bons. A virada que tornaria o Sirius poss\u00edvel come\u00e7ara em 1999, quando o governo FHC criou os fundos setoriais para ci\u00eancia e tecnologia. Alimentados por impostos cobrados a certos setores industriais, eles abasteceriam o Fundo Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (FNDCT) \u2013 hoje, a principal fonte federal para financiamento de pesquisas. Na \u00e9poca, a maior parte do valor do fundo estava contingenciada. O bloqueio cairia aos poucos, em grande parte gra\u00e7as \u00e0 press\u00e3o de Eduardo Campos, que comandou a Pasta entre o in\u00edcio de 2004 e meados de 2005. Em 2004, o contingenciamento chegava a 57% do fundo. Em 2010, o valor integral estava dispon\u00edvel para ser aplicado. O or\u00e7amento do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia crescia \u2013 com uma ligeira regress\u00e3o em 2011. \u201cHavia recursos para todo o sistema\u201d, diz Rezende. \u201cEst\u00e1vamos em posi\u00e7\u00e3o confort\u00e1vel para aprovar bons projetos.\u201d Os esfor\u00e7os do pa\u00eds durante a primeira d\u00e9cada do s\u00e9culo haviam ganhado reconhecimento internacional. A revista\u00a0<em>Science<\/em>publicou, em 2010, um artigo que destacava os bons resultados dos cientistas brasileiros: o n\u00famero de estudos publicados anualmente dobrara em rela\u00e7\u00e3o aos anos 1990, o n\u00famero de doutores formados nas universidades crescia.<\/p>\n<div class=\"foto componente_materia midia-largura-560\">\n<div style=\"width: 570px\" class=\"wp-caption aligncenter\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" title=\"O f\u00edsico Ricardo Rodrigues.Ele encabe\u00e7ou as obras do primeiro acelerador do pa\u00eds, nos anos 1980,e agora toca a obra do Sirius (Foto: Rog\u00e9rio Cassimiro\/\u00c9POCA)\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/s2.glbimg.com\/UAuwmOh6SytaLKE3dk_T_Wuv6Rs%3D\/560x750\/e.glbimg.com\/og\/ed\/f\/original\/2017\/01\/06\/ed_mg_3194_dj.jpg?resize=560%2C750&#038;ssl=1\" alt=\"O f\u00edsico Ricardo Rodrigues.Ele encabe\u00e7ou as obras do primeiro acelerador do pa\u00eds, nos anos 1980,e agora toca a obra do Sirius (Foto: Rog\u00e9rio Cassimiro\/\u00c9POCA)\" width=\"560\" height=\"750\" \/><p class=\"wp-caption-text\">O PIONEIRO O f\u00edsico Ricardo Rodrigues. Ele encabe\u00e7ou as obras do primeiro acelerador do pa\u00eds, nos anos 1980, e agora toca a obra do Sirius (Foto: Rog\u00e9rio Cassimiro\/\u00c9POCA)<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p>Com o apoio do governo, o projeto do Sirius engrenou. Em 2009, o f\u00edsico Ant\u00f4nio Jos\u00e9 Roque, professor da Universidade de S\u00e3o Paulo, assumiu a dire\u00e7\u00e3o do LNLS. Entusiasmado, tornou a constru\u00e7\u00e3o do Sirius a prioridade do laborat\u00f3rio. Conseguiu, inclusive, trazer o pioneiro Ricardo Rodrigues para o projeto \u2013 em 2001, depois de se desentender com a dire\u00e7\u00e3o da institui\u00e7\u00e3o, Rodrigues deixara o LNLS. Turr\u00e3o, convenc\u00ea-lo a voltar consumiu tr\u00eas almo\u00e7os distribu\u00eddos ao longo de um m\u00eas. \u201cPoucas pessoas no mundo constru\u00edram um acelerador do come\u00e7o ao fim\u201d, diz Roque. E Rodrigues era uma delas. Em 2012, o projeto estava maduro, e a equipe convidou um comit\u00ea internacional para avaliar a qualidade do trabalho. Na mesma \u00e9poca, na Su\u00e9cia, o governo come\u00e7ava a constru\u00e7\u00e3o de um s\u00edncrotron de quarta gera\u00e7\u00e3o \u2013 uma m\u00e1quina que estaria anos \u00e0 frente do UVX ou mesmo do Sirius.<\/p>\n<p>Para n\u00e3o perder a corrida tecnol\u00f3gica, a equipe de f\u00edsicos aceitou o desafio de mudar o projeto. \u201cSab\u00edamos que dava para fazer algo melhor\u201d, diz Liu Lin, l\u00edder da equipe de f\u00edsica de aceleradores. \u201cAquele era o pretexto que faltava.\u201d Durante um m\u00eas, a equipe de Lin trabalhou em ritmo de maratona, das 9 \u00e0s 22 horas. Chegaram a um projeto que tornaria a m\u00e1quina brasileira a mais brilhante do mundo \u2013 at\u00e9 mais que a sueca. Mas o custo cresceu. O Sirius custaria R$ 1,5 bilh\u00e3o. Em 2012,\u00a0a cifra n\u00e3o assustou o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia. O Sirius sairia do papel, ainda que o Brasil destinasse menos \u00e0 pesquisa e ao desenvolvimento do que a m\u00e9dia mundial. Naquela \u00e9poca, na soma dos investimentos privados e p\u00fablicos, cheg\u00e1vamos a 1,62% do PIB contra 2,13% em m\u00e9dia no mundo. Mas os recursos federais, crescentes nos anos anteriores, garantiam financiamento constante para pesquisa. \u201cA ci\u00eancia brasileira vive aos solu\u00e7os e 2013 foi nosso \u00faltimo ano bom\u201d, diz Helena Nader, presidente da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ci\u00eancia (SBPC).<\/p>\n<p>As dificuldades que se seguiram foram resultado de uma mistura infeliz de problemas econ\u00f4micos e planejamento ineficaz. A partir de 2014, mudaram as regras para a distribui\u00e7\u00e3o dos royalties do petr\u00f3leo \u2013 parte dos recursos foi redirecionada ao Fundo Social, que n\u00e3o tem rela\u00e7\u00e3o com ci\u00eancia. Em meio \u00e0s dificuldades, a comunidade cient\u00edfica se ressentiu da decis\u00e3o do governo de usar recursos do FNDCT para financiar o programa Ci\u00eancia sem Fronteiras. Originalmente, o programa \u2013 que bancava o interc\u00e2mbio de alunos de gradua\u00e7\u00e3o em universidades estrangeiras \u2013 deveria receber recursos de um fundo pr\u00f3prio. Para a comunidade acad\u00eamica, ele canibalizava o dinheiro dispon\u00edvel para a ci\u00eancia. Como forma de conter gastos, o governo diminuiu o or\u00e7amento do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia. Para piorar, afetadas pela crise, as ag\u00eancias financiadoras estaduais \u2013 que tiram uma percentagem dos impostos arrecadados pelos Estados \u2013 tamb\u00e9m ficaram na pen\u00faria. Em 2016, numa iniciativa que pegou desprevenida a comunidade brasileira de pesquisadores, o presidente Michel Temer fundiu o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o com o Minist\u00e9rio das Comunica\u00e7\u00f5es.<\/p>\n<p>Hoje, os cientistas do pa\u00eds temem os efeitos do teto de gastos no volume de verbas destinadas a pesquisa. Mesmo nesse contexto de pen\u00faria nacional, as obras do Sirius prosseguiram porque, em 2015, quando o Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia j\u00e1 amargava seu menor or\u00e7amento em nove anos, o ent\u00e3o ministro Aldo Rebelo garantiu a inclus\u00e3o das obras do Sirius no Programa de Acelera\u00e7\u00e3o do Crescimento (PAC). Para o governo, o projeto deveria ser tratado como prioridade.<\/p>\n<p>Em meio a uma crise econ\u00f4mica, faz sentido apostar t\u00e3o alto? \u201c\u00c9 importante que o Brasil tenha objetivos ambiciosos\u201d, diz Caetano Penna, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em pol\u00edtica cient\u00edfica. \u201cO Sirius \u00e9 um desafio tecnol\u00f3gico que exige o envolvimento de empresas inovadoras\u201d, diz Penna. A constru\u00e7\u00e3o do Sirius depende da colabora\u00e7\u00e3o do LNSL com, ao menos, 40 empresas nacionais. Elas ter\u00e3o de fabricar os componentes que v\u00e3o compor o acelerador \u2013 pe\u00e7as complexas, cuja fabrica\u00e7\u00e3o exigir\u00e1 que invistam no desenvolvimento de novas tecnologias de produ\u00e7\u00e3o. \u201cO mais perto disso j\u00e1 visto no Brasil foi a conquista das \u00e1guas profundas pela Petrobras\u201d, diz Penna. H\u00e1 um consenso entre os pesquisadores brasileiros de que o acelerador deve ser conclu\u00eddo. Na maior parte do mundo desenvolvido existe uma vaga no\u00e7\u00e3o de que investimento em ci\u00eancia significa crescimento econ\u00f4mico futuro. Em 2009, quando a economia americana patinava, o presidente Barack Obama anunciou que destinaria US$ 21 bilh\u00f5es adicionais para atividades de pesquisa e desenvolvimento cient\u00edfico, como parte de seu plano de recupera\u00e7\u00e3o da economia. N\u00e3o h\u00e1 um consenso quanto ao retorno desse esfor\u00e7o \u2013 os economistas n\u00e3o sabem dizer se US$ 1 aplicado em ci\u00eancia resultar\u00e1 em US$ 1 ou mais no futuro. Mesmo assim, na esteira da crise de\u00a0 2008, pa\u00edses como Austr\u00e1lia, Canad\u00e1, Alemanha e Su\u00e9cia seguiram o exemplo americano e aumentaram o financiamento para pesquisa. O Brasil n\u00e3o faz isso. Reduziu investimentos cient\u00edficos na crise. Mas, se o Sirius for at\u00e9 o fim, isso poder\u00e1 talvez indicar que o pa\u00eds passou a ver ci\u00eancia como investimento, e n\u00e3o despesa.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"size-full wp-image-15884 aligncenter\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cnpem.staging.wpengine.com\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/968-para-onde-foi-o-dinheiro-para-pesquisas.png?resize=560%2C3762&#038;ssl=1\" alt=\"\" width=\"560\" height=\"3762\" srcset=\"https:\/\/i0.wp.com\/cnpem.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/968-para-onde-foi-o-dinheiro-para-pesquisas.png?w=560&amp;ssl=1 560w, https:\/\/i0.wp.com\/cnpem.br\/wp-content\/uploads\/2017\/01\/968-para-onde-foi-o-dinheiro-para-pesquisas.png?resize=105%2C705&amp;ssl=1 105w\" sizes=\"auto, (max-width: 560px) 100vw, 560px\" \/><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Repercuss\u00e3o:<\/strong> <a href=\"https:\/\/futurodanovaterra.blogspot.com.br\/2017\/03\/o-acelerador-de-particulas-de-r-15.html\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Blog Futuro da Nova Terra<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista \u00c9poca, em 12\/01\/17 No meio da maior crise econ\u00f4mica da hist\u00f3ria recente, o Brasil concentra seu investimento tecnol\u00f3gico em um novo acelerador de part\u00edculas &nbsp; Rafael Ciscati Quem circula&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":7,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":true,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1163,12],"tags":[],"class_list":["post-15689","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem","category-clipping-lnls","category-1163","category-12","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - 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