{"id":15041,"date":"2016-10-05T18:59:19","date_gmt":"2016-10-05T18:59:19","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.staging.wpengine.com\/?p=15041"},"modified":"2022-01-21T15:53:07","modified_gmt":"2022-01-21T18:53:07","slug":"a-concepcao-de-uma-universidade","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/a-concepcao-de-uma-universidade\/","title":{"rendered":"A concep\u00e7\u00e3o de uma universidade"},"content":{"rendered":"<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2016\/10\/03\/a-concepcao-de-uma-universidade\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revista Fapesp<\/a>, 09\/2016<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><em>Com senso pr\u00e1tico e habilidade pol\u00edtica, Zeferino Vaz foi o executor do projeto Unicamp<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><a href=\"https:\/\/i0.wp.com\/cnpem.staging.wpengine.com\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Zeferino_Unicamp.jpg?ssl=1\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"alignright wp-image-15042 size-full\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/cnpem.staging.wpengine.com\/wp-content\/uploads\/2016\/10\/Zeferino_Unicamp.jpg?resize=300%2C235&#038;ssl=1\" alt=\"zeferino_unicamp\" width=\"300\" height=\"235\" \/><\/a>A lei que instituiu a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi assinada no final do governo de Carlos Alberto de Carvalho Pinto, em 28 de dezembro de 1962. Desde 1946 havia uma campanha em curso, iniciada pelo jornalista Luso Ventura, no <em>Di\u00e1rio do Povo<\/em>, e apoiada pelos moradores, por uma faculdade de medicina local. Existiam apenas duas cursos de forma\u00e7\u00e3o de m\u00e9dicos na \u00e9poca, o da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e a Escola Paulista de Medicina, ambos na capital. Em 1951, a USP abriu uma nova faculdade em Ribeir\u00e3o Preto, cujo fundador e primeiro diretor foi o m\u00e9dico parasitologista Zeferino Vaz (1908-1981), natural de S\u00e3o Paulo. Zeferino foi o maior opositor da cria\u00e7\u00e3o do curso em Campinas durante toda a d\u00e9cada de 1950, alegando que as escolas de medicina n\u00e3o deviam ficar pr\u00f3ximas umas das outras. A partir de\u00a0 1965, no entanto, tornou-se a for\u00e7a motriz que planejou e erigiu o projeto da Unicamp, cuja primeira unidade foi a faculdade desejada pela cidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pelo menos duas leis foram propostas e criadas entre 1953 e 1958 prevendo a cria\u00e7\u00e3o da Faculdade de Medicina de Campinas, mas sem a necess\u00e1ria aprova\u00e7\u00e3o de recursos para sua instala\u00e7\u00e3o. Em 1961, Carvalho Pinto, tamb\u00e9m respons\u00e1vel pela cria\u00e7\u00e3o da FAPESP, havia conclu\u00eddo que a reivindica\u00e7\u00e3o campineira n\u00e3o poderia mais ser postergada e instituiu uma comiss\u00e3o para estudar a instala\u00e7\u00e3o de um n\u00facleo universit\u00e1rio na cidade. No final do ano seguinte o governador revogou todas as leis anteriores e criou a universidade, \u00e0 qual foi incorporada a escola m\u00e9dica. Dessa vez n\u00e3o faltou verba e o curso come\u00e7ou a funcionar em 1963 provisoriamente na Maternidade de Campinas (<em><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/?p=225225\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ver reportagem<\/a><\/em>). Apenas em 1965 foi criada a Comiss\u00e3o Organizadora da Unicamp, cujo presidente foi Zeferino Vaz.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Poucos meses antes da nomea\u00e7\u00e3o, Zeferino deu por encerrada uma experi\u00eancia dif\u00edcil como reitor da Universidade de Bras\u00edlia (UnB), entre 1964 e 1965. A institui\u00e7\u00e3o havia sido atingida por embates com o regime militar ent\u00e3o rec\u00e9m-instaurado e do qual o m\u00e9dico foi apoiador de primeira hora. A escolha para planejar a Unicamp tinha a ver com sua ampla experi\u00eancia como gestor universit\u00e1rio \u2013 al\u00e9m da Faculdade de Medicina de Ribeir\u00e3o Preto, esteve envolvido diretamente na organiza\u00e7\u00e3o de escolas m\u00e9dicas em Botucatu e Santos. Havia tamb\u00e9m raz\u00f5es pol\u00edticas, como o apoio e a confian\u00e7a do ent\u00e3o governador Adhemar de Barros.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Uma vez \u00e0 frente do projeto, Zeferino declarou que faria uma universidade moderna e eficiente. Achou rapidamente o local para o <em>campus<\/em>: um canavial de 30 alqueires paulistas perto do distrito de Bar\u00e3o Geraldo, a 12 quil\u00f4metros do centro urbano de Campinas, de propriedade do banqueiro Jo\u00e3o Ademar de Almeida Prado. A gleba foi desapropriada pelo valor simb\u00f3lico de 1 cruzeiro com a concord\u00e2ncia do dono. No dia 5 de outubro de 1966 foi lan\u00e7ada a pedra fundamental do <em>campus<\/em> com a presen\u00e7a do presidente da Rep\u00fablica, general Humberto Castello Branco, e Laudo Natel, o governador que havia assumido no lugar de Adhemar, cassado pelos militares.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Montagem da universidade<\/strong><br \/>\nA experi\u00eancia na UnB foi curta, mas acabou sendo \u00fatil ao projeto da Unicamp por v\u00e1rias raz\u00f5es. A arquitetura da universidade brasiliense indicou a Zeferino o que ele n\u00e3o queria fazer. No relat\u00f3rio que apresentou ao governo do estado o futuro reitor dizia vislumbrar um <em>campus<\/em> com \u201cedif\u00edcios s\u00f3brios, sem fachadas imponentes e sem luxos de acabamento e de espa\u00e7os constru\u00eddos sem qualquer utilidade\u201d. De acordo com o jornalista Eust\u00e1quio Gomes em seu livro <em>O mandarim \u2013 Hist\u00f3ria da inf\u00e2ncia da Unicamp <\/em>(Editora Unicamp, 2006), Zeferino queria evitar pr\u00e9dios como o Instituto Central de Ci\u00eancias da UnB, projetado por Oscar Niemeyer, com 720 metros (m) de comprimento, 60 m de largura, 120 mil metros quadrados de \u00e1rea constru\u00edda e apenas 70 mil metros quadrados utiliz\u00e1veis para laborat\u00f3rios e salas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Por outro lado, Zeferino mirou-se em alguns exemplo da UnB \u2013 originalmente um projeto inovador do educador An\u00edsio Teixeira e do antrop\u00f3logo Darcy Ribeiro \u2013 do que seria uma universidade com uma organiza\u00e7\u00e3o moderna. A nova institui\u00e7\u00e3o deveria \u201cser um organismo, e n\u00e3o uma col\u00f4nia de organismos\u201d. Os institutos a serem criados seriam um espelho da \u201cinterdepend\u00eancia e subordina\u00e7\u00e3o rec\u00edproca de todas as ci\u00eancias\u201d e n\u00e3o meramente unidades independentes.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A montagem da universidade come\u00e7ou pela contrata\u00e7\u00e3o de professores que fossem, de prefer\u00eancia, tamb\u00e9m pesquisadores, algo inovador. Nos anos seguintes, o reitor conseguiu trazer cerca de 230 cientistas estrangeiros da Europa e Estados Unidos para dar aulas e pesquisar em Campinas, segundo entrevista concedida \u00e0 revista <em>Veja<\/em> em 2 de fevereiro de 1978; outros 180 brasileiros que estavam em institui\u00e7\u00f5es do exterior foram trabalhar no <em>campus<\/em> de Bar\u00e3o Geraldo. O recrutamento de docentes e pesquisadores ocorreu igualmente no Brasil. A biologia era coordenada por Walter August Hadler, j\u00e1 docente da Faculdade de Medicina de Campinas, depois Faculdade de Ci\u00eancias M\u00e9dicas. Para o Instituto de F\u00edsica, Zeferino chamou Marcello Damy de Souza Santos, um dos principais nomes da f\u00edsica nuclear da \u00e9poca. A organiza\u00e7\u00e3o do Instituto de Qu\u00edmica foi feita pelo italiano Guiuseppe Cilento, pesquisador de prest\u00edgio internacional. As engenharias ficaram com o general da reserva e f\u00edsico com doutorado na Universidade Stanford Jos\u00e9 Fonseca Valverde. O Instituto de Filosofia e Ci\u00eancias Humanas come\u00e7ou a ser planejado pelo fil\u00f3sofo Fausto Castilho, que veio da Faculdade de Filosofia de Araraquara.<\/p>\n<div id=\"attachment_225672\" class=\"wp-caption alignleft\" style=\"text-align: justify;\">\n<div class=\"wp-caption size-medium wp-image-225672\">\n<p class=\"wp_author\">\u00a9 ARQUIVO CENTRAL \/ SIARQ<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\"\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/090_Zeferino_Unicamp_290-300x220.jpg?resize=300%2C220&#038;ssl=1\" sizes=\"auto, (max-width: 300px) 100vw, 300px\" srcset=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/090_Zeferino_Unicamp_290-768x563.jpg 768w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/090_Zeferino_Unicamp_290-676x496.jpg 676w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/090_Zeferino_Unicamp_290-300x220.jpg 300w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/090_Zeferino_Unicamp_290-1024x751.jpg 1024w, https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2016\/09\/090_Zeferino_Unicamp_290.jpg 1208w\" alt=\"Na primeira fila (da dir. para a esq.), Murillo Marques, Damy e Cerqueira Leite na homenagem a Gleb Wataghin em 1971: pioneiros\" width=\"300\" height=\"220\" \/><\/p>\n<\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">Na primeira fila (da dir. para a esq.), Murillo Marques, Damy e Cerqueira Leite na homenagem a Gleb Wataghin em 1971: pioneiros<\/p>\n<\/div>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Cursos inovadores<\/strong><br \/>\n\u201cA universidade foi estruturada inicialmente com os institutos de matem\u00e1tica, f\u00edsica, biologia e qu\u00edmica. Os demais vieram um pouco depois\u201d, lembra o matem\u00e1tico Rubens Murillo Marques, que foi para Campinas a convite de Zeferino, primeiro para ser professor de bioestat\u00edstica na medicina, depois como diretor do Instituto de Matem\u00e1tica, hoje Instituto de Matem\u00e1tica, Estat\u00edstica e Computa\u00e7\u00e3o Cient\u00edfica (Imecc), onde criou os cursos de estat\u00edstica e ci\u00eancias da computa\u00e7\u00e3o. \u201cUma das boas contribui\u00e7\u00f5es da Unicamp para o ensino superior foi fundar cursos e faculdades inovadores\u201d, afirma Marques. \u201cEra a vis\u00e3o do Zeferino, que n\u00e3o achava inteligente oferecer aquilo que j\u00e1 estava presente em quase todas as cidades, como escolas de direito e pedagogia.\u201d Atualmente presidente de honra da Funda\u00e7\u00e3o Carlos Chagas, em S\u00e3o Paulo, Marques prop\u00f4s fazer as matr\u00edculas por disciplinas e a distribui\u00e7\u00e3o dos cursos por m\u00f3dulos semestrais, em vez de anuais, como na tradi\u00e7\u00e3o das institui\u00e7\u00f5es norte-americanas. A Unicamp foi a primeira a adotar esse sistema no pa\u00eds.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O senso pr\u00e1tico e a forte personalidade do reitor, segundo o matem\u00e1tico, provocavam admira\u00e7\u00e3o e ressentimentos. \u201cEle pegava as ideias no ar, decidia rapidamente e j\u00e1 as colocava em execu\u00e7\u00e3o\u201d, conta. \u201cMas era algu\u00e9m que gostava de fazer valer sua pr\u00f3pria opini\u00e3o, nem sempre para o bem.\u201d Marques lembra que Zeferino tinha tr\u00e2nsito f\u00e1cil com pol\u00edticos e militares. \u201cUma boa amostra disso \u00e9 que ele conseguiu demitir o general Valverde, ent\u00e3o diretor da Faculdade de Engenharia, quando entraram em rota de colis\u00e3o.\u201d Data da demiss\u00e3o: 31 de dezembro de 1969, em pleno recrudescimento da ditadura.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o linguista Carlos Vogt, na \u00e9poca em que a universidade come\u00e7ou a funcionar e nas circunst\u00e2ncias em que tudo aconteceu, a Unicamp n\u00e3o teria sido poss\u00edvel sem Zeferino Vaz. \u201cEle \u00e9 querido na Unicamp e detestado na UnB. \u00c9 como se fossem duas figuras diferentes do ponto de vista da rela\u00e7\u00e3o que teve com a universidade\u201d, testemunha Vogt, reitor da Unicamp entre 1990 e 1994 e um dos respons\u00e1veis pela cria\u00e7\u00e3o do Instituto de Estudos da Linguagem, o IEL (<em><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/?p=225279\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">ver reportagem<\/a><\/em>). \u201cEssa imagem criou um mito em torno de Zeferino: ele seria comprometido com a direita, mas com uma vis\u00e3o aberta do ponto de vista da vida intelectual e acad\u00eamica e, portanto, um homem esclarecido.\u201d<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Segundo o f\u00edsico Rog\u00e9rio Cezar de Cerqueira Leite, um dos pesquisadores que vieram dos Estados Unidos para o Instituto de F\u00edsica a convite de Zeferino, a habilidade pol\u00edtica era uma caracter\u00edstica forte do reitor, com quem entrou em choque n\u00e3o poucas vezes. \u201cEle sabia fazer concess\u00f5es, convivia perfeitamente com todos e ajudava pessoas de esquerda, que tinham sido presas pelos militares\u201d, conta Leite, atual diretor do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (Cnpem). \u201cEle era algu\u00e9m necess\u00e1rio para aquele momento.\u201d Cerqueira Leite conta que Zeferino valorizava a intera\u00e7\u00e3o com a ind\u00fastria, um dos marcos da Unicamp (<em>ver reportagens nas p\u00e1ginas<a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/?p=225206\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">10<\/a> e <a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/?p=225208\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">16<\/a><\/em>). \u201cO fato de o reitor aprovar e gostar dessa aproxima\u00e7\u00e3o ajudou a induzir a atividade na \u00e9poca\u201d, afirma o f\u00edsico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Durante os anos 1970, Zeferino enfrentou crises, uma parte delas em raz\u00e3o de seu longo per\u00edodo na reitoria. \u201cEle sempre foi reitor <em>pro tempore<\/em>, o que era conveniente para mant\u00ea-lo no comando porque n\u00e3o havia um mandato de quatro anos para expirar\u201d, lembra Vogt, hoje presidente da Universidade Virtual do Estado de S\u00e3o Paulo (Univesp). Zeferino deixou a reitoria em 1978, quando os 70 anos o obrigaram \u00e0 aposentadoria compuls\u00f3ria, e passou a presidir a ent\u00e3o rec\u00e9m-constitu\u00edda Funda\u00e7\u00e3o de Desenvolvimento da Unicamp (Funcamp).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Pl\u00ednio Alves de Moraes, professor da Faculdade de Odontologia de Piracicaba (FOP), unidade incorporada \u00e0 Unicamp em 1967, foi nomeado reitor pelo governador Paulo Egydio (1975-1979) gra\u00e7as ao apoio de Zeferino. Foi uma gest\u00e3o conturbada, com graves problemas econ\u00f4micos, pol\u00edticos e at\u00e9 uma interven\u00e7\u00e3o na universidade, em 1981, determinada pelo governador Paulo Maluf. Em 1982 o m\u00e9dico Jos\u00e9 Aristodemo Pinotti assumiu a reitoria. \u201cA partir daquele momento come\u00e7ou outra fase da universidade\u201d, conclui Carlos Vogt.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista Fapesp, 09\/2016 Com senso pr\u00e1tico e habilidade pol\u00edtica, Zeferino Vaz foi o executor do projeto Unicamp A lei que instituiu a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) foi assinada no&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1163],"tags":[],"class_list":["post-15041","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem","category-1163","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.7 - 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