{"id":1411,"date":"2012-01-27T16:24:54","date_gmt":"2012-01-27T16:24:54","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/?p=1411"},"modified":"2026-03-03T10:13:22","modified_gmt":"2026-03-03T13:13:22","slug":"usp-sem-fronteiras","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/usp-sem-fronteiras\/","title":{"rendered":"USP sem fronteiras"},"content":{"rendered":"<p><em>Valor Econ\u00f4mico, em 27\/01\/2012<\/em><\/p>\n<p><em>A mais importante universidade do pa\u00eds procura estabelecer rumos que a levem ao pleno reconhecimento internacional.<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Do antigo edif\u00edcio de oito andares s\u00f3 restou o esqueleto. Ladeada por duas estruturas mais baixas, em formato de L, com tr\u00eas andares cada uma, a fachada da torre central ter\u00e1 preservado o estilo original, da d\u00e9cada de 1950. J\u00e1 a parte interna, completamente demolida, receber\u00e1 acabamento mais moderno. Assim que a revitaliza\u00e7\u00e3o for conclu\u00edda, daqui a alguns meses, reitor, vice-reitores, pr\u00f3-reitores e conselho universit\u00e1rio voltar\u00e3o a ocupar o pr\u00e9dio que h\u00e1 muitos anos deixou de ser a sede da administra\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Uma universidade do porte da USP, nos cen\u00e1rios nacional e internacional, tem por obriga\u00e7\u00e3o, como fazem suas cong\u00eaneres, bem receber os que a procuram, devendo o edif\u00edcio dos \u00f3rg\u00e3os centrais possibilitar acolhimento \u00e0 altura da universidade.&#8221; Assim foi resumido o objetivo da obra, em edi\u00e7\u00e3o de dezembro do boletim &#8220;Destaques&#8221;, publica\u00e7\u00e3o semanal da reitoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">As obras de melhoria no campus principal, dos sete que constituem a maior e mais importante universidade da Am\u00e9rica Latina, n\u00e3o se limitam ao edif\u00edcio da antiga reitoria, defronte \u00e0 pra\u00e7a do Rel\u00f3gio, marco mais vis\u00edvel na gigantesca Cidade Universit\u00e1ria. H\u00e1 mais obras em andamento. Mas a principal reforma, prevista e necess\u00e1ria, poder\u00e1, se bem-sucedida, dar nova vida \u00e0 USP. N\u00e3o apenas ao que \u00e9 vis\u00edvel, como a pol\u00eamica falta de seguran\u00e7a, motivo pelo qual a institui\u00e7\u00e3o \u00e9 t\u00e3o citada no notici\u00e1rio policial quanto as teses de seus pesquisadores nas revistas cient\u00edficas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A sustenta\u00e7\u00e3o dos alicerces da \u00fanica universidade brasileira que aparece com algum destaque nos rankings de avalia\u00e7\u00e3o internacionais volta-se, agora, para a necessidade de a riqueza do conhecimento ali gerado seguir os passos do crescimento econ\u00f4mico do pa\u00eds, inserindo-a no ambiente globalizado, transformando-a, enfim, numa universidade de classe mundial. Em outras na\u00e7\u00f5es emergentes, como a China, h\u00e1 grandes saltos nessa dire\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Com base em dados enviados pelas faculdades que comp\u00f5em a institui\u00e7\u00e3o, os dirigentes da Universidade de S\u00e3o Paulo reuniram-se no dia 24 de novembro para esbo\u00e7ar o chamado Plano de Desenvolvimento Institucional &#8211; 2012-2017, uma orienta\u00e7\u00e3o de estrat\u00e9gias para que a USP, segundo publica\u00e7\u00e3o interna, &#8220;contribua para o avan\u00e7o da ci\u00eancia, da tecnologia e da cultura para a melhoria da qualidade de vida e o desenvolvimento socioecon\u00f4mico e sustent\u00e1vel do pa\u00eds&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O texto preliminar fixa metas de expans\u00e3o do investimento, aumento no n\u00famero de vagas na gradua\u00e7\u00e3o e de bolsas para p\u00f3s-graduados, aqui e no exterior, e a abertura das portas para pesquisadores estrangeiros. Para ser aprovado, o plano depende, agora, da anu\u00eancia do conselho universit\u00e1rio.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maior universidade p\u00fablica do pa\u00eds j\u00e1 est\u00e1 em rota de ascens\u00e3o, segundo o reitor Jo\u00e3o Grandino Rodas. Ele aponta iniciativas como a cria\u00e7\u00e3o de um campus em Santos, que permitir\u00e1 expandir compet\u00eancia na \u00e1rea de tecnologia num momento em que o pa\u00eds estabelece importantes metas para o pr\u00e9-sal<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Internamente, por\u00e9m, nem todos acreditam que a institui\u00e7\u00e3o est\u00e1 pronta para voos mais altos. Para alguns, apesar de ter completado 78 anos na quarta-feira, a universidade parece ainda imatura, porque mal consegue resolver as pr\u00f3prias quest\u00f5es internas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o \u00e9 de hoje que se ouvem cr\u00edticas ao formato de gest\u00e3o, incluindo o processo de elei\u00e7\u00e3o da reitoria. Al\u00e9m disso, a institui\u00e7\u00e3o parece, \u00e0s vezes, acuada, fechada em si mesma, por um lado, e, por outro, fragmentada, como se cada uma de suas 42 unidades de ensino e pesquisa fosse desconectada da universidade.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Classe mundial <\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O reconhecimento da USP nos rankings mundiais aparece com frequ\u00eancia nos meios acad\u00eamicos. A Universidade de S\u00e3o Paulo passou para o grupo das 200 maiores na \u00faltima classifica\u00e7\u00e3o da publica\u00e7\u00e3o brit\u00e2nica &#8220;Times Higher Education&#8221;, uma das mais respeitadas. Ocupa o 178\u00ba lugar nessa lista, que coloca as americanas no topo.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A maioria dos professores, pesquisadores e at\u00e9 dirigentes da institui\u00e7\u00e3o reconhecem a necessidade de a maior universidade brasileira avan\u00e7ar na conquista de posi\u00e7\u00f5es melhores. Caso contr\u00e1rio, corre o risco de ficar fora da coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica internacional, que avan\u00e7a \u00e0 medida que o conhecimento se torna cada vez mais globalizado.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o ex-ministro da Educa\u00e7\u00e3o e professor licenciado da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH) da USP, Fernando Haddad, para se internacionalizar, a USP precisa antes se nacionalizar. &#8220;Entendo que a USP \u00e9 uma pot\u00eancia acad\u00eamica regional e j\u00e1 figura nos rankings internacionais dentre as melhores. Mas penso que poderia se abrir mais para estudantes de todo o Brasil, da Am\u00e9rica Latina. A USP tem que se nacionalizar para se internacionalizar mais. H\u00e1 caminhos para isso. Teriam que ser estudadas maneiras de fazer isso; pode ser que tenha que mexer at\u00e9 no processo seletivo, que, vamos dizer assim, ainda \u00e9 muito fechado&#8221;, completa Haddad.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A presen\u00e7a cada vez maior de autores chineses nas publica\u00e7\u00f5es cient\u00edficas chama a aten\u00e7\u00e3o de Fernando Galembeck, que j\u00e1 foi da USP e hoje leciona na Unicamp, em Campinas, al\u00e9m de dirigir o laborat\u00f3rio de nanotecnologia do Centro de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Entre as metas tra\u00e7adas no plano preliminar da USP para os pr\u00f3ximos cinco anos est\u00e1 a amplia\u00e7\u00e3o de 30% no n\u00famero de alunos que fazem interc\u00e2mbio anualmente na gradua\u00e7\u00e3o, p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o e p\u00f3s-doutorado. A universidade come\u00e7a tamb\u00e9m a oferecer cursos ministrados em l\u00ednguas estrangeiras, segundo o vice-reitor, H\u00e9lio Nogueira da Cruz, respons\u00e1vel pela organiza\u00e7\u00e3o do plano e pela comiss\u00e3o de avalia\u00e7\u00e3o da USP.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para Nogueira da Cruz, a USP est\u00e1 numa posi\u00e7\u00e3o melhor que o 178\u00balugar definido na classifica\u00e7\u00e3o da &#8220;Times Higher Education&#8221;. Ele questiona os crit\u00e9rios da publica\u00e7\u00e3o, que deixaram de fora, por exemplo, a Universidade do Chile &#8211; &#8220;formadora de quase todos os presidentes da Rep\u00fablica do pa\u00eds&#8221;. E acha estranho o Brasil, com um PIB dos maiores do mundo, &#8221; estar atr\u00e1s de economias muito menores e ainda aparecer na lista com uma \u00fanica universidade&#8221;. Na verdade, a seu ver, isso n\u00e3o importa: &#8220;A USP se v\u00ea com o papel de destaque com que sempre se viu&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o pr\u00f3-reitor da \u00e1rea de pesquisa, Marco Antonio Zago, &#8220;a USP s\u00f3 perdeu o pensamento que estava aqui com as pris\u00f5es de professores durante o regime<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">H\u00e1 quem diga, por\u00e9m, que a USP perdeu, mesmo depois das interven\u00e7\u00f5es militares, deixando de ser a mesma refer\u00eancia do passado. Para um dos pesquisadores, a despeito das altas notas que v\u00e1rias unidades recebem na Capes (Coordena\u00e7\u00e3o de Aperfei\u00e7oamento de Pessoal de N\u00edvel Superior), que avalia os cursos de p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o, a USP &#8220;perdeu a for\u00e7a institucional, num decl\u00ednio relativo se comparado a outras universidades brasileiras que come\u00e7aram a se destacar&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Risco da inova\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Existe na USP uma corrente de acad\u00eamicos que se queixam da falta de interesse das empresas em contratar profissionais com alto conhecimento cient\u00edfico. &#8220;O Brasil tem poucas empresas como Embraer, Embrapa e Petrobras, empenhadas em investir pesado no risco que o esfor\u00e7o de inova\u00e7\u00e3o requer. A iniciativa privada teria que colocar cientistas em seus quadros, como fazem os EUA e tamb\u00e9m a China e a \u00cdndia&#8221;, destaca o imunologista Jorge Kalil, professor titular da Medicina da USP, diretor do Instituto Butantan, e um entusiasta da cria\u00e7\u00e3o de est\u00edmulos \u00e0 inova\u00e7\u00e3o. Com mestrado e doutorado em biologia humana pela Universidade de Paris, Kalil tem mais de 350 artigos indexados internacionalmente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Galembeck, da Unicamp, sente falta de diretrizes claras de programas de desenvolvimento tecnol\u00f3gico no pa\u00eds. &#8220;Muitos estudantes fazem pesquisa e dedicam esfor\u00e7os a um avan\u00e7o que dificilmente ter\u00e1 alguma express\u00e3o econ\u00f4mica ou ser\u00e1 desfrutado pela sociedade. Acabam n\u00e3o fazendo parte de nenhum c\u00edrculo de descoberta ou de gera\u00e7\u00e3o de riqueza. Ficamos todos como num jardim zool\u00f3gico: achamos interessante e ponto.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;A coopera\u00e7\u00e3o cient\u00edfica est\u00e1 cada vez mais internacionalizada,&#8221; diz o presidente da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), Glauco Arbix. Professor da Sociologia da USP, Arbix acumulou estudos de p\u00f3s-doutorado no Massachusetts Institute of Technology (MIT) e na Universidade Columbia, nos EUA. Quando assumiu a Finep, ele estranhou ter de passar boa parte do tempo peregrinando em busca de empresas interessadas nos recursos de financiamento da ag\u00eancia de fomento para\u00a0investimentos em inova\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Voo solo<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A dire\u00e7\u00e3o da Faculdade de Medicina faz os pr\u00f3prios planos para o futuro. Elegeu 2012, ano de seu centen\u00e1rio, para &#8220;dar um salto qualitativo&#8221;, como diz o titular de anestesiologia do departamento de cirurgia do Hospital das Cl\u00ednicas e vice-diretor da Faculdade de Medicina da USP, Jos\u00e9 Ot\u00e1vio Auler. Entre as principais ideias est\u00e1 a cria\u00e7\u00e3o de um fundo de apoio a jovens talentos com recursos doados pela iniciativa privada. A verba seria usada para incentivar a pesquisa no Brasil e no exterior. &#8220;Queremos colocar mais alunos no exterior e atrair os que est\u00e3o em outros pa\u00edses&#8221;, diz Auler, que dirige o departamento de cirurgia. &#8220;Muitos c\u00e9rebros brasileiros que deixaram o pa\u00eds para cursar doutorado e p\u00f3s-doutorado acabam ficando no exterior porque n\u00e3o temos estrutura para acomod\u00e1-los aqui.&#8221; Segundo ele, a faculdade j\u00e1 est\u00e1 em busca de parcerias. Trata-se, como diz, de seguir modelos fartamente usados nas universidades americanas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">N\u00e3o h\u00e1, no entanto, consenso na universidade em torno de um modelo para recebimento de recursos da iniciativa privada. O governo paulista destina \u00e0s suas tr\u00eas universidades p\u00fablicas 9,57% da arrecada\u00e7\u00e3o do Imposto sobre Circula\u00e7\u00e3o de Mercadorias (ICMS), l\u00edquidos. A USP recebe o equivalente a 5,0295%, o que lhe garante um or\u00e7amento de R$ 3,5 bilh\u00f5es. Segundo Zago, cerca de R$ 1,6 bilh\u00e3o do or\u00e7amento anual v\u00e3o para a pesquisa.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Somos um \u00f3rg\u00e3o p\u00fablico, sujeito \u00e0 legisla\u00e7\u00e3o p\u00fablica. Por isso, \u00e0s vezes \u00e9 mais conveniente que uma empresa fa\u00e7a doa\u00e7\u00f5es para um fundo de apoio, como j\u00e1 acontece na Escola Polit\u00e9cnica&#8221;, afirma o vice-reitor Nogueira da Cruz. Ele aponta como exemplo a biblioteca Guita e Jos\u00e9 Mindlin, que abrigar\u00e1 o acervo que pertenceu ao empres\u00e1rio. A ideia de criar fundos com doa\u00e7\u00f5es de ex-alunos tamb\u00e9m entra com frequ\u00eancia nas discuss\u00f5es internas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em geral, contudo, n\u00e3o se ouvem queixas relativas \u00e0 falta de dinheiro para atividades de pesquisa. Principalmente as escolas mais voltadas \u00e0 pesquisa t\u00e9cnica e cient\u00edfica costumam conseguir recursos para o desenvolvimento de projetos nas ag\u00eancias de fomento, como a Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa (Fapesp), ligada ao Estado, ou o Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia e Tecnologia.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Fragmenta\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A origem de algumas faculdades pode ser um dos motivos que as faz parecer desconectadas da universidade. Medicina, Polit\u00e9cnica, Direito e Veterin\u00e1ria s\u00e3o mais antigas que a pr\u00f3pria USP. Assim como a Faculdade de Direito, que permaneceu no antigo convento do Largo de S\u00e3o Francisco, onde foi fundada, a Medicina tamb\u00e9m est\u00e1 fora do campus. Funciona no imponente conjunto arquitet\u00f4nico da avenida Dr. Arnaldo, inaugurado em 1931. Essa fragmenta\u00e7\u00e3o n\u00e3o se revela, por\u00e9m, apenas nas unidades instaladas fora do campus. Fundada em 1893, a Escola Polit\u00e9cnica ocupa o maior espa\u00e7o dentro da Cidade Universit\u00e1ria, com 9 pr\u00e9dios e 17 cursos de gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A Poli nasceu na antiga ch\u00e1cara do Solar do Marqu\u00eas, no bairro do Bom Retiro. J\u00e1 no discurso de inaugura\u00e7\u00e3o, o ent\u00e3o presidente de S\u00e3o Paulo, Bernardino de Campos, enfatizou a rela\u00e7\u00e3o da nova escola com o futuro do pa\u00eds. O fundador, Antonio Francisco de Paula Souza, aproveitou para jogar farpas ao Imp\u00e9rio: &#8220;Uma institui\u00e7\u00e3o t\u00e3o necess\u00e1ria para o desenvolvimento do pa\u00eds n\u00e3o podia medrar naquele regime de fic\u00e7\u00f5es e de enfezada centraliza\u00e7\u00e3o.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Foi concep\u00e7\u00e3o de um de seus professores, Francisco de Paula Ramos de Azevedo, o projeto do pr\u00e9dio que a institui\u00e7\u00e3o ocupou, mais tarde, pr\u00f3ximo \u00e0 Esta\u00e7\u00e3o da Luz. S\u00e3o Paulo havia se destacado pela tradi\u00e7\u00e3o dos cursos jur\u00eddicos, voltados \u00e0 forma\u00e7\u00e3o dos administradores p\u00fablicos. Mas os polit\u00e9cnicos associavam o desenvolvimento do pa\u00eds ao crescimento industrial. Inspirado em modelo europeu, o m\u00e9todo de ensino da Poli buscou unir teoria \u00e0 pr\u00e1tica, com a instala\u00e7\u00e3o imediata de oficinas de carpintaria, serralheria e laborat\u00f3rio de resist\u00eancia dos materiais.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Sem vizinhos<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A exist\u00eancia de muitas &#8220;USPs&#8221; dentro da mesma universidade \u00e9 tamb\u00e9m apontada como consequ\u00eancia do modelo de constru\u00e7\u00e3o do seu campus principal. A sensa\u00e7\u00e3o de vazio que a Cidade Universit\u00e1ria transmite a qualquer hora remete a duas impress\u00f5es: ou haveria muitos alunos, excessivamente dedicados aos estudos e permanentemente dentro das salas de aula, ou, ao contr\u00e1rio, estariam todos de f\u00e9rias o ano inteiro.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para a urbanista Raquel Rolnik, a Cidade Universit\u00e1ria foi estruturada para a locomo\u00e7\u00e3o em carro. &#8220;Trata-se de um espa\u00e7o antitransporte coletivo e antipedestre, com pr\u00e9dios isolados, onde os ocupantes parecem n\u00e3o ter vizinhan\u00e7a.&#8221; Professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo, ela chegou a sugerir um plano diretor participativo dentro da USP, que interligasse as unidades harmoniosamente.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Raquel tamb\u00e9m defende o processo de elei\u00e7\u00e3o direta, e reage com pessimismo quando questionada sobre o papel da universidade. &#8220;Qual ser\u00e1 o futuro da USP? Olha, eu, que sou soldado raso, n\u00e3o sei como est\u00e1 esse debate. Gostaria de ter uma universidade que tratasse de quest\u00f5es sobre o territ\u00f3rio em que ela se encontra, ou seja, S\u00e3o Paulo Capital, S\u00e3o Paulo Estado, Brasil e Am\u00e9rica do Sul.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Critica-se a fragmenta\u00e7\u00e3o, mas elogiam-se as condi\u00e7\u00f5es de trabalho que a USP proporciona a professores e pesquisadores. Ningu\u00e9m nega que o simples nome USP abre portas. &#8220;Eu n\u00e3o teria conseguido acesso a documentos importantes e material de qualidade se n\u00e3o fosse para uma tese da USP&#8221;, afirma In\u00e1 Rosa da Silva, arquiteta que acaba de concluir, com financiamento da Fapesp, uma tese de p\u00f3s-doutorado sobre o munic\u00edpio de Franco da Rocha.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Em nenhum outro lugar tive as condi\u00e7\u00f5es de trabalho, de pesquisa, que tenho na USP&#8221;, resume o professor Luiz Roncari, titular de literatura brasileira da Faculdade de Filosofia, Letras e Ci\u00eancias Humanas (FFLCH). Para ele, o maior problema da institui\u00e7\u00e3o talvez seja o &#8220;gigantismo&#8221;. Roncari tamb\u00e9m lamenta que a USP n\u00e3o se relacione mais com a Am\u00e9rica Latina. &#8220;Temos os olhos muito voltados para outros continentes porque somos resultado de uma cria\u00e7\u00e3o europeia, de professores franceses que vieram na d\u00e9cada de 1930.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O engenheiro Mauro Zilbovicius fala a favor dos alunos da gradua\u00e7\u00e3o. Com mestrado e doutorado em engenharia de produ\u00e7\u00e3o na USP, onde tamb\u00e9m leciona, Zilbovicius alerta para a cautela que a universidade precisa ter para n\u00e3o se concentrar excessivamente nas \u00e1reas de pesquisa. &#8220;A gradua\u00e7\u00e3o contribui com uma quantidade enorme de talentos. S\u00e3o os profissionais de que o mercado de trabalho precisa.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>Elei\u00e7\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O formato do processo eleitoral aparece como uma das causas da falta de sintonia interna na universidade. O professor Renato Janine Ribeiro, titular de \u00e9tica e filosofia pol\u00edtica engrossa a forte corrente que defende elei\u00e7\u00e3o direta, seguindo modelo das universidades federais brasileiras. O sistema vigente na USP, a seu ver, fragiliza a representatividade. Para ele, o formato de escolha da reitoria &#8220;favorece quem est\u00e1 no poder, burocratiza, limita as discuss\u00f5es aos temas definidos pelo reitor e transforma USP numa institui\u00e7\u00e3o fechada. O mundo mudou, mas a discuss\u00e3o no conselho universit\u00e1rio ainda \u00e9 burocr\u00e1tica&#8221;. Ele fala com o conhecimento de quem j\u00e1 fez parte desse conselho, apresentado pela universidade como inst\u00e2ncia m\u00e1xima de decis\u00e3o. O professor desistiu de candidatar-se \u00e0 reelei\u00e7\u00e3o por entender que &#8220;uma das melhores universidades do mundo carece de apoio interno&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Motivo de greves na institui\u00e7\u00e3o, o processo de escolha do reitor quase n\u00e3o mudou nos \u00faltimos 78 anos. Foi sempre indireto e submetido \u00e0 decis\u00e3o final do governador. Hoje, a elei\u00e7\u00e3o ocorre a cada quatro anos, em dois turnos. Representantes das tr\u00eas classes (professores, funcion\u00e1rios e alunos) elegem tr\u00eas nomes, apresentados, ent\u00e3o, ao governador. Muitos professores confessam n\u00e3o ter interesse sequer em participar da escolha de quem os representar\u00e1 na elei\u00e7\u00e3o. Poucos argumentam que o controle do governo estadual faz sentido num institui\u00e7\u00e3o sustentada com dinheiro do contribuinte.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na \u00faltima elei\u00e7\u00e3o, em 2009, o jurista Jo\u00e3o Grandino Rodas ficou em segundo lugar em n\u00famero de votos, mas foi o escolhido pelo governador Jos\u00e9 Serra. As correntes de oposi\u00e7\u00e3o apontam interesses pol\u00edticos, embora a nomea\u00e7\u00e3o tenha sido publicada em 13 de novembro, 13 dias depois de Serra ter perdido a elei\u00e7\u00e3o para Dilma Rousseff.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A interfer\u00eancia do Poder Executivo acaba, de qualquer maneira, se transformando em motivo principal para manifesta\u00e7\u00f5es das diversas correntes, dentro da USP, que fazem oposi\u00e7\u00e3o a Rodas e ao PSDB, partido que governa S\u00e3o Paulo. Entre os professores, uma das principais organiza\u00e7\u00f5es de oposi\u00e7\u00e3o \u00e0 reitoria vem da Associa\u00e7\u00e3o dos Docentes da USP (Adusp). Entre os estudantes, publica\u00e7\u00f5es como a &#8220;USP livre! Fora Rodas!&#8221; s\u00e3o canais de protesto constante.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o vice-reitor Nogueira da Cruz, \u00e9 poss\u00edvel que o formato de elei\u00e7\u00e3o da reitoria seja modificado, &#8220;talvez daqui a uns dois ou tr\u00eas anos&#8221;. Em sua opini\u00e3o, &#8220;\u00e9 preciso analisar as v\u00e1rias linhas de propostas, que v\u00e3o do voto direto de todos \u00e0 participa\u00e7\u00e3o dos que est\u00e3o mais envolvidos com a universidade&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>A USP n\u00e3o \u00e9 aqui<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A movimenta\u00e7\u00e3o di\u00e1ria no longo t\u00fanel que liga a sa\u00edda da esta\u00e7\u00e3o Cl\u00ednicas do metr\u00f4 ao complexo hospitalar que leva o mesmo nome d\u00e1 a dimens\u00e3o do v\u00ednculo da comunidade com esse centro de tratamento. Uma multid\u00e3o percorre o trajeto como pode &#8211; alguns, a passos lentos; outros, apoiados em muletas ou em cadeira de rodas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Apesar de respeitado, o Hospital das Cl\u00ednicas parece, aos olhos de quem passa por ali e mesmo entre funcion\u00e1rios, uma entidade \u00e0 parte. &#8220;Aqui n\u00e3o \u00e9 da USP, n\u00e3o; \u00e9 das Cl\u00ednicas&#8221;, disse, certa manh\u00e3 o atendente da farm\u00e1cia popular, na sa\u00edda do metr\u00f4. Numa guarita sobre a qual est\u00e1 a placa em que se l\u00ea &#8220;Instituto Central do Hospital das Cl\u00ednicas da FMUSP&#8221;, a funcion\u00e1ria confirma: &#8220;Aqui \u00e9 tudo do HC&#8221;. Mas o recepcionista da radiologia, finalmente, demonstra conhecer o v\u00ednculo: &#8220;Tudo que \u00e9 pr\u00e9dio aqui \u00e9 da USP&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Colado \u00e0 faculdade de medicina, no bairro Cerqueira C\u00e9sar, o enorme conjunto de edif\u00edcios conhecido como HC \u00e9 conduzido pela FMUSP h\u00e1 68 anos. Inaugurado em 1944, o complexo atrai gente de longe. \u00c9 para l\u00e1 que Elaine Duarte da Silva viajou na v\u00e9spera do Ano Novo com o filho.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No banco de cimento, na entrada do pr\u00e9dio da ortopedia, Mateus Gabriel dormia no colo da m\u00e3e. Os dois haviam sa\u00eddo de casa por volta de 2 horas. Passava das 11 quando ela fez as contas: restavam mais umas 7 horas de espera. Mateus, que nasceu com o p\u00e9 esquerdo torto, j\u00e1 havia sido bem atendido, como das outras vezes. Mas, como de rotina, faltava aguardar as consultas de todos os demais pacientes de Capivari, interior de S\u00e3o Paulo, que, como eles, viajam at\u00e9 a Capital na ambul\u00e2ncia da cidade. Aos 24 anos, Elaine deixou o emprego para cuidar do filho no distante HC porque o tratamento na sua cidade n\u00e3o surtiu efeito. Mateus nasceu h\u00e1 tr\u00eas anos. Passou dois \u00e0 espera de vaga no Hospital das Cl\u00ednicas. Sua m\u00e3e lamenta apenas n\u00e3o morar mais perto.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Vice-diretor da Faculdade de Medicina da USP, Jos\u00e9 Ot\u00e1vio Auler toma f\u00f4lego para informar os n\u00fameros. Com 18 mil funcion\u00e1rios, o HC atende, em um ano, 250 mil emerg\u00eancias, faz 1,5 milh\u00e3o de atendimentos ambulatoriais, 40 mil cirurgias, 8,6 milh\u00f5es de exames laboratoriais, 1,6 milh\u00e3o de diagn\u00f3sticos por imagem e 600 transplantes. Foi realizado ali o primeiro transplante de rim da Am\u00e9rica Latina, em 1965, e ali tamb\u00e9m nasceu, em 1991, o primeiro beb\u00ea de proveta num hospital p\u00fablico.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\"><strong>USP ou Poli?<\/strong><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Voc\u00ea quer saber o que eu acho da USP ou da Poli?&#8221;, pergunta Rodrigo Fran\u00e7a Gastim. No terceiro ano de gradua\u00e7\u00e3o em engenharia de produ\u00e7\u00e3o, ele tem ideias diferentes sobre as duas institui\u00e7\u00f5es. Diz que na Poli &#8220;nenhuma greve pega&#8221;, ao contr\u00e1rio do que &#8220;acontece na FFLCH&#8221; &#8211; a &#8220;Fefeleche&#8221;. Rodrigo prestou vestibular na Unicamp, FGV e USP. Passou nas tr\u00eas. A ambi\u00e7\u00e3o profissional o levou a estudar arduamente para conseguir uma transfer\u00eancia da engenharia civil, onde conseguiu inicialmente uma vaga, para o curso de produ\u00e7\u00e3o. &#8220;Quero ser o presidente de uma grande empresa&#8221;, diz. O MIT \u00e9 sua refer\u00eancia de universidade internacional. &#8220;\u00c9 o modelo que a Poli quer seguir&#8221;, observa o professor Mauro Zilbovicius.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Na mesma classe de Rodrigo, Let\u00edcia Cestari desistiu de estudar na conceituada Faculdade de Medicina da Universidade Federal de Goi\u00e1s, onde morava com a fam\u00edlia, porque tinha a ideia fixa de entrar na USP. Em setembro, ela viajar\u00e1 para Paris, onde vai cursar outros dois anos de engenharia, para em seguida concluir mais seis meses na USP. Trata-se do chamado curso &#8220;sanduiche&#8221;, op\u00e7\u00e3o que a dire\u00e7\u00e3o da USP pretende estimular, por considerar que \u00e9 um dos caminhos para a internacionaliza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Ambos com 20 anos de idade, Let\u00edcia e Rodrigo fazem parte do seleto grupo de estudantes da USP que conseguem vaga na institui\u00e7\u00e3o gra\u00e7as a uma boa forma\u00e7\u00e3o de ensino b\u00e1sico, horas de muito estudo e dedica\u00e7\u00e3o, e f\u00f4lego financeiro para estudar em per\u00edodo integral. Os dois s\u00e3o a favor da presen\u00e7a da Pol\u00edcia Militar no campus. O conv\u00eanio para a PM cuidar da seguran\u00e7a na Cidade Universit\u00e1ria foi o estopim de recente manifesta\u00e7\u00e3o de alunos, que culminou com a ocupa\u00e7\u00e3o da reitoria.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O epis\u00f3dio trouxe novamente \u00e0 tona discuss\u00f5es como elitismo e preconceito. \u00c9 comum ouvir na universidade conversas em que se fala de preconceitos contra alunos que escolhem os cursos menos disputados.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Dos 89 mil alunos matriculados at\u00e9 o ano passado, 24% sa\u00edram da escola p\u00fablica. No texto do Plano de Desenvolvimento Institucional, est\u00e1 previsto um aumento de 5% nessa participa\u00e7\u00e3o, at\u00e9 2017. Para o mesmo per\u00edodo, haveria um aumento de 10% no n\u00famero de bolsas-aux\u00edlio e vagas em moradia e creches. Os n\u00fameros s\u00e3o compat\u00edveis com a proje\u00e7\u00e3o de amplia\u00e7\u00e3o de vagas, tamb\u00e9m calculada em 10%.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Em 2010, a USP destinou 3,1% para investimentos. Pretende-se chegar a 5% em 2017. &#8220;Fazemos proje\u00e7\u00f5es modestas, contando apenas com o aumento da arrecada\u00e7\u00e3o tribut\u00e1ria, que deve vir com o crescimento econ\u00f4mico do Estado&#8221;, diz Nogueira da Cruz, tamb\u00e9m titular da Faculdade de Economia (FEA).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A despeito da falta de sintonia interna, ningu\u00e9m duvida que a maior universidade do pa\u00eds continuar\u00e1 a formar profissionais de primeira linha, gra\u00e7as \u00e0 qualidade da pesquisa e do ensino. Entre os mais de 10 mil jovens que passaram no exame da Fuvest e que v\u00e3o se matricular na USP nas pr\u00f3ximas semanas, muitos provavelmente se destacar\u00e3o, em alguns anos, em suas carreiras profissionais. Resta, no entanto, saber de que forma esse gigante enfrentar\u00e1 o desafio de tornar-se mais competitivo na produ\u00e7\u00e3o de conhecimento mundial.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A poeira que se v\u00ea no canteiro de obras no pr\u00e9dio da antiga reitoria confirma que falta pouco para o comando da institui\u00e7\u00e3o mudar de casa. Est\u00e1 escrito no cartaz afixado no tapume que a reforma, iniciada em 22 de agosto, levar\u00e1 390 dias. Nem sempre, no entanto, consegue-se no planejamento estrat\u00e9gico de uma institui\u00e7\u00e3o como a USP a precis\u00e3o de prazos que se estabelece em obras civis. De todo modo, a\u00e7\u00f5es nesse sentido s\u00e3o urgentes. Como diz o professor Jorge Kalil, se n\u00e3o acompanhar os modelos desenvolvidos por pa\u00edses como EUA, China e \u00cdndia, o conhecimento cient\u00edfico no Brasil corre o risco de virar p\u00f3&#8221;.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Valor Econ\u00f4mico, em 27\/01\/2012 A mais importante universidade do pa\u00eds procura estabelecer rumos que a levem ao pleno reconhecimento internacional. 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