{"id":1338,"date":"2010-02-28T14:55:55","date_gmt":"2010-02-28T14:55:55","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/?p=1338"},"modified":"2026-03-03T10:20:11","modified_gmt":"2026-03-03T13:20:11","slug":"brasil-fica-para-tras-na-nova-economia-verde","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/brasil-fica-para-tras-na-nova-economia-verde\/","title":{"rendered":"Brasil fica para tr\u00e1s na nova economia verde"},"content":{"rendered":"<p><em>28\/02\/2010 &#8211; Folha de S.Paulo<\/em><\/p>\n<p><em>Na corrida global por desenvolvimento cient\u00edfico e amplia\u00e7\u00e3o de investimentos ligados \u00e0 economia de baixo carbono, o Brasil come\u00e7a a ficar para tr\u00e1s<\/em><\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto pot\u00eancias como EUA e China investem centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares na \u00e1rea, vista como a nova fronteira do desenvolvimento mundial, o Brasil nem sequer tem um modelo nacional, afirmam acad\u00eamicos e ambientalistas. No setor privado, neg\u00f3cios verdes esbarram em gargalos como estrutura tribut\u00e1ria inadequada, falta de marco regulat\u00f3rio e aus\u00eancia de incentivo. Nessa corrida, o pa\u00eds tem as vantagens da biodiversidade e de escolhas feitas no passado (como a aposta no \u00e1lcool e na hidroeletricidade). No entanto, desperdi\u00e7a o enorme potencial de fontes de energia, como solar, e\u00f3lica e de biomassa, e avan\u00e7a lentamente em \u00e1reas-chave, como etanol celul\u00f3sico, segundo especialistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Talvez esse conforto esteja trazendo uma rea\u00e7\u00e3o de certa forma comodista, diferentemente dos pa\u00edses premidos por urg\u00eancia de mudan\u00e7a energ\u00e9tica, que est\u00e3o fazendo esfor\u00e7os para diversificar suas fontes de energia e mudar padr\u00f5es produtivos e de consumo&#8221;, afirma o economista Ricardo Abramovay, do N\u00facleo de Economia Socioambiental da USP. Globalmente, uma fatia m\u00e9dia de 16,4% dos pacotes de est\u00edmulo lan\u00e7ados no ano passado para mitigar os efeitos da crise econ\u00f4mica foi &#8216;verde&#8217; (US$ 513 bilh\u00f5es em 17 grandes economias), segundo o HSBC. A Bloomberg New Energy Finance estima que 16% desses fundos verdes sejam destinados a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias limpas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, s\u00f3 R$ 1,5 bilh\u00e3o, ou cerca de 5% do total de est\u00edmulos fiscais anticrise, focou o setor produtivo &#8220;limpo&#8221;, como o IPI reduzido para carros &#8220;flex&#8221;. E, segundo levantamento do Minist\u00e9rio do Meio Ambiente, feito em todas as pastas a pedido da Folha, em 2009 o governo gastou R$ 2,5 bilh\u00f5es em a\u00e7\u00f5es verdes (R$ 380 milh\u00f5es diretamente ligados \u00e0 pesquisa, sem contar atividade espacial).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">O montante, fatia de 0,36% do Or\u00e7amento executado (descontadas estatais e transfer\u00eancias), \u00e9 considerado baixo e &#8220;question\u00e1vel&#8221; por especialistas, por contar programas que n\u00e3o teriam rela\u00e7\u00e3o com a \u00e1rea, como Luz para Todos (que leva energia a locais isolados) e Pronaf (de agricultura familiar).<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Para o cientista pol\u00edtico Sergio Abranches, o pa\u00eds continua sem uma &#8220;pol\u00edtica integrada de sustentabilidade&#8221; e a Pol\u00edtica Nacional de Mudan\u00e7a Clim\u00e1tica &#8211;sancionada em dezembro, mas ainda sem regulamenta\u00e7\u00e3o&#8211; n\u00e3o dever\u00e1 mudar esse cen\u00e1rio, por se concentrar em combate a desmatamento e &#8220;um pouco em agricultura&#8221;.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A ge\u00f3grafa da UFRJ Bertha Becker, especialista da quest\u00e3o amaz\u00f4nica, diz que &#8220;ainda n\u00e3o est\u00e3o claramente definidos&#8221; o que s\u00e3o &#8220;desenvolvimento sustent\u00e1vel&#8221; e &#8220;economia verde&#8221;, mas<br \/>\nque investimento em pesquisa e ci\u00eancia &#8220;certamente ajudaria&#8221; o pa\u00eds a criar modelo de uso inteligente dos recursos.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Se n\u00e3o investirmos em capacita\u00e7\u00e3o cient\u00edfica, para ficarmos na ponta do desenvolvimento de baixo carbono, vamos ficar para tr\u00e1s. No s\u00e9culo 20, n\u00e3o fizemos, os asi\u00e1ticos fizeram. Agora, est\u00e1 zerando de novo a capacidade produtiva. Quem investir mais se destacar\u00e1&#8221;, afirma Abranches.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Etanol e solar<br \/>\nJustamente devido a baixos investimentos em pesquisa, o Brasil p\u00f5e em risco sua lideran\u00e7a em etanol ante seu maior concorrente, os EUA, que investem mais para desenvolver o etanol celul\u00f3sico (feito do baga\u00e7o de cana, por exemplo), o futuro dos biocombust\u00edveis. &#8220;Estamos engatinhando. O Brasil tem tido muito pouca atividade no campo da ci\u00eancia, embora tenha desenvolvido na pr\u00e1tica uma tecnologia bastante desenvolvida&#8221;, afirma o f\u00edsico Rog\u00e9rio Cezar de Cerqueira Leite, diretor do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais, em Campinas. Apesar de a cana ser muito mais eficiente e &#8220;limpa&#8221; do que o milho desenvolvido nos Estados Unidos, caso a tecnologia da segunda gera\u00e7\u00e3o seja desenvolvida l\u00e1, e n\u00e3o haja progressos aqui, os americanos tomariam a dianteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, investimentos p\u00fablicos e privados em pesquisa de etanol somam R$ 150 milh\u00f5es ao ano, segundo estima o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira); nos EUA, US$ 1 bilh\u00e3o ao ano vai s\u00f3 para a pesquisa celul\u00f3sica. Um esfor\u00e7o de peso na corrida \u00e9 o Centro de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol, inaugurado pelo presidente Lula em janeiro, com investimentos de R$ 69 milh\u00f5es. Seus diretores pedem or\u00e7amento anual, ainda indefinido, de R$ 50 milh\u00f5es.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">At\u00e9 2020, a polui\u00e7\u00e3o relativa \u00e0 energia no m\u00ednimo dobrar\u00e1, estima o pr\u00f3prio governo. Fontes limpas complementares e efici\u00eancia energ\u00e9tica poderiam atenuar os efeitos do aumento do consumo de energia, diz o f\u00edsico da USP Jos\u00e9 Goldemberg.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;O governo est\u00e1 mesmerizado com o pr\u00e9-sal, h\u00e1 um esfor\u00e7o grande na pesquisa em torno dele. Se voc\u00ea fica fascinado, presta menos aten\u00e7\u00e3o a alternativas, que podem at\u00e9 parecer mais caras, mas por isso est\u00edmulos poderiam resolver.&#8221;<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">A energia solar, por exemplo, segue vista como cara e sem escala. &#8220;\u00c9 a vis\u00e3o de quem n\u00e3o conhece o setor. Ind\u00fastrias chinesas j\u00e1 t\u00eam escala, porque come\u00e7aram em 2002 com muito incentivo do governo&#8221;, diz Izete Zanesco, do N\u00facleo Tecnol\u00f3gico de Energia Solar da PUC-RS. O grupo acabou de encerrar um projeto de tecnologia nacional, a custo mais baixo, para pain\u00e9is solares e agora trabalha num modelo de neg\u00f3cios para atrair investidores. Entre 2005 e 2009, o projeto teve recursos de R$ 6 milh\u00f5es &#8211;bem abaixo dos 11 milh\u00f5es iniciais que o Instituto Fraunhofer de Energia Solar da Alemanha teve para projeto similar, diz Zanesco.Brasil fica para tr\u00e1s na corrida pela nova economia &#8220;verde&#8221; Na corrida global por desenvolvimento cient\u00edfico e amplia\u00e7\u00e3o de investimentos ligados \u00e0 economia de baixo carbono, o Brasil come\u00e7a a ficar para tr\u00e1s.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">Enquanto pot\u00eancias como EUA e China investem centenas de bilh\u00f5es de d\u00f3lares na \u00e1rea, vista como a nova fronteira do desenvolvimento mundial, o Brasil nem sequer tem um modelo nacional, afirmam acad\u00eamicos e ambientalistas. No setor privado, neg\u00f3cios verdes esbarram em gargalos como estrutura tribut\u00e1ria inadequada, falta de marco regulat\u00f3rio e aus\u00eancia de incentivo. Nessa corrida, o pa\u00eds tem as vantagens da biodiversidade e de escolhas feitas no passado (como a aposta no \u00e1lcool e na hidroeletricidade). No entanto, desperdi\u00e7a o enorme potencial de fontes de energia, como solar, e\u00f3lica e de biomassa, e avan\u00e7a lentamente em \u00e1reas-chave, como etanol celul\u00f3sico, segundo especialistas.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">&#8220;Talvez esse conforto esteja trazendo uma rea\u00e7\u00e3o de certa forma comodista, diferentemente dos pa\u00edses premidos por urg\u00eancia de mudan\u00e7a energ\u00e9tica, que est\u00e3o fazendo esfor\u00e7os para diversificar suas fontes de energia e mudar padr\u00f5es produtivos e de consumo&#8221;, afirma o economista Ricardo Abramovay, do N\u00facleo de Economia Socioambiental da USP. Globalmente, uma fatia m\u00e9dia de 16,4% dos pacotes de est\u00edmulo lan\u00e7ados no ano passado para mitigar os efeitos da crise econ\u00f4mica foi &#8216;verde&#8217; (US$ 513 bilh\u00f5es em 17 grandes economias), segundo o HSBC. A Bloomberg New Energy Finance estima que 16% desses fundos verdes sejam destinados a pesquisa e desenvolvimento de tecnologias limpas. No Brasil, s\u00f3 R$ 1,5 bilh\u00e3o, ou cerca de 5% do total de est\u00edmulos fiscais anticrise, focou o setor produtivo &#8220;limpo&#8221;, como o IPI reduzido para carros &#8220;flex&#8221;. 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Apesar de a cana ser muito mais eficiente e &#8220;limpa&#8221; do que o milho desenvolvido nos Estados Unidos, caso a tecnologia da segunda gera\u00e7\u00e3o seja desenvolvida l\u00e1, e n\u00e3o haja progressos aqui, os americanos tomariam a dianteira.<\/p>\n<p style=\"text-align: justify;\">No Brasil, investimentos p\u00fablicos e privados em pesquisa de etanol somam R$ 150 milh\u00f5es ao ano, segundo estima o CTC (Centro de Tecnologia Canavieira); nos EUA, US$ 1 bilh\u00e3o ao ano vai s\u00f3 para a pesquisa celul\u00f3sica. Um esfor\u00e7o de peso na corrida \u00e9 o Centro de Ci\u00eancia e Tecnologia do Bioetanol, inaugurado pelo presidente Lula em janeiro, com investimentos de R$ 69 milh\u00f5es. Seus diretores pedem or\u00e7amento anual, ainda indefinido, de R$ 50 milh\u00f5es.<br \/>\nAt\u00e9 2020, a polui\u00e7\u00e3o relativa \u00e0 energia no m\u00ednimo dobrar\u00e1, estima o pr\u00f3prio governo. 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O grupo acabou de encerrar um projeto de tecnologia nacional, a custo mais baixo, para pain\u00e9is solares e agora trabalha num modelo de neg\u00f3cios para atrair investidores. 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