{"id":12832,"date":"2015-09-25T14:31:29","date_gmt":"2015-09-25T14:31:29","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.staging.wpengine.com\/?p=12832"},"modified":"2026-03-02T16:06:50","modified_gmt":"2026-03-02T19:06:50","slug":"formula-deu-certo","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/formula-deu-certo\/","title":{"rendered":"Uma f\u00f3rmula que deu certo"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2015\/09\/15\/uma-formula-que-deu-certo\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Pesquisa Fapesp<\/a>, em 09\/2015.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p>Em uma visita ao Rio de Janeiro no in\u00edcio dos anos 1980, o economista carioca Jos\u00e9 Alexandre Scheinkman resolveu passar na nova sede pr\u00f3pria do Instituto Nacional de Matem\u00e1tica Pura e Aplicada (Impa), um pr\u00e9dio envidra\u00e7ado de quatro andares situado no bairro do Horto, nas bordas de uma \u00e1rea de Mata Atl\u00e2ntica entre a Floresta Nacional da Tijuca e o Jardim Bot\u00e2nico. O ent\u00e3o professor da Universidade de Chicago mantinha la\u00e7os com o instituto desde o final dos anos 1960, quando, em paralelo ao curso de economia conclu\u00eddo na Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), l\u00e1 fizera mestrado. Entre 1978 e 1979 fora ainda professor visitante do Impa. Mas aquela n\u00e3o era uma visita totalmente desinteressada.<\/p>\n<p>Scheinkman estava tendo dificuldades em entender um\u00a0<em>paper\u00a0<\/em>sobre a teoria matem\u00e1tica do caos, cujas ideias queria aplicar a um problema de economia. Pretendia bater na porta da sala de Jacob Palis, velho conhecido e um dos mais renomados quadros do Impa, que certamente lhe explicaria os detalhes do artigo. \u201cBati e um sujeito enorme abriu a porta e disse, em ingl\u00eas, que o professor Palis estava em viagem\u201d, relembra Scheinkman, 68 anos, hoje professor em\u00e9rito da Universidade de Princeton e docente da Universidade Col\u00fambia, em Nova York. \u201cEm seguida, ele se apresentou: chamava-se Floris Takens.\u201d Era o matem\u00e1tico holand\u00eas autor do trabalho que levara Scheinkman ao n\u00famero 110 da estrada Dona Castorina. O pr\u00f3prio Takens, colaborador de Palis que passava uma temporada no pa\u00eds, contou-lhe do que tratava exatamente o\u00a0<em>paper<\/em>.<\/p>\n<div class=\"mceTemp\">\n<div style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/IMPA_81_2JG7634.jpg?resize=290%2C179&#038;ssl=1\" alt=\"Fachada do Impa: 60 mil volumes para 48 professores, 154 alunos de mestrado e doutorado e 60 p\u00f3s-doutorandos\" width=\"290\" height=\"179\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Fachada do Impa<\/p><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00a0O epis\u00f3dio com o economista ilustra tr\u00eas caracter\u00edsticas que, ao longo de mais de seis d\u00e9cadas, foram incorporadas ao DNA do Impa: a busca por jovens promissores, o desapego a formalidades acad\u00eamicas e a internacionaliza\u00e7\u00e3o do seu corpo docente e discente. Fundado por tr\u00eas pesquisadores em 1952, o instituto, que disp\u00f5e de um or\u00e7amento anual de R$ 35 milh\u00f5es oriundo do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI), conta hoje com 48 pesquisadores fixos contratados, dos quais 18 s\u00e3o estrangeiros. Cerca de 40% de seus atuais 154 alunos de mestrado e doutorado s\u00e3o do exterior, com forte presen\u00e7a de estudantes da Am\u00e9rica Latina. Entre os 60 p\u00f3s-doutorandos, a hist\u00f3ria n\u00e3o \u00e9 muito diferente: os brasileiros representam 40% e 60% v\u00eam de fora.<\/p>\n<\/div>\n<p>Uma p\u00e1gina no\u00a0<em>site<\/em>\u00a0do Impa atualiza todos os meses o n\u00famero de pesquisadores visitantes ministrando aulas ou fazendo pesquisa no pr\u00e9dio do Horto. Em agosto, havia 51 nomes nessa lista, 12 de institui\u00e7\u00f5es brasileiras. \u201cO Impa \u00e9 um l\u00edder internacional tanto em pesquisa como na forma\u00e7\u00e3o para a \u00e1rea de matem\u00e1tica\u201d, diz o argentino Matias del Hoyo, especialista em geometria, que tem uma bolsa de estudos de at\u00e9 tr\u00eas anos para atuar como pesquisador-professor visitante. \u201cO instituto tem recursos e se destaca pelo n\u00edvel de seus pesquisadores e por ter um ambiente muito ativo, com congressos e visitantes ao longo do ano.\u201d<\/p>\n<p>A fama de excel\u00eancia do Impa extrapolou os limites acad\u00eamicos quando o carioca Artur \u00c1vila, um dos mais destacados rebentos da extensa genealogia de matem\u00e1ticos ali formados (744 mestres e 401 doutores em seis d\u00e9cadas de atua\u00e7\u00e3o), tornou-se o primeiro sul-americano a ganhar a Medalha Fields, o maior pr\u00eamio internacional da matem\u00e1tica, em 2014 (<a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2014\/09\/16\/o-homem-que-calcula\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\"><em>ver entrevista com o pesquisador no n\u00ba 223 de\u00a0<\/em>Pesquisa FAPESP<\/a>). A hist\u00f3ria de \u00c1vila, 36 anos, hoje pesquisador extraordin\u00e1rio no instituto fluminense e diretor de pesquisa do Centre National de la Recherche Scientifique (CNRS), em Paris, \u00e9 t\u00edpica do jeito Impa de ser. Ele concluiu o mestrado ainda como aluno do ensino m\u00e9dio, aos 18 anos, e obteve o doutorado aos 21 anos junto com a gradua\u00e7\u00e3o na UFRJ.<\/p>\n<div class=\"mceTemp\">\n<div style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/IMPA_03_2JG7840.jpg?resize=290%2C193&#038;ssl=1\" alt=\"Biblioteca do Impa: 60 mil volumes para 48 professores, 154 alunos de mestrado e doutorado e 60 p\u00f3s-doutorandos\" width=\"290\" height=\"193\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Biblioteca\u00a0do Impa: 60 mil\u00a0volumes para\u00a048 professores, 154\u00a0alunos de mestrado\u00a0e doutorado e\u00a060 p\u00f3s-doutorandos<\/p><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00a0\u201cAqui n\u00e3o priorizamos os formalismos acad\u00eamicos, somos mais flex\u00edveis\u201d, diz C\u00e9sar Camacho, diretor-geral do instituto, que tem dupla cidadania, peruana (\u00e9 de Lima) e brasileira. \u201cAl\u00e9m disso, a matem\u00e1tica costuma apresentar talentos precoces.\u201d Camacho foi aceito no mestrado do Impa, ainda nos anos 1960, sem ter conclu\u00eddo o curso de ci\u00eancias f\u00edsicas e matem\u00e1ticas na Universidade Nacional de Engenharia, em Lima. A legisla\u00e7\u00e3o brasileira n\u00e3o permite que pessoas sem gradua\u00e7\u00e3o completa recebam o t\u00edtulo de mestre ou doutor. Por isso, o Impa deixa que seus alunos nessa condi\u00e7\u00e3o fa\u00e7am o mestrado ou o doutorado normalmente, mas s\u00f3 entra com o pedido para validar o t\u00edtulo da p\u00f3s depois que os estudantes terminam formalmente a gradua\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>Os n\u00fameros referentes \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de artigos cient\u00edficos publicados por pesquisadores do Impa em revistas com\u00a0<em>peer review\u00a0<\/em>parecem modestos se comparados aos \u00edndices das ci\u00eancias biol\u00f3gicas, mas, de acordo o instituto, s\u00e3o semelhantes aos exibidos pelos melhores departamentos de matem\u00e1tica do mundo. Segundo o relat\u00f3rio de gest\u00e3o do Impa publicado no ano passado, que usou dados extra\u00eddos da publica\u00e7\u00e3o\u00a0<em>MathSciNet<\/em>, da Sociedade Matem\u00e1tica Americana, seus docentes produziram 76\u00a0<em>papers\u00a0<\/em>em 2012, m\u00e9dia de 1,65 artigo por professor. Com 88\u00a0<em>papers\u00a0<\/em>publicados naquele ano, o Departamento de Matem\u00e1tica da Universidade de Princeton obteve a melhor m\u00e9dia, 2,10 artigos por pesquisador. Em termos de fator de impacto, cada artigo do Impa foi citado 1,46 vez de acordo com uma m\u00e9dia ponderada, desempenho superior ao de departamentos importantes de pesquisa matem\u00e1tica, como os da Universidade da Calif\u00f3rnia em Berkeley (1,41) e da Universidade de Cambridge (1,30). Novamente, por esse crit\u00e9rio, sempre de acordo com o relat\u00f3rio do Impa, Princeton liderou o\u00a0<em>ranking<\/em>, com 2,59 cita\u00e7\u00f5es por\u00a0<em>paper<\/em>.<\/p>\n<p>O Impa sem d\u00favida tem prest\u00edgio internacional, ainda mais depois da Medalha Fields. Mas o\u00a0<em>ranking<\/em>\u00a0das melhores institui\u00e7\u00f5es superiores do mundo com atua\u00e7\u00e3o no campo da matem\u00e1tica divulgado neste ano pela consultoria brit\u00e2nica Quacquarelli Symonds (QS) situa o instituto carioca em uma posi\u00e7\u00e3o modesta: entre o 301\u00ba e o 400\u00ba lugar, atr\u00e1s da Universidade de S\u00e3o Paulo (USP) e da Universidade de Campinas (Unicamp), ambas entre o 51\u00ba e o 100\u00ba lugar, da UFRJ (151-200) e da Universidade Federal de Minas Gerais (251-300). \u201cN\u00e3o concordo com essa compara\u00e7\u00e3o. Ela envolve institui\u00e7\u00f5es com estruturas distintas. O resultado n\u00e3o \u00e9 confi\u00e1vel\u201d, diz Palis, diretor do Impa entre 1993 e 2003 e atual presidente da Academia Brasileira de Ci\u00eancias (ABC). \u201cAs avalia\u00e7\u00f5es da matem\u00e1tica da USP e da Unicamp tamb\u00e9m parecem distorcidas para baixo. A matem\u00e1tica brasileira como um todo tem grande prest\u00edgio internacional.\u201d<\/p>\n<div class=\"mceTemp\">\n<div style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/IMPA_97_2JG7846.jpg?resize=290%2C217&#038;ssl=1\" alt=\"Diretor C\u00e9sar Camacho...\" width=\"290\" height=\"217\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Diretor C\u00e9sar Camacho\u2026<\/p><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00a0Palis acredita que o sucesso do Impa possa ser explicado, em parte, por sua trajet\u00f3ria discreta, de crescimento lento, mas marcada por bons quadros e continuidade administrativa. \u201cSe o Impa tivesse come\u00e7ado grande, talvez n\u00e3o tivesse alcan\u00e7ado tanto sucesso\u201d, diz ele. Primeira unidade de pesquisa criada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Cient\u00edfico e Tecnol\u00f3gico (CNPq), o instituto foi fundado em 1952 por tr\u00eas destacados pesquisadores: L\u00e9lio Gama, astrof\u00edsico e matem\u00e1tico, seu primeiro diretor, fun\u00e7\u00e3o que exerceu at\u00e9 1965 em paralelo \u00e0 dire\u00e7\u00e3o do Observat\u00f3rio Nacional; Leopoldo Nachbin, matem\u00e1tico, tamb\u00e9m um dos fundadores do Centro Brasileiro de Pesquisas F\u00edsicas (CBPF), com boas conex\u00f5es no exterior; e Maur\u00edcio Matos Peixoto, que desenvolveu a \u00e1rea de sistemas din\u00e2micos, em que o pr\u00f3prio Palis, \u00c1vila e outros matem\u00e1ticos do Impa atuam. Depois de Gama, o Impa s\u00f3 teve mais quatro diretores. Entre 1965 e 1993, dois nomes se alternaram, em diferentes per\u00edodos, no comando da institui\u00e7\u00e3o, Lindolpho de Carvalho Dias e Elon Lages Lima, este \u00faltimo ainda hoje seu professor em\u00e9rito. A seguir, vieram Palis e agora Camacho.<\/p>\n<\/div>\n<p>Antes de se instalar definitivamente no apraz\u00edvel Horto, em 1981, o Impa teve tr\u00eas endere\u00e7os tempor\u00e1rios. Durante os cinco primeiros anos, ocupou uma sala do CBPF na praia Vermelha. De 1957 a 1967, funcionou em um casar\u00e3o em Botafogo e posteriormente em um pr\u00e9dio no centro do Rio de Janeiro at\u00e9 se transferir para a sede pr\u00f3pria. A mudan\u00e7a de casa ocorria conforme crescia. Na virada do s\u00e9culo XXI, j\u00e1 no pr\u00e9dio da estrada da Castorina, tinha 31 pesquisadores fixos. Em 2001, durante a gest\u00e3o de Palis, uma mudan\u00e7a estrutural conferiu-lhe ainda mais autonomia administrativa e cient\u00edfica: o instituto transformou-se em organiza\u00e7\u00e3o social (OS), pessoa jur\u00eddica de direito privado sem fins lucrativos, mantida basicamente por meio de um contrato de gest\u00e3o com o MCTI. \u201cFicamos um ano discutindo se dever\u00edamos virar ou n\u00e3o uma OS\u201d, lembra Luiz Velho, coordenador do Visgraf, o laborat\u00f3rio de computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica criado em 1989 no Impa.<\/p>\n<p>Na \u00e9poca, a principal cr\u00edtica que se fazia \u00e9 que essa forma jur\u00eddica de atua\u00e7\u00e3o representaria uma porta de entrada para a privatiza\u00e7\u00e3o do setor p\u00fablico de pesquisa. \u201cAqui usamos o regime de OS de forma respons\u00e1vel\u201d, diz Velho. O contrato de gest\u00e3o do Impa com o MCTI estabelece 18 metas anuais a serem atendidas por seu corpo docente, como a publica\u00e7\u00e3o de um determinado n\u00famero de artigos em revistas internacionais de primeira linha e a forma\u00e7\u00e3o de uma certa quantidade de mestres e doutores.<\/p>\n<div class=\"mceTemp\">\n<div style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/IMPA_88_2JG7803_1.jpg?resize=290%2C477&#038;ssl=1\" alt=\"... npesquisador Jorge Zubelli...\" width=\"290\" height=\"477\" \/><p class=\"wp-caption-text\">\u2026 pesquisador Jorge Zubelli\u2026<\/p><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00a0A Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Tecnologia em Luz S\u00edncrotron (ABTLuS), de Campinas, foi a primeira institui\u00e7\u00e3o de pesquisa a se converter em OS e firmar contrato de gest\u00e3o com o MCTI. Em janeiro de 1998, ela ganhou esse\u00a0status\u00a0jur\u00eddico. Hoje, cinco institui\u00e7\u00f5es de pesquisa associadas ao minist\u00e9rio adotam esse regime, que permite criar regras pr\u00f3prias de funcionamento, distintas das que regem o setor p\u00fablico. \u201cUma institui\u00e7\u00e3o ruim n\u00e3o se torna boa por se transformar em OS\u201d, afirma Carlos Am\u00e9rico Pacheco, diretor-geral do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM, sucessor da ABTLuS), organiza\u00e7\u00e3o social que administra o Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS) e outros tr\u00eas laborat\u00f3rios. \u201cAs OS t\u00eam um contrato de gest\u00e3o com uma miss\u00e3o clara, que lhe d\u00e1 liberdade de a\u00e7\u00e3o para perseguir seus objetivos e evita, por exemplo, o estabelecimento precoce de estabilidade no emprego, o que pode gerar, em certos casos, acomoda\u00e7\u00e3o. Mas nem todas as institui\u00e7\u00f5es de pesquisa precisam trabalhar nesse regime.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<p>Uma das raz\u00f5es de haver poucas OS vinculadas ao MCTI, segundo Pacheco, foi a inseguran\u00e7a jur\u00eddica que pairou durante mais de 15 anos sobre a legalidade dos contratos de gest\u00e3o firmados entre essas entidades e o Estado brasileiro. Desde 1998, corria uma A\u00e7\u00e3o Direta de Inconstitucionalidade que questionava a exist\u00eancia das OS que atuam em \u00e1reas que seriam de responsabilidade estatal, como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o, pesquisa, ensino e preserva\u00e7\u00e3o do meio ambiente. Em abril deste ano, o Supremo Tribunal Federal se posicionou sobre o tema e considerou legal a atua\u00e7\u00e3o das OS.<\/p>\n<div class=\"mceTemp\">\n<div style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/IMPA_69_2JG7717.jpg?resize=290%2C193&#038;ssl=1\" alt=\"professor visitante Matias del Hoyo, respectivamente, um peruo-brasileiro, um brasileiro e um argentino: internacionaliza\u00e7\u00e3o dos quadros do Impa\" width=\"290\" height=\"193\" \/><p class=\"wp-caption-text\">\u2026. e professor visitante\u00a0Matias del Hoyo,\u00a0respectivamente, um peruo-brasileiro, um brasileiro e um argentino: internacionaliza\u00e7\u00e3o dos quadros do Impa.<\/p><\/div>\n<p>Uma das vantagens de ser uma organiza\u00e7\u00e3o social \u00e9 ter a possibilidade de definir uma pol\u00edtica pr\u00f3pria de contrata\u00e7\u00e3o e remunera\u00e7\u00e3o de pessoal. A carreira dos matem\u00e1ticos contratados pelo Impa \u00e9 dividida em nove faixas salariais, tr\u00eas para cada um dos tr\u00eas est\u00e1gios do cargo de pesquisador (adjunto, associado e titular). A remunera\u00e7\u00e3o mais baixa, de pesquisador adjunto de n\u00edvel 1, \u00e9 de R$ 16,7 mil. A mais alta, de pesquisador titular de n\u00edvel 9, chega a R$ 22,9 mil. \u201cO Impa \u00e9 uma institui\u00e7\u00e3o que nasceu bem e foi bem implementada. Suas qualidades foram potencializadas quando virou uma organiza\u00e7\u00e3o social\u201d, diz o f\u00edsico Jos\u00e9 Fernando Perez, ex-diretor cient\u00edfico da FAPESP, o mais antigo dos 10 membros do conselho de administra\u00e7\u00e3o do instituto \u2013 novidade criada com a ado\u00e7\u00e3o do regime de OS. \u201cHoje ele tem uma flexibilidade para contratar e demitir que \u00e9 imposs\u00edvel de ser adotada em universidades p\u00fablicas.\u201d<\/p>\n<\/div>\n<p>Quando decidiu largar o emprego na sede da Microsoft Research, nos arredores de Seattle, no estado americano de Washington, e voltar para o Rio de Janeiro no fim da d\u00e9cada de 2000, o engenheiro da computa\u00e7\u00e3o Diego Nehab, 38 anos, tinha duas boas propostas de emprego na \u00e1rea acad\u00eamica: de uma universidade privada e do Impa. A do instituto no Horto pagava 30% mais e oferecia outras vantagens comparativas. \u201cO Impa tem muitas colabora\u00e7\u00f5es no exterior. Como morei nos Estados Unidos por um bom tempo, todos os meus contatos tamb\u00e9m estavam l\u00e1 fora\u201d, diz Nehab, que antes de entrar na gigante dos\u00a0<em>softwares<\/em>\u00a0fez doutorado em Princeton e, desde 2010, \u00e9 pesquisador associado do Impa.<\/p>\n<p>O interc\u00e2mbio internacional dos pesquisadores contratados \u00e9 facilitado com a ado\u00e7\u00e3o de um calend\u00e1rio letivo mais flex\u00edvel. Nehab, por exemplo, tem de dar aulas em dois dos tr\u00eas per\u00edodos do ano letivo do Impa. Pode escolher entre ministrar seus cursos em janeiro e fevereiro, durante o chamado programa de ver\u00e3o, de mar\u00e7o a junho ou de agosto a novembro. Dessa forma, se optar por dar um curso no ver\u00e3o, ter\u00e1 um semestre livre para se dedicar exclusivamente \u00e0 pesquisa e a eventuais viagens. \u201cO Impa recebe muitos visitantes e propicia uma grande liberdade para os pesquisadores viajarem\u201d, diz o franc\u00eas Hubert Lacoin, de 30 anos, especialista em teoria da probabilidade, com \u00eanfase em problemas f\u00edsicos, contratado desde outubro passado como pesquisador adjunto. Do processo de sele\u00e7\u00e3o que escolheu Lacoin e o alem\u00e3o Oliver Lorscheid, de 37 anos, participaram 100 candidatos. Dezessete eram do Brasil; os demais, do exterior.<\/p>\n<div class=\"mceTemp\">\n<div style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/IMPA_75_2JG7485.jpg?resize=290%2C193&#038;ssl=1\" alt=\"Corredor na sede do Impa, no Horto: bermudas e clima de descontra\u00e7\u00e3o\" width=\"290\" height=\"193\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Corredor na sede\u00a0do Impa, no Horto:\u00a0bermudas e clima de\u00a0descontra\u00e7\u00e3o.<\/p><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00a0A atua\u00e7\u00e3o dos pesquisadores do Impa se distribui por 11 \u00e1reas da matem\u00e1tica: \u00e1lgebra, an\u00e1lise e equa\u00e7\u00f5es diferenciais parciais, computa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica, din\u00e2mica dos fluidos, din\u00e2mica holomorfa e folhea\u00e7\u00f5es complexas, economia matem\u00e1tica, geometria diferencial, geometria simpl\u00e9tica, otimiza\u00e7\u00e3o, probabilidade e sistemas din\u00e2micos\/teoria erg\u00f3dica. A piada que se ouve nos corredores do instituto \u00e9 que Impa significou, durante um bom tempo, instituto de matem\u00e1tica pura e abstrata. Hoje a brincadeira j\u00e1 n\u00e3o faz tanto sentido. As \u00e1reas aplicadas ganharam terreno nas duas \u00faltimas d\u00e9cadas. H\u00e1 quatro anos foi criado o Laborat\u00f3rio de An\u00e1lise e Modelagem Matem\u00e1tica em Ci\u00eancias Aplicadas, que usa e desenvolve ferramentas matem\u00e1ticas para solucionar problemas em diferentes setores, como o petrol\u00edfero, o mercado financeiro e a sa\u00fade p\u00fablica. \u201cGostar\u00edamos de ter mais alunos atuando em nossa \u00e1rea\u201d, diz o pesquisador Jorge Zubelli, coordenador do laborat\u00f3rio.<\/p>\n<\/div>\n<p>Andar pelos corredores do n\u00famero 110 da estrada da Castorina, um endere\u00e7o em que a matem\u00e1tica caminha emoldurada por sons, cheiros e imagens da Mata Atl\u00e2ntica, \u00e9 uma introdu\u00e7\u00e3o ao estilo Impa de ensinar e fazer pesquisa. Conversas em espanhol, franc\u00eas e ingl\u00eas fundem-se ao portugu\u00eas ouvido na grande sala de caf\u00e9, que costuma encher durante os intervalos de aulas e eventos. Pendurada em um canto da sala, uma lousa d\u00e1 um ar quase acad\u00eamico ao cafezinho. \u201cQuero fazer tamb\u00e9m o doutorado aqui\u201d, diz, em \u201cportunhol\u201d, Jennifer Loria, uma costa-riquenha que iniciou o mestrado em janeiro deste ano no Impa ap\u00f3s ter entrado em contato com um pesquisador brasileiro, h\u00e1 dois anos, numa edi\u00e7\u00e3o internacional da olimp\u00edada de matem\u00e1tica. Com 24 anos, ela \u00e9 um pouco mais velha do que boa parte de seus colegas de turma. \u201cO ambiente aqui \u00e9 lindo e as pessoas s\u00e3o calorosas.\u201d A presen\u00e7a de mulheres no Impa \u00e9 minorit\u00e1ria: apenas uma professora e 12 alunas de mestrado e doutorado, menos de 10% do total de estudantes. Dos atuais p\u00f3s-doutorandos, 10 s\u00e3o do sexo feminino.<\/p>\n<p>Das grandes janelas nas salas de aula do Impa, v\u00ea-se a floresta ao redor, lambendo as paredes da edifica\u00e7\u00e3o. Quando um professor para sua explica\u00e7\u00e3o diante do quadro negro, \u00e9 poss\u00edvel ouvir, com um pouco de sorte, a bagun\u00e7a dos macacos nas \u00e1rvores mais pr\u00f3ximas. Mesmo em um dia de outono ou inverno n\u00e3o \u00e9 raro deparar com alunos ou jovens professores de bermudas. Se a busca \u00e9 por sil\u00eancio, vale a pena entrar na biblioteca. Al\u00e9m ter \u00e0 disposi\u00e7\u00e3o 60 mil volumes divididos entre livros cl\u00e1ssicos e modernos e peri\u00f3dicos especializados em matem\u00e1tica, o visitante pode se dedicar \u00e0 leitura em um amplo sal\u00e3o com vista para a Floresta da Tijuca e a Lagoa Rodrigo de Freitas.<\/p>\n<div class=\"mceTemp\">\n<div style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/IMPA_41_2JG7675.jpg?resize=290%2C193&#038;ssl=1\" alt=\"Arturo...\" width=\"290\" height=\"193\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Arturo\u2026<\/p><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00a0A excel\u00eancia do Impa conseguiu uma proeza rara no meio acad\u00eamico brasileiro: atrair contribui\u00e7\u00f5es privadas, pr\u00e1tica comum no ambiente universit\u00e1rio dos Estados Unidos. Hoje as doa\u00e7\u00f5es externas representam entre 2% e 3% do or\u00e7amento anual do instituto. Os meses que \u00c1vila passa no Brasil s\u00e3o, por exemplo, custeados por um aux\u00edlio de Arm\u00ednio Fraga, ex-presidente do Banco Central e s\u00f3cio de um banco de investimentos. \u00c1vila ostenta o t\u00edtulo de pesquisador extraordin\u00e1rio e ocupa uma c\u00e1tedra no Impa com o nome do banqueiro. Em abril do ano passado, a fam\u00edlia Marinho, dona do grupo Globo, cuja sede est\u00e1 no bairro Jardim Bot\u00e2nico, doou um terreno de 250 mil metros quadrados cont\u00edguo ao pr\u00e9dio do Impa. A \u00e1rea \u00e9 coberta em sua quase totalidade pela Mata Atl\u00e2ntica, que n\u00e3o pode ser cortada, e apresenta grandes restri\u00e7\u00f5es em termos de possibilidades de construir edifica\u00e7\u00f5es. Mas nas franjas, em setores j\u00e1 parcialmente alterados, existe espa\u00e7o para edificar um novo pr\u00e9dio. \u201cVamos fazer alojamentos e ampliar nossas instala\u00e7\u00f5es\u201d, diz o diretor Camacho. O elevado pre\u00e7o da moradia no Rio \u00e9 um problema para os alunos e professores visitantes que passam temporadas no Impa.<\/p>\n<\/div>\n<p>A fam\u00edlia Moreira Salles, que foi a principal acionista do Unibanco, hoje incorporado ao Ita\u00fa, \u00e9 outra que apoia o Impa. O cineasta e jornalista Jo\u00e3o Moreira Salles travou contato mais pr\u00f3ximo com o instituto em 2009, quando come\u00e7ou a preparar o perfil do matem\u00e1tico Artur \u00c1vila que seria publicado em sua revista, a\u00a0<em>piau\u00ed<\/em>, no ano seguinte. A partir desse perfil, Moreira Salles estreitou a rela\u00e7\u00e3o com a dire\u00e7\u00e3o do Impa. Ele e o irm\u00e3o Pedro organizaram um grupo de pessoas que financiaram o programa Confer\u00eancias Magnas, que, entre 2012 e 2014, trouxe sete matem\u00e1ticos de ponta, seis deles medalhistas Fields como \u00c1vila, para palestras e uma semana de conv\u00edvio com os alunos e pesquisadores do instituto. Os Moreira Salles tamb\u00e9m auxiliam quando se trata de arrumar hospedagem no Rio para visitantes do Impa. O cineasta diz que \u00e9 parte de um grupo de pessoas abertas \u00e0 ideia de ajudar e apoiar o Impa e o Departamento de Matem\u00e1tica da PUC-RJ. \u201cH\u00e1 uma vontade cada vez maior da sociedade civil carioca de estreitar rela\u00e7\u00f5es com o Impa.<\/p>\n<div class=\"mceTemp\">\n<div style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignright\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/IMPA_72_2JG7651.jpg?resize=290%2C436&#038;ssl=1\" alt=\"... Jo\u00e3o Pedro...\" width=\"290\" height=\"436\" \/><p class=\"wp-caption-text\">\u2026 Jo\u00e3o Pedro\u2026<\/p><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00a0\u00c9 um centro de excel\u00eancia em pesquisa que est\u00e1 no Rio, quando a maioria fica em S\u00e3o Paulo. Temos o dever de ajud\u00e1-lo\u201d, diz o cineasta.<\/p>\n<\/div>\n<p>Um efeito colateral do reconhecimento alcan\u00e7ado pela matem\u00e1tica brasileira \u00e9 o ass\u00e9dio dos grandes centros internacionais a talentos formados pelo Impa. Em setembro do ano passado, o matem\u00e1tico alagoano Fernando Cod\u00e1, de 35 anos, que fez carreira no instituto fluminense, transferiu-se para Princeton. O nome de Cod\u00e1 \u00e9 especulado como candidato \u00e0 Medalha Fields, concedida a cada quatro anos a matem\u00e1ticos com menos de 40 anos. Ao lado do portugu\u00eas Andr\u00e9 Neves, Cod\u00e1 solucionou a Conjectura de Willmore, um dos mais desafiadores problemas da geometria. \u201c\u00c9 normal perder pessoas. Isso n\u00e3o \u00e9 defeito\u201d, comenta Palis. \u201cAs pessoas saem, mas podem voltar. Quem sabe a gente n\u00e3o consegue uma boa doa\u00e7\u00e3o para traz\u00ea-lo de volta?\u201d As pr\u00f3ximas medalhas Fields ser\u00e3o anunciadas em agosto de 2018 durante o 28\u00ba Congresso Internacional dos Matem\u00e1ticos, que ocorrer\u00e1 no Rio. A festa da matem\u00e1tica ser\u00e1 na casa do Impa.<\/p>\n<h2><strong>Estudo nas f\u00e9rias<\/strong><\/h2>\n<p><em>Cursos livres de ver\u00e3o atraem jovens talentos ao Impa<\/em><\/p>\n<p>Uma porta de entrada para a p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do Impa, muito utilizada por alunos que \u00e0s vezes nem terminaram o ensino m\u00e9dio ou ainda est\u00e3o no meio da faculdade, s\u00e3o os chamados cursos livres de ver\u00e3o, oferecidos de forma intensiva entre janeiro e fevereiro. As f\u00e9rias escolares permitem que estudantes de fora do Rio e do Impa frequentem disciplinas mais facilmente nessa \u00e9poca. Os cursos s\u00e3o gratuitos e a inscri\u00e7\u00e3o pode ser feita no\u00a0<em>site<\/em>\u00a0do instituto. Na pr\u00e1tica, as disciplinas livres funcionam como um teste para ver se o aluno tem condi\u00e7\u00f5es de entrar na p\u00f3s do Impa e contam cr\u00e9ditos se o candidato for aceito.<\/p>\n<div class=\"mceTemp\">\n<div style=\"width: 300px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/09\/IMPA_61_2JG7689.jpg?resize=290%2C193&#038;ssl=1\" alt=\"... e Maria Clara: alunos do Impa que fazem o mestrado em paralelo \u00e0 gradua\u00e7\u00e3o\" width=\"290\" height=\"193\" \/><p class=\"wp-caption-text\">\u2026 e Maria Clara:\u00a0alunos do Impa\u00a0que fazem o\u00a0mestrado em\u00a0paralelo \u00e0\u00a0gradua\u00e7\u00e3o<\/p><\/div>\n<p class=\"wp-caption-text\">\u00a0O carioca Jo\u00e3o Pedro Gon\u00e7alves Ramos, de 19 anos, aluno de mestrado do Impa, fez dois cursos no ver\u00e3o de 2013 (An\u00e1lise na reta e Combinat\u00f3ria I), quando estava no segundo ano do ensino m\u00e9dio. Em outubro daquele ano foi aceito no mestrado.\u201cTinha um amigo de 18 anos matriculado no doutorado no Impa. Por isso j\u00e1 sabia que era poss\u00edvel fazer o mestrado sem ter a gradua\u00e7\u00e3o\u201d, diz Ramos, que recebe uma bolsa de R$ 2.200 da Funda\u00e7\u00e3o de Amparo \u00e0 Pesquisa do Estado do Rio de Janeiro (Faperj) e, em paralelo, faz gradua\u00e7\u00e3o em matem\u00e1tica aplicada na UFRJ.<\/p>\n<\/div>\n<p>Natural de Pirajuba, no Tri\u00e2ngulo Mineiro, Maria Clara Mendes Silva, 20 anos, fez um percurso ligeiramente mais tortuoso antes de se tornar neste ano oficialmente mestranda do instituto fluminense. Destaque em v\u00e1rias edi\u00e7\u00f5es da Olimp\u00edada Brasileira de Matem\u00e1tica das Escolas P\u00fablicas (OBMEP), projeto implementado pelo Impa em 2005 do qual participam anualmente 18 milh\u00f5es de estudantes do ensino fundamental e m\u00e9dio, Maria Clara foi aluna durante o ano de 2013 do bacharelado em ci\u00eancia e tecnologia da Universidade Federal\u00a0do ABC (UFABC), em Santo Andr\u00e9 (SP). Mas logo viu que n\u00e3o era isso que queria estudar. Fez ent\u00e3o o curso de ver\u00e3o no Impa em 2014, quando foi aprovada tamb\u00e9m na gradua\u00e7\u00e3o em matem\u00e1tica na PUC-Rio.\u201cGosto da flexibilidade e da falta de burocracia do Impa\u201d, diz a aluna.<\/p>\n<p>Uma das dificuldades para os jovens alunos de fora do Rio \u00e9 encontrar um lugar para morar a pre\u00e7os razo\u00e1veis. Um quarto alugado perto do Impa custa por volta de R$ 700. Nascido em Lima, o mestrando Ra\u00fal Arturo Ch\u00e1ves Sarmiento, de 17 anos, divide desde mar\u00e7o deste ano um im\u00f3vel perto do Jardim Bot\u00e2nico com o irm\u00e3o Enrique, de 26 anos, que faz doutorado no Impa, e mais dois peruanos. \u201cEntre 2012 e 2015, fiz quatro cursos de ver\u00e3o no Impa\u201d, afirma Sarmiento, tamb\u00e9m aluno da gradua\u00e7\u00e3o em matem\u00e1tica aplicada na Funda\u00e7\u00e3o Getulio Vargas (FGV) do Rio.<\/p>\n<p>Boa parte dos alunos que precocemente s\u00e3o aceitos na p\u00f3s-gradua\u00e7\u00e3o do instituto obteve\u00a0algum destaque na OBMEP ou na Olimp\u00edada Brasileira de Matem\u00e1tica (OBM), concurso tamb\u00e9m organizado pelo Impa para alunos da rede p\u00fablica ou privada que estejam cursando desde o ensino fundamental at\u00e9 o n\u00edvel universit\u00e1rio. \u201cO principal objetivo da OBMEP \u00e9 estimular o ensino da matem\u00e1tica na rede oficial\u201d, explica Claudio Landim, diretor adjunto do Impa e coordenador-geral da olimp\u00edada para as escolas p\u00fablicas. \u201cMas esse tipo de iniciativa nos ajuda a descobrir novos talentos.\u201d Em 2017, o Brasil ser\u00e1, pela primeira vez, sede da Olimp\u00edada Internacional de Matem\u00e1tica. 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