{"id":12411,"date":"2015-07-29T14:01:09","date_gmt":"2015-07-29T14:01:09","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.staging.wpengine.com\/?p=12411"},"modified":"2022-01-21T16:53:23","modified_gmt":"2022-01-21T19:53:23","slug":"entenda-o-projeto-do-grande-reator-multiproposito-brasileiro","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/entenda-o-projeto-do-grande-reator-multiproposito-brasileiro\/","title":{"rendered":"Entenda o projeto do grande Reator Multiprop\u00f3sito Brasileiro"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/www.ifsc.usp.br\/index.php?option=com_content&amp;view=article&amp;id=857:entenda-o-projeto-do-grande-reator-multiproposito-brasileiro&amp;catid=7:noticias&amp;Itemid=224\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">IFSC<\/a> em 23\/07\/2015<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Energia Nuclear<\/strong><\/p>\n<p>O primeiro reator nuclear multiprop\u00f3sito brasileiro de grande porte, que garante a independ\u00eancia nuclear do pa\u00eds, j\u00e1 estava previsto como uma das metas do Plano de A\u00e7\u00e3o do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (PACTI\/MCT) no ano de 2007. Agora, cinco anos\u00a0depois, come\u00e7<img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignright\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ifsc.usp.br\/images\/stories\/medicinanuclear.jpg?resize=200%2C200&#038;ssl=1\" alt=\"medicinanuclear\" width=\"200\" height=\"200\" \/>a finalmente a sair do papel. Com um or\u00e7amento que beira os R$ 900 milh\u00f5es, o equipamento tem a finalidade de diminuir nossa depend\u00eancia externa no que diz respeito a insumos utilizados nos procedimentos de pesquisa com radiof\u00e1rmacos \u2013 um f\u00e1rmaco, produto bi\u00f3logico ou droga que cont\u00e9m elemento radioativo\u00a0empregado como agente diagn\u00f3stico ou no tratamento de enfermidades. Atualmente, s\u00e3o realizados\u00a0cerca de 1,5 milh\u00e3o de procedimentos por ano apenas no Brasil. Sem poder contar com a tecnologia brasileira, que disp\u00f5e apenas de alguns pequenos reatores de pesquisa ativos, o gasto com a importa\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos, elementos ativos dos radiof\u00e1rmacos, passa dos R$ 30 milh\u00f5es anuais. Como referido no nome, o reator tem m\u00faltiplas finalidades que, al\u00e9m da medicina nuclear, que utiliza seus benef\u00edcios, por exemplo, no diagn\u00f3stico e tratamento de c\u00e2nceres, as pesquisas podem ter aplica\u00e7\u00f5es em campos diversos como agricultura, energia, ci\u00eancia dos materiais e meio ambiente, mas s\u00f3 com a produ\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos o Brasil conseguir\u00e1 pagar o grande investimento em 20 anos*.<\/p>\n<p>A previs\u00e3o \u00e9 de que o equipamento fique pronto em 2017, e que possa funcionar durante 50 anos. Com a autossufici\u00eancia do Brasil no setor, \u00e9 poss\u00edvel que a quantidade de radiof\u00e1rmacos dispon\u00edvel no pa\u00eds dobre, e ainda vislumbra-se a possibilidade de exportar o material excedente, um mercado que hoje \u00e9 dominado por pa\u00edses como o Canad\u00e1, Fran\u00e7a, Holanda e \u00c1frica do Sul. Para se ter ideia, nos anos de 2009 e 2010, os reatores canadenses e holandeses enfrentaram problemas que levaram a uma crise no abastecimento dos radiois\u00f3topos e causaram a suspens\u00e3o de milh\u00f5es de procedimentos ao redor do mundo.<\/p>\n<p><strong>Pol\u00eamica?<\/strong><\/p>\n<p>Os reatores nucleares s\u00e3o um assunto delicado, n\u00e3o apenas no Brasil, mas em todo o planeta, discuss\u00e3o fomentada por grandes acidentes nucleares que marcaram a hist\u00f3ria, como o caso de Chernobyl e o recente desastre em Fukushima. No entanto, a professora Yvonne Mascarenhas, do Grupo de Cristalografia do Instituto de F\u00edsica de S\u00e3o Carlos e colega profissional de Jos\u00e9 Augusto Perrotta (o coordenador t\u00e9cnico do projeto na Comiss\u00e3o Nacional de Energia Nuclear &#8211; CNEN), explica que n\u00e3o h\u00e1 raz\u00e3o alguma para alarde e preocupa\u00e7\u00e3o. Segundo ela, h\u00e1 uma diferen\u00e7a essencial entre o tipo de reator que est\u00e1 sendo desenvolvido atrav\u00e9s deste projeto e os reatores utilizados nos grandes complexos de produ\u00e7\u00e3o de energia nuclear que tanto amedrontam a popula\u00e7\u00e3o global. &#8220;H\u00e1 dois tipos de reatores nucleares: o reator nuclear de pesquisa, que serve para entender as propriedades f\u00edsicas e qu\u00edmicas de materiais, ou o reator nuclear de pot\u00eancia, que produz energia e a transforma em energia el\u00e9trica. O primeiro \u00e9 menos potente, mas \u00e9 muito mais preciso&#8221;, aponta a pesquisadora. O reator nuclear de pesquisa, ao contr\u00e1rio do reator de pot\u00eancia, que est\u00e1 interessado apenas no calor da rea\u00e7\u00e3o nuclear para produzir energia, n\u00e3o produz energia alguma: pelo contr\u00e1rio, consome energia para produzir radiois\u00f3topos e n\u00eautrons que, quando termalizados, entram em um comprimento de onda espec\u00edfico para aplica\u00e7\u00e3o em materiais de diversas proced\u00eancias. &#8220;Por exemplo, na produ\u00e7\u00e3o de raio-X, o reator produz radia\u00e7\u00e3o eletromagn\u00e9tica, que vai desde o infravermelho at\u00e9 o raio-X, depois voc\u00ea precisa selecionar qual \u00e9 o comprimento de onda que voc\u00ea quer&#8221;, explica Yvonne.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ifsc.usp.br\/images\/stories\/perrotta.png?resize=300%2C235&#038;ssl=1\" alt=\"perrotta\" width=\"300\" height=\"235\" \/>Al\u00e9m disso, conforme informa\u00e7\u00f5es de Perrotta para a ag\u00eancia de informa\u00e7\u00f5es O Globo, os reatores de pesquisa utilizam apenas cerca de metade do ur\u00e2nio-235 contido no combust\u00edvel que alimenta os reatores de pot\u00eancia das grandes usinas nucleares. A diferen\u00e7a \u00e9 que o ur\u00e2nio dos reatores de pesquisa \u00e9 mais enriquecido \u2013 20% contra 4% das usinas \u2013, o que permite o desenvolvimento de um reator mais compacto e oferece um fluxo de n\u00eautrons muito maior, al\u00e9m de ficar muito abaixo do necess\u00e1rio para produzir uma bomba nuclear. E, para se ter ideia, este reator tem uma pot\u00eancia de apenas 20 megawatts, enquanto Angra 1 tem a capacidade de 657 megawatts el\u00e9tricos e Angra 2, de 1350.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Funcionamento<\/strong><\/p>\n<p>Yvonne tamb\u00e9m aproveita para explicar, com mais detalhes, como funciona o reator na pesquisa b\u00e1sica. &#8220;Para entender a estrutura de materiais e cristais, \u00e9 necess\u00e1rio utilizar o m\u00e9todo de difra\u00e7\u00e3o de n\u00eautrons e de raios-X, que fornecer\u00e1 dados para o c\u00e1lculo da posi\u00e7\u00e3o dos \u00e1tomos dentro deste material ou cristal&#8221;, explica a pesquisadora. Este m\u00e9todo consiste na reemiss\u00e3o da radia\u00e7\u00e3o recebida pelo \u00e1tomo que, interagindo com a radia\u00e7\u00e3o emitida por outros \u00e1tomos, s\u00e3o direcionadas para um \u00fanico feixe de luz. Contudo, para caracterizar o material, a difra\u00e7\u00e3o requer a aplica\u00e7\u00e3o dos feixes de n\u00eautrons e de raios-X por um longo per\u00edodo de tempo, o que significa que o cientista s\u00f3 consegue enxergar uma estrutura est\u00e1tica, sem qualquer mudan\u00e7a durante aquele per\u00edodo. Isso ocorre porque o n\u00eautron tem baixo n\u00edvel de absor\u00e7\u00e3o pela mat\u00e9ria, ent\u00e3o o rendimento da coleta de dados \u00e9 baixo, porque ele passa atrav\u00e9s da mat\u00e9ria e poucos s\u00e3o difratados. &#8220;Mas quando voc\u00ea est\u00e1 lidando com uma fonte de alta intensidade, este tempo para coletar dados diminui e, eventualmente, durante uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica, aplicando a difra\u00e7\u00e3o v\u00e1rias vezes entre poucos segundos, \u00e9 poss\u00edvel verificar a progress\u00e3o da mudan\u00e7a da estrutura&#8221;, esclarece. Para que isso aconte\u00e7a, \u00e9 necess\u00e1ria alta intensidade da radia\u00e7\u00e3o e uma rea\u00e7\u00e3o qu\u00edmica que n\u00e3o seja extraordinariamente r\u00e1pida.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignleft\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ifsc.usp.br\/images\/stories\/LNLS_campinas.png?resize=300%2C250&#038;ssl=1\" alt=\"LNLS_campinas\" width=\"300\" height=\"250\" \/>\u00c9 com este fim que s\u00e3o desenvolvidos, em todo o mundo, fontes muito poderosas de raios-X, que s\u00e3o as radia\u00e7\u00f5es dos laborat\u00f3rios S\u00edncrotron, como o Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), sediado em Campinas, ainda considerado limitado quando comparado a laborat\u00f3rios de pa\u00edses como o Jap\u00e3o, EUA e Inglaterra, com muito mais energia e intensidade. &#8220;Aqui, ainda seria dif\u00edcil fazer uma experi\u00eancia em tempo real, observando a transforma\u00e7\u00e3o do material&#8221;, comenta Yvonne, que tem uma intera\u00e7\u00e3o de longa data com o LNLS. Ainda segundo ela, conhecer a estrutura cristalina \u00e9 essencial para conhecer e manipular as propriedades de um material, sejam eles biol\u00f3gicos ou inorg\u00e2nicos. &#8220;A necessidade de caracteriza\u00e7\u00e3o estrutural \u00e9 muito grande, por isso a necessidade de grandes investimentos&#8221;, completa. No Brasil, h\u00e1 um reator de pesquisa voltado \u00e0 produ\u00e7\u00e3o de radiois\u00f3topos instalado no Instituto de Pesquisas Energ\u00e9ticas e Nucleares (Ipen), no campus da USP em S\u00e3o Paulo (que abriga dois dos quatro reatores de pesquisa do Brasil), com o qual Yvonne tem uma intera\u00e7\u00e3o de trabalho, e j\u00e1 existe o projeto de um novo laborat\u00f3rio S\u00edncrotron, que ser\u00e1 muito mais potente e complementar ao laborat\u00f3rio de Campinas, mas o novo reator multiprop\u00f3sito suprir\u00e1 uma demanda de pesquisa muito mais ampla e sustentar\u00e1 o Brasil na ind\u00fastria nuclear por muitos anos \u00e0 frente.<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" alignright\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/www.ifsc.usp.br\/images\/stories\/ipenmb01.png?resize=330%2C250&#038;ssl=1\" alt=\"ipenmb01\" width=\"330\" height=\"250\" \/>Al\u00e9m da aplica\u00e7\u00e3o na medicina, que salva milhares de vidas anualmente, o fluxo de n\u00eautrons de alta intensidade advindo do funcionamento do novo reator multiprop\u00f3sito servir\u00e1 para o teste de combust\u00edveis e outros materiais utilizados na produ\u00e7\u00e3o de energia e de propuls\u00e3o, na tentativa de oferecer maior seguran\u00e7a efici\u00eancia para projetos como o complexo nuclear de Angra e o submarino nuclear brasileiro.<\/p>\n<p>Um acordo com a Comiss\u00e3o Nacional de Energia At\u00f4mica da Argentina (CNEA), que tamb\u00e9m est\u00e1 trabalhando no desenvolvimento de um reator multiprop\u00f3sito, tem a inten\u00e7\u00e3o de baratear os custos dos projetos dos dois pa\u00edses. Al\u00e9m disso, a empresa respons\u00e1vel pelo projeto argentino tamb\u00e9m trabalhou na produ\u00e7\u00e3o do reator australiano Opal que, em funcionamento desde 2007, hoje \u00e9 um modelo mundial de confiabilidade na ind\u00fastria nuclear. O Opal \u00e9 a grande refer\u00eancia para a constru\u00e7\u00e3o dos reatores brasileiro e argentino.<\/p>\n<p>O desenvolvimento do projeto ter\u00e1 como sede a cidade de Iper\u00f3 (SP), onde fica localizado o Centro Experimental de Aramar, da Marinha Brasileira, onde pesquisadores trabalham no prot\u00f3tipo do submarino nuclear brasileiro. O primeiro investimento j\u00e1 foi liberado pela Finep (Financiadora de Estudos e Projetos) no valor de R$ 30 milh\u00f5es e, neste ano, o governo federal pretende liberar mais R$ 32 milh\u00f5es*. Todas os projetos nucleares do Brasil est\u00e3o sob vigil\u00e2ncia da Ag\u00eancia Internacional de Energia At\u00f4mica (AIEA), e &#8220;t\u00eam finalidades muito espec\u00edficas&#8221;, conforme conclui a pesquisadora do IFSC-USP.<\/p>\n<p><em>* com informa\u00e7\u00f5es de Cesar Baima, da ag\u00eancia O Globo<\/em><\/p>\n<p>Assessoria de Comunica\u00e7\u00e3o<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>IFSC em 23\/07\/2015 &nbsp; Energia Nuclear O primeiro reator nuclear multiprop\u00f3sito brasileiro de grande porte, que garante a independ\u00eancia nuclear do pa\u00eds, j\u00e1 estava previsto como uma das metas do&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1163,12],"tags":[],"class_list":["post-12411","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem","category-clipping-lnls","category-1163","category-12","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.3 - 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