{"id":12410,"date":"2015-07-29T13:53:34","date_gmt":"2015-07-29T13:53:34","guid":{"rendered":"https:\/\/cnpem.staging.wpengine.com\/?p=12410"},"modified":"2022-01-21T16:53:23","modified_gmt":"2022-01-21T19:53:23","slug":"esforco-fragmentado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/esforco-fragmentado\/","title":{"rendered":"Esfor\u00e7o fragmentado"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2015\/06\/16\/esforco-fragmentado\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Revista FAPESP<\/a>\u00a0em 16\/06\/2015<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Diagn\u00f3stico feito pelo Ipea mostra que infraestrutura de pesquisa no pa\u00eds \u00e9 fruto de investimento recente, mas pulverizado<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><img data-recalc-dims=\"1\" height=\"300\" width=\"226\" decoding=\"async\" class=\" alignright\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/030-034_Infraestrut-Pesquisa_232-01-226x300.jpg?resize=226%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"\" \/><\/p>\n<p>Um levantamento pioneiro sobre a situa\u00e7\u00e3o da infraestrutura de pesquisa do Brasil foi produzido pelo Instituto de Pesquisa Econ\u00f4mica e Aplicada (Ipea) e dever\u00e1 ser lan\u00e7ado na forma de livro no segundo semestre. Segundo o diagn\u00f3stico, que analisou uma amostra de 1.760 laborat\u00f3rios espalhados pelo pa\u00eds, h\u00e1 dissemina\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es de tamanho modesto e escassez de grandes laborat\u00f3rios voltados para m\u00faltiplos usu\u00e1rios ou talhados para desafios ambiciosos. O n\u00famero total de pesquisadores trabalhando nessas instala\u00e7\u00f5es foi de 7.090, m\u00e9dia de apenas quatro indiv\u00edduos por laborat\u00f3rio. Quarenta e seis por cento dos laborat\u00f3rios informaram que seus equipamentos custavam, somados, menos de R$ 250 mil. Apenas 5% declararam patrim\u00f4nio superior a R$ 5 milh\u00f5es.<\/p>\n<p>Mas n\u00e3o se imagine que a estrutura seja antiga ou sucateada. A maior parte dos laborat\u00f3rios (56,7%) iniciou suas atividades nos anos 2000. \u201cO dado est\u00e1 relacionado a um ciclo recente de investimentos\u201d, diz Fernanda de Negri, coordenadora da pesquisa, referindo-se aos fundos setoriais de ci\u00eancia e tecnologia criados em 1999. Um deles, o CT-Infra, deu origem ao programa Proinfra, coordenado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), que investiu entre 2003 e 2011 R$ 2 bilh\u00f5es na constru\u00e7\u00e3o de laborat\u00f3rios e instala\u00e7\u00e3o de equipamentos. Os laborat\u00f3rios v\u00eam sendo atualizados. Mais de 70% informaram ter recebido investimentos h\u00e1 menos de cinco anos, sendo um ter\u00e7o h\u00e1 menos de um ano.<\/p>\n<p>\u201cO que existe \u00e9 um problema de escala\u201d, afirma Fernanda. \u201cO investimento em laborat\u00f3rios foi bastante pulverizado, atendendo a uma demanda que \u00e9 pr\u00f3pria das universidades. J\u00e1 ouvi professor de universidade dizendo: teve um concurso e entrou um novo doutor. Precisamos construir um laborat\u00f3rio para ele\u201d, diz a pesquisadora, vinculada \u00e0 Diretoria de Estudos e Pol\u00edticas Setoriais de Inova\u00e7\u00e3o do Ipea. Na sua avalia\u00e7\u00e3o, a excessiva pulveriza\u00e7\u00e3o imp\u00f5e um problema para o futuro da pesquisa no pa\u00eds. \u201cAs pol\u00edticas p\u00fablicas precisam ser focalizadas para a constru\u00e7\u00e3o de grandes estruturas de pesquisa. Estamos enviando para o exterior um n\u00famero crescente de doutorandos e p\u00f3s-doutores e, quando eles voltam, necessitam de grandes laborat\u00f3rios para seguir fazendo pesquisa de ponta. Com algumas exce\u00e7\u00f5es, eles n\u00e3o disp\u00f5em disso hoje\u201d, afirma.<\/p>\n<div style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Infra_LNLS_00037256-300x200.jpg?resize=300%2C200&#038;ssl=1\" alt=\"Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron, em Campinas: constru\u00e7\u00e3o de uma nova fonte\" width=\"300\" height=\"200\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron, em Campinas: constru\u00e7\u00e3o de uma nova fonte<\/p><\/div>\n<p>A premissa do trabalho\u00a0do Ipea \u00e9 que uma boa infraestrutura \u00e9 um fator\u00a0determinante para a produ\u00e7\u00e3o\u00a0de conhecimento e de inova\u00e7\u00e3o. Entre as refer\u00eancias analisadas, destacam-se os\u00a040 laborat\u00f3rios nacionais dos Estados Unidos, estruturas que funcionam dentro do conceito de\u00a0<em>big science<\/em>, com equipes numerosas, grandes or\u00e7amentos e instala\u00e7\u00f5es robustas para enfrentar desafios de pesquisa na fronteira do conhecimento. Em 2012, eles tiveram um or\u00e7amento de US$ 17,5 bilh\u00f5es.<\/p>\n<p>A amostra estudada pelos\u00a0pesquisadores do Ipea concentrou-se nas \u00e1reas de engenharias, ci\u00eancias exatas e da terra, agr\u00e1rias, biol\u00f3gicas e da sa\u00fade. As institui\u00e7\u00f5es com maior n\u00famero de laborat\u00f3rios analisados foram a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecu\u00e1ria (Embrapa), a Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Instala\u00e7\u00f5es voltadas para ci\u00eancias humanas e sociais, ainda que denominadas laborat\u00f3rios, foram descartadas, por envolverem mais investimento em pessoal do que em infraestrutura. A concentra\u00e7\u00e3o regional \u00e9 not\u00e1vel, com 57% dos laborat\u00f3rios no Sudeste e 23% no Sul. Apenas 13% dos dirigentes das institui\u00e7\u00f5es classificaram suas instala\u00e7\u00f5es como \u201cavan\u00e7adas e compat\u00edveis com as melhores do exterior\u201d, enquanto 22% as consideraram \u201cavan\u00e7adas para padr\u00f5es brasileiros, mas distantes das do exterior\u201d. Muitos laborat\u00f3rios (69%) atuam como prestadores de servi\u00e7os, mas a atividade \u00e9 espor\u00e1dica. O que mais de 80% deles fazem, de modo cont\u00ednuo, \u00e9 pesquisa cient\u00edfica. Menos de 20% receberam pesquisadores de empresas em 2012. As principais fontes de financiamento mencionadas, por volume de recursos, foram a Petrobras, a Finep e as funda\u00e7\u00f5es estaduais de amparo \u00e0 pesquisa (FAPs).<\/p>\n<div style=\"width: 209px\" class=\"wp-caption alignright\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Infra_INPE_00055338-199x300.jpg?resize=199%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"Laborat\u00f3rio de Integra\u00e7\u00e3o e Testes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos: mais 14 mil metros quadrados de \u00e1rea\" width=\"199\" height=\"300\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Laborat\u00f3rio de Integra\u00e7\u00e3o e Testes do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, em S\u00e3o Jos\u00e9 dos Campos: mais 14 mil metros quadrados de \u00e1rea<\/p><\/div>\n<p>A crise financeira do pa\u00eds e o ajuste fiscal feito pelo governo n\u00e3o projetam uma amplia\u00e7\u00e3o do or\u00e7amento\u00a0para grandes instala\u00e7\u00f5es de pesquisa. Os resultados preliminares do levantamento inspiraram o desenho do programa Plataformas do Conhecimento, lan\u00e7ado pelo\u00a0 Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI) no ano passado (<a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2014\/08\/21\/montagem-das-plataformas\/\"><em>ver<\/em>\u00a0Pesquisa FAPESP\u00a0<em>n\u00ba 222<\/em><\/a>), mas ainda embrion\u00e1rio. \u201cPara aumentar seu quinh\u00e3o de financiamento, a ci\u00eancia deveria mostrar resultados mais concretos para a sociedade. E isso \u00e9 dif\u00edcil de fazer com a pulveriza\u00e7\u00e3o atual de recursos\u201d, avalia Fernanda de Negri. Na opini\u00e3o do f\u00edsico Antonio Jos\u00e9 Roque da Silva, professor da USP e diretor do Laborat\u00f3rio Nacional de Luz S\u00edncrotron (LNLS), vinculado ao MCTI, n\u00e3o h\u00e1 oposi\u00e7\u00e3o entre o investimento em grandes e pequenos laborat\u00f3rios, ainda que os recursos para infraestrutura sejam limitados. \u201cAs pesquisas necessitam de laborat\u00f3rios em diferentes escalas, de maneira complementar\u201d, afirma. \u201cPodemos falar em tr\u00eas escalas: os pequenos laborat\u00f3rios, quase individuais ou pertencentes a poucos grupos; os laborat\u00f3rios intermedi\u00e1rios e multiusu\u00e1rios, atendendo universidades e regi\u00f5es; e as grandes instala\u00e7\u00f5es como s\u00edncrotrons ou fontes de n\u00eautrons, para trabalhos diferenciados.\u201d A decis\u00e3o sobre o investimento em grandes laborat\u00f3rios, diz, depende da capacidade financeira e da estrat\u00e9gia de cada pa\u00eds.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Roque est\u00e1 \u00e0 frente de um desafio: a constru\u00e7\u00e3o de uma nova fonte de luz s\u00edncrotron, batizada de Sirius, que ser\u00e1 uma das primeiras de quarta gera\u00e7\u00e3o no mundo, exigindo financiamento de R$ 1,3 bilh\u00e3o. Ela abrir\u00e1 uma nova fronteira para estudos sobre estrutura at\u00f4mica de materiais. A previs\u00e3o \u00e9 de que o primeiro feixe de luz comece a operar em 2018. \u201cPor enquanto, est\u00e1 tudo dentro do cronograma\u201d, diz ele, que recebeu sinaliza\u00e7\u00e3o de que o projeto \u00e9 priorit\u00e1rio.<\/p>\n<div style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2015\/06\/Infra_00052024-300x199.jpg?resize=300%2C199&#038;ssl=1\" alt=\"Laborat\u00f3rio Central de Tecnologias de Alto Desempenho (LaCTA D), da Unicamp: equipamentos multiusu\u00e1rios reunidos num mesmo endere\u00e7o\" width=\"300\" height=\"199\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Laborat\u00f3rio Central de Tecnologias de Alto Desempenho (LaCTA D), da Unicamp: equipamentos multiusu\u00e1rios reunidos num mesmo endere\u00e7o<\/p><\/div>\n<p>O LNLS opera num modelo semelhante ao dos laborat\u00f3rios nacionais dos Estados Unidos: o governo \u00e9 o dono dos laborat\u00f3rios e a opera\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 feita por funcion\u00e1rios p\u00fablicos, mas por uma organiza\u00e7\u00e3o independente, com flexibilidade para planejar, contratar e demitir. Esse modelo tamb\u00e9m \u00e9 utilizado na Europa, em fontes de luz s\u00edncrotron como a Soleil, da Fran\u00e7a, e a Diamond, do Reino Unido. Outra similaridade com os laborat\u00f3rios nacionais norte-americanos \u00e9 que o LNLS atraiu para o entorno de seu acelerador outras instala\u00e7\u00f5es, voltadas para pesquisa em biocombust\u00edveis, nanotecnologia e bioci\u00eancias, que aproveitam a estrutura de pesquisa e podem trabalhar em sinergia. \u201cQuando o governo norte-americano lan\u00e7ou seu programa de nanotecnologia, os cinco centros do Departamento de Energia foram instalados em laborat\u00f3rios nacionais\u201d, diz Jos\u00e9 Roque.<\/p>\n<p>Outro projeto apontado como priorit\u00e1rio para o governo federal \u00e9 a amplia\u00e7\u00e3o do Laborat\u00f3rio de Integra\u00e7\u00e3o e Testes (LIT) do Inpe, que deve custar R$ 260 milh\u00f5es at\u00e9 2019. Criado h\u00e1 27 anos, o LIT disp\u00f5e de um conjunto de instala\u00e7\u00f5es para montar, integrar e testar sat\u00e9lites artificiais. A princ\u00edpio, o laborat\u00f3rio estava capacitado para testar sat\u00e9lites de at\u00e9 200 quilos. No in\u00edcio dos anos 2000, foi ampliado para receber sat\u00e9lites de at\u00e9 2 toneladas, como os da s\u00e9rie Cbers (sat\u00e9lite sino-brasileiro de recursos terrestres). Agora, as instala\u00e7\u00f5es de 22 mil metros quadrados ser\u00e3o ampliadas em cerca de 14 mil metros quadrados para testar sat\u00e9lites de at\u00e9 6 toneladas, como os da fam\u00edlia Sat\u00e9lite Geoestacion\u00e1rio de Defesa e Comunica\u00e7\u00f5es Estrat\u00e9gicas (SGDC). O primeiro dessa s\u00e9rie foi comprado de um fabricante europeu e deve ser lan\u00e7ado em 2016, mas o segundo SGDC, com previs\u00e3o de lan\u00e7amento para 2021, deve ser montado e testado no LIT.\u00a0 \u201cNossa preocupa\u00e7\u00e3o \u00e9 manter a capacidade brasileira em testes de sat\u00e9lite. A idade m\u00e9dia de nossos servidores \u00e9 de 54 anos e muitos v\u00e3o se aposentar em breve\u201d, diz Geilson Loureiro, chefe do LIT. Cem profissionais, incluindo servidores, bolsistas e estagi\u00e1rios, trabalham atualmente no laborat\u00f3rio.<\/p>\n<p>Jos\u00e9 Antonio Brum, professor do Instituto de F\u00edsica Gleb Wataghin, da Unicamp, alerta que \u00e9 preciso dividir o desafio de criar laborat\u00f3rios mais robustos em duas vertentes. \u201cUma coisa \u00e9 a\u00a0<em>big science<\/em>. A cria\u00e7\u00e3o de grandes laborat\u00f3rios com equipamentos diferenciados exige grande f\u00f4lego financeiro, mas pode dar ao Brasil uma capacidade que ele n\u00e3o tem e abrir novas fronteiras para a comunidade cient\u00edfica\u201d, diz\u00a0Brum, que foi diretor-geral da Associa\u00e7\u00e3o Brasileira de Tecnologia de Luz S\u00edncrotron (ABTLuS), organiza\u00e7\u00e3o social que operava o LNLS e laborat\u00f3rios associados, no per\u00edodo de 2001 a 2009. \u201cOutra coisa \u00e9 montar\u00a0<em>facilities<\/em>, laborat\u00f3rios multiusu\u00e1rios que atendem demandas mais amplas e diversificadas da pesquisa, com equipamentos com alto grau de sofistica\u00e7\u00e3o, como microsc\u00f3pios eletr\u00f4nicos, espectr\u00f4metros de massas e sequenciadores de gera\u00e7\u00e3o mais recente\u201d, explica. Os laborat\u00f3rios multiusu\u00e1rios, observa Brum, servem para organizar a aplica\u00e7\u00e3o de recursos e garantir que v\u00e1rios pesquisadores tenham acesso a equipamentos que tornem sua pesquisa competitiva internacionalmente. \u201cO Brasil n\u00e3o vai criar 10 fontes de luz s\u00edncrotron, mas pode ter v\u00e1rias grandes\u00a0<em>facilities<\/em>\u00a0atendendo a demandas locais.\u201d<\/p>\n<p>Brum \u00e9 coordenador adjunto do Programa de Equipamentos Multiusu\u00e1rios (EMU) da FAPESP, que entre 1998 e 2014 investiu cerca de US$ 140 milh\u00f5es em equipamentos de uso compartilhado. Tanto no investimento em\u00a0<em>big science<\/em>\u00a0quanto em\u00a0<em>facilities<\/em>, afirma Brum, o Brasil est\u00e1 atrasado e persiste a mentalidade de prover equipamentos para grupos individuais. \u201cAg\u00eancias financiadoras como a FAPESP est\u00e3o tentando quebrar isso, financiando a compra de equipamentos para m\u00faltiplos usu\u00e1rios e exigindo contrapartidas das institui\u00e7\u00f5es e universidades, como a garantia de pessoal qualificado para a opera\u00e7\u00e3o dos laborat\u00f3rios.\u201d Al\u00e9m\u00a0 de pessoal qualificado, a FAPESP tamb\u00e9m exige das universidades contrapartidas relacionadas a seguro e manuten\u00e7\u00e3o dos equipamentos, constru\u00e7\u00e3o de instala\u00e7\u00f5es e a exist\u00eancia de um plano de gest\u00e3o.<\/p>\n<p>Quarenta e cinco por cento dos dirigentes de instala\u00e7\u00f5es consideraram adequada a forma\u00e7\u00e3o de seus pesquisadores e 20%, inadequada. J\u00e1 a avalia\u00e7\u00e3o do pessoal t\u00e9cnico e administrativo teve desempenho melhor: 69% classificaram como apropriada a quantidade de profissionais e 72% a qualidade. Tal avalia\u00e7\u00e3o favor\u00e1vel contrasta com o que se considera um dos grandes gargalos para a expans\u00e3o da infraestrutura de pesquisa: a forma\u00e7\u00e3o de recursos humanos com alta qualifica\u00e7\u00e3o, treinados para a opera\u00e7\u00e3o dos equipamentos e tamb\u00e9m para a gest\u00e3o dos laborat\u00f3rios.<\/p>\n<p>O Laborat\u00f3rio Central de Tecnologias de Alto Desempenho (LaCTAD) da Unicamp \u00e9 uma exce\u00e7\u00e3o a essa regra. Inaugurado em 2013 e dotado de equipamentos destinados a pesquisas em gen\u00f4mica, bioinform\u00e1tica, prote\u00f4mica e biologia celular, a\u00a0<em>facility<\/em>\u00a0tem uma equipe de pesquisadores cuja fun\u00e7\u00e3o n\u00e3o \u00e9 produzir conhecimento, mas operar os equipamentos e ajudar os usu\u00e1rios do laborat\u00f3rio a fazer o desenho de seus experimentos. A l\u00edder da equipe \u00e9 Sandra Krauchenco, doutora em Bioqu\u00edmica pela Unicamp. \u201cA Sandra e os quatro coordenadores de \u00e1rea do LaCTAD, embora sejam pesquisadores, n\u00e3o s\u00e3o avaliados pela m\u00e9trica tradicional da ci\u00eancia. N\u00e3o importa se publicam\u00a0<em>papers<\/em>, mas sim se prestam um servi\u00e7o de alta qualidade\u201d, diz Paulo Arruda, professor do Instituto de Biologia da Unicamp, que coordena o LaCTAD. A gest\u00e3o do laborat\u00f3rio, que funciona ininterruptamente, requer planejamento cont\u00ednuo. O laborat\u00f3rio presta servi\u00e7os para usu\u00e1rios de qualquer parte do pa\u00eds e cobra por isso. No edital do programa Equipamentos Multiusu\u00e1rios lan\u00e7ado em 2009, a FAPESP inovou ao induzir a forma\u00e7\u00e3o de\u00a0<em>facilities<\/em>. O LaCTAD foi um dos exemplos. A Funda\u00e7\u00e3o investiu R$ 5,5 milh\u00f5es na compra dos equipamentos, enquanto a constru\u00e7\u00e3o do pr\u00e9dio e a contrata\u00e7\u00e3o dos funcion\u00e1rios couberam \u00e0 universidade.<\/p>\n<p>Roger Chammas, professor da Faculdade de Medicina da USP e coordenador da Rede Premium (acr\u00f4nimo de Programa\u00a0Rede de Equipamentos Multiusu\u00e1rios), considera essa mudan\u00e7a na abordagem dos recursos humanos crucial para a transi\u00e7\u00e3o a uma estrutura de\u00a0<em>facilities<\/em>\u00a0e grandes laborat\u00f3rios. \u201cO pesquisador brasileiro quer ter um equipamento s\u00f3 para seu uso n\u00e3o para ter\u00a0<em>status<\/em>\u00a0ou porque essa \u00e9 a tradi\u00e7\u00e3o. Ele faz isso para se defender\u201d, afirma. \u201c\u00c9 o jeito de garantir que ele ter\u00e1 o equipamento funcionando na hora de fazer seu experimento. Sem pessoal t\u00e9cnico especializado que deveria ser fornecido pelas universidades, o equipamento pode quebrar se for franqueado para outros usu\u00e1rios.\u201d A Rede Premium tem um modelo peculiar para organizar o uso de equipamentos multiusu\u00e1rios. Ela n\u00e3o disp\u00f5e de uma instala\u00e7\u00e3o f\u00edsica centralizada, como o LaCTAD. A rede, que recebeu recursos da FAPESP para v\u00e1rios de seus laborat\u00f3rios, tem equipamentos espalhados por 26 instala\u00e7\u00f5es da FM-USP, utilizados de forma compartilhada. O acesso \u00e9 centralizado virtualmente num\u00a0<em>site<\/em>da internet, onde todas as solicita\u00e7\u00f5es de servi\u00e7os s\u00e3o feitas. Chammas admite que o uso dos aparelhos por m\u00faltiplos usu\u00e1rios ainda ocorre de forma desigual na FM-USP. \u201cAlguns laborat\u00f3rios est\u00e3o bem adaptados. Mas em outros ainda h\u00e1 dificuldades para operar nesse esquema.\u201d<\/p>\n<p>Outra\u00a0<em>facility<\/em>\u00a0que teve a cria\u00e7\u00e3o induzida pelo edital de 2009 da FAPESP foi o Centro de Facilidades de Apoio \u00e0 Pesquisa (Cefap) da USP, que funciona no Instituto de Ci\u00eancias Biom\u00e9dicas. Em 2009, o centro recebeu cerca de US$ 4 milh\u00f5es da FAPESP para a compra dos equipamentos e atende usu\u00e1rios de institui\u00e7\u00f5es de todo o estado. Com sete funcion\u00e1rios e um gerente, contingente insuficiente para operar os equipamentos de modo cont\u00ednuo, o Cefap busca organizar o uso da infraestrutura colocando obriga\u00e7\u00f5es e direitos para o coordenador do equipamento e para os usu\u00e1rios, que t\u00eam que ser habilitados. O foco \u00e9 a figura do \u201csuperusu\u00e1rio\u201d, pesquisador com treinamento para operar o equipamento sem ajuda. Outra estrat\u00e9gia \u00e9 a cria\u00e7\u00e3o do Cefap-Pluma, estrutura virtual que pretende integrar ao centro outros equipamentos dispersos por laborat\u00f3rios do ICB. \u201cNossa cultura ainda \u00e9 a de n\u00e3o ter laborat\u00f3rio de uso m\u00faltiplo mas de pulverizar os investimentos em diversas instala\u00e7\u00f5es\u201d, diz Carlos Menck, professor do ICB e coordenador do Cefap. \u201cA ideia do Cefap-USP \u00e9 quebrar essa cultura, de modo que os pesquisadores tenham acesso a grandes equipamentos de presta\u00e7\u00e3o de servi\u00e7os ou multiusu\u00e1rios.\u201d<\/p>\n<p>O levantamento do Ipea ser\u00e1 lan\u00e7ado na forma de livro no segundo semestre. A obra vai detalhar a situa\u00e7\u00e3o da infraestrutura de pesquisa nos setores aeron\u00e1utico, de defesa, agropecu\u00e1rio, de tecnologia da informa\u00e7\u00e3o, da sa\u00fade e do petr\u00f3leo.<\/p>\n<p><strong>Institui\u00e7\u00f5es mais comprometidas<\/strong><\/p>\n<p>Ag\u00eancias dos EUA e do Reino Unido exigem contrapartidas financeiras para investir em equipamentos<\/p>\n<p>Ag\u00eancias de fomento como a norte-americana National Science Foundation (NSF) ou os Research Councils do Reino Unido (RCUK) exigem contrapartidas financeiras das institui\u00e7\u00f5es de pesquisa para financiar equipamentos. No caso do programa de equipamentos de pesquisa multiusu\u00e1rios da NSF, que \u00e9 a principal organiza\u00e7\u00e3o de apoio \u00e0 pesquisa b\u00e1sica nos Estados Unidos, as institui\u00e7\u00f5es e universidades t\u00eam de contribuir com 30% da proposta, que pode ter valor de at\u00e9 US$ 4 milh\u00f5es e contemplar a compra ou o desenvolvimento de equipamentos. Os RCUK, que re\u00fanem sete conselhos, cada qual respons\u00e1vel pelo apoio \u00e0 pesquisa em um determinado campo do conhecimento, mudaram as regras para fomento de equipamentos em 2011, exigindo mais contrapartidas financeiras das institui\u00e7\u00f5es. Por exemplo, o Biotechnology and Biological Sciences Research Council (BBSRC) oferece financiamento de no m\u00e1ximo 50% do valor de equipamentos que custem entre \u00a3 10 mil e \u00a3 135 mil (de R$ 48,5 mil a R$ 656 mil). No caso de equipamentos acima de \u00a3 135 mil, o BBSRC prioriza o financiamento de equipamentos multiusu\u00e1rios e tamb\u00e9m divide os custos meio a meio com as institui\u00e7\u00f5es. Mas pode concordar em financiar at\u00e9 100% em casos excepcionais, quando a aquisi\u00e7\u00e3o for aumentar a capacidade de atender necessidades estrat\u00e9gicas importantes da comunidade cient\u00edfica vinculada ao BBSRC.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Repercuss\u00e3o<\/strong>: <a href=\"https:\/\/bcufrgs.blogspot.com.br\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Biblioteca Central UFRGS<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista FAPESP\u00a0em 16\/06\/2015 &nbsp; Diagn\u00f3stico feito pelo Ipea mostra que infraestrutura de pesquisa no pa\u00eds \u00e9 fruto de investimento recente, mas pulverizado &nbsp; Um levantamento pioneiro sobre a situa\u00e7\u00e3o da&hellip;<\/p>\n","protected":false},"author":17,"featured_media":0,"comment_status":"closed","ping_status":"open","sticky":false,"template":"","format":"standard","meta":{"_acf_changed":false,"_jetpack_newsletter_access":"","_jetpack_dont_email_post_to_subs":false,"_jetpack_newsletter_tier_id":0,"_jetpack_memberships_contains_paywalled_content":false,"_jetpack_memberships_contains_paid_content":false,"footnotes":"","_links_to":"","_links_to_target":""},"categories":[1163,12],"tags":[],"class_list":["post-12410","post","type-post","status-publish","format-standard","hentry","category-clipping-cnpem","category-clipping-lnls","category-1163","category-12","description-off"],"acf":[],"yoast_head":"<!-- This site is optimized with the Yoast SEO plugin v27.4 - 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