{"id":11183,"date":"2015-01-15T10:01:38","date_gmt":"2015-01-15T12:01:38","guid":{"rendered":"https:\/\/www.cnpem.staging.wpengine.com\/?p=9548"},"modified":"2022-01-21T17:00:00","modified_gmt":"2022-01-21T20:00:00","slug":"interacoes-fatais","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/cnpem.br\/en\/interacoes-fatais\/","title":{"rendered":"Intera\u00e7\u00f5es Fatais"},"content":{"rendered":"<p><a href=\"https:\/\/revistapesquisa.fapesp.br\/2014\/12\/29\/interacoes-fatais\/\">Revista Faepsp<\/a>, em Dezembro de 2014.<\/p>\n<p><em>Nanotubos de carbono combinados com chumbo ou pesticidas potencializam efeitos t\u00f3xicos em peixes.<\/em><\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" \" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Nano_Peixes-300x200.jpg?resize=300%2C200&#038;ssl=1\" alt=\"Til\u00e1pias em experimento realizado no Instituto de Pesca em Cananeia\" width=\"300\" height=\"200\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Til\u00e1pias em experimento realizado no Instituto de Pesca em Cananeia. \u00a9 EDUARDO CESAR<\/p><\/div>\n<p>Estudos conduzidos em parceria por pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), Laborat\u00f3rio Nacional de Nanotecnologia (LNNano) e do Instituto de Pesca do Estado de S\u00e3o Paulo, em Cananeia, no litoral sul paulista, mostraram que quando nanotubos de carbono entram em contato com subst\u00e2ncias t\u00f3xicas como chumbo e pesticidas em ambientes aqu\u00e1ticos h\u00e1 um aumento expressivo de toxicidade para peixes como til\u00e1pias-do-nilo (<em>Oreochromis niloticus<\/em>), camar\u00f5es-d\u2019-\u00e1gua-doce e outras esp\u00e9cies. Os mais recentes resultados da pesquisa que avaliou a intera\u00e7\u00e3o entre esses nanomateriais e carbofurano, um pesticida com alta toxicidade utilizado no Brasil em culturas agr\u00edcolas, foram publicados\u00a0<em>on-line<\/em>\u00a0na revista\u00a0<em>Ecotoxicology and Environmental Safety<\/em>\u00a0em novembro e sair\u00e3o na edi\u00e7\u00e3o impressa em janeiro de 2015. \u201cQuando foi feita a combina\u00e7\u00e3o com o nanotubo houve um aumento de cinco vezes na toxicidade do carbofurano para as til\u00e1pias\u201d, diz o professor Oswaldo Alves, do Laborat\u00f3rio de Qu\u00edmica do Estado S\u00f3lido (LQES) do Instituto de Qu\u00edmica da Unicamp, coordenador da pesquisa. \u201cIsso \u00e9 um claro indicativo de que a nanoestrutura est\u00e1 potencializando o efeito t\u00f3xico do pesticida.\u201d Em outro sentido, ele tamb\u00e9m funciona como um excelente concentrador de pesticidas, metais e horm\u00f4nios. Ou seja, o nanotubo \u00e9 um material que tem propriedades potenciais para uso em filtros de sistemas de tratamento de \u00e1gua e sensores. \u201c\u00c9 preciso, no entanto, avaliar como ser\u00e1 o descarte desses materiais e pensar nas implica\u00e7\u00f5es ambientais futuras\u201d, ressalta Alves.<\/p>\n<p>Entre os testes feitos no Instituto de Pesca, conduzidos pelo professor Edison Barbieri em parceria com Diego St\u00e9fani Teodoro Martinez, aluno de doutorado e p\u00f3s-doutorado de Alves e atualmente pesquisador do LNNano, em Campinas, est\u00e3o o consumo de oxig\u00eanio \u2013 uma das medidas utilizadas para avalia\u00e7\u00e3o do metabolismo de organismos \u2013 e a capacidade de nata\u00e7\u00e3o dos peixes. As descobertas indicam que as nanoestruturas de carbono podem atuar como transportadores de pesticidas e afetar o comportamento dos peixes, al\u00e9m da sobreviv\u00eancia deles.<\/p>\n<p>Os testes mostraram que at\u00e9 a concentra\u00e7\u00e3o de 2 miligramas (mg) de nanotubos por litro na \u00e1gua n\u00e3o houve diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao controle no consumo de oxig\u00eanio. Quando o carbofurano foi colocado sozinho na \u00e1gua, inicialmente houve um aumento no consumo de oxig\u00eanio e logo em seguida uma diminui\u00e7\u00e3o, indicativo de que os peixes estavam come\u00e7ando a morrer. \u201cNos experimentos feitos com essa subst\u00e2ncia nas propor\u00e7\u00f5es de 0,5, 1 e 2 mg, combinado com o nanotubo de carbono (1 mg) o consumo de oxig\u00eanio baixou rapidamente, apontando uma n\u00edtida diferen\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o ao grupo de controle\u201d, diz Barbieri, coordenador das pesquisas no Instituto de Pesca. Em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 capacidade de nata\u00e7\u00e3o, houve uma tend\u00eancia de diminui\u00e7\u00e3o \u00e0 medida que o pesticida e o nanotubo estavam na \u00e1gua.<\/p>\n<div id=\"attachment_159152\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Nano_3-2mgNanox40-300x224.jpg?resize=300%2C224&#038;ssl=1\" alt=\"imagem de microscopia de teste com nanotubos e chumbo mostra filamentos das br\u00e2nquias deformados e inchados em compara\u00e7\u00e3o com o grupo-controle\" width=\"300\" height=\"224\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Imagem de microscopia de teste com nanotubos e chumbo mostra filamentos das br\u00e2nquias deformados e inchados em compara\u00e7\u00e3o com\u2026<\/p><\/div>\n<p>Iniciadas em 2010, as pesquisas tinham como objetivo estudar a intera\u00e7\u00e3o de nanomateriais com poluentes comuns como o chumbo, que em Cananeia, por exemplo, consiste em um s\u00e9rio problema ambiental. \u201cL\u00e1, os afloramentos de chumbo provenientes de galenas [minerais compostos por sulfeto de chumbo] s\u00e3o naturais e ocorrem quando chove muito e h\u00e1 lixivia\u00e7\u00e3o do solo\u201d, diz Barbieri. O estudo teve in\u00edcio com a exposi\u00e7\u00e3o de til\u00e1pias a nanotubos de carbono e chumbo em diferentes concentra\u00e7\u00f5es por per\u00edodos de at\u00e9 96 horas. Os resultados foram apresentados em novembro de 2012 por Martinez, em um congresso internacional sobre seguran\u00e7a de nanomateriais chamado NanoSafe, realizado a cada dois anos em Grenoble, na Fran\u00e7a. Os nanotubos aumentam em at\u00e9 cinco vezes a toxicidade aguda do chumbo para as til\u00e1pias. No experimento em que os peixes foram expostos apenas a essas nanoestruturas de carbono n\u00e3o houve nenhum sinal de toxicidade aguda at\u00e9 o limite de 2 mg por litro.<\/p>\n<\/div>\n<p>A primeira fase dos ensaios consistiu em fazer o experimento-controle apenas com \u00e1gua mineral. Depois foram feitos testes com o nanotubo e chumbo separadamente colocados em diferentes concentra\u00e7\u00f5es at\u00e9 o limite de 2 mg por litro e, por \u00faltimo, com os dois materiais juntos. \u201cO consumo de oxig\u00eanio diminui em todas situa\u00e7\u00f5es com a presen\u00e7a de ambos\u201d, diz Barbieri. Um artigo cient\u00edfico com os resultados da pesquisa saiu publicado no\u00a0<em>Journal of Physics: Conference Series<\/em>, em mar\u00e7o de 2013. \u201cNa literatura cient\u00edfica mundial s\u00e3o poucos os estudos que tratam da intera\u00e7\u00e3o entre poluentes ambientais e nanotubos de carbono, focalizando os impactos na fisiologia e comportamento de peixes\u201d, diz Martinez. Ainda mais, faltam dados conclusivos sobre os efeitos de longa dura\u00e7\u00e3o desses nanomateriais descartados no ambiente. Isso significa que as pesquisas n\u00e3o acompanharam o crescimento do mercado dessas nanoestruturas com propriedades f\u00edsicas e qu\u00edmicas diferenciadas, que t\u00eam crescido ano a ano.<\/p>\n<div id=\"attachment_159153\">\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" \" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Nano_5-Controle-300x225.jpg?resize=300%2C225&#038;ssl=1\" alt=\"Em \u00e1gua sem subst\u00e2ncias t\u00f3xicas\" width=\"300\" height=\"225\" \/><p class=\"wp-caption-text\">\u2026 o grupo controle, em \u00e1gua sem subst\u00e2ncias t\u00f3xicas. \u00a9 UNICAMP<\/p><\/div>\n<\/div>\n<p>A\u00a0intera\u00e7\u00e3o entre chumbo e nanotubos de carbono e seus efeitos t\u00f3xicos sobre br\u00e2nquias de til\u00e1pias foi tamb\u00e9m objeto de estudo de alunos de mestrado orientados por Edison Barbieri, do Instituto de Pesca. Eles estudaram os efeitos dessa combina\u00e7\u00e3o sobre as br\u00e2nquias, principal \u00f3rg\u00e3o respons\u00e1vel pelas trocas gasosas e pela excre\u00e7\u00e3o da am\u00f4nia, mecanismo pelo qual s\u00e3o removidos do organismo de animais aqu\u00e1ticos res\u00edduos t\u00f3xicos como am\u00f4nia, ureia e sais, respons\u00e1vel por manter o equil\u00edbrio do meio interno, isto \u00e9, a homeostase. \u201cNo experimento-controle \u00e9 poss\u00edvel ver todos os filamentos das br\u00e2nquias preservados, j\u00e1 com a adi\u00e7\u00e3o de nanotubos de carbono e chumbo, juntos ou separadamente, h\u00e1 deforma\u00e7\u00e3o e incha\u00e7o nas c\u00e9lulas de revestimento das lamelas, respons\u00e1veis pelas trocas gasosas\u201d, relata Barbieri. Os testes com carbofurano e nanotubos tamb\u00e9m tiveram resultados semelhantes.<\/p>\n<p>Antes dos experimentos terem in\u00edcio, foi feita a purifica\u00e7\u00e3o e caracteriza\u00e7\u00e3o dos materiais, visando a um estrito controle da qualidade para garantir resultados convergentes. \u201cParte da tese de Diego foi aprender a purificar nanotubos de carbono\u201d, diz Alves. \u201cForam quatro anos em que ele se dedicou ao tema e hoje se beneficia disso porque tem um material de qualidade para os ensaios biol\u00f3gicos e toxicol\u00f3gicos.\u201d Alves explica que os ensaios biol\u00f3gicos precisam ser feitos com material comprovadamente muito bem conhecido. \u201cOs nanotubos feitos por uma empresa s\u00e3o diferentes daqueles produzidos por outra.\u201d Para que o material final tivesse a mesma qualidade, os pesquisadores encomendaram nanotubos de uma empresa coreana, que antes de ser usado passa por um processo refinado de purifica\u00e7\u00e3o. \u201cPara cada material que sai do LQES, fazemos uma ficha t\u00e9cnica, onde consta a identifica\u00e7\u00e3o da amostra e dados de sua caracteriza\u00e7\u00e3o.\u201d<\/p>\n<p>A produ\u00e7\u00e3o de nanotubos hoje \u00e9 da ordem de 20 toneladas por ano, com 600 diferentes tipos dispon\u00edveis no mercado para aplica\u00e7\u00f5es que englobam nanocomp\u00f3sitos, concreto, tintas especiais, energia, eletr\u00f4nica e at\u00e9 aplica\u00e7\u00f5es m\u00e9dicas e ambientais. Europa e Coreia do Sul encabe\u00e7am a lista dos maiores produtores. \u201cEmbora ainda n\u00e3o existam empresas brasileiras produzindo em larga escala essas subst\u00e2ncias, precisamos ser proativos, pensar no futuro e na regula\u00e7\u00e3o dessa tecnologia\u201d, diz Alves. \u201c\u00c9 preciso cuidar do descarte e, para isso, tem que se conhecer todo o ciclo de vida do material, o que demanda muita pesquisa.\u201d Atualmente, todo o material importado \u00e0 base de nanotubos de carbono entra no Brasil simplesmente como material de carbono, elemento qu\u00edmico que comp\u00f5e desde o carv\u00e3o ativo usado em filtros at\u00e9 medicamentos, j\u00e1 que n\u00e3o existe uma regulamenta\u00e7\u00e3o espec\u00edfica para nanomateriais. A Organiza\u00e7\u00e3o para a Coopera\u00e7\u00e3o e Desenvolvimento Econ\u00f4mico (OCDE), por exemplo, ressalta que materiais nanoestruturados t\u00eam propriedades interessantes, mas \u00e9 preciso cuidado ao incorpor\u00e1-los a outros, sobretudo envolvendo uso biol\u00f3gico. \u201cA organiza\u00e7\u00e3o faz um alerta para que eles s\u00f3 sejam usados se houver dados de laborat\u00f3rio a respeito de sua toxicidade ou alguma avalia\u00e7\u00e3o ligada a poss\u00edveis efeitos no organismo\u201d, diz Alves, cujo grupo recebe financiamento do Instituto Nacional de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (INCT) em Materiais Complexos Funcionais (Inomat), que tem recursos da FAPESP e do Minist\u00e9rio da Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o (MCTI).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_159154\">\n<div style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Nano_Nanotubos-de-carbono-de-paredes-multiplas-300x300.jpg?resize=300%2C300&#038;ssl=1\" alt=\"Imagem de microsc\u00f3pio de transmiss\u00e3o eletr\u00f4nica mostra nanotubos produzidos no Instituto de Qu\u00edmica da Unicamp\" width=\"300\" height=\"300\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Imagem de microsc\u00f3pio de transmiss\u00e3o eletr\u00f4nica mostra nanotubos produzidos no Instituto de Qu\u00edmica da Unicamp<\/p><\/div>\n<p>As pesquisas agora ter\u00e3o como foco a influ\u00eancia da mat\u00e9ria org\u00e2nica presente na \u00e1gua de rios e lagos sobre as nanoestruturas. \u201cQueremos saber se na presen\u00e7a de mat\u00e9ria org\u00e2nica os pesticidas param de interagir com os nanotubos\u201d, diz Martinez. \u201cA ideia do projeto \u00e9 funcionar como uma plataforma para todos os poluentes ambientais cl\u00e1ssicos e emergentes, incluindo horm\u00f4nios e antibi\u00f3ticos.\u201d Dessa forma, ser\u00e1 poss\u00edvel avaliar as intera\u00e7\u00f5es de v\u00e1rios poluentes com amostras nanoestruturadas. \u201cOs trabalhos feitos at\u00e9 agora apontam para n\u00f3s que essas nanoestruturas n\u00e3o poder\u00e3o ir nem para o rio nem para o mar.\u201d \u00c9 preciso, ainda, fazer estudos sobre o seu descarte no solo e os efeitos sobre plantas, porque j\u00e1 se sabe que os seus impactos ambientais s\u00e3o de longa dura\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<\/div>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Regulamenta\u00e7\u00e3o em pauta<\/strong><\/p>\n<p><em>Evento na Fran\u00e7a discute produ\u00e7\u00e3o e uso seguro de nanomateriais<\/em><\/p>\n<p>O tema da regula\u00e7\u00e3o tem mobilizado pesquisadores e ind\u00fastrias no mundo, interessados nas v\u00e1rias possibilidades\u00a0de utiliza\u00e7\u00e3o de nanoestruturas. Nos dias 5 e 6 de novembro, por exemplo, representantes brasileiros estiveram presentes em um grande evento na Holanda, capitaneado pela Comunidade Europeia, que teve como resultado a ades\u00e3o do Brasil a um dos mais importantes\u00a0<em>clusters<\/em>\u00a0ligado \u00e0 regula\u00e7\u00e3o internacional da nanotecnologia. Outro evento importante, no \u00e2mbito cient\u00edfico, foi a NanoSafe 2014, confer\u00eancia internacional sobre a produ\u00e7\u00e3o e o uso seguro de nanomateriais, realizada entre os dias 18 e 20 de novembro em Grenoble, na Fran\u00e7a.<\/p>\n<p>Na quarta edi\u00e7\u00e3o do evento, realizado a cada dois anos desde 2008, participaram mais de 300 pesquisadores de 30 pa\u00edses, que apresentaram 160 comunica\u00e7\u00f5es orais e 86 p\u00f4steres, al\u00e9m de 12 expositores, entre empresas e organiza\u00e7\u00f5es. \u201cDesde a sua primeira vers\u00e3o, o evento procura abordar v\u00e1rios temas ligados \u00e0 seguran\u00e7a dos nanomateriais em diferentes sess\u00f5es\u201d, diz o professor Oswaldo Alves, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), presente ao evento, onde mostrou os resultados do projeto que coordena sobre o aumento da toxicidade de nanotubos de carbono para peixes quando em contato com o chumbo.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<div id=\"attachment_159155\">\n<div style=\"width: 310px\" class=\"wp-caption alignleft\"><img data-recalc-dims=\"1\" loading=\"lazy\" decoding=\"async\" class=\" \" src=\"https:\/\/i0.wp.com\/revistapesquisa.fapesp.br\/wp-content\/uploads\/2014\/12\/Nano_nano_ctr1_h-300x294.jpg?resize=300%2C294&#038;ssl=1\" alt=\"Representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica de nanomateriais: nanotubos\" width=\"300\" height=\"294\" \/><p class=\"wp-caption-text\">Representa\u00e7\u00e3o gr\u00e1fica de nanomateriais: nanotubos. \u00a9 VIN CRESPI \/ UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PENSILV\u00c2NIA<\/p><\/div>\n<p>Entre os assuntos discutidos na NanoSafe 2014 est\u00e3o novas aplica\u00e7\u00f5es de nanomateriais; nanotoxicologia, com estudos envolvendo trato respirat\u00f3rio, c\u00e9rebro e pele como alvos; intera\u00e7\u00f5es com o ambiente; libera\u00e7\u00e3o de nanomateriais; produ\u00e7\u00e3o industrial e preven\u00e7\u00e3o; an\u00e1lise de ciclo de vida; regula\u00e7\u00e3o e padroniza\u00e7\u00e3o, e desenvolvimento respons\u00e1vel. O Brasil, representado por pesquisadores de institui\u00e7\u00f5es como Unicamp, Universidade de S\u00e3o Paulo (USP), Universidade Federal de S\u00e3o Paulo (Unifesp), Universidade Federal do ABC (UFABC), Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF), apresentou 15 trabalhos. Uma das novidades mostradas por algumas empresas foram equipamentos port\u00e1teis que permitem monitorar a presen\u00e7a de nanopart\u00edculas em instala\u00e7\u00f5es industriais, constru\u00e7\u00e3o e outros ambientes.<\/p>\n<\/div>\n<p>A regula\u00e7\u00e3o e a padroniza\u00e7\u00e3o dos nanomateriais s\u00e3o fundamentais para o desenvolvimento comercial da nanotecnologia. \u201cO tema foi colocado em pauta pela Comiss\u00e3o Europeia com base na Estrat\u00e9gia Europeia para as Nanotecnologias, que est\u00e1 apoiada no trip\u00e9 seguran\u00e7a, integra\u00e7\u00e3o e responsabilidade\u201d, diz Alves. Um dos blocos de constru\u00e7\u00e3o desse trin\u00f4mio passa pela padroniza\u00e7\u00e3o.\u201cO Parlamento europeu tem destacado a import\u00e2ncia da padroniza\u00e7\u00e3o como uma maneira de acompanhar a introdu\u00e7\u00e3o dos nanomateriais no mercado, avaliando<br \/>\nque tal situa\u00e7\u00e3o facilitar\u00e1 a implementa\u00e7\u00e3o de uma regula\u00e7\u00e3o efetiva\u201d, relata.<\/p>\n<p>Alguns pa\u00edses, como B\u00e9lgica, Fran\u00e7a e Dinamarca, t\u00eam implementado regula\u00e7\u00f5es sobre nanomateriais espec\u00edficos.\u201cNos Estados Unidos, a Ag\u00eancia de Prote\u00e7\u00e3o Ambiental (EPA) publicou em 2008 duas resolu\u00e7\u00f5es, dentro do escopo do Ato de Controle de Subst\u00e2ncias T\u00f3xicas (TSCA), indicando claramente uma mudan\u00e7a de postura na quest\u00e3o da regula\u00e7\u00e3o da nanotecnologia no pa\u00eds\u201d, diz Alves. A FDA, ag\u00eancia norte-americana de controle de alimentos e medicamentos, tamb\u00e9m se ocupa das aplica\u00e7\u00f5es da nanotecnologia\u00a0na \u00e1rea da sa\u00fade e tem lan\u00e7ado consultas p\u00fablicas desde 2011. Alves ressalta que, apesar de a quest\u00e3o da padroniza\u00e7\u00e3o da nanotecnologia estar no centro das discuss\u00f5es em Grenoble, essa \u00e9 uma tarefa altamente complexa. \u201cSabemos que a pr\u00f3pria natureza dos nanomateriais, caracterizada pela falta de homogeneidade, consiste em um obst\u00e1culo de alt\u00edssima dificuldade.\u201d<\/p>\n<p>A supera\u00e7\u00e3o dessas dificuldades, na sua avalia\u00e7\u00e3o, se dar\u00e1 com o desenvolvimento n\u00e3o s\u00f3 de novos m\u00e9todos para a produ\u00e7\u00e3o de materiais nanoestruturados, novos equipamentos, como tamb\u00e9m novos protocolos de an\u00e1lise e rastreabilidade. Com isso poder\u00e1 ser poss\u00edvel chegar \u00e0s valida\u00e7\u00f5es necess\u00e1rias \u00e0 padroniza\u00e7\u00e3o.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Projeto<\/strong><br \/>\nInstituto Nacional de Ci\u00eancia, Tecnologia e Inova\u00e7\u00e3o em Materiais Complexos Funcionais (Inomat) (<a href=\"https:\/\/www.bv.fapesp.br\/pt\/auxilios\/2243\/instituto-nacional-de-ciencia-tecnologia-e-inovacao-em-materiais-complexos-funcionais-inomat\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">n\u00ba 2008\/57867-8<\/a>);\u00a0<strong>Modalidade<\/strong>\u00a0Aux\u00edlio Pesquisa \u2013\u00a0 Projeto Tem\u00e1tico;\u00a0<strong>Pesquisador<\/strong>\u00a0<strong>respons\u00e1vel<\/strong>\u00a0Fernando Galembeck (Unicamp\/LNNano);\u00a0<strong>Investimento<\/strong>\u00a0R$ 2.085.423,04 (FAPESP).<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><em>Artigos cient\u00edficos<\/em><br \/>\nCAMPOS-GARCIA, J.\u00a0<em>et al<\/em>.\u00a0<a href=\"https:\/\/www.sciencedirect.com\/science\/article\/pii\/S0147651314004709\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Ecotoxicological effects of carbofuran and oxidised multiwalled carbon nanotubes on the freshwater fish Nile tilapia: Nanotubes enhance pesticide ecotoxicity<\/a>.\u00a0<strong>Ecotoxicology and Environmental Safety<\/strong>. v. 111, p. 131-7. jan. 2015<br \/>\nMartinez, D. S. T. et al.\u00a0<a href=\"https:\/\/iopscience.iop.org\/1742-6596\/429\/1\/012043\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">Carbon nanotubes enhanced the lead toxicity on the freshwater fish<\/a>.\u00a0<strong>Journal of Physics: Conference Series<\/strong>. v. 429, n. 012043 mar. 2013.<\/p>\n<p>&nbsp;<\/p>\n<p><strong>Repercuss\u00e3o<\/strong><\/p>\n<p><a href=\"https:\/\/www.fapeam.am.gov.br\/interacoes-fatais\/\" target=\"_blank\" rel=\"noopener\">FAPEAM<\/a><\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Revista Faepsp, em Dezembro de 2014. 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