Versões de memória magnética chegam logo

Publicado em 11/02/2011

Correio Popular, em 11/02/2011

Empresas dos Estados Unidos, França e Japão devem lançar em um ano as versões comerciais de memórias magnéticas de computador, já com recursos de spintrônica, capazes de armazenar e transmitir informação e de reduzir à metade a perda de energia. “Os teletransmissores com base na transferência de spin também devem chegar logo, em um ou dois anos, aprimorando a transmissão de sinais por micro-ondas”, disse o físico francês Albert Fert, pesquisador do Centro Nacional de Pesquisas Científicas (CNRS).

Um dos ganhadores do Prêmio Nobel de Física de 2007, Fert participou da Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), em Campinas. A ESPCA é uma modalidade lançada em 2009 pela Fapesp para financiar a organização de cursos de curta duração em pesquisa avançada nas diferentes áreas do conhecimento do Estado de São Paulo.

Fert e o físico alemão Peter Grünberg receberam o Nobel por causa da identificação simultânea, em 1988, da magnetorresistência gigante, um efeito mecânico quântico observado em materiais compostos por materiais magnéticos e não magnéticos que reduz a resistência elétrica. Esse efeito, aplicado a partir de 1997, permitiu a ampliação da memória de computadores e celulares, quebrando a barreira dos gigabytes (GB).

Magnetorresistência gigante é a base da spintrônica, que permite a geração de memórias não voláteis e ainda mais potentes que as atuais, como as que a IBM, dos Estados Unidos, NEC, Sony e Hitachi, do Japão, e a francesa Thales devem apresentar publicamente em breve.

“Esses novos conceitos da física estão sendo aplicados rapidamente em novos produtos, diferentemente do que vemos, por exemplo, na geladeira, cuja tecnologia básica é dos anos 80”, disse Fert.

Uma das razões é o longo trabalho conjunto entre centros de pesquisas e empresas.
O grupo francês Thales é um dos financiadores do laboratório de Fert, ao lado do CNRS, desde 1994. “Desde o início das nossas pesquisas nessa área a empresa está conosco”, disse.

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