Unicamp estreita colaboração com CTBE para multiplicar a produção de etanol da cana

Publicado em 12/03/2010
12/03/2010 – Portal Unicamp

Um acordo firmado no final do ano passado entre a Secretaria de Ensino Superior de São Paulo, Fapesp e as três universidades públicas do Estado – Unicamp, USP e Unesp – prevê a implantação do Centro Paulista de Pesquisa em Bioenergia, com o objetivo principal de desenvolver pesquisas de ciência básica e formar recursos humanos em torno de fontes de energias renováveis.
“Precisamos promover novas abordagens da questão para que o país esteja em posição de liderança dentro de dez a vinte anos, quando a matriz energética já estará bastante alterada”, afirma o professor Ronaldo Aloise Pilli, pró-reitor de Pesquisa da Unicamp. Por conta da proposta, a PRP convidou

Marco Aurélio Pinheiro Lima, professor do Instituto de Física Gleb Wataghin (IFGW) e diretor do Centro de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), para falar a docentes e estudantes da Universidade sobre a implantação, programas e desafios deste laboratório nacional. “Pretendemos trabalhar em estreita colaboração com o CTBE porque entendemos que as ações do centro paulista serão complementares.

Há, inclusive, a possibilidade de a Unicamp implantar um programa de pós-graduação para essa área”, adiantou Pilli. Segundo Marco Aurélio Lima, o CTBE surgiu de um questionamento do Ministério da Ciência e Tecnologia (MCT) quanto à possibilidade de o Brasil substituir, até 2025, 10% da gasolina utilizada no mundo por etanol de cana-de-açúcar. Coube ao Centro de Gestão e Estudos Estratégicos (CGEE) responder à questão, em estudo coordenado pelo professor Rogério Cerqueira Leite, também do IFGW, e realizado por uma equipe do Núcleo Interdisciplinar de Planejamento Energético (Nipe) da Universidade.

“A Unicamp deu origem ao laboratório nacional ao apontar a necessidade de aprofundamento científico para atacar os gargalos do setor sucroalcooleiro, da agricultura ao escoamento do álcool”. Lima observa que a substituição de 10% da gasolina consumida mundialmente é missão nada trivial, pois exige multiplicar por dez a produção de etanol, hoje em torno de 27 bilhões de litros anuais. O estudo do CGEE sugeriu uma série de iniciativas para beneficiar o setor, como a melhoria da gestão no setor agrícola e o aprimoramento de novas tecnologias para produção de etanol a partir do bagaço e da palha de cana.
“Seriam criados nove milhões de empregos diretos, indiretos e induzidos, com aumento de 13% no PIB atual e surgimento de 600 novas destilarias”. Há um ano e meio, o Jornal da Unicamp já havia noticiado a criação do laboratório nacional e informado sobre os desafios que agora, instalado, começa a enfrentar, a exemplo do desenvolvimento da tecnologia de hidrólise para aumentar a produção de etanol em 40% com a mesma área plantada de cana.

Marco Aurélio Lima explica que cinco programas sustentam o CTBE: agrícola, industrial, biorrefinaria, sustentabilidade e ciência básica. “Já empenhamos 69 milhões de reais na construção da base de ciências, de uma unidade industrial e na importação de equipamentos. ´ A área construída é tem mais de oito mil metros quadrados, sendo que esperamos ver o laboratório em completa operação até o final do ano”. De acordo com o diretor do Centro, há 60 pessoas trabalhando nos mais diversos níveis, quadro que deverá ser ampliado para 170 profissionais até 2013. “Desse total, menos de dez serão funcionários administrativos; os demais serão pesquisadores e técnicos em atividades-fim.
O

utro detalhe importante é que todos são contratados em regime de CLT, o que nos dá agilidade para mudar, caso algum setor não funcione dentro expectativa”. Muitos pesquisadores, conforme Lima, são vinculados à Unicamp, seguindo as regras que permitem a dedicação de oito horas semanais ao CTBE. “Queremos agora fazer o caminho de volta, cunhando formas de o CTBE entrar na Universidade. Da mesma maneira que tomamos seus pesquisadores emprestados, precisamos construir temas de pesquisa comuns para que as duas partes se fortaleçam. A criação do centro paulista, por exemplo, vai gerar integração, e não competição”.

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