Trabalhos desenvolvidos no CTBE recebem prêmio em bioenergia

Publicado em 13/11/2014

Portal do MCTI em 05/11/2014

 Dois estudos desenvolvidos no Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE) se destacaram na 2ª Brazilian BioEnergy Science and Technology Conference (BBEST), um dos principais eventos científicos sobre bioenergia do Brasil. Um deles venceu a premiação especial do evento, intitulada BE-Basic International Design Competition for Students.

Os ganhadores da competição do BE-Basic foram os alunos de pós-graduação da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Victor Coelho Geraldo e Jessica Marcon Bressanin. Eles desenvolveram no CTBE um plano de negócios para a produção de Ácido Poliláctico (PLA) em uma usina de etanol de primeira geração, a partir dos açúcares presentes no caldo da cana.

O PLA é um biopolímero que pode ser utilizado como plástico, biodegradável ou não, em diversas aplicações. “A vantagem do processo abordado no nosso trabalho é que o integramos à uma usina de etanol convencional, com cogeração de eletricidade. Isso aumenta o retorno financeiro, pois aproveita o vapor e a eletricidade gerados na própria usina, além de empregar o caldo da cana como matéria-prima, sem ter de refiná-lo”, explica. O trabalho foi premiado com R$ 7,5 mil para que os autores possam levar o projeto adiante ou aprimorar as habilidades empreendedoras.

Melhor pôster

Outro trabalho premiado foi o de Lauren Maine Santos Menandro, aluna de mestrado do Instituto Agronômico de Campinas (IAC), sob co-orientação de João Luis Nunes Carvalho, pesquisador do CTBE. O pôster apresentado foi eleito o melhor da categoria “Estudante de Mestrado”.

A pesquisa experimental premiada visa caracterizar os diferentes compartimentos da palha e estimar a quantidade ideal deste material que deve ser deixada no campo para que ocorra a devida proteção do solo e reciclagem de nutrientes. “Esperamos identificar qual tipo de palha, ponteiros ou folhas secas, é mais adequado para permanecer no campo após a colheita da cana ou ir para a indústria, para a produção de etanol de segunda geração e para cogeração de eletricidade”, explica Menandro.

A pesquisa da aluna de mestrado do CTBE está em andamento e resultados preliminares indicam que mais de 70% dos principais macronutrientes da palha (nitrogênio, potássio e fósforo) estão contidos nos ponteiros. Já as folhas secas exibem maior eficiência industrial na cogeração de eletricidade e rendimento de glicose para a produção de etanol 2G. Os experimentos acontecem em canaviais do Estado de São Paulo e de Goiás. Tais resultados indicam que se deve priorizar a manutenção dos ponteiros no campo e utilizar uma parte das folhas secas na indústria, o que justificaria a implementação da coleta e do transporte seletivos da palha para o setor industrial.

Paralelamente aos trabalhos premiados no BBEST, a aluna de doutorado da Escola de Engenharia de Lorena (EEL/USP), Patrícia Câmara Miléo, foi premiada na “Escola São Paulo de Ciência Avançada (ESPCA) sobre o Presente e o Futuro da Bioenergia”. Miléo é orientada pelo pesquisador do CTBE, Adilson Roberto Gonçalves.

O trabalho “Study of the use of lignin as compatibilizer agent in polypropylene composites reinforced with cellulose from sugarcane bagasse” foi selecionado como o melhor dos 120 alunos de pós-graduação participantes do evento. O estudo premiado aborda a produção de um composto que mistura celulose proveniente do bagaço de cana-de-açúcar e polietileno. Este pode ser utilizado por diversas indústrias, dentre elas a moveleira e a automobilística.

O CTBE é um dos quatro laboratórios associados do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), organização social supervisionado pelo Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação.

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