Setor sucroenergético discute Renovabio na Fenasucro e pede agilidade do governo

Publicado em 23/08/2017
G1, 22/08/2017

 

Além de R$ 3,1 bilhões em negócios, feira em Sertãozinho espera avançar discussões sobre marco regulatório. Biocombustíveis na matriz energética devem movimentar R$ 500 bilhões até 2030.

Fenasucro & Agrocana começa nesta terça-feira com expectativa de receber 35 mil visitantes em Sertãozinho (Foto: Rafael Cautella/Divulgação)

Fenasucro & Agrocana começa nesta terça-feira com expectativa de receber 35 mil visitantes em Sertãozinho (Foto: Rafael Cautella/Divulgação)

A necessidade de agilizar a aprovação do Renovabio deve centralizar os debates da 25ª edição da Fenasucro, um dos maiores eventos de tecnologia sucroenergética do mundo que começa nesta terça-feira (22) com expectativa de movimentar R$ 3,1 bilhões em negócios em Sertãozinho (SP).

Ainda sem data para entrar em vigor, o programa de governo federal deve gerar até R$ 500 bilhões em investimentos privados para elevar a 18% a participação de biocombustíveis na matriz energética nacional até 2030, segundo estimativas do Ministério das Minas e Energia (MME).

Além da programação enfática sobre o tema, em painéis no Seminário de Bioeletricidade, no Workshop de Bioeconomia e em uma palestra da Câmara Americana de Comércio (Amcham), as 32 entidades participantes do evento devem aprovar um documento coletivo para exigir celeridade nos trâmites em Brasília (DF). De acordo com a União, o texto está em fase de revisão.

“O setor aguarda a edição de medida provisória pelo presidente Michel Temer. É o que falta, pois é um projeto sustentável, não irá dispender recursos públicos e conta com o apoio dos Ministérios de Minas e Energia, de Agricultura Pecuária e Abastecimento e de Meio Ambiente”, afirma Aparecido Luiz, presidente do Centro Nacional das Indústrias do Setor Sucroenergético e Biocombustíveis (Ceise Br).

‘Janela de oportunidade’

A alta expectativa tem explicação. Se aprovado, o Renovabio deve obrigar o setor sucroenergético a elevar a produção de etanol dos atuais 28 bilhões de litros para 50 bilhões por ano, sem contar a possibilidade de geração de 900 mil empregos diretos e indiretos ligados à produção do combustível, segundo projeção das Minas e Energia.

O presidente do Ceise Br ainda cita um estudo que evidencia a necessidade de abertura de até 80 novas usinas para dar conta da demanda do combustível no país. Fato associado à movimentação das indústrias de bens de capital em polos metalúrgicos como Sertãozinho.

“O setor sucroenergético já teve duas janelas de oportunidades para se desenvolver. A primeira foi o Proálcool, na década de 1980; a segunda foi o da cogeração de energia. Estas duas oportunidades foram ocupadas com excelência pela indústria nacional, com o desenvolvimento de tecnologia, com inovação e qualidade. O RenovaBio é a terceira janela de oportunidade, e a indústria de base do setor sucroenergético está pronta”, avalia.

Renovabio deve demandar maior produção de etanol e abertura de novas usinas até 2030 (Foto: Claudia Assencio/G1)Renovabio deve demandar maior produção de etanol e abertura de novas usinas até 2030 (Foto: Claudia Assencio/G1)

Renovabio deve demandar maior produção de etanol e abertura de novas usinas até 2030 (Foto: Claudia Assencio/G1)

Renovabio

Parte dos compromissos assumidos em 2015 pelo Brasil na Conferência do Clima de Paris (COP21), o Renovabio é um marco regulatório que visa estimular a produção de etanol de segunda geração, diesel de cana, biogás e bioquerosene, além de reduzir, até 2030, as emissões de dióxido de carbono (CO2) em 43% em relação a 2005.

A expectativa é de que sejam movimentados de R$ 70 bilhões a R$ 100 bilhões em bens de capital industrial e até o quádruplo desse montante em estrutura operacional, segundo estimativas divulgadas pelo governo federal. Em outras palavras, o programa pode movimentar R$ 500 bilhões em dez anos em favor das energias renováveis.

O texto foi aprovado em junho pelo Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) e está em fase de revisão antes de ser finalizado e submetido ao Congresso Nacional. De acordo com o MME, ainda não se sabe se o texto será encaminhado como medida provisória, o que o faria entrar em vigor mais rápido, ou como projeto de lei.

Operário da indústria de base de Sertãozinho (Foto: Reprodução/EPTV)

Operário da indústria de base de Sertãozinho (Foto: Reprodução/EPTV)

35 mil visitantes

Durante os quatro dias, a Fenasucro espera 35 mil visitantes de 43 países em uma área de 70 mil metros quadrados no Centro de Eventos Zanini. São mil marcas em exposição, com tecnologias que atravessam toda a cadeia produtiva, desde o preparo do solo ao plantio, passando por colheita, mecanização e logística.

Além das rodadas de negócio nacionais e internacionais, o evento aposta na promoção de 300 horas de conteúdo, 100 a mais do que na edição passada, com palestras e encontros realizados em seis auditórios.

Um dos destaques da programação é o Fórum Internacional de Produção de Agroenergia, com troca de experiências e informações entre profissionais do setor de diferentes países. Geração de bioenergia, sustentabilidade e empresas de inovação são alguns dos assuntos em pauta nos encontros.

O público ainda poderá conferir de perto uma unidade modelo do CTBE, Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol, bem como a ilha do conhecimento, com dois miniauditórios para expositores realizarem palestras a pequenos grupos.

Serviço

  • Fenasucro 2017
  • Data: 22 a 25 de agosto de 2017
  • Horário da feira: das 13h às 20h
  • Horário das palestras: das 8h às 18h
  • Local: Centro de Eventos Zanini (Marginal João Olézio Marques, 3.563, Sertãozinho-SP)
  • Informações:www.fenasucro.com.br

 

Repercussão: UDOPLitoral Hoje;

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