Sem verba suplementar do governo, projeto Sirius adia 1a volta de elétrons

Publicado em 11/06/2018
G1, em 08/06/18

Laboratório de luz síncroton projetado para ser o mais avançado do mundo, em Campinas (SP), precisa de R$ 200 milhões. Pedido foi feito ao presidente em fevereiro, mas recurso ainda não saiu.

 

Por Fernando Evans, G1 Campinas e região

Sem a verba suplementar de R$ 200 milhões solicitada ao presidente Michel Temer durante evento em fevereiro deste ano, o projeto Sirius, laboratório de luz síncroton de 4ª geração projetado para ser o mais avançado do mundo, em Campinas (SP), teve de adiar a data da primeira volta de elétrons. Prevista para agosto deste ano, a expectativa é que ocorra, agora, até o final de 2018.

Diretor do Laboratório Nacional de Luz Síncotron e do projeto Sirius, Antônio José Roque da Silva disse à época que o “presidente deu indícios fortes de que todo esforço será feito para conseguir essa suplementação.”

Questionado sobre a liberação do recurso, o Ministério do Planejamento limitou-se a dizer que “não tem novas informações em relação a este assunto.”

O presidente Michel Temer visitou a obra do projeto Sirius, em Campinas (SP), em fevereiro deste ano (Foto: Fernando Evans/G1)

O presidente Michel Temer visitou a obra do projeto Sirius, em Campinas (SP), em fevereiro deste ano (Foto: Fernando Evans/G1)

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que abriga o projeto Sirius, confirmou ao G1 que teve de mudar a data pela falta da verba, alterando o cronograma da primeira volta de elétrons para o último trimestre do ano.

“O CNPEM mantém a expectativa da liberação destes recursos brevemente, o que não mais viabiliza o prazo de agosto, mas preserva o cronograma original de execução do projeto, com previsão do primeiro feixe de elétrons para o quarto trimestre deste ano.

Luz síncroton

Atualmente há apenas um laboratório da 4ª geração de luz síncroton operando no mundo: o MAX-IV, na Suécia. O Sirius foi projetado para ter o maior brilho do mundo entre as fontes com sua faixa de energia.

Quando o Sirius estiver em atividade – substituindo a atual fonte de luz usada no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron -, estima-se que uma pesquisa que atualmente é feita em 10 horas nos equipamentos mais avançados do mundo poderá ser concluída em 10 segundos.

Área interna do superlaboratório Sirius, no CNPEM, em Campinas (Foto: Fernando Evans/G1)

Área interna do superlaboratório Sirius, no CNPEM, em Campinas (Foto: Fernando Evans/G1)

A abertura da nova fonte de luz síncrotron para pesquisadores está programada para 2019, e a conclusão total da obra, com 13 linhas operando, para 2020.

“Destaca-se que as obras civis do Sirius seguem avançando, e já estão 90% concluídas. Além disso, o primeiro dos aceleradores do Sirius, o LINAC (acelerador linear) teve sua montagem concluída em maio e já passou por todos os testes técnicos, com sucesso”, informa nota do CNPEM.

Nota do CNPEM na íntegra

O Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM) esclarece que o Sirius – nova fonte de luz síncrotron brasileira e um dos principais projetos da ciência do País, que permitirá novas perspectivas de pesquisa em áreas como ciência dos materiais, nanotecnologia, biotecnologia, física, ciências ambientais, entre outras – segue os prazos originalmente previstos e divulgados no Livro do Projeto, publicado em 2014.

No início deste ano, houve a expectativa de liberação de suplementação orçamentária à LOA 2018, o que viabilizaria a primeira volta de elétrons no Sirius em agosto. O CNPEM mantém a expectativa da liberação destes recursos brevemente, o que não mais viabiliza o prazo de agosto, mas preserva o cronograma original de execução do projeto, com previsão do primeiro feixe de elétrons para o quarto trimestre deste ano.

Destaca-se que as obras civis do Sirius seguem avançando, e já estão 90% concluídas. Além disso, o primeiro dos aceleradores do Sirius, o LINAC (acelerador linear) teve sua montagem concluída em maio e já passou por todos os testes técnicos, com sucesso.