Sem dinheiro na pasta, ministro de Ciência fala sobre grandes projetos

Publicado em 24/07/2012
Folha de S.Paulo em 24/07/2012 – Mesmo com cinto apertado e sem perspectiva de recuperar a fatia de recursos perdidos no início do ano, o ministro de Ciência, Tecnologia e Inovação Marco Antonio Raupp segue falando sobre grandes projetos e sobre acordos internacionais parrudos.

Na conferência que abriu nesta segunda-feira (23) a 64a reunião anual de cientistas comandada pela SBPC (Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência), em São Luís, no Maranhão, Raupp anunciou que o programa Ciência Sem Fronteiras deve expandir o número de países parceiros.

A ideia é que o próximo edital, que deve ser aberto no final deste mês, conte com a Austrália e com a Coreia do Sul. Esses países receberão estudantes brasileiros de graduação e de pós ao lado de Estados Unidos, Portugal, Reino Unido e outros.

“Queremos expandir cada vez mais o Ciência Sem Fronteiras. Devemos mandar estudantes até para a China”, disse Raupp.

O programa federal prevê a concessão de cerca de 100 mil bolsas de estudos no exterior até 2014.

 

BIG SCIENCE

O ministro também foi otimista quanto a projetos que ainda não têm previsão de sair do papel por falta de recursos.

Ele destacou, por exemplo, a construção de um novo acelerador de luz síncrotron em Campinas, interior de São Paulo. A supermáquina está orçada em R$ 500 milhões –cerca de 10% do dinheiro anual que o ministério recebe.

Raupp disse ainda que a parceria do Brasil com o ESO (Observatório Europeu do Sul, na sigla em inglês) “será feita”.

O termo que coloca o Brasil no grupo de países que faz pesquisa astronômica com telescópios poderosos instalados no Chile está parado há alguns meses na Casa Civil.

Conforme a Folha apurou, o documento seguirá para ratificação na Câmara dos Deputados nos próximos dias.

Essa parceria custará cerca de R$ 750 milhões aos cofres públicos.

O orçamento do ministério de Raupp, no entanto, não deve passar de R$ 5,2 bilhões neste ano.

Isso é 20% a menos do que a pasta recebeu em 2011, quando já havia sofrido um corte de também 20% em relação ao ano anterior.

“Perdemos dinheiro em ciência, mas ganhamos no financiamento à inovação”, disse Raupp referindo-se ao orçamento da Finep (Financiadora de Estudos e Projetos), previsto para R$ 6 bilhões.

O comentário foi recebido com nariz torcido pela presidente da SBPC, a biomédica Helena Nader.

Dividindo a mesa com o ministro, Nader disse que a comunidade científica precisa lutar por mais recursos para não perder conquistas recentes, como o 13º lugar no mundo em quantidade de produção científica.

 

OBRAS E CONFUSÃO

O primeiro dia de conferências da SBPC foi tomado por filas de pessoas que faziam credenciamento ou que buscavam informações.

O prédio que abriga o auditório onde Raupp abriu o evento na UFMA (Universidade Federal do Maranhão), recém-inaugurado, fica em meio a um canteiro de obras difícil de acessar a pé.

Para complicar a situação, os professores e funcionários da UFMA, que estão em greve há cerca de três meses, têm feito uma série de manifestações nos espaços da SBPC pedindo aumento de salário.

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