Saiba o que cientistas, maestros e pilotos têm a ensinar a empresários

Publicado em 31/01/2013

UOL, em 31/01/2013

No comando da empresa, há momentos em que são exigidas habilidades diversas como a de pesquisa e experimentação de um cientista, coordenação de equipe de um maestro e até mesmo a capacidade de improviso de um piloto de rali. Inspirar-se nestas profissões para lidar com determinadas situações pode trazer melhorias no gerenciamento do negócio.

UOL, com a ajuda de profissionais da área e especialistas em negócios, listou cinco profissões e as lições que cada uma delas pode oferecer aos empreendedores.

1. Cientista

Como descreve o diretor do laboratório de nanotecnologia do CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energias e Materiais), Fernando Galembeck, um cientista trabalha com o que ainda não existe. Seu objetivo é criar conceitos, modelos, teorias ou mesmo aparelhos que possam resolver problemas cotidianos. O trabalho de pesquisa para atingir estes resultados pode inspirar a fase de planejamento e validação de uma empresa ou de um produto no mercado.

“O cientista faz experimentos, observações, formula e testa hipóteses até construir um modelo ou teoria que lhe dê entendimento e domínio dos fenômenos nos quais está interessado”, diz.

Da mesma forma, o empreendedor tenta criar realidades diferentes ao lançar sua empresa ou um produto no mercado. Mas, para chegar lá, é preciso estudar profundamente os concorrentes, o público-alvo, o ponto de instalação, os custos do negócio, além de testar a viabilidade do projeto.

“O objetivo dos dois [cientista e empreendedor] é encontrar soluções para problemas e necessidades das pessoas, pesquisando e experimentando novas abordagens”, afirma o diretor de administração e finanças do Sebrae Nacional, José Claudio dos Santos.

2. Maestro

De acordo com Eduardo Ostergren, regente titular das orquestras sinfônicas de Bragança Paulista (SP), Sorocaba (SP) e da Unicamp (Universidade de Campinas), o maestro tem algumas funções que vão além da parte artística.

Em muitos casos, é o maestro quem elabora o cronograma de apresentações, escolhe o repertório musical de acordo com o público e a ocasião e seleciona os instrumentistas da orquestra. “Nesse ponto, é puramente papel e caneta, assim como um administrador, e não há nada de artístico”, declara.

Já durante os ensaios e nas apresentações, o maestro é capaz de fazer com que pessoas de talentos individuais trabalhem em conjunto para produzir uma sinfonia. Inspirados nesta capacidade, é importante empreendedores procurarem entender as habilidades de seus funcionários, explorar o melhor de cada um deles e fazê-los trabalhar em sintonia.

“O maestro conduz a equipe. Pega um grupo com individualidades e dá um sentido de conjunto a ele”, diz o professor do curso de administração da USP (Universidade de São Paulo), Antonio Cesar Amaru Maximiano.

3. Bombeiro

As principais características de um bombeiro, segundo o capitão do Corpo de Bombeiros de São Paulo Renato de Natale Junior, são a coragem, iniciativa, capacidade de prever situações de risco e respeito aos limites. “Nenhum profissional se arrisca a entrar em um prédio em chamas sem equipamentos de segurança e a ajuda dos companheiros”, diz.

Da mesma, forma o empreendedor não deve se aventurar em mercados desconhecidos sem antes calcular os riscos da ação. Além disso, numa situação crítica, como um incêndio, uma das primeiras providências do bombeiro é isolar o fogo para que ele não se propague. Depois, tenta-se extingui-lo.

Os empreendedores podem adotar ações parecidas quando um problema grave afeta seu negócio, fechando canais para que o problema não se alastre, para então resolvê-lo.

“O empresário deve agir como um bombeiro para gerenciar crises e lidar com acidentes ou eventos de impacto negativo para a imagem do negócio. Quando a empresa está ‘pegando fogo’, ele entra em ação”, afirma o professor da USP.

4. Lutador de boxe

Perseverança, reflexo e reação são características fundamentais em um boxeador, segundo o coordenador técnico da CBBoxe (Confederação brasileira de Boxe), Otílio Toledo. Mesmo quando é golpeado e vai ao chão, o lutador precisa ter forças para se levantar e continuar na luta.

Para Toledo, o boxeador é preparado para receber e se desviar de golpes dos adversários. Pelo fato de a luta ser frente a frente, é possível prever a chegada de alguns golpes, o que exige bom reflexo e resistência. “No boxe, é mais difícil ser pego de surpresa. O atleta tem mais rapidez na análise da situação”, declara.

Durante sua trajetória no mundo dos negócios, o empreendedor pode sofrer com golpes da concorrência e do próprio mercado, mas espera-se dele a mesma resistência de um boxeador para se levantar e achar um novo meio de continuar na “luta”.

“O lutador de boxe é o sujeito que não se amedronta diante de dificuldades. Assim como ele, o administrador deve enfrentar desafios com serenidade, levantar-se após cada tombo e, principalmente, aprender com os erros”, afirma o coordenador de inovação e empreendedorismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Alexandre Nabil.

5. Piloto de rali

De acordo com o piloto de rali e responsável técnico da equipe XRC (Xtreme Rally Car), Maurício Neves, durante uma prova, o piloto se depara com vários imprevistos. Galhos na pista, lama e problemas mecânicos podem surgir a qualquer momento. Nesta hora, o piloto precisa improvisar.

“Às vezes, é melhor segurar o carro, parar e fazer ajustes para não comprometer a prova toda. Dá-se um passo atrás para dar dois à frente mais tarde”, diz Neves. No rali, há também o navegador, que fica ao lado do piloto e poderia ser comparado a um sócio na empresa.

O navegador quase não olha para fora do carro e tem a missão de guiar a dupla com um mapa ou GPS (Global Positioning System) em alguns casos. Ele é responsável por cronometrar cada trecho e passar as informações sobre o percurso ao piloto.

“Há uma relação de confiança entre os dois. Cada um deles é essencial para o sucesso do projeto e sabem trabalhar em equipe. Eles lutam por um objetivo definido e são capazes de superar obstáculos fazendo ajustes no percurso”, declara o professor Alexandre Nabil.

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