RMC lidera criação de vagas no Interior

Publicado em 15/10/2013
Região gerou 13 mil postos de trabalho em setembro, 86% deles com exigência de curso superior

Correio Popular, em 15/10/2013

A Região Metropolitana de Campinas (RMC) é a que mais ofereceu postos de trabalho no Interior no mês passado, com 13.067 vagas, e a tendência é de crescimento, por causa das novas empresas e ampliações previstas para a região e que somam investimentos anunciados de R$ 20,7 bilhões. A segunda região com mais oferta de vagas é Ribeirão Preto, seguida de Sorocaba e Jundiaí. Do total de postos de trabalho ofertados, a maioria, 86%, exige que o candidato tenha curso superior. Os que trabalham nos parques tecnológicos Techno Park e os Ciatecs 1 e 2 têm rendimentos equivalentes à remuneração oferecida na Capital.

O levantamento é da revista Você S/A e foi feito a partir da base de dados da Catho Online, site de classificados e currículos e vagas de emprego de maior audiência da América Latina. A pesquisa inclui vagas nas maiores empresas instaladas em cada uma das dez regiões paulistas analisadas.

Há, segundo o levantamento, 108 vagas para diretores, 527 para gerentes, 2.230 para cargos de supervisão e chefia.

Quem puxa a demanda por profissionais com Ensino Superior são empresas instaladas nos parques tecnológicos de Campinas — caso do Techno Park e os Ciatec 1 e 2, que oferecem remuneração competitiva. A pesquisa apontou que os salários no Techno Park variam de R$ 6 mil a R$ 7 mil e nos Ciatec, de R$ 9,5 mil a R$ 17 mil.

Para o diretor do Techno Park, José Luiz Guazelli, há uma dificuldade na contratação de mão de obra especializada porque a necessidade é por profissionais altamente preparados, que atuam na fronteira do conhecimento. Das 68 empresas instaladas nesse parque às margens da Rodovia Anhanguera, 42 são de base tecnológica, que exigem especialistas nas novas tecnologias.

“Embora tenhamos um grande número de faculdades que são importantes para formar os profissionais, os cursos de especialização e de pós-graduação precisam crescer muito”, afirmou, lembrando que a falta de mão de obra é um problema do País e em todos os setores.

Segundo Guazelli, os investimentos em ciência e tecnologia no País estão apenas no início e há um longo caminho pela frente, que exigirá cada vez mais especialistas atuando na fronteira do conhecimento.

Um dos grandes investimentos em tecnologia da região de Campinas é a construção do Sírius, uma fonte de luz síncrotron de terceira geração, que permitirá obter com detalhes imagens em resolução 10 mil vezes maior que um aparelho de raio X e dez vezes mais brilhante que a produzida atualmente no mundo por países que detêm a tecnologia. A nova fonte deverá estar pronta em 2016 e vai exigir investimentos de R$ 650 milhões. Será um dos grandes empregadores de mão de obra de cientistas.

Um investimento de R$ 130 milhões da Lenovo, que instalará no parque científico da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), seu centro de pesquisa mundial, vai abrigar 220 funcionários, a maioria mestres e doutores.

A pesquisa mostra que algumas especializações são mais valorizadas em Campinas, caso por exemplo de um engenheiro de minas, que recebe salário 50% superior ao que se paga em São Paulo. O engenheiro de minas atua na área de tecnologia mineral, desde a prospecção (busca de depósitos minerais), a lavra (extração do minério) até o beneficiamento (processamento, separação e concentração do material extraído) para adequá-lo às especificações produtivas.

Na região de Campinas, outras duas cidades foram destacadas pela revista Você S/A: Hortolândia, onde mais de 250 empresas se instalaram entre 2005 e 2010, reduzindo a taxa de desemprego de 17,2% para 4%; e Sumaré, que nos últimos dez anos recebeu 300 empresas.

Faltam especialistas, diz consultor

O Brasil forma cerca de 10 mil doutores por ano, mas ainda é pouco. Falta pessoal formado para pesquisa e para engenharia, o que afeta o setor produtivo e que poderá, em curto prazo, levar empresas multinacionais a montar centros de pesquisa em que a mão de obra para a ciência é farta, como China e Índia, disse o pesquisador José Onofre de Figueiredo, consultor do Ministério de Ciência e Tecnologia. “Corremos o risco de ver todo o esforço para atração de investimentos de empresas de base tecnológica ir por terra, por falta de mão de obra.”

Em 2010, o Censo do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IGBE) apontou que o desemprego entre as pessoas com Ensino Médio girava em torno de 5% e entre os doutores, em cerca de 1%, o que mostra que vale a pena investir em educação e que existe um estímulo muito grande para que as pessoas aumentem o seu nível de formação, porque o mercado está carente disso, afirmou Figueiredo.

Estudo divulgado em abril pelo ministério apontou que a proporção feminina cresceu de maneira significativa desde 1998, quando o número de mulheres tituladas em programas de mestrado superou o de homens. Em 2010, embora constituíssem a maioria da população de mestres-residentes no Brasil, sua remuneração mensal média era 42% menor do que a dos homens.

A população de mestres e doutores também é mais branca do que a população como um todo. Em 2010, os que se declararam brancos correspondiam a 47% dos brasileiros. No mesmo ano, considerando somente os que possuíam grau de instrução elevado (mestrado e doutorado), a parcela dos que se declararam brancos era de 80%.

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