Quanto de impurezas o sistema de limpeza a seco está retirando da cana?

Publicado em 29/08/2016
Cana Online, em 22/08/16

 

Sistema de limpeza a seco da usina Alta Mogiana é avaliado por equipes do projeto SUCRE

Por Viviane Celente
Quanto de impurezas o sistema de limpeza a seco está retirando da cana? Quanto de palha, que poderia estar sendo utilizada para geração de energia, está sendo desperdiçada no processo? De 11 a 15 de agosto as equipes dos subsistemas Indústria e Recolhimento do Projeto SUCRE, desenvolvido pelo Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), coletaram amostras da cana-de-açúcar que entra e que sai do sistema de limpeza a seco da usina Alta Mogiana,em São Joaquim da Barra,SP,para determinar esses valores.

Além disso, também foram coletadas amostras de palha dos fardos, utilizados para complementar a geração de energia elétrica da usina. Todas as amostras são analisadas no CTBE. A intenção é identificar os gargalos do sistema e propor novos equipamentos e novos processos para aprimorar os procedimentos.O Projeto SUCRE (SugarcaneRenewableElectricity) tem como objetivo principal aumentar significativamente a produção de eletricidade com baixa emissão de gases de efeito estufa (GEE) na indústria de cana-de-açúcar, por meio do uso da palha produzida durante a colheita.

Assim que a cana entra na indústria, junto de folhas verdes, folhas secas, ponteiros, raízes e terra, a equipe separa todos os elementos que não fazem parte do colmo. Na própria usina são pesadas a cana e as impurezas, para determinar o quanto de impureza chegou na indústria junto com a cana colhida. O mesmo procedimento é realizado na saída do sistema de limpeza. Amostras de cana e dos resíduos são levados para o CTBE para que sejam realizadas análises de umidade e do nível de impurezas minerais e vegetais, com equipamentos de precisão. Dessa forma, é possível identificar o quanto de impureza mineral e vegetal tem sido retirado através do sistema.

A palha, que chega na usina Alta Mogiana através do sistema de enfardamento, também carrega impurezas minerais e, por isso, também precisa passar por um sistema que faz parcialmente essa separação. Esse sistema é a peneira, para que parte da terra se desprenda da palha e não traga prejuízos para a geração de eletricidade. Amostras da palha antes e depois do processo, e da terra peneirada são coletadas para análises no CTBE.

São feitas as mesmas avaliações de umidade e de quantidade de material vegetal e mineral. Para determinar a quantidade de impurezas, a palha, da mesma forma que as amostras de cana, é submetida a queima em 800˚ Celsius, em que, a partir das cinzas, é possível determinar a parcela de terra e de impurezas. Esses dados, somados aos da cana no sistema de limpeza a seco, permitem calcular a eficiência da remoção de palha, ou seja, a porcentagem de palha que foi removida do sistema de limpeza.

Segundo o líder do subsistema Indústria do projeto e engenheiro de processos do CTBE, Paulo Eduardo Mantelatto, o objetivo principal do sistema de limpeza a seco é limpar a cana-de-açúcar, já que as impurezas prejudicam a eficiência de extração e a qualidade do açúcar, e retirar o máximo de palha para aproveitá-la na queima, gerando energia. A palha também precisa estar o máximo possível livre das impurezas, sem que haja perdas no processo, como parcelas da biomassa que acabam sendo peneirados junto da terra, para que seja utilizado todo o potencial na geração de eletricidade.

Além da usina Alta Mogiana, essa avaliação já foi realizada nas usinas da Pedra Agroindustrial S/A, Quatá do grupo Zilor. As análises ainda serão feitas nas usinas da Barra e Costa Pinto, do grupo Raízen, e na usina Granelli. Ainda pretendemos testar o sistema de recepção e processamento de fardos da usina Ferrari Agroindústria, caso esta autorize, por se tratar de um sistema de alto desempenho, o estado da arte do processamento de fardo, como afirma Mantelatto.

 

 

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