Publicação destaca crescimento da pesquisa brasileira em Ciência dos Materiais

Publicado em 05/11/2014
Agência FAPESP, em 21/10/2014

 

Por Elton Alisson

O grupo editorial IOP Publishing, pertencente à principal associação de físicos do Reino Unido – o Institute of Physics (IOP) –, publicou um relatório especial sobre Ciência dos Materiais no Brasil para a Sociedade Brasileira de Pesquisa em Materiais (SBPMat).

Lançado durante a conferência anual da entidade, realizada entre os dias 28 de setembro e 2 de outubro em João Pessoa, na Paraíba, o relatório destaca o crescimento da pesquisa na área no país ao longo das duas últimas décadas.

Com a chamada de capa “Brasil mostra que os materiais importam”, a publicação avalia que o aumento do financiamento para ciência e inovação, combinado com o foco estratégico em novos materiais, está criando novas oportunidades tanto para pesquisa acadêmica como para o desenvolvimento de novos produtos pelas indústrias no país.

“O Brasil investe hoje cerca de R$ 50 bilhões por ano em P&D [pesquisa e desenvolvimento], o equivalente a 1,2% do seu PIB [Produto Interno Bruto], em comparação com apenas R$ 12 bilhões em 2000”, diz a publicação.

“Isso permitiu que as instituições de pesquisa no país investissem em equipamentos modernos para síntese e caracterização de materiais e ganhassem experiência em campos de pesquisa emergentes em Ciência dos Materiais, como nanoestruturas de carbono e eletrônicos flexíveis”, avaliam os autores do relatório.

De acordo com a publicação, muitos dos laboratórios mais bem equipados são abertos a usuários externos atuantes em instituições de pesquisa mas também na indústria, a exemplo do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), em Campinas (SP).

Na avaliação dos autores do relatório, o LNLS ajudou a transformar a Ciência dos Materiais no Brasil e hoje cerca de 70% dos experimentos realizados na instituição são voltados para investigar a estrutura e propriedades de materiais.

“Os pesquisadores estão ansiosos agora para ter acesso a duas novas grandes instalações de pesquisa previstas para serem inauguradas no país nos próximos anos: a fonte de radiação síncrotron de terceira geração Sirius, que está sendo construída em Campinas [no LNLS], e as linhas de luz de nêutrons planejadas para o novo reator multipropósito do Brasil [previsto para entrar em funcionamento em 2018 no município de Iperó, no interior paulista]”, estimam.

Área prioritária

A publicação destaca que a Ciência dos Materiais é identificada hoje como uma das áreas prioritárias de apoio à ciência, tecnologia e inovação pelas agências de fomento à pesquisa do país, sejam federais, como o Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), ou estaduais, como a FAPESP.

Os autores do relatório exemplificam com dois centros de pesquisa que a FAPESP financia atualmente: o Centro de Pesquisa, Educação e Inovação em Vidros (Cepiv), sediado na Universidade Federal de São Carlos (UFSCar), e o Centro de Pesquisas Avançadas em Grafeno, Nanomateriais e Nanotecnologia (MackGrafe) que está sendo construído na Universidade Presbiteriana Mackenzie.

“No centro do campus do Mackenzie, no coração de São Paulo, construtores trabalham para tornar o Mackgrafe totalmente operacional até 2015”, conta a publicação.

Os autores do relatório indicam que outras fundações estaduais têm seguido o exemplo da FAPESP, como as dos Estados de Minas Gerais e do Rio de Janeiro. E que o maior desafio para a pesquisa de materiais no país é a necessidade de mais cientistas.

“Temos oportunidades para atacar problemas, mas no momento o tamanho da comunidade científica é um fator limitante”, disse Carlos Henrique de Brito Cruz, diretor científico da FAPESP, para a publicação.

A inovação também passou a ser prioridade no país e as agências de fomento à pesquisa brasileiras estão cada vez mais pedindo aos cientistas para pensarem mais sobre como suas pesquisas podem impulsionar o desenvolvimento econômico e social do país, ressaltam os autores do relatórios.

“Alguns dos projetos financiados pela FAPESP requerem pesquisadores para trabalhar com a indústria ou para procurar aplicações específicas”, declarou Brito Cruz à publicação. “Em todos os casos, devem demonstrar excelência em pesquisa”, afirmou.

O relatório pode ser lido em mag.digitalpc.co.uk/fvx/iop/scienceimpact/BMRS2014/.

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