Projeto investiga o potencial do mercado de carbono dos seringais paulistas

Portal Dia de Campo em 11/11/2014

A borracha natural é um produto estratégico para o Brasil e o mundo. Projeções mostram que em 2020 o Brasil poderá produzir somente 250 mil toneladas diante de um consumo potencial de mais de 500 mil, ou seja, um déficit de 50% onerando a balança comercial do país. São Paulo é o maior produtor nacional com 53% da produção. A área cultivada paulista aumentou 81% entre 2000 e 2010, e pode vir a crescer mais, posto que a Lei Estadual nº 12.927 possibilita a recomposição de reserva legal em até 20% da área total com seringueira.

A Embrapa Monitoramento por Satélite aprovou o projeto de pesquisa “Sustentabilidade, competitividade e valoração de serviços ecossistêmicos da heveicultura em São Paulo com o uso de geotecnologia”, com a parceria de outras Unidades da Embrapa e parceiros externos, como Unicamp, Cati, Apta, UENF, UFF, CTBE, Universidade Estadual de Santa Cruz (BA) e Esalq/USP, além de representantes do setor heveícola como a Associação Paulista de Produtores e Beneficiadores de Borracha (APABOR) e a Associação Paulista de Produtores de Borracha do Noroeste Paulista (NOROBOR). No projeto, uma das atividades previstas é o estudo do potencial de mercado de carbono com o uso de geotecnologias com base no mecanismo de desenvolvimento limpo (MDL), propagado no Protocolo de Quioto.

O MDL, embora se apresente como uma oportunidade para, entre outros esforços, promover o sequestro de carbono através de atividades de reflorestamento, traz em seu bojo uma série de limitações, onde se destaca a falta de metodologias para sua implementação e monitoramento, o que resulta em pouco interesse por parte de potenciais empreendedores e investidores. Diante disto, uma das atividades propostas pelo projeto é incorporar um novo papel para as plantações através de uma forma rápida para estimar o carbono estocado na biomassa epígea de seringueiras, por meio de correlação entre variáveis espectrais de imagens de satélites e parâmetros biofísicos. Este novo modelo pode contribuir para a elaboração de projetos de sequestro de carbono, podendo assim, diversificar as fontes de receitas para os produtores rurais além de incentivar o plantio de novos seringais no Estado de São Paulo.

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