Professor da Unicamp aconselha país a priorizar hidrelétricas e álcool em vez do pré-sal

Publicado em 22/03/2013

Jornal da Ciência, em 21/03/2013

A sugestão foi feita no Senado em audiência pública realizada pela Comissão de Serviços de Infraestrutura

O professor de Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) Rogério Cesar de Cerqueira Leite afirmou em audiência pública realizada pela Comissão de Serviços de Infraestrutura (CI), nesta segunda-feira (18), que o Brasil deveria concentrar seus esforços de desenvolvimento da matriz energética na construção de mais usinas hidrelétricas e de álcool.

Em sua avaliação, a opção do governo federal pelo pré-sal, feita nos últimos anos, não foi adequada tanto pela enorme barreira tecnológica que precisa ser transposta para tornar realidade a exploração do petróleo em águas profundas, tanto como pelo relativo pequeno tempo de aproveitamento das reservas, que segundo ele, pode girar em torno apenas de meio século.

– Eu nunca entendi muito bem por que este governo deu uma tal preferência para o pré sal. O pré-sal vai ser caro, é poluente, e todo mundo briga por causa dele.  Nada vai acalmar mais os ambientalistas que uma opção pelo álcool. Eu tenho certeza que nós vamos ter muito mais paz no Brasil com a retomada do álcool – disse.

Rogério César de Cerqueira Leite observou que o aumento do consumo de combustíveis fósseis no país, que poderá ser causado por uma maior oferta de petróleo originado das jazidas do pré-sal, deverá elevar a concentração de gases do efeito estufa, gerando problema ambiental pior do que o decorrente da construção de hidrelétricas.

– Não é nada provável cientificamente que há prejuízos para a natureza quando você aumenta as áreas alagadas. Essas áreas são sempre férteis de vida, de novas espécies e podem servir, inclusive para a produção de peixes – observou.

Outras fontes de energia

Rogério Cesar de Cerqueira Leite disse ainda que o uso da energia nuclear está sendo deixado de lado em todo o mundo sobretudo pelos elevados investimentos necessários e pelos riscos ambientais envolvidos.

Quanto às perspectivas da ampliação do uso da energia solar no país e no mundo, O professor da Unicamp se disse pessimista no curto prazo, devido ao alto custo de manutenção dos sistemas geradores e pelas limitações de escala de produção. Para daqui há 20 anos, no entanto, ele considerou que tal fonte se tornará viável em razão de desenvolvimentos tecnológicos.

– A energia solar vai ser um dia muito eficiente. Hoje não é eficiente por questões tecnológicas. A energia solar ainda é hoje muito cara – disse.

De acordo com Rogério Cesar Cerqueira Leite, a energia eólica é uma das mais promissoras por utilizar geradores altamente eficientes.

O painel, dirigido pelo presidente da CI, senador Fernando Collor (PTB-AL), faz parte do primeiro ciclo de debates promovido pela comissão este ano, intitulado “Investimento e Gestão: Desatando o nó logístico do país”, que se estenderá até o fim do ano, com o objetivo de debater energia, transporte, aviação civil, água, telecomunicações e temas transversais de infraestrutura.

O tema do primeiro painel, que se iniciou com a exposição do professor Rogério Cerqueira Leite, é “Energia e Desenvolvimento do Brasil”. Nos próximos encontros serão ouvidos outros especialistas nas diversas áreas de geração de energia.

(Laércio Franzon/Agência Senado)

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