Pesquisadores do CNPEM e Unicamp desenvolvem sistema de entrega de drogas anticâncer

Publicado em 31/05/2016

Sistema de baixa toxidade às células saudáveis baseia-se em nanopartículas carregadas com curcumina, extraída do açafrão da terra

 A quimioterapia ainda é um dos principais métodos para o tratamento do câncer. Como a doença se caracteriza pela multiplicação descontrolada de células, a maioria das drogas utilizadas no tratamento quimioterápico agem interferindo na mitose, o mecanismo celular pelo qual novas células são produzidas. Por isso tanto células cancerosas quanto sadias são afetadas, o que resulta em efeitos colaterais como queda de cabelo e prejuízo a tecidos com alta taxa de renovação celular, como as unhas.

Mundialmente, esforço considerável tem sido direcionado ao desenvolvimento de novos métodos, que ajam diretamente sobre o alvo do tratamento e que minimizem os danos para o organismo. Um desses métodos é a utilização de nanopartículas, aglomerados de poucas centenas de átomos, que funcionam como pílulas que carregam e entregam o medicamento diretamente às células doentes.

Pesquisadores dos Laboratórios Nacionais de Luz Síncrotron (LNLS), de Biociências (LNBio) e de Nanotecnologia (LNNano), e da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram um novo sistema de entrega de drogas anticâncer com o uso de nanopartículas de sílica carregadas com curcumina e funcionalizadas com grupos folato.

Curcumina e Nanopartículas

A curcumina é uma substância extraída da cúrcuma, ou açafrão-da-terra, e que se demonstrou ter propriedades anticâncer em avaliações clínicas. No entanto, por possuir baixa solubilidade e rapidamente se degradar e ser eliminada pelo organismo, seu uso em tratamentos é altamente restrito. Assim, sua incorporação em um sistema de entrega que leve a substância até as células tumorais é essencial para sua aplicação terapêutica.

Este sistema de entrega é baseado na incorporação da curcumina em nanopartículas de sílica, que têm sido amplamente utilizadas em aplicações biológicas e médicas. Uma das vantagens dessas nanopartículas é que podem ser facilmente combinadas com diferentes substâncias que se liguem especificamente ao alvo para aumentar a efetividade e especificidade do tratamento.

No caso das células tumorais humanas, observa-se uma grande quantidade de receptores de substâncias do grupo folato, que são essenciais na reprodução celular. Assim, os pesquisadores associaram as nanopartículas com folatos para que fossem seletivamente reconhecidas e capturadas pelos receptores nas células cancerosas.

Capa do periódico Langmuir.

 O método foi testado in vitro, em culturas de células cancerosas e saudáveis da próstata, e os cientistas verificaram que as nanopartículas preparadas foram altamente efetivas em simultaneamente matar as células cancerosas e ser pouco tóxicas para células saudáveis.

Os resultados do estudo foram detalhados no artigo “Functionalized Silica Nanoparticles As an Alternative Platform for Targeted Drug-Delivery of Water Insoluble Drugs”, que é capa da revista científica Langmuir.

Saiba mais na matéria produzida pela Agência Fapesp clicando aqui.

Fonte: Luciane França de Oliveira, Karim Bouchmella, Kaliandra de Almeida Gonçalves, Jefferson Bettini, Jörg Kobarg e Mateus Borba Cardoso. Functionalized Silica Nanoparticles As an Alternative Platform for Targeted Drug-Delivery of Water Insoluble Drugs. Langmuir. DOI: 10.1021/acs.langmuir.6b00214

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