Nanotecnologia trabalha em busca de competitividade e cuidado com o meio ambiente

Publicado em 06/05/2013

A Notícia, em 20/04/2013

Ganassali destaca a nanocerâmica como solução para problemas ligados à corrosão

Claudine Nunes

A joinvilense Ciser Parafusos e Porcas deu a largada no lançamento de soluções com nanotecnologia na região Norte do Estado. A empresa anunciou ao mercado um revestimento especial que pode ser aplicado em superfícies metálicas e não metálicas com performance superior aos revestimentos atuais.

Segundo o gerente de negócios e tecnologia da Ciser, Guido Ganassali, somente com a nanotecnologia foi possível dar um salto em relação aos processos atuais de revestimento superficial, ao garantir, por um preço competitivo, elevada resistência à corrosão, alto poder de adesão e ausência de resíduos tóxicos – a quantidade de solvente presente na solução varia de 3% a 5%.

A aposta foi alta. Embora não revele números, trata-se do maior investimento em pesquisa e desenvolvimento da história da Ciser e que se consolida após três anos de estudos. Inicialmente, o revestimento será usado em fixadores e também em serviço para terceiros, em peças de 40 a 50 milímetros de diâmetro.

— Onde houver problemas de corrosão, podemos oferecer a nanocerâmica — afirma Ganassali.

A tecnologia, inédita no mundo, foi desenvolvida nos Estados Unidos. O óxido de titânio e outras cerâmicas utilizadas como matéria-prima vêm da Europa, e a mistura necessária para formar o revestimento final é produzida em países asiáticos. Pelo acordo com o parceiro norte-americano, a Ciser poderá explorar o mercado da América Latina.

A meta é substituir gradualmente os revestimentos atuais pela nova tecnologia, deixando só uma margem para suprir pedidos específicos pelo modo convencional. Os custos da nanocerâmica são maiores do que no revestimento por zincagem, calcula o gerente. No entanto, são 15% a 20% menores do que no organometálico (alumina). A empresa espera ter o retorno do investimento em até quatro anos.

Um dos pontos fortes da nova solução é o controle preciso do coeficiente de atrito nos processos industriais. Sobre isso, o diretor do Laboratório Nacional de Nanotecnologia (LNNano), referência no Brasil nesta área, Fernando Galembeck, diz que estamos diante de um ótimo exemplo do poder da nanotecnologia de melhorar o que já existe.

— Produtos antigos, como os parafusos, podem ser revestidos e aumentar o controle sobre o coeficiente de atrito, que é essencial para se parafusar e para que o parafuso não se solte, além de ter maior resistência à corrosão e ao uso. Quem não quer que os parafusos usados em carros, construção civil e em máquinas de todos os tipos tenham um desempenho cada vez melhor? — pergunta Galembeck.

Para Ganassali, quando a nanotecnologia estiver mais desenvolvida, daqui a 50 anos, o mundo será diferente.

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