Ministro conhece centro de tecnologia e usina de cana no interior paulista

Publicado em 30/09/2015
Portal do MCTI, 25/09/2015

O ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo, visitou nesta sexta-feira (25) o Centro de Tecnologia Canavieira (CTC), em Piracicaba (SP), e a Usina Iracema, em Iracemápolis (SP). Ao longo do dia, ele ainda se encontrou com os prefeitos das duas cidades, Gabriel Ferrato e Valmir de Almeida.

Em entrevista coletiva, Aldo valorizou o papel do CTC para a pesquisa industrial sucroenergética no Brasil. “O Governo Federal tem todo o interesse em valorizar, em apoiar e em manter o estado da arte desse centro, porque isso é importante para a economia do País e para a geração de riqueza, emprego, renda e tributos”, disse o ministro, ao citar a existência de investimentos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep/MCTI) e do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

Segundo o presidente do Conselho de Administração do CTC, Luís Roberto Pogetti, o centro tem um projeto de R$ 350 milhões de financiamento de longo prazo no âmbito do Plano de Apoio à Inovação dos Setores Sucroenergético e Sucroquímico (Paiss), iniciativa conjunta de Finep e BNDES. Outros R$ 300 milhões vêm sendo aportados pelo BNDES Participações S.A. (BNDESPar), que passou a ser acionista da instituição, recentemente, com possibilidades de deter até 20% de seu capital. “O nosso programa de investimento é da ordem de R$ 1 bilhão”, comentou. “Então, nós estamos falando aí de uma parte de mais de 50% do montante com apoio do BNDES, BNDESPar e Finep.”

Pogetti apresentou ao ministro parte da trajetória de 45 anos do CTC. “A vocação é o desenvolvimento de variedades de cana, tanto pela hibridação tradicional, por meio do cruzamento entre plantas, como pela modalidade que conta com o auxílio da modificação genética”, explicou. “Nós temos previsão de, nos próximos anos, o centro se tornar pioneiro não só no Brasil, mas no mundo, com a primeira cana transformada geneticamente. É a continuidade de uma história de quatro décadas de projetos de pesquisa de melhoramento genético, do processo de plantio e também do etanol de segunda geração.”

Aldo visitou laboratórios e conversou com pesquisadores do CTC. Os estudos de modificação genética buscam características como o aumento do teor de açúcar e biomassa, a proteção contra pragas e herbicidas e uma maior produtividade, baseada em eficiência fotossintética e tolerância à seca. O centro desenvolve, ainda, sementes artificiais, por meio de dois métodos principais: o processamento do palmito da cana e a embriogênese somática indireta, capaz de produzir até 100 mil plantas a partir de um litro de solução.

Iracemápolis

Na Usina Iracema, o ministro se reuniu com o vice-presidente do Conselho de Administração do Grupo São Martinho, João Guilherme Ometto, e a diretoria executiva da companhia. Acionista do CTC, a empresa tem três grandes projetos apoiados desde 2014 pela Finep, com R$ 130 milhões, e costuma encomendar estudos de inovação ao Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia do Bioetanol (CTBE), do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM).

De acordo com Ometto, o Grupo São Martinho tem capacidade de moagem de 22 milhões de toneladas de cana. Além da unidade de Iracemápolis, a companhia opera as usinas São Martinho, em Pradópolis (SP); Santa Cruz, em Américo Brasiliense (SP); e Boa Vista, em Quirinópolis (GO). Ainda integra o complexo uma fábrica para produção de ácido ribonucleico, a Omtek.

Ometto ressaltou a “flexibilidade entre açúcar e álcool” do grupo – somente a unidade goiana se dedica exclusivamente à produção de etanol. “A Usina Iracema é a mais antiga, fundada na primeira metade do século passado, e se tornou muito competitiva para escoar a produção de forma ferroviária e naval, pela proximidade com Paulínia e o Porto de Santos”, apontou. Nos últimos anos, a empresa investiu na atualização da planta industrial de Iracemápolis.

Um dos projetos apoiados pela Finep é o concentrador de vinhaça, apresentado ao ministro em roteiro de ônibus. A infraestrutura processa o resíduo inicialmente pastoso que sobra da destilação do caldo fermentado. Um trator demonstrou a aplicação do material em uma área de cultivo, técnica que busca maior produtividade e redução no uso de fertilizantes químicos. Aldo ainda conheceu um reator anaeróbio experimental para biodigestão de gás.

Após a agenda na usina, o ministro visitou o prefeito de Iracemápolis, Valmir de Almeida. Eles trataram do desenvolvimento de tecnologias sustentáveis, como o reúso da água industrial da cidade. A montadora de automóveis Mercedes-Benz constrói uma fábrica no município.

Diálogo

Pela manhã, Aldo se encontrou com o prefeito de Piracicaba, Gabriel Ferrato, acompanhado por vereadores e equipe técnica. Representantes da cidade informaram que instituições locais pesquisam uma vacina contra a raiva humana e possibilidades de reúso de água. O município faz testes com o mosquito geneticamente modificado OX513A, linhagem do Aedes aegypti desenvolvida para controlar a população do vetor do vírus da dengue e, assim, combater a doença. A Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) aprovou a liberação comercial do inseto em abril de 2014.

Na prefeitura, Aldo comentou que Piracicaba vai bem além do CTC em matéria de “vanguarda” em pesquisa e inovação. “A cidade tem uma das duas únicas indústrias de biocombustível de segunda geração do País, a Raízen, ao lado da fábrica de etanol celulósico da GranBio em Alagoas, além da principal unidade de pesquisa agropecuária do Brasil, que é a Escola Superior de Agricultura Luiz de Queiroz da Universidade de São Paulo, a Esalq, mais do que centenária e pioneira nas ciências agrárias do Brasil”, destacou.

Desde quinta-feira (24), o ministro vem visitando municípios paulistas, como Americana, Campinas, Nova Odessa e Santa Bárbara d’Oeste. À noite, ele assinou um acordo de cooperação científica com a Associação Brasileira da Indústria Têxtil e de Confecção (Abit) e o Sindicato da Indústria de Fiação e Tecelagem em Geral do Estado de São Paulo (Sinditêxtil-SP), com objetivo de tornar o setor mais competitivo e sustentável no uso de recursos hídricos.

Repercussão: Jornal do Brasil

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