Luz síncrotron é usada na análise de solos da Antártica

Publicado em 15/01/2015
MCTI, em 09/01/2015

Grupo ligado ao Núcleo Terrantar analisa solos fosfatados, gerados pela ação de pinguins e outras aves marinhas. Os pesquisadores usam a fonte do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS).

 

Fontes de luz síncrotron oferecem potencial para a realização de estudos com aplicações em diversas áreas do conhecimento. Recentemente, a atual fonte de luz do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS) mostrou-se uma aliada do estudo de solos ricos em fosfato encontrados em pinguineiras (pontos de concentração de pinguins) na Antártica.

Diferentes técnicas experimentais, disponíveis em três linhas de luz do LNLS, foram usadas para a caracterização química e mineral desses solos: difração de raios X, espectroscopia de absorção de raios X moles e fluorescência de raios X.

Os estudos estão sendo conduzidos por pesquisadores da Universidade Federal de Viçosa (UFV) ligados ao Núcleo Terrantar, que investiga os ecossistemas terrestres da Antártica e de ambientes de alta montanha da Cordilheira dos Andes. Coordenado pelo professor Carlos Schaefer, do Departamento de Solos da UFV, o núcleo é vinculado ao Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia da Criosfera (INCT Criosfera), um dos maiores grupos do Programa Antártico Brasileiro (Proantar).

O Terrantar desenvolve trabalhos exploratórios sobre a gênese, mineralogia, material orgânico, morfologia, química, emissões de gases e dinâmica térmico-hídrica de solos afetados por permafrost – ou seja, que ficam pelo menos dois anos consecutivos com temperaturas abaixo do zero grau. Nesses ambientes, as áreas de pinguineiras estão entre aquelas que despertam mais o interesse dos pesquisadores.

Nos locais com alta concentração de aves marinhas ocorrem os chamados solos “ornitogênicos”, gerados pela ação desses animais, como explica o pesquisador da UFV integrante do Terrantar Davi Gjourup: “A ação biológica dessas aves muda completamente o ambiente naquela área e dá origem a esses solos, que são bem diferenciados. É com esse tipo de solo que estamos trabalhando no LNLS“.

De acordo com doutoranda em solos e nutrição de plantas da UFV Karoline Delpupo, pesquisadora do núcleo, esses solos representam verdadeiros oásis de vida na Antártica, principalmente em áreas de colonização antiga, nas quais o pisoteio e a acidez do guano fresco (nome dado ao acúmulo de fezes de aves e morcegos) não são limitantes para a colonização de plantas e microrganismos. “Além disso, representam reservatórios naturais de fosfato, fertilizante mundialmente usado como fonte de fósforo para a agricultura,” explica. A atividade agrícola mundial sofre cada vez mais com a escassez desse componente.

 

Repercussão:

NIT Mantiqueira e Agência Gestão CT&T

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