Jovens cientistas são desafiados em evento

Publicado em 22/06/2009

22/06/2009 – Correio Popular

Proposta era criar equipamento para resgatar ovo de gavião-real

Jovens cientistas de 25 cidades do Estado de São Paulo apresentaram ontem, na Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), a solução para o 3º Grande Desafio, lançado pelo Museu Exploratório de Ciências da Unicamp, no dia 9 de março: quem é capaz de salvar uma espécie da extinção? Cento e dez equipes de estudantes de escolas públicas e privadas apresentaram idéias para operar um equipamento capaz de resgatar um ovo de harpia (Harpia harpyja), espécie ameaçada e mais conhecida como gavião-real, em ninhos localizados a mais de 40 metros de altura.

Para incentivar e orientar o planejamento e construção dos equipamentos, professores das escolas participantes e do desafio acompanharam durante quatro meses os mais de 600 alunos das equipes. Durante a apresentação, os participantes tiveram apenas seis minutos para demonstrar a performance do equipamento. Esse tempo foi dividido em três minutos para montagem e outros três para a operação.

Os alunos competiram em quatro categorias, de acordo com a idade e tipo de ensino: Fundamental 1 e 2, Ensino Médio e Educação para Jovens e Adultos. Ao todo, foram quatro prêmios por categoria de inscrição e duas menções honrosas. Entre as premiações, foram observados desempenho, criatividade e metodologia.

Durante todo o dia, o clima era de expectativa e muita animação. Como foi o caso da dupla que integrava uma das seis equipes formadas pela Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Pavanatti Fávaro, de Campinas. Os estudantes Vinícius Hygino de Oliveira, de 15 anos, e Vinícius Ferro, de 14 anos, criaram uma espécie de manivela manual de madeira, suspensa por um suporte, onde na ponta tinha um pegador de chapa de metal para retirar o ovo. A trupe formada por seis estudantes, de 15 a 17 anos, do Colégio Atibaia, de Atibaia, também fez bonito durante as apresentações. “Criamos um elevador com uma garra na ponta que abre e fecha com a ajuda de uma tesoura, manuseada manualmente por uma corda. Usamos madeira, ferro, barbante e arame. Levamos três dias para criar o equipamento”, contou Marcos Gonçalves Marques, de 17 anos.

Ao todo, 21 equipes foram premiadas e ganharam passeios a museus de ciência, além de livros e brindes. Participaram da sessão de entrega dos prêmios, autoridades representantes da Unicamp, da Pfizer Brasil, do Instituto Sangari e do Laboratório Nacional de Luz Síncrotron, entre outros.

Para a diretora educacional do Museu Exploratório de Ciências, Adriana Rossi, o evento é uma oportunidade para estimular o trabalho em equipe, a criatividade e a percepção de que, alguns problemas, permitem diversas soluções. “Tentamos estimular a criatividade e o trabalho cooperativo. Pretendemos que pequenos talentos sejam descobertos”, disse. (Colaborou Natan Dias/AAN)

Campineira é a grande campeã

O grande prêmio do 3º Grande Desafio, que foi a junção das melhores qualidades apresentadas numa única equipe, saiu para o grupo da Escola Municipal de Ensino Fundamental Maria Pavanatti Fávaro, de Campinas. O resultado terá uma importância histórica. “Houve um grande incentivo, a ideia cresceu e todos estavam confiantes com o grande desafio”, comemorou a professora de ciências da escola, Rosa Maria Campos Brunini Siviero. Com o prêmio, a equipe terá a rara oportunidade de batizar o asteróide XD96, nº 15.453, descoberto pelo astrofísico venezuelano Orlando Naranjo em 1998 — assim como ocorreu em 2007, quando a equipe Sybots, de Ourinhos, pôde registrar na Nasa o asteróide n 12.367, do mesmo pesquisador, com o nome daquela cidade.

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