Indústria farmacêutica – uma visão otimista favorece os negócios

Publicado em 09/11/2018

Época Negócios, 30 de outubro de 2018

ANDRÉA MARTINS

O ACHÉ RESPONDE AOS MOMENTOS DIFÍCEIS DA ECONOMIA COM INVESTIMENTOS, SEJA EM LANÇAMENTOS, SEJA EM FÁBRICAS COMO O COMPLEXO INDUSTRIAL DE PERNAMBUCO

MUITO INVESTIMENTO ESTÁ NA BASE do bom desempenho do Ache, mesmo em tempo de fragilidade econômica do país. A receita líquida cresceu 10,5%, para R$ 3 bilhões, e o Ebitda 6,9%, para R$ 870,4 milhões. O lucro líquido, de R$ 566,4 milhões, permitiu chegar à margem líquida de 19,1% e a uma rentabilidade do patrimônio de 37,2%. “O Aché é uma empresa sólida, e um dos diferenciais é a visão positiva em meio a cenários macroeconômicos desfavoráveis”, diz Vânia Nogueira de Alcântara Machado, presidente da empresa.

Inovação e excelência operacional, com foco no cliente e com sustentabilidade, estão alinhadas no planejamento estratégico da companhia, segundo Vânia. Em 2017, investiu na renovação do portfólio, com o lançamento de 30 produtos; criou 247 novos postos de trabalho, em meio a uma onda de desemprego no país; e ofereceu mais de 240 mil horas de treinamento e capacitação aos colaboradores, um investimento de R$ 31 milhões.

Para inovação, foram destinados R$ 90,4 milhões, 10,4% do Ebitda ou 3% da receita líquida. Além disso, R$ 41 milhões foram para tecnologia fabril e logística, R$ 39 milhões para projetos de tecnologia da informação e R$ 5 milhões para qualidade. Entre as novidades está o Nile (Nanotechnology Innovation Laboratory Enterprise), o primeiro laboratório de nanotecnologia do Brasil, em parceria com a Ferring Pharmaceuticals. E um programa para a prospecção da biodiversidade brasileira, focado no desenvolvimento de medicamentos, junto ao CNPEM (Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais). O marketing recebeu R$ 750 milhões em 2017, quantia 12% superior à de 2016.

“Todos os investimentos possibilitaram uma velocidade de crescimento e um desempenho de destaque no setor farmacêutico”, afirma Vânia. Considerada a receita bruta, o Aché cresceu 15,6%, enquanto o mercado registrou 11,7%, na medição da IMS Health. Em medicamentos vendidos apenas sob prescrição médica, a companhia manteve a liderança pelo 11° ano consecutivo, com 6,63% de market share, segundo a Close-Up International, uma das principais empresas de auditoria e relatórios do mercado de prescrições.

Fundado em 1966, o Aché tem portfólio composto por 326 marcas, em 804 apresentações, nos segmentos de medicamentos sob prescrição, genéricos, isentos de prescrição, dermocosméticos, dermomedicamentos, nutracêuticos, probióticos e biotecnológicos. Os produtos são vendidos em múltiplos canais.

Com 4,7 mil colaboradores, o grupo possui quatro instalações industriais. Detém 25% da Bionovis, joint venture brasileira dedicada à pesquisa e desenvolvimento de medicamentos biotecnológicos. Em março de 2016, adquiriu a divisão químico- farmacêutica do laboratório gaúcho Tiaraju, especializado em fitomedi- camentos e alimentos funcionais.

Com investimento de R$ 500 milhões, o Aché avançou na construção do novo complexo industrial em Pernambuco, para maior aproximação com os clientes do Nordeste e Norte. A previsão é que a fabricação de medicamentos entre em completa operação em 2021.