Goiás é mercado promissor na produção de etanol 2G

Publicado em 18/09/2014
Jornal O Hoje, em 18/09/2014

 

Segundo o Sifaeg, algumas empresas no Estado já estão investindo no biocombustível, derivado do bagaço da cana.


André Rocha, da Sifaeg, espera para ver viabilidade econômica

O Brasil tem potencial para produzir 120 milhões de litros de etanol segunda geração por ano, produto derivado do bagaço e da palha de cana-de-açúcar. A informação é da pesquisadora da Embrapa Agroenergia, Dasciana Rodrigues. Para ela, este tipo de biocombustível poderá se tornar um dos combustíveis mais competitivos do mercado nos próximos anos.

Embora Goiás ainda não produza este tipo de biocombustível, o presidente-executivo dos Sindicatos da Indústria de Fabricação de Açúcar e de Etanol do Estado de Goiás (Sifaeg/Sifaçúcar), André Rocha, acredita que a área é promissora.

“Tem futuro e temos totais condições de explorar. É um produto derivado de qualquer tipo de biomassa, e matéria prima nós temos. Goiás já é o segundo maior produtor de cana-de-açúcar do País e futuramente pode, sim, ser um mercado bastante promissor”, alega.

Porém, na opinião do presidente-executivo da Sifaeg, ainda é cedo para saber quando o Estado começará a investir nesse segmento. “Está ainda na parte da pesquisa, em fase de maturação. Para a parte comercial, demora um pouco. Temos algumas empresas que já estão investindo e começarão a produzir o etanol 2 G já este ano. Mas em Goiás ainda temos de esperar para ver se será economicamente viável. É muito cedo”, relata.

A empresa de biotecnologia industrial Granbio é uma das pioneiras em âmbito nacional e já investe no biocombustível. Além disso, a companhia acredita que a nova tecnologia vai dobrar a fabricação brasileira de etanol em 20 ou 30 anos.

“Usando somente palha e bagaço, é possível aumentar em 50% a capacidade de produção do combustível, sem a necessidade de ampliar as áreas plantadas do canavial”, diz a empresa.

A Granbio explica que os custos de produção e comercialização serão menores. “Isso ocorre devido ao baixo preço da matéria-prima. À medida que a fábrica atingir 100% de sua capacidade, alcançaremos um custo mais competitivo que o do etanol de primeira geração”, informa a Ganbrio.

Segundo o diretor agrícola da GranBio, José Bressiani, esta é a solução mais promissora para o setor sucroalcooleiro. “Está ficando mais barato e eficiente, e não vai fazer mais sentido produzir álcool a partir do caldo da cana, que é nobre e rico em açúcar. Além disso, com uso da palha se pode aumentar a produção em até 45% sem aumento de área plantada e sem competição com alimentos. Há, ainda, cerca de 32 milhões de hectares de pastagens degradas que podem ser recuperados e plantados”, defende.

 

Dificuldades

Por outro lado, o coordenador do Laboratório Nacional de Ciência e Tecnologia de bioetanol (CTBE), Antônio Bonini, ressalta que o 2G enfrenta algumas dificuldades. “Os principais desafios são: a logística, produção de enzimas e operação do processo”, diz. Algumas matérias-primas como: sorgo e resíduos florestais, também, podem ser utilizadas na elaboração do etanol de segunda geração. “O ideal é que o material esteja disponível em grandes quantidades e com preços baixos”, finaliza Bonini.

Por causa justamente do preço é que Goiás ainda não tem interesse na produção. O presidente-executivo do Sifaeg, André Rocha, lembra que o setor passa por uma crise. “O preço da energia está alto, outro setor que também passa por uma crise. Então, hoje está mais vantajoso vender o bagaço da cana-de-açúcar para o setor de energia do que para o etanol”, conta.

Para ele, o etanol primeira geração ainda tem muito para ser aproveitado em Goiás. “Temos de primeiro diminuir os custos na produção do etanol primeira geração, aumentar a eficiência porque ainda tem muitas fronteiras para ser exploradas. É um desafio. E a produção do etanol segunda geração também pode ser uma alternativa futuramente”, pontua.

Repercussão: Portal do Agronegócio

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